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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vagas de Fogo

Título: Vagas de Fogo
Autor: Filipe Faria

Sinopse: As Crónicas de Allaryia são já um clássico da high fantasy portuguesa, aproximando-se, com este quinto volume, do furioso clímax da odisseia iniciada cinco anos atrás. As hostes d'O Flagelo despertaram do seu torpor e estão de novo à solta no continente. A Cidadela da Lâmina foi arrasada. Sirulia foi posta a ferro e fogo. Aves de mau agouro sobrevoam Nolwyn, enquanto Ul-Thoryn começa os preparativos de guerra contra Vaul-Syrith. Neste novo capítulo das Crónicas de Allaryia, os companheiros que deram início a uma quase ingénua demanda n'A Manopla de Karasthan estão separados, perdidos, desesperançados. Embora poucos o saibam, a esperança reside em Aewyre Thorin, mas cada um dos companheiros terá um papel a desempenhar no vindouro conflito, encontrando-se porém privados do poder da sua união. Perseguidos por algozes do seu passado, deixados à deriva em terras desconhecidas, ou aprisionados entre inimigos que julgavam amigos, vêem-se confrontados com a iminente imersão de Allaryia nas trevas que todos já julgavam desbaratadas. Porém, Seltor, o precursor destas, aprendeu com os erros do passado e os seus propósitos não mais parecem os mesmos; ou pelo menos, não aparentam de todo ser o que dele se espera...

Opinião: Com a saga a melhorar a cada volume que passa, este Vagas de Fogo é, até agora, o que achei melhor escrito e que tem a história melhor explorada. E só não digo desenvolvida, porque há momentos em que a coisa se arrasta um bocado.

Aquilo que eu mais me lembrava de ter achado pior aquando da minha primeira leitura, foi a dispersão das personagens e, consequentemente, das linhas narrativas. Algo que já tinha sucedido no quarto volume e que neste apenas se acentua, com 6 ou 7 linhas narrativas ao mesmo tempo. Isto traz óbvios problemas no que diz respeito ao seguimento das personagens. Há algumas, deveras interessantes, até, que aparecem 4 ou 5 vezes ao longo do livro, em capítulos pequenos e quase ingratos.

Mas nem é assim tão mau. Do que me lembrava, pensei que estivesse pior. Apesar da história dispersa e dos cenários tão díspares que parecia que estava a ler 2 ou 3 livros diferentes ao mesmo tempo, o autor conseguiu lidar bem com a situação. Claramente mais maduro, tanto a esse nível como a nível de escrita, Filipe Faria mostra muita qualidade neste livro, uma característica que tem vindo a aumentar de volume para volume. Mas acho que é também possível ver que ainda há potencial, e que tanto o escritor como as Crónicas ainda podem melhorar...

E afinal qual é que é a melhor parte deste livro em particular? Não me lembro se já aqui mencionei a minha afeição especial pelo grande vilão, Seltor, mas SEEEELTOOOOOR!! É uma personagem absolutamente fenomenal, e os seus planos vão cada vez mais ganhando forma e apontando numa direcção específica. Uma direcção absolutamente indecifrável, mas uma direcção. Não há uma única personagem no livro que faça a mais pálida ideia do que raio anda ele a maquinar, nem mesmo os seus servos mais próximos e leais. Quanto mais quem lê, não é verdade?

Eu pessoalmente tenho uma vaga ideia, mas parece-me demasiado estrambólica para ser verdade. E nem sei precisar qual é a ideia que tenho... Não consigo pensar em nada que faça verdadeiramente sentido. É demasiado estranho. Só posso ficar à espera dos desenvolvimentos e atestar a qualidade deste volume.

As personagens continuam como a melhor parte, claro. Seltor, enfim, nem digo mais nada. As outras são intrigantes, especialmente os maus da fita, mas muito sinceramente não tenho o mínimo de paciência para os amores e desamores das personagens. Basta a relação intempestiva entre o Quenestil e a Slayra... Aborreceu-me de morte.

Tirando isso, é um livro muito bom. E que apenas conseguiu acicatar a minha já de si gigantesca e acirrada curiosidade para saber o fim da saga. Só de imaginar que ainda me falta todo um livro até chegar ao último! Mas pelo menos é um livro em que vão acontecer umas coisas interessantes, se bem me lembro...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Tempo em Allaryia


Uma das coisas mais difíceis de gerir quando se escreve uma história, é o tempo. Especialmente se for uma história da envergadura das Crónicas de Allaryia. E infelizmente, acho que o Filipe Faria tem momentos muito pobres, nesse campo.

O problema vai-se diluindo, com o passar dos livros, o que é compreensível. O autor e a sua escrita cresceram e amadureceram, o que se nota muito claramente ao longo da leitura dos vários volumes, mas há sempre alguns momentos que me fizeram confusão. Momentos que se tivessem sido manipulados por outros autores, teriam de certeza tido outro tratamento e deixado a experiência da leitura absolutamente incólume.

Os piores casos aparecem quando mais para trás na saga se andar, atingindo o expoente máximo, como seria de esperar, no primeiro livro. A Manopla de Karasthan, aquele que é para mim o livro mais fraco destas Crónicas, tem saltos completamente incompreensíveis. De um capítulo para o outro passaram 2 semanas, e os próximos 4 decorrem ao longo de 12 horas.

Isto não é grave e raramente é de facto importante, num livro. Simplesmente não se nota. Excepto quando acontece constantemente. Os saltos temporais das Crónicas são, na sua maioria, incoerentes e algo atabalhoados, especialmente nos primeiros livros.

Volta e meia tive aquela sensação de que algo não estava certo. Estas mudanças bruscas quebram bastante a fluidez da narrativa e o próprio ritmo da história. E quem é capaz de passar 5 ou 6 páginas a descrever uma luta de minuto e meio, vários vezes ao longo dos livros, não se pode dar ao luxo de em duas linhas dizer que se passaram 2 ou 3 semanas... várias vezes ao longo dos livros.

Ainda para mais quando os protagonistas estão separados e ora estou a ler um capítulo de 30 páginas sobre 2 dias de umas personagens, ora estou a ler um capítulo de 7 páginas sobre 2 horas de outra personagem, em que o narrador comenta ao de leve aquilo que essa personagem andou a fazer... nos últimos meses. Em meia dúzia de linhas.

É demasiado desconexo. Não é uma falha de maior e é um pormenor que facilmente leva a "erros" deste estilo. Contar uma história é difícil, contar uma história ao longo de 1 ano e tal ou 2 anos, com tanta coisa a acontecer... é extremamente difícil. E fazer isso tudo numa história que se começou a escrever aos 16 anos? Não é de todo uma tarefa fácil.

No entanto, e apesar de quebrar o ritmo de leitura e chamar a atenção para si própria, esta pequena falha não é um obstáculo de maior. Pode ser ligeiramente aborrecido, mas há coisas piores, não é verdade?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A Essência da Lâmina

Título: A Essência da Lâmina
Autor: Filipe Faria

Sinopse: Pearnon, o Escriba, continua zelosamente a contar a história de um mundo que um dia foi seu, ao longo de incontáveis e conturbadas Eras desde a sua criação. No livro anterior, a dolorosa e sangrenta demanda que levou Aewyre Thoryn e os seus companheiros através de Allaryia, saldou-se numa pesada derrota, apesar de terem conseguido escorraçar os exércitos de Asmodeon, pois O Flagelo regressou das sombras. Agora que o pai de Aewyre morreu para salvar o próprio filho, este parte para a Cidadela da Lâmina, um inquietante local de segredos ocultos. O jovem princípio terá de aprender a dominar a Essência da Lâmina, que aprtilha com Kror, ou lutar por ela com o drahreg num combate até à morte. Perigos milenares penetram insidiosamente uma vez mais em Allaryia e as tramas urdidas pel'O Flagelo começam finalmente a revelar-se, e os pesadelos passados ameaçam tornar-se um perigo muito real no presente. A única esperança reside no êxito que Aewyre e os seus companheiros obtiverem nas suas missões. Mas será possível vencer entidades tão superiores às suas forças?

Opinião: Enquanto lia este livro, a minha estranha memória fez questão de se lembrar da impressão que tive aquando da minha primeira leitura. E ou muito me engano ou não apreciei particularmente este volume. Agora vejo que usando esta informação num silogismo quase infantil, se pode provar que sou parvo.

É que se há coisa que este livro não é, é fraco. E não é, de longe, e apesar no que disse na minha primeira opinião, o mais fraquito até agora. Esse lugar está e estará inequivocamente guardado para A Manopla de Karasthan, a não ser que o Oblívio esteja tão mau que me apeteça ir bater no autor, por ter perdido tanto tempo com a saga.

O livro tem defeitos, como é óbvio. A divisão do grupo de protagonistas, a juntar aos maus da fita e companhia, leva a que a narrativa se fragmente em 6 ou 7 frentes diferentes. As consequências são óbvias. Filipe Faria já pode ser considerado um bom autor, pela altura deste livro, mas com pouca experiência, o que faz com que a já de si difícil tarefa de seguir tanta gente, se torne ainda mais complicada.

Senti muitas vezes que já não via determinada personagem há muito tempo. É esse, para mim, o grande defeito deste livro. Há personagens desenvolvidas até à exaustão e cuja história é seguida passo a passo, há outras menos visíveis, e há outras ainda que permanecem desaparecidas durante centenas de páginas para aparecerem e ficarmos a saber do que andaram a fazer em comentários quase levianos do narrador...

Enfim, tirando isso, tenho a dizer que fiquei com pena que a Cidadela da Lâmina não seja um cenário para livros futuros, por razões óbvias para quem tiver lido o livro. As personagens que lá se encontraram são das melhores desta saga, relativamente ao tempo de antena total que tiveram.

E a minha suposição mantém-se. A qualidade da saga aumenta de forma exponencial com o número de livros... Este é capaz de ser o melhor escrito até agora, ainda que acabe por, de certa forma, estagnar alguns aspectos da história em prol de um mais profundo desenvolvimento de algumas coisas que o autor quis frisar. A escrita está cada vez mais madura e bem trabalhada, e a história começa a mostrar um claro propósito, uma evolução bem demarcada, se quiserem. Nota-se que há um lento caminhar para algo, neste livro mais do que nunca... Os planos de Seltor estão em marcha e isso é claramente visível, o que me agrada bastante, já que Seltor é para mim a melhor personagem e muito provavelmente o melhor foco de espectacularidade das crónicas.

Agora vejamos o que me aguarda no quinto livro... Confesso que destes 4 primeiros tinha memórias mais intensas do que dos próximos 2, dos quais apenas tenho vagas ideias de alguns momentos. Acho que isto só vai fazer com que consiga retirar ainda mais prazer destas releituras, para além de aumentar a ansiedade em chegar ao último, o único que ainda não li e que guarda dentro das suas páginas uma saga que me é especial e que acompanho há vários anos...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Marés Negras

Título: Marés Negras
Autor: Filipe Faria

Sinopse: Nova incursão na fervilhante Allaryia, neste terceiro volume das suas crónicas, contadas pelo fiel escriba, Pearnon. Reencontramos Aewyre e os seus companheiros na cidade de Val-Oryth em Tanarch, a um passo do seu destino último: Asmodeon. Aí, Aewyre espera poder por fim descortinar o destino de seu pai Aezrel, o desaparecido campeão de Allaryia. O jovem príncipe e os seus companheiros aprofundaram entretanto os laços de amizade que os unem, mas não sem duros sacrifícios, dos quais resultaram feridas profundas que dificilmente sararão. Velhos inimigos regressam para atormentar o grupo, e nas sombras da própria Val-Oryth residem perigosos adversários que os companheiros desconhecem e que os submeterão a rudes provações. Não muito longe de Tanarch, as Marés Negras sobem uma vez mais, trazendo consigo memórias de um passado sombrio e pressagiando tempos conturbados para Allaryia e todos os seus habitantes.

Opinião: As minhas teorias confirmam-se! Esta saga vai de facto melhorando à medida que avança. Marés Negras é sem sombra dúvida o melhor até agora, especialmente se ignorarmos os desaires amorosos das personagens, para os quais não tenho a mínima paciência, tão à là telenovela que são, e nos focarmos na parte final do livro: o embate das hostes de criaturas malignas nas muralhas de Aemer-Anoth, a primeira linha defensiva de Allaryia, controlada pelos sirulianos.

A trama adensa-se a cada página, a história vai tomando contornos cada vez mais complexos, e há situações cada vez mais bizarras. Eu pessoalmente sempre achei que uma das cenas finais, que envolve Baodegoth, o moorul (esqueleto ambulante e sedento de sangue) possuído por udagais (espíritos maus das estepes), Hazabel, a harahan (mulheres das sombras, fígadívoras), e Ancalach, a Espada dos Reis, era hilariante, de tão bizarra...

Mas bem, antes que eu comece a regurgitar demasiados pormenores, deixem-me revelar só um, um grande, mas só um, e perdoem-me pelo spoiler, mas aparece o Seltor! O grande vilão, a melhor personagem das Crónicas! Seltor é o Anátema, o Flagelo, o Segundo Pecado... Filho de Luris, a Entidade primordial mais inclinada para o Mal, e de um humano, Seltor demorou praticamente 3 livros a aparecer e sei que vai continuar bastante desaparecido durante grande parte dos outros livros, mas não hesito em afirmar que é a melhor parte desta saga.

Diga-se o que se disser do Filipe Faria, da sua escrita e dos seus livros, ele conseguiu criar aqui um grande vilão. Eu sei do que falo, que sou fã de vilões e vilãs. As minhas personagens favoritas são habitualmente os maus da fita, pelas mais variadas razões, e isso volta a acontecer com Seltor.

Se calhar é melhor não falar tanto de Seltor e falar um pouquinho mais sobre o livro. Eu bem quero, mas é complicado. Ele mal aparece neste livro e o seu poder não só ensombra o futuro de Allaryia, como as suas Crónicas, fazendo o resto do livro parecer pálido e sensaborão quando em comparação. Se bem que o livro não é, de todo, mau. Não se deixem enganar pelas minhas palavras de admiração exagerada por Seltor, o livro é bom, é o primeiro desta saga que apelido de bom, sem que a voz me trema de insegurança.

E como bónus ainda tem a capa mais horrível de todos os 7. Tirando as últimas duas, nenhuma delas está nenhum portento da natureza, mas esta em particular... eugh. Enfim, ignorem isso e aventurem-se na leitura desta autêntica epopeia pioneira de high fantasy portuguesa de qualidade crescente!

sábado, 29 de setembro de 2012

Os Filhos do Flagelo

Título: Os Filhos do Flagelo
Autor: Filipe Faria

Sinopse: Allaryia, o mundo distante e fantástico, povoado de seres extraordinários, que ficámos a conhecer em A Manopla de Karasthan, abre-se de novo diante dos nossos olhos com a publicação do segundo volume das suas crónicas - Os Filhos do Flagelo. A demanda de Aewyre e dos seus companheiros prossegue, na tentativa de chegar a Asmodeon e levantar o véu de mistério de envolve o desaparecimento de Aezrel Thoryn, mas muitas são as adversidades que têm de enfrentar a caminho do seu destino. Separados, os companheiros mais que nunca dependem uns dos outros para sobreviverem às provações que se lhes depararão: Quenestil e Babaki, que partiram em busca de Slayra e dos seus captores, e o resto do grupo, que segue para as inóspitas estepes de Karatai em perseguição de Kror, o enigmático drahreg que partilha com o jovem Thoryn a Essência da Lâmina, um segredo milenar dos guerreiros de Allaryia. A saída de Ancalach, a Espada dos Reis, do reino de Ul-Thoryn, fez despertar de um longo torpor os Filhos da Sombra, começando a libertar a sua pérfida influência maligna. Insidiosamente, a coberto das sombras, nos obscuros espaços das trevas, o Mal vai estendendo os seus múltiplos e mortíferos tentáculos, antecipando o abraço letal, e tornando, a cada momento, mais visíveis os contornos tenebrosos das suas reais intenções. Há um perigo oculto do qual as gentes de Allaryia ainda não se aperceberam e Pearnon, o escriba, pressente-o sem o poder transmitir. A determinação e a força de armas de Aewyre e seus companheiros serão certamente postas à prova nos tempos vindouros...

Opinião: Apesar de ser o segundo livro da saga, foi exactamente com este livro que tudo começou. Ofereceram-mo, pareceu-me interessante, e esteve arrumado na estante durante meses e meses, até eu encontrar o primeiro volume.

Na altura adorei. O meu fascínio pelo autor, Filipe Faria, foi avassalador. Ao reler as opiniões das primeiras leituras, lembro-me perfeitamente de como adorei as semelhanças da história com o guião de um jogo de tabuleiro, especialmente no primeiro livro. Era só aventuras atrás de aventuras, doses de cachaporrada atrás de doses de cachaporrada... O que é que eu podia pedir mais?

A verdade é que agora não me fascina por aí além. Este segundo volume já me parece mais maduro, com uma escrita mais consistente, uns diálogos mais realistas... Enfim, é sem sombra de dúvida um livro melhor, muito melhor. Mesmo esquecendo a minha parcialidade relativamente a esta saga, posso afirmar sem problemas de consciência que este livro está acima de mediano, é quase quase um bom livro.

É que lá está, a saga não me está a parecer assim tão espectacular, nesta segunda leitura. É interessante e as personagens continuam óptimas, ainda que algumas tenham algumas decisões e acções um tanto ou quanto... estranhas, mas não é nenhum portento da literatura. De todo.

Ainda por cima, e por mais que goste da saga, este livro em particular nunca me caiu bem. Não posso de forma nenhuma revelar quaisquer pormenores, mas deixem-me dizer que acontece algo a uma certa personagem que é absolutamente imperdoável. Esse momento neste livro é um fardo que a saga carrega nos próximos 5 e que eu nunca consegui perdoar ao autor.

Quer dizer, é algo que até é recorrente em grandes sagas de fantasia, de tal forma que quem for familiar com esse mundo de certeza que já percebeu do que estou a falar. Mas neste caso em particular não me caiu nada bem. E o que há 2 ou 3 anos me pareceu absolutamente abominável, parece-me agora como um pequeno laivo de génio. Este tal acontecimento que eu faço soar a heresia, ou algo do estilo, acabou por se tornar no ponto alto do livro e criou em mim revolta genuína. Na altura pareceu-me idiota, mas agora percebo que foi apenas algo bem feito e que consegue fazer os leitores sentir algo com o que se passa no livro.

Resumindo, a coisa melhorou, mas ainda não atingiu o expoente máximo que eu sei que a saga é capaz de atingir. O final deste volume já é o começo de algo grande e espectacular que aí vem, e pelo qual eu mal posso esperar... Diga eu o que disser, a verdadeira espectacularidade começa no próximo livro, sem que este deixe de ser quase quase um bom livro!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Que as citações nos caiam em cima [19]


Esta citação não tem nada de literário nem tenta transmitir nenhuma mensagem profunda. É apenas e só, hilariante.

"Se vocês não o calam, juro que lhe arranco os olhos e lhos enfio pela boca para que ele possa ver a porcaria que de lá sai!"

A Manopla de Karasthan, Filipe Faria

É o Worick, o general thuragar, que diz tal coisa, referindo-se a Taislin, o pequeno burrik. Worick é das minhas personagens favoritas, e os insultos dele são todos dignos de virem aqui parar. Este foi apenas o primeiro a sério que encontrei.

Esta personagem é tão labrega, brejeira e agressiva, que só me consigo rir sempre que ele diz ou faz alguma coisa. É que não consigo controlar. As suas desavenças com as várias personagens são momentos altos na leitura, especialmente neste primeiro volume, em que são das melhores coisas que por lá aparecem... Nem sei que dizer mais, olhei ali para a citação e desmanchei-me a rir outra vez!

Agora já sabem, citações que queiram enviar, façam-no para o queaestantenoscaiaemcima@gmail.com!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A Manopla de Karasthan

Título: A Manopla de Karasthan
Autor: Filipe Faria

Sinopse: Na imensidão cósmica existe um mundo, Allaryia, de grandes heróis e vilões infames, de seres de uma beleza indescritível e criaturas maléficas de uma fealdade atroz, nações poderosas e impérios tirânicos. Depois de muitas eras que alternaram entre a paz e a discórdia, encontramos neste primeiro volume das Crónicas de Allaryia, um tempo de aparente tranquilidade, de uma calma inquietante, semelhante ao silêncio que antecede a tempestade. Algures, numa câmara escura, subterrânea, algo se move, tentando libertar-se de anos de cativeiro, algo monstruoso, inumano, sedento de sangue e dor. O povo de Allaryia perdeu o seu campeão – Aezrel Thoryn, provavelmente morto numa batalha contra o Flagelo, a força das trevas, em Asmodeon – e mais do que nunca precisa de protecção. Aewyre Thoryn, o filho mais novo do saudoso rei, pega em Ancalach, a espada do seu pai, decide descobrir o que realmente lhe aconteceu e parte a caminho de Asmodeon. O que o jovem guerreiro não podia prever era que a sua demanda pessoal se iria transformar, à medida que os encontros se vão sucedendo, na demanda de um grupo particularmente singular, que reunirá a mais estranha e inesperada mistura de seres - Allumno, um mago, Lhiannah, a bela princesa arinnir, Worick, um thuragar, Quenestil, um eahan, Babaki, um antroleo, Taislin, um burrik, Slayra, uma eahanna negra e o próprio Aewyre. O ritmo a que se sucedem as aventuras é absolutamente alucinante, a cada passo surgem perigos mais tenebrosos, seres aterradores que esperam, ocultos nas sombras, o melhor momento para atacar e roubar a tão desejada Ancalach… Mas os laços de amizade que unem o grupo estão cada vez mais fortes e, juntos, sentem-se capazes de enfrentar qualquer inimigo.

Opinião: A minha primeira leitura desta obra encontra-se comentada algures aqui no blog, mas desaconselho vivamente a sua leitura. Não é a pior das opiniões que escrevi sobre um livro desta saga, mas não diz nada de especial. E esta segunda leitura foi bastante diferente.

A começar por não ter conseguido despertar em mim o fascínio da primeira. Mais velho e mais lido, detectei falhas e semelhanças demasiado óbvias com outras obras a uma velocidade e frequência estonteante. Da inspiração no folclore alemão e em lendas mais antigas que a Sé de Braga, às raças de Allaryia, versões deturpadas, ligeiramente modificadas e re-nomeadas das raças de Tolkien e da grande fantasia em geral. Anões viram thuragar, hobbits viram burriks, elfos viram eahan, drows viram eahannoir...

Enfim, a coisa acaba por estar bem construída, e o autor possivelmente queria-se afastar ligeiramente das versões mais consensuais, isto ainda é o menos grave. O que de certa forma acaba por falar em grande são precisamente aqueles que para mim são os 3 grandes pilares de um bom livro: a história, os diálogos e a escrita.

Durante a maior parte do livro, senti que estava a ler um guião de um jogo de tabuleiro, daqueles com figurinhas pintadas à mão e sistemas de combate mais complexos que o sistema burocrático português. Os diálogos são na sua maioria profundamente idiotas e irrealistas, e a escrita oscila fortemente entre um tom casual e amigalhaço do leitor, com interpelações directas e comentários pessoais, e um tom mais elaborado e trabalhado, com palavras rebuscadas que simplesmente não encaixam.

Mas vamos pensar bem nisto. É o primeiro livro de Filipe Faria, escrito quando ele tinha 16 anos. Por esse prisma, é um óptimo livro. Apesar da pesada herança inspiracional, a imaginação é enorme e as personagens são excelentes, ainda que tenham os seus momentos de parvoíce. Algumas melhores que outras, como é óbvio, mas tenho que destacar Worick, o general thuragar ao serviço de Vaul-Syrith e protector pessoal de Lhiannah, a princesa syrithiana. A sua personalidade intempestiva está genial. Sempre a resmungar e a insultar tudo o que mexa, normalmente intercalando insultos deveras imaginativos com promessas de porrada, o thuragar ainda assim revela que tem bom fundo.

E Babaki! Algo desaproveitado, esta criatura que para mim é um wookie bem falante que se consegue transformar em super-sayin, é uma personagem mais do que interessante, com o seu conflito interior entre a sua personalidade calma e bondosa e o animal violento e sedento de sangue que lhe corrói o espírito.

Só que pronto, a história não está construída da melhor forma. As coisas acontecem um bocado por acaso, são quase todas relativamente precipitadas, e tudo se resolve num piscar de olhos, com uma decisão inflamada. E depois de batalhas exaustivamente descritas e locais exemplarmente inventariados, há certos momentos em que passam algumas semanas em duas linhas. Não é, de todo, a melhor forma de escrever uma história.

Mas o meu apreço pela saga supera estes defeitos todos e deixa-me imensamente ansioso para continuar a leitura... Não digo curioso porque sei a história, em traços gerais, mas dá para perceber a ideia. Venham Os Filhos do Flagelo!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Viajando por Allaryia


Tudo começou há uns anos, já não faço a mais pálida ideia de quantos, exactamente pela altura que passou há pouco: o meu aniversário. Digamos que tenho uma prima que é espectacular por várias razões, uma das quais é o facto de ser das poucas pessoas que me foi dando livros, como prenda.

Este assunto dos livros como prenda dá muito que falar, pois por estranho que pareça, as pessoas que mais lêem são exactamente as que menos livros recebem, a maior parte das vezes. Mas pronto, isso fica para outra vez.

O que interessa é que essa minha prima me ofereceu um livro, certa vez: Os Filhos do Flagelo, de Filipe Faria. Livro que eu não conhecia, de um autor português que eu não conhecia. Nem nunca tinha visto a capa em lado nenhum. Como é óbvio, a curiosidade explodiu por ali fora.

Mas quando comecei a investigar o livro, deparei-me as palavras no topo, por cima do título, que agora sei serem o nome desta saga pioneira de high fantasy portuguesa: Crónicas de Allaryia. A minha memória não é lá grande coisa, mas em termos de literatura é uma máquina e, como tal, foi logo buscar uma vaga memória de uma consulta no centro de saúde, uma coisa de rotina, em que o homenzinho me queria falar sobre sexualidade e afins, para que eu estivesse informado e prevenido e isso tudo.

Como é óbvio, ele não foi logo directo ao assunto, com medo de assustar o eu-adolescente, ou algo do género, mas começou por fazer a abordagem pessoal: "Então o que é que gostas de fazer?", pergunta à qual a resposta mais imediata é "Ler.", já há vários anos. Perguntou-me então se eu já tinha ouvido falar das Crónicas de Allaryia. Não tinha, nem percebi muito bem, pois respondi que tinha lido As Crónicas de Nárnia e tinha gostado. Ele lá me explicou que eram outras diferentes, mas eu não fiquei muito convencido, e a memória acaba-se aqui.

Isto queria dizer que eu já tinha ouvido falar de algo relacionado com aquele livro. A curiosidade anteriormente explodida, conseguiu explodir com a sua própria explosão, num mega rebentamento da mais pura e genuína curiosidade. Mas rapidamente descobri que Os Filhos do Flagelo era o segundo volume destas Crónicas. O desespero da procura pelo primeiro volume durou algum tempo, até que o encontrei e devorei, assim como o segundo, o terceiro e o quarto. Depois esperei pelo quinto, que devorei. Depois pelo sexto, que devorei. E depois esperei o que me pareceu bastante tempo pelo sétimo e último, numa edição de luxo que não me farto de gabar, que ainda não devorei. E porquê?

Porque sou louco. Como já não me lembrava a 100% da história, meti na cabeça que ia ler os sete volumes todos seguidos. Assim por alto, são entre 3500 e 4000 páginas basicamente sobre a mesma coisa. Para muita gente que conheço, ler 3 linhas sobre o mesmo assunto é algo extenuante, nem sequer quero tentar imaginar a reacção delas a esta minha decisão. Um colapso nervoso? Um enfarte agudo do miocárdio? Coma literário? Nem sei.

Mas é exactamente isso que eu vou fazer. Se aguentei 1376 páginas de Stephen King e 4 custosas epopeias de seguida, consigo lidar com 4000 páginas de high fantasy. Especialmente porque compensa. Lembro-me perfeitamente que fiquei deslumbrado com esta saga. A certa altura fui até completamente fanático. Com o tempo comecei-me a aperceber das falhas na escrita e na história, e da clara evolução do autor ao longo dos livros, mas nunca perdi esse fascínio por esta saga. Não só por ser um tipo de literatura que aprecio bastante, mas também por ser português, por o autor ter escrito o primeiro livro com 16 anos e a coisa não ter saído uma grandessíssima porcaria, e por ser inovador. Os autores portugueses não escrevem high fantasy. Ricardo Pinto não conta, que escreve em inglês, e a saga da Sandra Carvalho é posterior à do Filipe Faria, portanto que eu saiba, o Filipe foi o primeiro!

É preciso coragem, é preciso vontade e é preciso talento, diga-se o que se disser da sua escrita e dos seus livros. A verdade é que admiro muito este autor e esta saga, e mal posso esperar por terminar a sua leitura, nesta minha autêntica Viagem por Allaryia, um mundo que tem um cantinho especial nas minhas estantes.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filipe Faria


Nascido a 11 de Fevereiro de 1982, frequentou a Academia de Stª Cecília durante um ano, tendo depois entrado na Escola Alemã de Lisboa, onde esteve desde o jardim de infância, até ao 12º ano.

Foi através desse contacto com a cultura alemã, tão diferente da nossa, que ganhou uma perspectiva diferente. Essa perspectiva, aliada a um precoce gosto pela leitura, em especial de literatura fantástica, de autores como Margaret Weis, Tracy Hickman, George R. R. Martin, e J. R. R. Tolkien, ao seu interesse pela Idade Média, e ainda à descoberta, no 8º ano, na biblioteca da escola, do livro Tolkien's Bestiary, que a fantasia tem sido uma paixão para este autor.

Foi assim, que aos 16 anos começou a escrever o seu primeiro livro, "A Manopla de Karasthan", que começou como um simples esboço, e evoluiu para um épico de quase 600 páginas, e que viria a ser o primeiro de uma saga de 7, "As Crónicas de Allaryia".

Foi com esse livro que ganhou o Prémio Branquinho da Fonseca, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e o Jornal Expresso, em Novembro de 2001. Em Janeiro de 2002, contactou a Editorial Presença, que publicou o seu livro em Abril desse mesmo ano, sendo seguido, em Dezembro, pelo segundo livro, "Os Filhos do Flagelo".

Ainda completou 3 anos do curso de Línguas e Literaturas Modernas, mas decidiu-se pela carreira de escritor, que tem tido sucesso. Já publicou mais 4 livros da saga, "Marés Negras", "A Essência da Lâmina", "Vagas de Fogo" e "O Fado da Sombra", tendo já prometido o 7º, e último livro. Já colaborou também num livro de banda desenhada, "Talismã", e num livro de contos em homenagem de António José Branquinho da Fonseca, no qual participaram os 4 vencedores das 2 edições do Prémio Branquinho da Fonseca.

Mas no entanto, foi com "As Crónicas de Allaryia", que o autor se distinguiu, e ainda distingue. Adorado por uns, odiado por outros, que vêm demasiadas influências de Tolkien, Dungeons & Dragons, e jogos de computador nos seus livros, a verdade é que Filipe Faria é um pioneiro da literatura portuguesa, sendo dos primeiros escritores portugueses da chamada High-Fantasy, ou Fantasia Épica, e sem dúvida, o mais bem sucedido.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Fado da Sombra



Antes demais, não sei se descreva este livro como dos melhores ou dos piores da saga. Tem umas reviravoltas absolutamente surpreendentes, de deixar cair o queixo, e outros momentos de completa monotonia, e de desilusão. O prólogo é interessante e tal, deixa muita coisa no ar, mas depois Seltor só aparece no final, o que para uma personagem tão excepcional como ele é, é um bocado a puxar para a desilusão...

Temos a situação do Quenestil, que é interessantíssima, e que provavelmente vai decidir o futuro das Crónica no próximo e último livro, mas o envolvimento do Tannath, com aquela luta de um capítulo inteiro, foi extremamente aborrecida. Cerca de 20/30 páginas cuja única coisa que acontece são estes dois a porrada? Não obrigado, estendeu-se demasiado.

Depois temos o Allumno, que até que começou bem, mas teve um fim precipitado e que foi sinceramente decepcionante. Esperava mais desta personagem, e do que lhe aconteceu.

Worick, Taislin e Lhiannah estiveram um bocado apagados, embora já sentisse falta do thuragar, com as suas piadas e constante luta com o burrik! E Worick teve um belíssimo ponto alto na invasão dos thuragar, pois estava no seu meio natural, rodeado de inimigos e a andar à porrada.

De Kror mal se ouviu falar, apenas com uma perseguiçãozita, e uma partezita de nada no final, embora essa parte tenha sido interessante, mas esperava-se mais de uma personagem tão interessante.

Aewyre, o grande protagonista, foi... bem, o grande protagonista. Teve os seus momentos altos, e um momento altíssimo, que simplesmente adorei, no final, depois da luta com Seltor.

A Slayra regressou em força às suas origens, embora não seja um desenvolvimento assim tão bom, mas está melhorzinha do que nos livros anteriores.

E toda a situação do Aereth e do Culpa foi das melhores situações de todas as Crónicas, embora ache que Culpa foi uma excelente personagem, muito sub-aproveitada.

Quanto à história em sim, um claro desenvolvimento da parte do autor, quando comparado com os outros livros, e a linguagem é aqui muito menos complexa, embora ainda hajam alguns laivos de complicação, mas pouca coisa...

Balançando, o livro fica numa linha ténue entre o melhor livro e dos piores. Depende do capítulo em que uma pessoa estiver a ler!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vagas de Fogo


No 5º livro das Crónicas de Allaryia, de Filipe Faria, temos provavelmente o conjunto de histórias mais dispersas de toda a saga. Aewyre e Kror voltam para Ul-Thoryn, depois de a Cidadela da Lâmina ter sido arrasada pela presença de Culpa (que acho que me esqueci de referir no último post...). Para resumir, Culpa é o humano pai de Seltor, e sente-se de tal maneira culpado por ter trazido o Flagelo ao mundo, que não consegue morrer, e como Seltor, derivado da culpa que Culpa sente (desculpem a redundância), tem alguma influência sobre o seu pai, manda-o atrás de Aewyre, e ao chegar lá, a culpa que faz todos sentir, arrasa a Cidadela.

Mas Aewyre consegue fugir, depois de Culpa cair de um penhasco, e volta para Ul-Thoryn, praticamente carregando Kror, que se encontra ferido no joelho, e trazendo também Layaline e Làrianna, uma mulher e sua filha que Aewyre conheceu na Cidadela, e que jurou proteger.

Enquanto isso, Allumno continua a sua demanda por toda Allaryia, matando magos que tenham a probabilidade de se entregarem às sombras de Seltor, até que Zoryan lhe revela algo que o deixa fulo...

(o suspense é lixado...)

Lhiannah, Worick e Taislin, encontram-se já em Ul-Thoryn, com o corpo de Aezrel Thoryn, morto pelo Flagelo, mas Aereth Thoryn, o regente, irmão de Aewyre, não acredita que aquele é o corpo do seu pai, e, com a mente envenenada pelas palavras de Dilet, o bobo, um Aesh'alan disfarçado no palácio, prende Lhiannah e Worick, que conseguem depois escapar com a ajuda de Taislin.

Quenestial e Slayra chegam aos Fiordes, a zona mais remota da Wolhynia, onde assentam na casa de Øska, uma garđing (palavra finesse da wolhynia para chefe), juntamente com os eahlan e Deadan. Quenestil conhece Ijhseorn, um kahrkr, que ainda acredita piamente nas velhas profecias dos Fiordes, e acredita que o eahan é o percursor das Vagas de Fogo, anunciadas por uma dessas profecias, e tenta convencê-lo a ir para Eiħrøin, a ilha onde encontraria o seu destino.

É talvez um dos melhores livros da saga, mas talvez isso também venha da comparação com o anterior, que era muito fraquinho, e as expectativas estavam em baixo, e depois foi razoável, e pareceu-me excelente. Nunca se sabe, mas se não pensarmos nisso, acho que foi mesmo um dos melhores, com a escrita a que o autor já nos habituou, demorada e extremamente descritiva, com batalhas incrivelmente longas, e palavras igualmente longas e complicadas e estranhas, embora essa tendência se tenha vindo a atenuar um bocado...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Essência da Lâmina


O 4º volume das Crónicas de Allaryia, é também o mais fraquinho, na minha opinião. O ponto alto das Crónicas, até aqui, foi o regresso de Seltor, no livro anterior, e a morte do seu recém-voltado pai, Aezrel Thoryn. Para o conseguir derrotar, Aewyre tem que dominar a Essência da Lâmina, que partilha com Kror, um drahreg assim pro esquisito, e para isso vão os dois para Cidadela da Lâmina, onde todos os que possuiem a Essência da Lâmina vão, para a aprenderem a dominar, e para se tornarem mestres na arte da espada.

Mas isto arrasta-se, e no final não se chega a conclusão nenhuma, voltam à estaca zero. Um livro do mesmo estilo que os outros 3, com aquelas características a fazer lembrar uma campanha de um qualquer jogo de computador, e as palavras caras e o enredo divido em várias vertentes para complicar um bocado.

Mas verdade seja dita, continua razoável. É capaz de ser o pior da saga, mas não está mau, dá para entreter. Os treinos na Cidadela são... interessantes. E apesar de se arrastar um bocado (fiquei com a impressão que o autor estava a forçar para ter mais páginas para escrever) lê-se bem.

domingo, 14 de junho de 2009

Marés Negras


O terceiro volume das Crónicas de Allaryia, e que continua na perfeição os dois títulos anteriores, com um uso de palavras difíceis fora do normal, e um enredo que dá tantas voltas e reviravoltas, que até dá dores de cabeça. O grupo do costume (menos Babaki, que morreu no livro anterior) tanto junto como separado, a enfrentar inimigos de todos os lados e a toda a hora, continua a história de high-fantasy a que o autor já nos habituou, com um estilo parecido à melhor campanha épica de qualquer jogo de Role-Play. Esta semelhança com os jogos, é provavelmente causada pela tenra idade com a qual o autor começou a escrever os livros, embora ao escrever este, já tivesse os seus 19/20 anos, e já se comece a notar uma maior maturidade na escrita.

Claro que, ainda assim, é mais do que vísivel, a tal falta de maturidade, com óbvias semelhanças entre o estilo do livro, jogos de computador, e mesmo algumas coisas de outros livros. Não me entendam mal, não é plágio. Apenas, como todos os escritores, o autor tem fontes de inspiração, e no caso dele, como ainda não tem (ou tinha, na altura) maturidade suficiente na escrita, essas inspirações são mais óbvias de descobrir com a leitura do livro. Ainda assim, um bom livro.

O grupo encontra-se em Tanarch, a o ponto de Allaryia mais perto do seu destino, Asmodeon, onde Aewyre espera encontrar o seu pai, Aezrel. As Marés Negras sobem uma vez mais, pressagiando um futuro negro e tempos difíceis para Allaryia. Dá-se uma grande batalha em Aemer-Anoth, com a fortaleza dos Siruliano a ser cercada por um exército de drahregs, ulkekhlens e ogroblins, liderados por um temível azigoth. Dentro da fortaleza estavam Aewyre e os seus companheiros, bem como 400 e qualquer coisa prisioneiros tanarchianos, que os Sirulianos decidiram usar como exército, e um pequeno batalhão de arqueiros Sirulianos, decididos a ter uma participação pouco activa na batalha.

O azigoth empunhava a Dalshagnar, a espada de Seltor, o Primeiro Pecado, e a meio da batalha, numa situação um bocado esquisita, que envolve o moorul e a harahan a serem trespassados pela Dalshagnar e a Ancalach, tanto Aezrel (que se encontrava preso na Dalshagnar) como Seltor (que se encontrava preso na Ancalach) se libertam, e começam à porrada. Seltor mata Aezrel, e embora tenha dado um novo fôlego ao seu exército, limita-se a desaparecer, e a ordenar a retirada dos monstros.

Estranho. Mas bom.

domingo, 3 de maio de 2009

Os Filhos do Flagelo


A brilhante continuação do livro 'A Manopla de Karasthan', e o 2º volume das Crónicas de Allaryia, 'Os Filhos do Flagelo' continua a história de Aewyre e dos seus companheiros, que se encontram agora separados. Quenestil e Babaki dirigem-se a Jazurrieh, a cidade negra dos eahanoirs, para resgatar Slayra, um dos membros do grupo que foi raptada. O resto do grupo persegue Kror, um drahreg que partilha a Essência da Lâmina com Aewyre, pelas estepes de Karatai, o domínio dos Ocarr.


Quenestil e Babaki, uma vez em Jazurrieh, conseguem resgatar Slayra do seu captor, Tannath, um vil assassino eahanoir, mas a um grande preço. Babaki morre. Quando estavam a fugir da cidade, um grande grupo de eahanoirs ataca-os, e Babaki entrega-se à sua natureza selvagem de Shakarex e combate-os, ganhando tempo para Quenestil e Slayra fugirem.

Enquanto isso, o resto do grupo persegue Kror, mas Hazabel, a harahan que persegue o grupo para se apoderar de Ancalach, a Espada dos Reis, vai no seu encalço, e invoca os udagai, uma amaldiçoada estirpe de guerreiros sanguinários que vivem nas estepes. Depois de um combate que une o grupo, Kror e os Ocarr, para combater os udagai, os Ocarr oferecem abrigo e comida ao grupo, que, de bom grado aceitam. Nesta altura, Kror e Aewyre fazem umas tréguas.

No final, o grupo reencontra-se, sofrem todos muito com a morte de Babaki, e passam a noite numa estalagem. Estalagem essa que Hazabel ataca, tentando matar Aewyre. Mas Lhiannah protege-o, sendo brutalmente espancada.

Mais uma vez, um brilhante livro de Filipe Faria, que continua na perfeição a saga das Crónicas de Allaryia. Embora o primeiro tenha sido escrito tinha ele apenas 16 anos, este já foi uns anos depois, e revela já mais alguma maturidade e capacidade de escrita. As personagens têm uma evolução favorável, o enredo adensa-se e complica-se, mas tudo isto para melhorar. Aparece uma nova personagem, que é uma das melhores, Tannath, e, infelizmente, Babaki morre. Acho que é dos poucos que eu tive mesmo pena que tenha morrido, acho que podia dar uma jeitão para andar mais tarde à porrada.

Mas tirando isso, está excelente, e mais do que aconselhado!

domingo, 22 de março de 2009

A Manopla de Karasthan


Já o li há uns tempos, mas continua a ser um dos meus favoritos. 'A Manopla de Karasthan' da colecção 'Crónicas de Allaryia', foi escrito por Filipe Faria. Tinha 16 anos quando o começou a escrever. Em 2001 ganhou o prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Jornal Expresso, e foi publicado.

Um sucesso entre os fãs do género, embora, como são poucos, não teve e continua a não ter muita visibildade. Mesmo assim, teve o seu sucesso, e a colecção já vai no 5º livro, com mais 3 na calha.

Sobre o livro... hum... como é que hei de dizer... os diálogos são algo... dolorosos. Sim, é essa a palavra, dolorosos. Compridos com falas longas, demasiado longas, e a linguagem em geral, não só dos diálogos é complicada. Complicadissíma aliás. Alguém sabe o que é um barbacã? Eu não.

Mas pronto, a história é muito boa, e o enredo tem voltas e reviravoltas, e re-reviravoltas... é uma coisa doida. Nota-se a inspiração em Tolkien e no jogo Dungeons & Dragons, o universo de fantasia criado é excepcional. E tudo tem uma razão de ser. Não é daqueles livros que diz: 'O que é aquilo? Parece uma bola de magia! Como é que apareceu? É magia!', não, nada disso, dá explicações, científicas até, sobre as coisas, para percebermos o que aconteceu e porquê.

Sobre a história em si, começa com um princípe, Aewyre, que rouba a Espada dos Reis, Ancalach, e parte em busca do seu pai, Aezrel Thoryn, desaparecido desde a Guerra da Hecatombe, juntamente com a Anátema, Seltor. A Aewyre juntam-se-lhe o mago conselheiro, Allumno da Gema Vermelha, e mais tarde A princesa arinnir Lhiannah e o seu protector, o thuragar Worick. Depois encontram o eahan das montanhas, amigo de longa data de Aewyre, Quenestil, que se junta ao grupo com Babaki, um antroleo que tinha sido libertado de uma armadilha por Quenestil. Por fim, Taislin, o pequeno burrik, e Slayra, a eahanna negra, juntam-se ao grupo, o primeiro por os ter tentado roubar, e a segunda por os ter tentado matar. Mas ambos são perdoados e integram-se no grupo. No seu caminho para Asmodeon, terra negra, palco da Guerra da Hecatombe, o grupo vê-se envolvido numa demanda pela Manopla de Karasthan, daí o nome do livro.

Como é óbvio, não vou contar a história toda. Fica ai um cheirinho com um enredo geral, que já para perceber bem do que se trata. Não fossem os diálogos dolorosos e a linguagem complicada, era perfeito.