quarta-feira, 22 de abril de 2009

As Espadas da Noite e do Dia


A sequela de 'O Lobo Branco', 'As Espadas da Noite e do Dia', é um livro tão espectacular como o anterior. Mais uma vez se vê a extraordinária capacidade de David Gemmel de criar personagens. Todas elas têm uma profundidade e uma complexidade fora do comum, especialmente num livro repleto de porrada como são os livros de High Fantasy. Notei também uma coisa que não tinha notado no anterior, mas que agora, pensado bem, também lá estava. As atmosferas criadas são de uma espectacularidade espectacular (desculpem-me a repetição). Uma pessoa embrenha-se mesmo na história e no livro, e às vezes ficamos à espera que um qualquer guerreiro salte detrás de alguma coisa.

A história, em si, é também espectacular. 1000 anos depois da sua morte, Skilgannon o Maldito é trazido de volta à vida por Landis Khan, que acreditava numa antiga profecia, que dizia que Skilgannon seria o salvador do mundo. Mas a causadora disto tudo, é a Eterna, uma Renascida, assim como Skilgannon. Só mais tarde na história é que Skilgannon descobre que a Eterna é Jianna, a mulher que ele amou na sua primeira vida, há 1000 anos atrás. Landis Khan descobriu o seu túmulo, e usando os seus ossos, conseguiu ressuscitá-la. Durante os 500 anos seguintes, a Eterna, através de múltiplos e sucessivos renascimentos, foi dominando o mundo, entrando em guerra com várias nações.

Skilgannon, aceita que tem de salvar o mundo da Eterna, e no caminho encontra Harad, Renascido dos ossos de Druss, a Lenda, mas sem a sua alma. Skilgannon dá-lhe Snaga, o machado de Druss, e juntos partem. A eles juntam-se também Askari, uma das Renascidas da Eterna, mas também sem a sua alma (como que um receptáculo para que quando a Eterna morresse, tivesse outro corpo para transferir a sua alma), e ainda Stavut, um antigo mercador, que se torna líder de uma matilha de Ambígenos, agora chamados de Jiamads. O grupo junta-se às Lendas, um pequeno exército formado pelos últimos drenai, e juntos lutam contra as tropas da Eterna. Durante o combate, Skilgannon e Askari vão para o templo escondido dos Ressurrecionistas, para destruirem o cristal que originava toda a magia no mundo. Após uma batalha com Decado, descendente de Skilgannon, o cristal é destruído, a Eterna morre, e o mundo fica a salvo. Pelo menos por enquanto.

Resumindo, um grande livro, uma grande sequela, aconselho vivamente.

sábado, 18 de abril de 2009

O filho de Odin


Triste. Sem nexo. Imaturo. Fútil. Infantil. E porque não podemos falar só de bons livros, apresento-vos O filho de Odin um wanna be High Fantasy, escrito por um miúdo de 15 anos, fã de PS2, arrogante até à ponta dos cabelos, filho de figuras públicas e com uma noção esquisita quanto à língua portuguesa. Diz querer ser um escritor moderno do Séc. XXI, e espera vir a publicar muitas mais obras. Eu e todos os leitores coerentes que tiveram a infeliz experiência de ler O filho de Odin, esperamos que isso não aconteça. Escrita pior do que a que é utilizada na revista Maria, Protagonista que é notoriamente um prótotipo do próprio autor com grandes parecenças ao Action Man, Dráculas misturados com monges esquisitos que o ressuscitam, e depois são fulminados por raios laser, e personagens com a personalidade de um peixinho doirado. Na contra-capa contamos com os comentários amigáveis dos amigos dos papás do autor João Zuzarte Reis Piedade, como o do grande Ruy de Carvalho, Rui Veloso (nunca pensei) e Pedro Granger, que acha aquela coisa à qual chamam livro FABULÁSTICA!


E outra coisa, corrijam-me se estiver enganada: orcs não são uma invenção exclusiva de Tolkien?? Bem, eu sou a favor de jovens talentos, mas isto? Li o livro em 4 horas, e quando cheguei ao fim pareceu-me que tinha acabado de ler uma composição de um miúdo de 8 anos para a escola. Com tantos escritores jovens de qualidade a quererem publicar bons livros, e aparecem-nos prendas destas só porque os pais têm dinheiro para isso!...

Hum... e esqueci-me de informar de que o nada irrealista autor pretende fazer um filme da sua magnifica obra?


Boas leituras, (O filho de Odin não está incluído)

By A.

Stardust - O mistério da estrela cadente.



«- E se eu te trouxesse a estrela caída? - inquiriu Tristan, animado - O que me darias? Um beijo? A tua mão em casamento?

- Tudo o que quisesses - respondeu Victoria, divertida.
- Juras? - perguntou Tristan?
- Claro. - afirmou Victoria sorrindo


É este pequeno excerto que irão ler na contracapa de Stardust - O mistério da estrela cadente, numero 16 da colecção Via Láctea da Presença, se por acaso o tivessem em vossa posse. A melhor história de "pura" fantasia que alguma vez li na minha vida, um romance fantasioso de Neil Gaiman, que já contou com duas obras da sua autoria adaptadas ao grande ecrã, sendo uma delas Stardust e a outra, mais recente e para cinema de animação Coraline.

Quanto à historia de Stardust, irei continuar a expor-vos a contra-capa, com a sinopse desta magnifica obra:


«Victoria Forester era considerada a rapariga mais bonita das Ilhas Britânicas, mas para Tristan ela era a rapariga mais bonita do mundo, e a sua paixão por ela não conhecia limites. Por isso, as palavras que Victoria proferiu naquela noite de Outono em que oram ambos surpreendidos pelo brilho extasiante de uma estrela cadente soaram como música aos seus ouvidos. Afinal havia um caminho para o coração da sua amada. Tudo o que tinha de fazer era apanhar aquela estrela... e esse era agora o seu único desejo! Só que a estrela de Tristan caiu no País Mágico, no país onde habitam dragões, grifos, basiliscos, hidras, unicórnios, gnomos, enfim, toda a sorte de criaturas extraordinárias e imagináveis, e lá, as estrelas cadentes são belas raparigas de olhos azuis e cabelos louros. Uma enorme parede de pedra separa a aldeia de Wall desse mundo fantástico, mas nada poderá demover Tristan, e é justamente quando dá o primeiro passo no País Mágico que tem início a sua empolgante aventura»

Um pequeno à parte: Não, não é minimamente um livro para crianças :D


By A.

No reino de Glome


Digo que, este tipo de livro não faz minimamente o meu género, mas surpreendeu-me. Quase que me obriguei a comprá-lo pois trata-se de uma narrativa de C. S. Lewis, o famoso escritor de As crónicas de Nárnia, o segundo Senhor dos anéis. Ao ler No reino de Glome, quase me esqueci de que estava a ler Lewis, porque a história abominavelmente boa deste livro, nada tem a ver com a inocência de As crónicas de Nárnia a que Lewis tão bem nos habituou.



No reino de Glome, contamos com a estranhíssima história de Orual (Maia), filha do rei Trom, soberano de um reino bárbaro de nome Glome cujas estranhas tradições passavam pelo sinistro culto à deusa Ungit e ao seu filho o deus da montanha, correspondentes à Afrodite e Cupido do povo grego. Quando a irmã mais nova de Orual nasce, fruto de um segundo casamento do pai, Psique, bela a jovem, alterará para sempre a vida e os cultos do povo de Glome e até mesmo da Grécia, quando, não havendo outra escolha, a sua carne é oferecida ao deus da montanha, em troca de boas colheitas. A história de Psique continua, quando é feita refém e noiva de Cupido, o horrível deus da montanha.


O escritor:
















By A.

Eu, Animal.


Para quem gostou de ler e de ver Slumdog millionaire. Eu, Animal, é a história comovente, atraente, benevolente, criativa, emocionante e irónica de Animal, um rapaz indiano de 18 anos, residente da cidade de Kaufpur, cujos pais assim como a sua restante família desapareceram depois da noite que alterou a vida de todos os Kaufpuris. Este bizarro acontecimento, trata-se do descuido involuntário que ocorreu numa fábrica de químicos em pleno centro da cidade, em que um tubo mal cuidado levou à chacina de milhares de pessoas. E mesmo as que não morreram ficaram gravemente afectadas, como é o caso de Animal, cuja inalação de resíduos tóxicos quando ainda era pequeno, o fez entortar a coluna de tal maneira que passou a deslocar-se com os quatro membros. Na luta pela justiça e pela afirmação no mundo, Animal é acompanhado por Nisha, uma inteligente estudante universitária pela qual se apaixona, Jara, uma cadela e sua melhor amiga e uma freira louca afectada pela catástrofe daquela noite. Eu, Animal, é uma narrativa inteligente de Indra Sinha, num relato perfeito da Índia actual.

By A.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lobo Branco


Apenas um dos mais de 30 livros de David Gemmel, um dos mais brilhantes escritores de high-fantasy. Pena que em Portugal só tenham traduzido este, e a sequela 'As Espadas da Noite e do Dia'. Os livros anteriores deviam ser extremamente interessantes de se ler. Mas bem, passemos a este livro, e deixemos o deficiente funcionamento do mercado de livros em Portugal.

'O Lobo Branco' conta a história de Skilgannon o Maldito, general implacável sob as ordens de Jianna, a Rainha Bruxa. Durante o tempo em que foi general, comandou ataques que chacinaram milhares de pessoas, e ele próprio matou centenas de pessoas, com as suas espadas, as Espadas da Noite e do Dia, mas depois, arrependido, desapareceu, e enveredou pela carreira de padre, como Irmão Lantern. Mas uma guerra desponta, e Skilgannon é forçado a pegar uma vez mais nas Espadas e a defender o convento dos camponeses enraivecidos, que acusavam o convento de esconderem um assassino, que não passa de Rabalyn, uma criança.

E assim fica a mensagem, Skilgannon está de volta. Com a cabeça a prémio pela Rainha Bruxa, Skilgannon viaja até Mellicane com Braygan, um padre do convento, e Rabalyn, a criança escondida no convento. No caminho para Mellicane, conhecem Druss, a Lenda, o herói dos Drenai, que os defendeu na Grande Batalha de Skeln. Como iam para o mesmo sitio, Druss junta-se ao pequeno grupo. Como eles vai também um grupo de refugiados, que os dois salvaram de um ataque de Ambígenos, criaturas meio animais meio homens. Desse grupo destacam-se Jared e o seu irmão Nian, que tem um tumor na cabeça, que o torna numa espécie de autista leve.
Uma vez na cidade, Garianne e também Diagoras, amigos de Druss juntam-se a eles. Juntos procuram o Templo dos Ressurrecionistas, encontrando o templo onde vive Ustarte, mas que não é o dos Ressurrecionistas. Ustarte é incapaz de os ajudar, e o grupo parte em perseguição de Máscara de Ferro para salvarem a filha de um amigo de Druss, Orastes, que foi raptada. Na batalha os gémeos morrem, bem como o Máscara de Ferro, morto por Skilgannon.

Claro que depois tem um final já a dar pistas para o segundo livro, mas eu não vou falar dele, que além de ainda ter coisas para dizer, e o post já estar demasiado grande, não tinha piada contar a história toda. Tenho que dizer, que embora não sendo o meu livro favorito, (nada ultrapassa As Crónicas de Allariya, santa paciência) entra de certeza nos melhores que já li. Uma escrita com descrições pouco detalhadas, mas mesmo assim dão-nos uma excelente ideia de tudo, um bom enredo, e porrada atrás de porrada. Mas o melhor deste livro são mesmo as personagens. Absolutamente geniais, tenho que dizer. Skilgannon, o Maldito, culpado de milhares de mortes, mas mesmo assim acaba por ser um herói, bondoso e benevolente. Druss, a Lenda, o típico veterano de guerra, honesto e leal, com 50 e tal anos, mas mesmo assim capaz de dar um enxerto em toda a gente. Garianne, a estranha rapariga que ouve vozes, com um passado obscuro. Diagoras, um guerreiro táctico, com medo de Skilgannon, mas que acaba por se tornar seu amigo. Os gémeos são excelente demais para serem descritos, enfim, todas as personagens, são brilhantes.

Por outras palavras, um livro simplesmente espectacular.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Robur o Conquistador


Mais um livro de Júlio Verne. A escrita é boa, como sempre, mas a história deste livro deixa muito a desejar, pelo menos na minha opinião. A história começa no Weldon Institute em Filadélfia, com Uncle Prudent como seu presidente e Phil Evans como seu secretário, onde os dias são passados em acesas discussões entre os seus membros. Discussões essas sobre aviação. Hélice à frente, hélice atrás, planador, de hélice, enfim, discussão de pequenos pormenores que não interessam a ninguém, com balonistas de todos os lados da discussão.

Um dia, entra de rompante um homem pela sala adentro do Weldon Institute. Esse homem é Robur, que afirma que o futuro da aviação passa pelos aparelhos mais pesados que ar, afirmação rapidamente posta em causa por todos os membros do instituto. Por entre uma discussão acesa, e alguns tiros de revólver, Robur desaparece, tão depressa como tinha aparecido.

Mais tarde, terminada a sessão no instituto, Uncle Prudent, Phil Evans, e seu criado Fricollin, passeiam pelo parque, e são raptados. Por quem? Por Robur, claro está, que os mantém prisioneiros no Albatroz, a sua máquina voadora mais pesada que o ar. A história descrita daqui para a frente, pouco interesse tem, basicamente uma viagem pelos ares, passando por vários sítios, uma caixa de rapé deixada cair com uma mensagem de socorro dos prisioneiros, uma paragem numa ilha no meio do oceano, que permite aos prisioneiros fugir, e explodir com o Albatroz.

Uncle Prudent e Phil Evans, sãos e salvos já no Weldon Institute, avançam com os trabalhos do seu balão gigante, o Go Ahead, aparelho para provar que o futuro está nos mais leves que o ar. Durante a demonstração de voo do aparelho, aparece quem? O Albatroz, obviamente, comandado por Robur, que o presidente e o secretário do Weldon Institute julgavam morto. Robur tinha reconstruído o Albatroz, e lutava agora com o Go Ahead. Este rebenta, e cai, os seus tripulantes são salvos por Robur, que os deixa em terra, e depois desaparece.

Uma história no mínimo desinteressante, digo eu.