domingo, 12 de julho de 2009

O Recruta


O primeiro livro na colecção escrita por Robert Muchamore, "O Recruta" conta a história de James Onions e da sua irmã Lauren Onions, filhas da cabecilha do maior gang criminoso de Londres, que morre subitamente deixando os dois filhos orfãos. James e Lauren são levados para um centro de acolhimento a órfãos, onde James é recrutado para entrar numa organização secreta chamada CHERUB, onde todos os agentes têm menos de 17 anos.

Depois de aceitar fazer parte da organização, é levado a iniciar um treino de recruta, a coisa mais dura pela qual James já passou, mas que acaba com distinção e onde faz amigos. É depois destacado para uma missão, onde tem que se infiltrar com outros agentes num acampamento hippie, onde alguns dos seus habitantes são terroristas pertencentes a uma organização terrorista, a Ajudem a Terra.

James tem um óptimo desempenho na missão, e ao voltar ao campo CHERUB, recebe a t-shirt azul, uma t-shirt apenas dada aos agentes que tenham um desempenho brilhante numa missão. Enquanto festeja, descobre que Lauren, a sua irmã, também foi recrutada pela CHERUB, e vai viver no campo CHERUB, até fazer 10 anos e poder ir para a recruta, após a qual se poderá tornar uma agente.

Um livro de acção alucinante, com todas as particularidades de um livro de acção: descrições pequenas e pouco complexas, muita acção (obviamente) e um enredo de suspense que nos deixa sempre à espera de mais. As personagens são brilhantes, especialmente tendo em conta que são agentes secretos de uma organização que nem a maior parte dos serviços secretos britânicos sabe que existe, e todos entre os 10 e os 17 anos. Um bom livro, de uma boa colecção!

sábado, 11 de julho de 2009

Alice no País das Maravilhas


Que posso dizer? Nonsense puro. Alice, toda feliz a descansar com a irmã, quando vê um Coelho Branco a passar por ela a correr. Até aí tudo bem. Mas o Coelho tira um relógio do bolso do colete, e diz que está atrasado. Estranho hã? Obviamente que não. A protagonista nem ai, nem ui, dispõe-se logo a ir atrás dele, a tempo de o ver entrar numa toca, onde ela rapidamente entra. E? Começa a cair numa espécie de poço sem fundo, que tem as paredes incrustradas com prateleiras e armários.

Mas o poço tem fundo, e ela chega lá, e vive toda uma série de peripécias estranhas e que não fazem qualquer sentido. Mas adorei os habitantes. Tinham uma maneira de argumentar com Alice, que, embora mergulhados e barrados em nonsense, faziam mais sentido que eu sei lá o quê. Como é o caso do primeiro encontro de Alice com o Gato de Cheshire:

"- Podias-me dizer, por favor, o caminho para sair daqui? - perguntou Alice.
- Depende do sítio para onde queres ir... - disse o Gato.
- Não me interessa muito para onde vou... - retorquiu Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que escolhas. - disse o Gato."

Viram como até que faz sentido? Espectáculo. Há muitas mais situações, embora eu ache que haja situações que perderam o verdadeiro nonsense com a tradução, mas será algo a considerar em breve, arranjar isto em inglês. E a continuação 'Alice do Outro Lado do Espelho'.

Conclusão? Uma leitura agradável, especialmente para apreciadores do nonsense e de uma boa lógica, embora eu pessoalmente ache que isto nunca venderia se tivesse sido escrito hoje. Mas não deixa de ser um bom livro!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Fado da Sombra



Antes demais, não sei se descreva este livro como dos melhores ou dos piores da saga. Tem umas reviravoltas absolutamente surpreendentes, de deixar cair o queixo, e outros momentos de completa monotonia, e de desilusão. O prólogo é interessante e tal, deixa muita coisa no ar, mas depois Seltor só aparece no final, o que para uma personagem tão excepcional como ele é, é um bocado a puxar para a desilusão...

Temos a situação do Quenestil, que é interessantíssima, e que provavelmente vai decidir o futuro das Crónica no próximo e último livro, mas o envolvimento do Tannath, com aquela luta de um capítulo inteiro, foi extremamente aborrecida. Cerca de 20/30 páginas cuja única coisa que acontece são estes dois a porrada? Não obrigado, estendeu-se demasiado.

Depois temos o Allumno, que até que começou bem, mas teve um fim precipitado e que foi sinceramente decepcionante. Esperava mais desta personagem, e do que lhe aconteceu.

Worick, Taislin e Lhiannah estiveram um bocado apagados, embora já sentisse falta do thuragar, com as suas piadas e constante luta com o burrik! E Worick teve um belíssimo ponto alto na invasão dos thuragar, pois estava no seu meio natural, rodeado de inimigos e a andar à porrada.

De Kror mal se ouviu falar, apenas com uma perseguiçãozita, e uma partezita de nada no final, embora essa parte tenha sido interessante, mas esperava-se mais de uma personagem tão interessante.

Aewyre, o grande protagonista, foi... bem, o grande protagonista. Teve os seus momentos altos, e um momento altíssimo, que simplesmente adorei, no final, depois da luta com Seltor.

A Slayra regressou em força às suas origens, embora não seja um desenvolvimento assim tão bom, mas está melhorzinha do que nos livros anteriores.

E toda a situação do Aereth e do Culpa foi das melhores situações de todas as Crónicas, embora ache que Culpa foi uma excelente personagem, muito sub-aproveitada.

Quanto à história em sim, um claro desenvolvimento da parte do autor, quando comparado com os outros livros, e a linguagem é aqui muito menos complexa, embora ainda hajam alguns laivos de complicação, mas pouca coisa...

Balançando, o livro fica numa linha ténue entre o melhor livro e dos piores. Depende do capítulo em que uma pessoa estiver a ler!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vagas de Fogo


No 5º livro das Crónicas de Allaryia, de Filipe Faria, temos provavelmente o conjunto de histórias mais dispersas de toda a saga. Aewyre e Kror voltam para Ul-Thoryn, depois de a Cidadela da Lâmina ter sido arrasada pela presença de Culpa (que acho que me esqueci de referir no último post...). Para resumir, Culpa é o humano pai de Seltor, e sente-se de tal maneira culpado por ter trazido o Flagelo ao mundo, que não consegue morrer, e como Seltor, derivado da culpa que Culpa sente (desculpem a redundância), tem alguma influência sobre o seu pai, manda-o atrás de Aewyre, e ao chegar lá, a culpa que faz todos sentir, arrasa a Cidadela.

Mas Aewyre consegue fugir, depois de Culpa cair de um penhasco, e volta para Ul-Thoryn, praticamente carregando Kror, que se encontra ferido no joelho, e trazendo também Layaline e Làrianna, uma mulher e sua filha que Aewyre conheceu na Cidadela, e que jurou proteger.

Enquanto isso, Allumno continua a sua demanda por toda Allaryia, matando magos que tenham a probabilidade de se entregarem às sombras de Seltor, até que Zoryan lhe revela algo que o deixa fulo...

(o suspense é lixado...)

Lhiannah, Worick e Taislin, encontram-se já em Ul-Thoryn, com o corpo de Aezrel Thoryn, morto pelo Flagelo, mas Aereth Thoryn, o regente, irmão de Aewyre, não acredita que aquele é o corpo do seu pai, e, com a mente envenenada pelas palavras de Dilet, o bobo, um Aesh'alan disfarçado no palácio, prende Lhiannah e Worick, que conseguem depois escapar com a ajuda de Taislin.

Quenestial e Slayra chegam aos Fiordes, a zona mais remota da Wolhynia, onde assentam na casa de Øska, uma garđing (palavra finesse da wolhynia para chefe), juntamente com os eahlan e Deadan. Quenestil conhece Ijhseorn, um kahrkr, que ainda acredita piamente nas velhas profecias dos Fiordes, e acredita que o eahan é o percursor das Vagas de Fogo, anunciadas por uma dessas profecias, e tenta convencê-lo a ir para Eiħrøin, a ilha onde encontraria o seu destino.

É talvez um dos melhores livros da saga, mas talvez isso também venha da comparação com o anterior, que era muito fraquinho, e as expectativas estavam em baixo, e depois foi razoável, e pareceu-me excelente. Nunca se sabe, mas se não pensarmos nisso, acho que foi mesmo um dos melhores, com a escrita a que o autor já nos habituou, demorada e extremamente descritiva, com batalhas incrivelmente longas, e palavras igualmente longas e complicadas e estranhas, embora essa tendência se tenha vindo a atenuar um bocado...

sábado, 4 de julho de 2009

O Grande Meaulnes


«Já que é impossível seguir Meaulnes fora do romance, só nos resta recomeçar a leitura do próprio livro» Walter Johr.

Pela primeira vez na minha vida, assim que cheguei à ultima palavra do livro, ao ultimo ponto final, de lágrimas nos olhos, quase de forma inconsciente abri o livro na página em que a historia começava e sem pensar, absorvida nas palavras que anteriormente havia captado, decidi seguir Meaulnes uma vez mais nas suas loucas, mas fantásticas aventuras. Sim, porque nunca antes me tinha vindo parar às mãos um livro de tão grande beleza.

"Le Grand Meaulnes" é a historia de dois adolescentes: François Seurel de quinze anos (que conta a historia na primeira pessoa) e Augustin Meaulnes de dezassete, personagem na qual se concentra a maior parte da historia. Quando Meaulnes chega à escola de Santa-Águeda na qual François vivia com os pais (ambos professores), deixou de ser para sempre um jovem sossegado. Meaules, que rapidamente foi nomeado de Grande Meaulnes pelos alunos da escola, tornou-se o maior companheiro de Seurel. No que Meaulnes estava metido, estava François Seurel também.

Porém, uma tarde em que Augustin decide roubar uma carruagem temporariamente para ir buscar os avós de François à estação de comboios, decide não convidar o amigo. Para mal dos seus pecados, Meaulnes perde-se entre as propriedades e sebes todas iguais, e depois de um dia inteiro de caminho descobre-se num estranho domínio, onde no castelo do mesmo estava a decorrer a festa mais estranha a que já tinha presenciado, na qual as crianças pareciam mandar incondicionalmente. Festa, que mais tarde Meaulnes veio a descobrir tratar-se de uma boda, esperando o filho do proprietário do domínio que traria consigo a mulher da sua vida que viria a desposar. Porém, Frantz de Galais - assim se chamava o rapaz - regressou sem noiva e com uma terrível angustia, que o faz tentar suicidar-se.

Paralelamente Augustin travou conhecimento com Ivone de Galais, curiosamente, irmã do suposto noivo, e apaixona-se perdidamente por ela.

Depois de ter passado três dias no domínio misterioso, Meaulnes -se obrigado a regressar a casa, na esperança de voltar a encontrar Ivone. Porém já em Santa-Águeda ao aperceber-se de que não conhecia o caminho de volta para o castelo, uma angustiante tristeza apodera-se dele, e com a ajuda de François, sempre fiel ao companheiro, ajuda-o a tentar encontrar Ivone de Galais e o estranho domínio.

"O Grande Meaulnes" de Alain-Fournier, anteriormente chamado de "Bosque das ilusões perdidas" é sem dúvida um hino à juventude e à beleza do primeiro amor. Não obstante, ao longo do livro, observamos a despedida dos dois jovens à adolescência que lhes fora tão querida. Clássico francês que já foi adaptado por duas vezes ao grande ecrã: uma em 1960 e outra mais recentemente em 2006.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Essência da Lâmina


O 4º volume das Crónicas de Allaryia, é também o mais fraquinho, na minha opinião. O ponto alto das Crónicas, até aqui, foi o regresso de Seltor, no livro anterior, e a morte do seu recém-voltado pai, Aezrel Thoryn. Para o conseguir derrotar, Aewyre tem que dominar a Essência da Lâmina, que partilha com Kror, um drahreg assim pro esquisito, e para isso vão os dois para Cidadela da Lâmina, onde todos os que possuiem a Essência da Lâmina vão, para a aprenderem a dominar, e para se tornarem mestres na arte da espada.

Mas isto arrasta-se, e no final não se chega a conclusão nenhuma, voltam à estaca zero. Um livro do mesmo estilo que os outros 3, com aquelas características a fazer lembrar uma campanha de um qualquer jogo de computador, e as palavras caras e o enredo divido em várias vertentes para complicar um bocado.

Mas verdade seja dita, continua razoável. É capaz de ser o pior da saga, mas não está mau, dá para entreter. Os treinos na Cidadela são... interessantes. E apesar de se arrastar um bocado (fiquei com a impressão que o autor estava a forçar para ter mais páginas para escrever) lê-se bem.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Estranho Caso do Dr Jekyll e do Sr. Hyde


Um grande título, um pequeno livro, uma grande história. Robert Louis Stevenson conta-nos uma história com uma mensagem profundamente filosófica, através das experiências do Dr. Jekyll. Mas vai revelando as coisas aos poucos, logo desde o início do livro, dando indícios e pistas, e adensando o mistério, até praticamente ao final, onde nos são dadas todas as respostas às perguntas que tínhamos.

É a história do Dr. Jekyll, um homem dos seus 50 anos, médico de profissão, com um carácter correcto e afável, e do Sr. Hyde, uma criatura desprezível, com maus hábitos e estranhamente deformado de uma maneira que ninguém sabia qual era a deformidade, mas todos a sentiam quando o viam, e tinham um imediato sentimento de repugnância. A partir do meio do livro (ou do principio, uma vez que esta história é mais do que conhecida), começamos a suspeitar que estas duas personagens são a mesma pessoa, e que se transformam uma na outra, através de drogas preparadas pelo Dr. Jekyll, como fruto de uma experiência.

O Dr. Jekyll chegou à conclusão que o ser humano possui uma dualidade da personalidade, como se dentro de nós existissem duas pessoas, uma toda ela um poço de virtudes, e a outra o mal personificado, e a pessoa que nós somos não passa de uma mistura dessas duas pessoas. E fica obcecado com a ideia de dividir essas duas facetas da personalidade, inventado uma droga para esse efeito, e é assim, que o correcto Dr. Jekyll se transforma no asqueroso Sr. Hyde. Mais tarde há complicações, e essa transformação começa a dar-se sem o recurso a drogas, chegando o Dr. Jekyll a fechar-se em casa.

No fim, fica a questão: será que o Dr. Jekyll se suicidou? Ou será que simplesmente desistiu do Dr. Jekyll e passou unicamente a ser o Sr. Hyde? O suspense é tramado...