quarta-feira, 16 de abril de 2014

The Well of Ascension (Mistborn #2)


Autor: Brandon Sanderson


Opinião: Ainda só é o segundo livro que leio de Sanderson, e já sei perfeitamente que o homem não desilude. Mas parece que tenho um problema com os finais dele. Já vão perceber porquê, daqui a nada.

Por agora vamos falar das coisas boas, que são mais do que suficientes para me ter deixado bastante satisfeito com a leitura deste livro. Aliás, ainda nem ia a meio e já estava farto de dizer a quem quisesse ouvir (e a alguns que nem faziam muita questão) que estava a gostar mais deste. E de que maneira!

Se tiverem lido a minha opinião anterior, podem imaginar o quanto gostei de ler este The Well of Ascension. Já para não falar de que fiquei genuinamente supreendido, pois as trilogias costumam vacilar um pouco no volume do meio.

O motivo para ter gostado é simples: este volume explora o universo criado no primeiro, sem ter que perder muito tempo em apresentações, introduções e explicações. Essas três coisas foram grande parte do que causou o ritmo oscilante de The Final Empire, que ora nos deixa sem fôlego com os seus momentos de acção rápida, como se espraiava a explicar, com calma e paciência, os detalhes do que se estava a passar.

Foi preciso apresentar um grande leque de personagens, explicar uma mão cheia de conceitos e desenvolver com calma a história daquele mundo, para que a trama se perceba como deve ser.

E neste não há nada disso. Da primeira à última página praticamente não há pausas. A sensação que tive foi a que estava sempre a acontecer alguma coisa, que todos os capítulos eram um passo em frente no enredo e que tudo o que aconteceu era de alguma forma relevante. E é verdade!

Sanderson não se deixa deslumbrar com os conceitos que imaginou, e desenvolve bem a história, que já tinha cuidadosamente planeada e preparada desde o início do primeiro livro. Isso nota-se, por vezes, em coisas muito subtis, mas às tantas apercebemo-nos e o espanto e a satisfação são indescritíveis.

Ainda assim, e com tanto a acontecer, o autor consegue apresentar mais personagens marcantes (com destaque positivo para Zane, o psicopata de serviço, e negativo para Tyndwil, a chata de serviço), e o desenvolvimento que dá a algumas já conhecidas é espantoso, como se pode ver por Sazed, que tem das evoluções mais graduais e lógicas, e por Breeze, cujos capítulos foram dos que mais gostei de ler pela forma como nos davam a conhecer melhor o homem por detrás do burlão. Verdadeiramente fascinante.

Se fosse falar de tudo corria novamente o risco de nunca mais me calar. O mundo que Sanderson criou é rico e diverso, bem estruturado e com um sistema de magia original e bem definido, que não se crucifica em inconsistências pelo simples facto de estar bem pensado. Por esse lado, é interessante lerem o que o homem tem a dizer sobre sistemas de magia: aqui, aqui e aqui.

Por fim falta-me falar do que não gostei. A protagonista, Vin, por mais badass que sejam alguns dos momentos que protagoniza, como explodir com a cabeça de homem à cabeçada, e interessantes que sejam as suas interacções com Zane, tem momentos verdadeiramente irritantes, complementados por Elend, feito Rei. São os dois bastante novos e isso nota-se nos seus dilemas, que por mais sentido que façam enquadrados nas personagens, me irritaram profundamente.

A outra coisa de que não gostei, ou melhor, de que gostei menos, foi o fim. Mas mais por me ter desiludido do que por não ser bom. Aquilo que acontece de facto torna-se relativamente óbvio ainda longe do fim, e a grande revelação, mesmo a ligar perfeitamente com algo insuspeito que aparece no livro anterior, só é revelação para as personagens, o que lhe tira a maior parte do seu peso.

Só por isso é que o livro não leva pontuação máxima. Estava mesmo muito bom até às últimas páginas, demasiado bruscas e insatisfatórias. Concedo, no entanto, que são um final fantástico para o livro, uma vez que ainda deixa muita coisa em aberto e deixa o caminho preparado para o terceiro volume com um cliffhanger daqueles...

Vou aproveitar as próximas leituras para desanuviar um pouco e deixar este livro assentar antes de pegar no terceiro, mas a verdade é que mal posso esperar e sei perfeitamente que só lhe devia pegar no Verão, porque corro o risco de não fazer mais nada até o acabar!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os Vingadores #2


Argumento:  Jonathan Hickman
Arte: Jerome Opeña

Opinião: Se o primeiro número foi uma boa introdução ao Universo Marvel, nomeadamente ao canto dos Vingadores, este número desenvolve-se demasiado rapidamente, com demasiadas coisas ao barulho.

O suficientes para conseguirem perder um leitor novo, por exemplo. Acho que o argumento tenta, de certa forma, evitar isso mesmo, com cada comic a começar com uma pequena introdução (que nunca aborrece) à personagem em torno da qual a acção vai rodar.

Pode fazê-lo sob a forma de flashback, narrativa em paralelo ou usando o facto da própria personagem não se lembrar de grande coisa, mas esforça-se sempre para que as coisas não andem a cair do céu.

(esta última frase tem muito mais piada se já tiverem lido isto e souberem o que acontece quando se brinca com coisas que caem do céu)

No entanto acho que foi uma passagem demasiado brusca. É claro que o principal público-alvo destas coisas é o pessoal que tem acompanhado e que conhece isto como deve ser, mas para quem estiver a começar agora a acompanhar a história, aproveitando o reset, pode ser mais complicado.

Tirando isso, não tenho grande coisa a apontar para além de que gostava de ter visto um desenvolvimento da história de forma mais focada, em vez de andar já a espalhar a narrativa por vários pontos de vista (por mais interessantes que sejam). Eu compreendo que sendo esta uma revista sobre os Vingadores, uma equipa composta por dezenas de membros, e a maior parte adorada pela generalidade das pessoas, não se pode dar ao luxo de ignorar algumas das suas personagens fulcrais durante demasiado tempo, mas pronto.

Por outro lado foi bom ter um vislumbre da vida cósmica destes heróis. Pessoalmente fiquei bastante satisfeito por ver a história a espalhar-se facilmente por um campo de acção alargado, propício a eventos inesperados por estar tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo. Só pensando na coisa de forma objectiva é que fico um bocado reticente, por causa da confusão que pode criar a leitores que não estejam tão habituados a lidar com este Universo.

As personagens, como já disse, são muitas, e tirando duas ou três mais secundárias e até agora irrelevantes, são todas personagens bastante fortes e com um grande carisma. Os autores têm conseguido lidar bem com isso, pelo menos, não há personagens a roubar espaço a outras, quer a nível de argumento, diálogos, e de arte. Todas têm os seus momentos.

O problema destas coisas é mesmo que me deixa curioso para ver o que acontece a seguir, embora não tenha uma continuidade tão forte como os X-Men, muito menos a propensão destes últimos para os cliffhangers. Venha o próximo!

sábado, 12 de abril de 2014

Estantes Emprestadas [4] - Guia de sagas e calhamaços [1/2]



Bem-vindos a mais uma Estante Emprestada! A vítima, perdão, o convidado de hoje é o Rafael, mais conhecido por Rafa (ou paspalho), colaborador do Metáfora de Refúgio. Sim, já o terceiro desse blog que vem aqui parar, em quatro pessoas, mas quem fica a ganhar são vocês, que isto é pessoal porreiro e em cujo discernimento literário eu confio. A maior parte das vezes.

O tema de hoje, e como o Rafa explica e justifica, são as sagas e os calhamaços, de que ele é fã e que está sempre a tentar impingir a alguém. Seja um Malazan com 900 páginas, um China Miéville de 1300 ou uma Roda do Tempo que ocupa um metro e qualquer de prateleira, alguma coisa ele há-de ter na manga.

Por hoje ficam só com a introdução, na qual o Rafa vos tenta convencer ligeiramente a ler as coisas que ele sugere. Eu compreendo o que estão a sentir, ele é assim todos os dias.


A pedido de várias famílias (apenas uma na verdade), venho para aqui discursar sobre sagas (seja de FC ou fantasia ou o que for que tenha montes de livros com montes de páginas).

Mas antes de começar, gostava de agradecer ao Rui, por me dar esta trabalheira enquanto estou de férias (sim porque me pediu isto com para aí meio ano de antecedência) e já agora agradeço também a oportunidade de chatear mais pessoas.

O tema que me foi proposto foi sagas e é disso que vou falar.

Ora bem, parece que algumas pessoas ficam algo intimidadas quando encontram livros (que já de si podem ser bem grandinhos) e encontram na capa as palavras:"volume 1 de uma data deles". É a isso que chamo sagas, que podem ser as mais comuns trilogias, ciclos, crónicas, canções... A lista continua, mas acho que chega para exemplificar. 

Em Defesa das Sagas e calhamaços

Infelizmente, as pessoas que se deixam afugentar pelo tamanho e peso de alguns desses livros e pelo espaço que a saga eventualmente irá ocupar na prateleira (a título de exemplo temos a Roda do Tempo, de Robert Jordan, que a 6 ou 7 centímetros de espessura por livro ao longo de 14 livros acaba por ocupar um espaço considerável) não se chegam a aperceber que esses livros são em geral de leitura simples e rápida.

Por exemplo, apesar de não se qualificarem como uma saga(com a excepção claro da Dark Tower), os monstruosos livros de Stephen King, como o "It" e o "The Stand" podem parecer ameaçadores, mas a escrita de King é simples e uma pessoa acaba por ler o livro mais depressa do que se lesse um livro mais pequeno mas mais denso.

Graças à linguagem King consegue escrever livros que mesmo sendo grandes se lêem bem e como ainda consegue desencantar inúmeros cenários assustadores, tornou-se num dos mais celebrados autores de Terror actuais (aproveito para comentar que King considera que a sua magnum opus é uma saga de fantasia/terror de sete livros e por mais extraordinário que possa parecer, os primeiros livros desta colecção são pequenos, dentro do possível claro).

Também poderia dar o exemplo de Harry Potter, também com 7 livros, mas acho que a J. K. Rowling não precisa de mais publicidade.

Por outro lado temos autores que escrevem livros grande e densos, como alguns clássicos russos ou China Miéville, um autor inglês, o porta estandarte do New Weird. Isso complica as coisas, porque significa que a leitura vai ser mais demorada e provavelmente teremos de andar a carregar um livro de um quilo de um lado para o outro (graças aos conselhos de dois colegas, um deles o Rui agora tenho um E-Reader e já não tenho de andar a carregar meia estante de casa para lisboa). Creio que são estes autores que acabam por afastar os leitores dos calhamaços ou  da leitura em geral. Para mim o truque, para quem não costuma ler brutas sagas ou livros monstruosos é começar com uma coisa mais pequena, de preferência de leitura simples e ir complicando, mas já cá voltamos.

Claro que tendo em conta o trabalho que dá ler uma data de livros relacionados de alguma forma, era agradável que houvessem vantagens. Entre elas contam-se a possibilidade de desenvolver as personagens ao longo de um período de tempo mais extenso, aprofundar o universo envolvente (o que é particularmente importante na fantasia, um género em relação ao qual eu sou parcial) ou simplesmente complicar a trama.

Claro que nem tudo são rosas e muitas vezes temos muitas páginas e pouco conteúdo, com sagas que empatam na trama ou são prolongadas para fazer render a fama.

Se com esta conversa alguém já está inclinado a pegar numa saga ( As Crónicas de Gelo e Fogo estão na moda actualmente) depressa vai encontrar outra dificuldade, assim que procurar o primeiro volume numa livraria qualquer, o preço. Se um livro individualmente, em geral não é barato, o que dizer de meia prateleira de livros? Mesmo que se procure os livros em inglês na Amazon (o que já permite poupar bastante) e de preferência num pack com vários livros, continua a ser um investimento considerável (e os packs constituem um risco,o de não gostar dos livros). Felizmente que este problema se resolve facilmente, o nosso país tem uma extensa rede de bibliotecas e em particular em Lisboa temos praticamente uma biblioteca em cada esquina. Esta rede permite o acesso a imensos livros sem qualquer custo!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Bondade dos Estranhos

Autor: João Barreiros


Opinião: Só existem duas razões para alguém não saber que João Barreiros é um dos meus autores favoritos de sempre: ou esse alguém não convive o suficiente o comigo, ou então não segue o blog há tempo suficiente. Como alguns amigos meus podem comprovar, eu sou um tipo chato, e Barreiros é um dos autores que eu mais tento impingir.

Já lhe li um número razoável de obras, incluindo o magistral Terrarium, que escreveu em conjunto com o Luís Filipe Silva, outro escritor que admiro e cujas críticas ouço com frequência (e atenção, eu prometo) nas sessões da Oficina de Escrita da Trëma, que continua por aí em modo semi-clandestino.

A minha opinião geral é que Barreiros é um fenomenal escritor de ficção científica. A forma como cria universos para as suas histórias e situa o leitor nesses mesmos universos com pistas subtis mas que contextualizam o todo na perfeição... Muito bom, muito bom mesmo!

Mas depois de ler este A Bondade dos Estranhos, fiquei desiludido. A caracterização está lá, mas apressada. As personagens interessantes também, mas exageradas ao extremo. A história tem uma qualidade discutível. Em suma, um livro que fica muito aquém dos padrões de qualidade deste autor.

Vamos devagar. O Projecto Candy-Man era um projecto de Barreiros, do já mencionado Luís Filipe Silva e ainda de outro autor, João Seixas. A ideia era escrevem uma trilogia, iniciada por este livro, dentro deste universo, enriquecendo-o e, imagino eu, contando uma história maior que a soma das três histórias.

Não sei porquê, mas os volumes seguintes não existem. Cada um dos autores ia ter um livro a seu cargo, mas até hoje (e este foi lançado em 2007) só existe este. É uma pena, porque acho que com projectos destes é que o Fantástico português podia avançar como deve ser.

Eu percebo é pouco dessas coisas, portanto vou-me focar mais neste livro. Imaginem que existem três espécies alienígenas a conviver connosco de forma relativamente pacífica, com as habituais intrigas políticas e afins à mistura. Agora imaginem que uma dessas raças decide andar a brincar com seres humanos, dando uns comprimidos especiais a alguns escolhidos que lhes dão alguns... poderes, vá.

Agora imaginem que uma das pessoas que tomaram esses comprimidos é contratada para tomar conta de quinhentos putos (que são mais lagostas do que outra coisa) alienígenas. A ideia é interessante, mas não tanto quanto isso, e a execução parece-me pobre, especialmente para o autor que é.

Barreiros tem um dom para caracterizar cenários, universos e personagens, é certo, mas usa esse dom de forma um bocado caótica ao longo das páginas deste livro. O resultado é uma enorme sensação de "quero saber mais". Acaba por acontecer tudo demasiado depressa, e a informação que Barreiros passa em poucas linhas é pura e simplesmente demasiada para ser assimilada como deve ser.

Talvez isto tenha acontecido por o autor estar mais habituado a contos, onde brilha verdadeiramente? Não tenho a certeza. Sem saber, diria que este livro foi escrito bastante depressa, e que das duas uma, ou é uma expansão de um conto, ou um romance enorme bastante cortado. Porque a sensação é exactamente a de algo incompleto.

Só há uma coisa que me chateou mesmo muito: a protagonista. Deve ser uma das personagens mais irritantes que já encontrei, e embora isso seja levemente intencional, para transmitir a ideia de uma rapariga que não confia em ninguém e que se defende do mundo exterior sendo uma pain in the ass armada aos cucos, essa ideia acaba por transparecer menos do que o facto de ela ser uma chata do caraças. O livro tem 150 páginas e eu já não a podia ver à frente!

E depois, claro, o final apressado não ajudou a nada. É verdade que gostei mais da segunda metade do livro, quando as coisas se desenvolvem como deve ser e os planos estranhos se desenrolam por ali fora, mas continuei a achar apressado e, pior do que isso, sem grande sentido. As motivações pareceram-me fracas, e o fim, ainda que a tender para épico e recheado de conceitos fantásticos, como todo o livro, não me agradou nem um bocadinho. Demasiado simples não é a melhor expressão, mas pronto, foi isso.

Para terminar, eu que normalmente venero tudo o que este homem escreve, vou ter que guardar este livro na estante dos mal comportados. O estilo típico de Barreiros está claramente lá, mas de tal forma diluído que não consegue fazer do livro algo bom.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Que as citações nos caiam em cima [47]


"Ao contrário do que diz a ciência, existe som no espaço. É certo que o vácuo elimina o som das explosões... Mas, através dos intercomunicadores das naves, os gritos de agonia misturam-se com o ruído da estática."


Inumanos
Carlos Pacheco e Rafael Marin

Inumanos

Título: Inumanos

Argumento: Carlos Pacheco e Rafael Marin
Desenho: Jose Ladronn e Jorge Lucas
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Com uma arte fantasticamente detalhada, este Inumanos convenceu-me de imediato. Pouco ou nada sabia sobre este grupo, para além de que são uma espécie de X-Men, mas meio alienígenas, futuristas, e bastante mais dramáticos.

Ou seja, não tinha expectativas de nenhum tipo, não sabia mesmo o que esperar. Aquilo que encontrei foi um bom worldbuilding, com uma história que não achei particularmente cativante, talvez por me faltar algum contexto, mas que apreciei e me despertou a curiosidade.

Os diálogos é que me deram ânsias. Não sei se é problema de tradução ou se já são assim de origem, mas estão mesmo muito maus. Artificiais, ridículos e muitas vezes desnecessárias, já que a arte é tão expressiva que conta a história praticamente sozinha.

Basicamente, os Inumanos são os descendentes de uma antiga raça extraterrestre, e vivem isolados e sossegados num canto escondido do nosso planeta, até ao momento em que o que sobra dessa raça extraterrestre aparece, sob a forma de Ronan, o Acusador (um dos vilões do próximo filme da Marvel, Guardians of the Galaxy).

A partir daí há porrada, traições, chantagem, esquemas políticos que brincam com as hierarquias de várias galáxias, e por aí fora, numa mistura entre space opera e a "comum" história de super-heróis.

Não fiquei fascinado, em grande parte graças aos diálogos execráveis, mas fiquei certamente com curiosidade, e se a oportunidade surgir, não hesitarei em ler mais sobre este grupo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

X-Men #2


Argumento: Brian Michael Bendis
Desenho: Stuart Immonen, David Marquez
Tradução: Filipe Faria

Opinião: Como se pode ver pela capa, este segundo número é bastante focado em Jean Grey, uma das mutantes mais poderosas, controversas e ressuscitadas de sempre. Não tenho a certeza se sou grande fã dela, porque além dos momentos overpowered, não me parece a personagem com as melhores escolhas à face da terra (quem é que no seu perfeito juízo gosta mais do Ciclope do que do Wolverine?).

No entanto fiquei agradado com a forma como aparece nesta nova linha narrativa. Depois de no primeiro número Hank McCoy, o Besta, ter andado a brincar com o passado e o futuro, eis que nos deparamos com a situação crítica de ter o Ciclope do presente e o seu bando de mutantes renegados e ligeiramente fascistas a esbarrarem com os X-Men originais.

Não é das piores histórias que já vi, e o motivo de Besta é bastante razoável, ainda que um bocadinho demasiado complicado: quer confrontar Ciclope com uma versão sua mais inocente, para que ganhe consciência do quão errada é a sua conduta actual.

Pessoalmente não percebo bem como é que isto é mais simples do que dar-lhe um enxerto de porrada até ganhar juízo, ou tentar dialogar de forma razoável com aquele que é um dos membros mais pacifistas e choninhas dos X-Men. Mas é assim que funciona no mundo dos super-heróis!

Como não podia deixar de ser, a história está recheada de confrontos, encontros, reencontros e comparações entre os X-Men originais e os actuais. O Hank McCoy do passado passa o tempo todo a tentar salvar o seu eu futuro, cuja mutação auto-infligida (a que o deixou peludo e azul) o está a matar; o Homem de Gelo do futuro e o do passado passam o tempo a comparar-se um ao outro e a assustarem-se um com o outro; o Ciclope do passado consegue tornar-se mais irritante do que o Ciclope original; o Anjo original acha estranho que o seu eu futuro não esteja em lado nenhum, e o momento em que o encontra é dos mais peculiares; e quase todas as personagens olham para a Jean Grey do passado com um misto de saudade e horror.

No entanto a história acaba por se focar mais na personagem de Jean Grey, que por um lado é a causa de muita coisa má que aconteceu a este grupo de rejeitados da sociedade, mas que por outro sempre foi um dos seus membros mais valiosos, poderosos e icónicos. Achei muito interessante a forma como as personagens lidam com ele: desde Wolverine, sempre durão mas claramente quase a quebrar, a Kitty Pride, que não era a maior fã de Jean, mas que cria uma ligação muito forte com esta Jean.

Por esse lado, as relações ficaram muito bem exploradas. Já para não falar que a interacção entre os Homens de Gelo e os Bestas é hilariante e espectacular.

Agora, onde é que isto vai levar? O confronto entre o grupo de Ciclope o grupo de X-Men "oficial", ajudado pelos X-Men originais, ainda deve andar longe. Pelo menos o definitivo. Mas os jovens pareciam bastante determinados. Não tenho a certeza de quais as consequências que isso vai trazer, mas estou certamente curioso. Apenas gostava de ver mais explicações, ou melhor, mais dicas das relações anteriores, porque isto de cair aqui de pára-quedas, por muito reset que tenha havido, só é engraçado até um certo ponto. Mas tirando isso... Bom trabalho que para aqui vai.