quarta-feira, 21 de maio de 2014

Os Vingadores #4


Argumento: Jonathan Hickman
Arte: Steve Epting
Tradução: José H. de Freitas

Opinião: Eu não me quero queixar da direcção cósmica e épica que este comic está a tomar, mas... A coisa não está a funcionar como devia.

Neste número em particular, que tem a conclusão do primeiro arco narrativo dos Novos Vingadores, um dos maiores problemas é mesmo que toda esta ideia dos Illuminati, uma equipa secreta de elite composta por membros de uma série de outras equipas (mais ou menos) secretas de elite, é um bocado idiota.

Mas ignorando isso, há outros problemas por aqui. Por exemplo, o Capitão América simplesmente deixa de aparecer, por alguma razão. A sua ausência não é propriamente um defeito, mas a sua ausência inexplicável é.

Depois, e embora basicamente todas as personagens sejam muito, mas muito interessantes, a sensação é a de uma história demasiado grandiosa, tão incapaz de deixar os heróis brilhar como de se fazer perceber na totalidade.

E porque é que isso acontece? Por causa da mitologia. Ou melhor, da quantidade da mitologia e do ritmo a que ela é introduzida. É que lá está, eu não me vou queixar de a certa altura aparecer uma espécie de deusa com cara de Cthulhu, mas a verdade é que ela, juntamente com outras duas e tantos outros conceitos, aparece um bocado do nada.

Não é possível assimilar tudo e ficar situado na história. Logo, não é possível perceber completamente a história. As personagens estão tranquilas, que já estão todas fartas de saber estas coisas, mas o leitor perde-se completamente, especialmente, parece-me, se não tiver acompanhado o Universo Marvel até aqui.

Estou curioso para ver o que acontece no próximo número, que já regressa aos Vingadores normais, pois fiquei desiludido com esta equipa, apesar de, como já disse, achar estas personagens muito mais interessantes e dignas de tempo de antena.

Não posso é deixar de notar em algo bastante... interessante. Os membros desta equipa são os seguintes: Namor, Doctor Strange, Black Panther, Iron Man, Reed Richards, Raio Negro, Fera e Capitão América. Dois deles têm franchises cinematográficas lançadas e incorporadas na continuidade do universo de filmes da Marvel, outro tem aí um reboot a aparecer, outros dois são mais ou menos o centro de vários rumores relativamente a serem os próximos heróis a passarem a filme, outro ainda anda a aparecer em filmes, também, e só sobram Namor e Raio Negro, sendo que já vi a probabilidade do segundo a aparecer algures mais pequena...

Esperar para ver!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Que as citações nos caiam em cima [51]


"Um planeta inteiro de mundos e nem um deles - um único - tem alma. Vagueiam pela vida separados e sozinhos, incapazes de comunicar salvo através de grunhidos e sinais: como se a essência de um pôr-do-sol ou de uma supernova pudesse ser contida numa qualquer sequência de fonemas, em alguns traços lineares de preto sobre branco. Nunca conheceram a comunhão, só podem aspirar à dissolução. Sim, o paradoxo da sua biologia é espantoso, mas a escala da solidão, a futilidade destas vidas deixa-me estarrecido."


As Coisas
Peter Watts

As Coisas

Autor: Peter Watts
Tradutor: Luís Santos


Opinião: A primeira impressão que tenho deste conto é que é altamente confuso. Interessante, mas confuso. Só depois de pensar um pouco e de me distanciar da leitura é que consigo perceber mais ou menos o que estive a ler.

A causa desta confusão é o narrador. Primeira pessoa, muito íntimo, mais uma transcrição de pensamentos do que uma narração propriamente dita, o estilo acaba por ser bastante peculiar.

E confesso que acabei por não perceber a história na totalidade. O narrador é... algo, que assume o controlo apenas vagamente consciente de uma série de pessoas (e um cão) e vive através delas.

Entre momentos estranhos e confusos, o narrador assume-se como uma personagem, e depois outra, e outra, e várias ao mesmo tempo, e tem consciência de ser uma e outra, mas elas parecem ter uma certa medida de livre arbítrio.

A história passa-se numa base na Antárctida, no meio de um nada gelado, e o ambiente é o perfeito para histórias de terror e suspense: misterioso, negro, lento e creepy.

Mas o que é que aconteceu exactamente? Gostava de saber, a sério que gostava. As personagens parecem desconfiar que algo estranho se passa, e o narrador parece ser algum tipo de extraterrestre em missão de sobrevivência.

Não tenho a certeza se se perdeu muita coisa na tradução, mas acho que é o mais provável. O facto de não ter lido o conto duma assentada deve ter ajudado à minha confusão, mas o próprio estilo do conto, ainda que seja interessante, foi a principal causa.

Talvez devesse tentar ler a versão original, mas por agora não fiquei muito fã.

sábado, 17 de maio de 2014

Novo projecto a seis mãos

Eu sei, eu sei... Isto de me pôr a fazer demasiadas coisas já deve ser patológico. Mas não dá para resistir! Estava a precisar de um blog de escrita. De um sítio onde publicar os meus devaneios literários. Além disso, ando a precisar de desafios de escrita.

Os impostos pela Oficina de Escrita funcionam bem, mas é diferente, são contos, e é mais sobre aprender e melhorar do que simplesmente entrar em modo de loucura e ver o que sai. Precisava de algo assim, ainda mais experimental, onde tenha total liberdade para escrever uma linha e dar o dia por terminado.

Foi assim que nasceu o Entriangular. Assim e com o convite à Alice e à Beki, a minha amiga louca de Artes (e co-fundadora deste mesmo blog!!) e a minha amiga louca de Letras. Aceitaram sem hesitar.

A ideia é estranho. Entre desafiarmo-nos uns aos outros e completarmo-nos uns aos outros, nem sei bem por onde começar. O melhor que têm a fazer é espreitar... Já há uma introdução e as apresentações também andam por lá.

Sigam! Comentem! Opinem! Refilem! Dêem ideias! Mas, acima de tudo, leiam.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

X-Men #4


Argumento: Brian Michael Bendis
Arte: Chris Bachalo
Tradução: José de Freitas e Filipe Faria

Opinião: Esta capa é muita porreira. O Ciclope assim vestido é simplesmente perturbador, e ver o Magneto completamente de branco, com um capacete e esconder-lhe a cara por completo... Muito bom!

Agora deixem-me só passar ao fim por uns instantes.Demorei um pouco a aperceber-me do que se estava a passar, mas fiquei bastante satisfeito quando o entendimento me banhou na sua gloriosa lucidez. Se alguém ainda não tiver lido e quiser fazê-lo, fica já avisado que vou revelar coisas relativamente essenciais sobre o enredo... Bem, o momento de lucidez fez-me perceber que o final desta revista é exactamente o final da revista anterior.

Fascinante. Eu já devia estar à espera que numa história que brinca com viagens no tempo se fossem pôr com estas brincadeiras, mas isto foi muito bem feito. Estive a leitura toda a pensar em como é que esta história ligava com a revista anterior!

Mas não estou a ser muito claro, vamos por partes. À semelhança da revista dos Vingadores, esta também vai ter duas revistas originais a conviver, neste caso os X-Men e os Uncanny X-Men. Os mais ou menos bons e os mais ou menos maus, se quiserem. E depois de três números a seguir única e exclusivamente os primeiros, esta e a próxima vão acompanhar os segundos.

Isto cria-me um problema. Não sei sinceramente que grupo prefiro. Ok, não é bem um problema, uma vez que posso acompanhar os dois, mas não sei por qual torcer! Se por um lado tenho os misfits, jovens, adoráveis, esperançosos e lutadores, do outro tenho os anti-heróis, sem medo de combaterem a autoridade por aquilo em que acreditam, e que ainda por cima são indiscutivelmente mais badass.

Além disso, ambas as linhas narrativas são interessantes. Ou melhor, ambas as perspectivas da linha narrativa são interessantes. O que me agrada bastante é o facto de, ao contrário dos Vingadores, aqui se estar basicamente a seguir ambos os lados da disputa. Acho que isso no futuro vai ter repercussões interessantes... Aliás, já tem, com estas duas revistas a decorrerem basicamente em paralelo!

Em termos de personagens, o que tenho a dizer é que não sou fã do Ciclope mas ele está no bom caminho. Mais implacável, mais frio, corre o risco de se tornar realmente perigoso. O Magneto, por sua vez, não sei bem... Fascina-me, a personagem. Ele já há muitos anos que não é exactamente mau (na sua génese era um arquivilão típico), e aqui cimenta essa posição dúbia, sendo provavelmente a personagem com a qual é mais fácil o leitor identificar-se. Durante a maior parte do tempo, pelo menos.

O resto das personagens são-me relativamente indiferentes, mas não posso negar que a espada gigante e mágica da mutante Magia é porreira, e que os dilemas da Emma Frost ainda vão dar muita bodega à qual mal posso esperar por assistir!

Agora é esperar pelo próximo mês, mas estou a gostar bastante desta minha aposta de acompanhar os X-Men!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

"Repent, Harlequin!", said the Ticktockman


Autor: Harlan Ellison

Opinião: Com um título no mínimo curioso e boas recomendações, este conto foi uma leitura rápida e agradável. É apenas a segunda coisa que leio do autor, depois de um fantástico I Have no Mouth and I Must Scream, mas confesso-me ligeiramente rendido.

Harlan Ellison é um contador de histórias como eu gosto de ler, subversivas, interessantes e ligeiramente caóticas. Pelo menos tendo em conta estas duas, o que é pouco, claro.

Se querem que vos diga, por estes contos eu diria que Ellison é uma espécie de versão intelectual do Stephen King. O que escreve não é nenhum portento literário, embora seja bom em termos técnicos, gosta de fazer experiências a nível de estrutura, tem um certo dom para caracterizar personagens e é fantasticamente malévolo.

A diferença é que Ellison é mais intelectual, mais... brainy.

Esta história, por exemplo, é uma distopia contada de forma não linear. Eu repito. Distopia contada de forma não linear. O que é que pode haver para não gostar?

Estranho a todos os níveis e durante toda a leitura, "Repent, Harlequin!", said the Ticktockman tem um ditador chamado Ticktockman, de tal forma obcecado com o tempo que os atrasos são crime. Crime!

Para compensar, a certa altura surge o Harlequin, uma personagem que é quase o negativo do Ticktockman, um anarquista mascarado cujo objectivo de vida parece ser causar o caos quebrando e estraçalhando todas as regras impostas pelo ditador. Desde avisar que vai aparecer num certo dia a certa hora e atrasar-se, a causar uma onda massiva de atrasos por libertar toneladas de jelly beans pela cidade, o Harlequin luta contra a opressão.

É interessante ver o desenrolar desta luta, e a forma como o Harlequin lida com a sua vida dupla e o seu desejo de sair da norma e de lutar. Só que depois tudo acaba, num fim ligeiramente reminescente do 1984 de Orwell, mas sem deixar de lado um pequeno pormenor que de certa forma dá a vitória ao Harlequin, mesmo que ele seja completamente esquecido.

Por estas e por outras, podia usar "estranho" e "provocador" para descrever este conto. Faz-nos pensar sobre aquilo que andamos a aturar no nosso país, por exemplo. Juro que pagava para ver alguém a despejar camiões de gomas à porta do Parlamento, ou algo desse estilo.

O facto de ter sido escrito de rajada, numas míseras seis horas, apenas o torna mais impressionante. Tem uma história sólida e bem contada, com duas personagens centrais bastante boas e uma escrita agradável e poderosa em imagens. Um autor a seguir!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Que as citações nos caiam em cima [50]


"Pensei: «Chega-se a um momento na vida em que da gente que se conheceu são mais os mortos que os vivos. E a mente recusa-se a aceitar outras fisionomias, outras expressões: em todos os rostos novos que encontra grava as velhas feições, para cada uma arranja a máscara que melhor se lhe adapta»."


As Cidades Invisíveis
Italo Calvino