Título: A Última Amante de Hachiko
Autora: Banana Yoshimoto
Tradutor: António Barrento
Sinopse: Romance que reúne o Japão das seitas e a Índia da ascese e do misticismo.
Mao é uma rapariga que vive numa comunidade religiosa centrada na figura carismática da avó, curandeira e vidente.
Esta seita, após a morte da fundadora, começou a trair os seus ensinamentos e a transformar-se numa comunidade de acólitos exaltados e fundamentalistas. Mao, dotada de alguns poderes sensoriais e de um singular talento artístico, afasta-se cada vez mais desde ambiente, e acaba por ir viver com Hachi, ao qual está ligada por uma profecia de amor e misticismo. No entanto, a sua relação não está destinada a durar. O inevitável fim desta história de amor assinala para Mao o fim da adolescência e a passagem para uma nova percepção mais equilibrada da existência.
Opinião: Encontrei este livro na biblioteca Orlando Ribeiro, numa semana de troca de livros, e apesar de não me ter chamado a atenção nem à primeira, nem à segunda, acabei por trazê-lo. Porquê? Gostava de saber.
Não sei se foi o nome, digamos, curioso da autora, ou o facto de à partida ser um tipo de escrita e história bastante diferente daquilo a que estou habituado, a verdade é que depois de pegar nele e lhe ler a sinopse, fiquei com a ideia de o trazer.
O facto de ser pequenito ajudou: mesmo que não gostasse, a leitura seria rápida e sem grandes mossas. Mas parti para a leitura em qualquer tipo de expectativas. Não conhecia nem o livro nem a autora, e as minhas leituras de autores asiáticos são poucas ou nenhumas.
Por isso não estranhei quando até gostei. Não sabia o que esperar, e assim que comecei a ler e encontrei uma escrita competente e agradável, já sabia que desde que a autora não fizesse asneiras gigantes, tudo correria bem. E assim foi, mais ou menos.
A história é coerente e minimamente interessante, com o defeito de se perder demasiado em reflexões e afins. As personagens são interessantes, mas só 2 ou 3 é que estão verdadeiramente desenvolvidas, com as outras a servirem apenas para encher o palco. Felizmente a protagonista é completamente louca dos cornos (foge de casa com frequência, tem manifestações de poderes sobrenaturais, dúvidas quanto à sua sexualidade, e uma forma bastante estranha de pensar), e não deixa o livro cair na monotonia.
Aliás, a sua luta com a religião da sua família, à qual se encontra intrinsecamente ligada (graças aos poderes sobrenaturais), contra a sua vontade, é uma das questões mais interessantes da narrativa. O confronto dessa mentalidade fechada com a sua forma bastante liberal de ver o mundo, ainda que com limitações, é intenso, e as coisas apenas ficam mais interessantes quando aparece o Hachiko do título, todo zen e cool.
No fundo o livro acaba por ser sobre amor e fanatismo, em igual medida. Amor fanático, fanatismo por amor, fanatismo puro e duro, amor violento e amor subtil, é só pedirem, que o livro tem de tudo.
Felizmente o livro acaba por ser uma leitura agradável, apesar de gastar demasiadas das suas poucas páginas em reflexões inúteis e descabidas da protagonista, em vez de as usar para aprofundar melhor as personagens que ficaram para pano de fundo, e as suas relações com as personagens principais.
