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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

The Light Fantastic (Discworld #2)


Autor: Terry Pratchett


Opinião: Incrível. Terry Pratchett era um deus na terra. Este livro tem um humor excepcional e é uma sequela mais do que decente a The Colour of Magic. Acontece tanta coisa, e existem tantos pormenores envolvidos, que acho que nem consigo falar de todos.

Desde Cohen, the Barbarian, o maior herói de todos os tempos, velho e desdentado mas ainda capaz de efectuar o belo do kick ass, aos druidas que criam computadores de pedra.

O humor de Pratchett é fenomenal. Cada pormenor está lá por duas razões: construir uma boa história e criar uma bela duma piada. Escolham o vosso tipo de humor favorito, que ele está representado nestes livros. Este volume em particular, ao concluir a história começada no primeiro livro, apenas demonstra como a leitura vale a pena.

As personagens, essas, não só são credíveis (dentro dos limites do livro), como são extraordinárias. Rincewind é fenomenal, parece um tipo do Cinema Sins, sarcástico, extremamente crítico, e aparentemente a única pessoa com consciência do que se passa e de como o que se passa é absolutamente ridículo. Twoflower, o turista, é qualquer coisa de especial, em toda a sua obliviousness: sempre confiante de que tudo vai acabar bem, parece não ter medo de nada nem de nenhuma situação. Quando confrontado com coisas extraordinárias, mesmo que essas coisas sejam algum tipo de monstro assassino, a sua reacção é "quanto custa? quer fazer um seguro?".

Muito do humor nasce exactamente da interacção destas duas personagens entre si e com o mundo em redor. Quase diametralmente opostos, as suas reacções aos acontecimentos são complementares no pior dos sentidos possíveis!

E como se isto não chegasse, este livro ainda introduz personagens cativantes por si, como o já mencionado Cohen, the Barbarian, com oitenta e sete anos e que é, de longe, a criatura mais mortífera que aparece. Ou então os trolls, que são basicamente pedras com dentes de diamante que ficam imóveis durante o dia, mas também durante a velhice, quando começam a sofrer de filosofia e passam longos períodos sem se mexerem enquanto contemplam questões existenciais.

Ainda nem falei das árvores que falam e conversam com Rincewind enquanto este lhes responde e nega, racionalmente, que as árvores estejam a falar com ele. Então e a Luggage, uma arca de madeira mágica com montes de perninhas e uma lealdade impressionante a Twoflower, o seu dono. De aspecto discreto, esta mala ambulante consegue ser uma das personagens mais poderosas, quer em termos de carisma quer em termos literais: regras mágicas intrínsecas ao próprio funcionamento do mundo parecem não lhe dizer nada. Se é para ir para tal sítio, e supostamente é impossível ela lá chegar, ela aparece na mesma.

No fim acontecem algumas mudanças ao Universo de Discworld, a nível macro (palmas para a mãmã A'Tuin!) e micro, que parecem ser o ponto de partida. Pelo que sei, e pelo que percebo da descrição do resto dos livros, a partir de agora Pratchett toma um papel mais satírico e explicitamente crítico. E torna-se ainda mais brilhante. Por exemplo, o próximo volume, sobre uma rapariga que é acidentalmente imbuída com poderes mágicos reservados normalmente a homens, chama-se Equal Rites. Ah!

Tudo em Pratchett é fenomenal. Vou continuar a acompanhar a série como já praticamente só acontece com algumas BD's. Estava a precisar disto, um autor ainda mais crítico que eu. Já vocês, por favor, atrevam-se a descobrir!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

The Colour of Magic (Discworld #1)


Autor: Terry Pratchett


Opinião: The Colour of Magic é uma introdução. Mas melhor ainda, soou-me a um livro daqueles que se vendiam em panfletos, episódio a episódio. É que embora haja um fio condutor (e já lá vou) a sucessão de acontecimentos quase que parece aleatória. Se bem que o motivo é outro, e eu sei.

A fama de Pratchett precede-o. Especialmente agora, depois de morrer e andar nas bocas do mundo (mais ou menos). Toda a gente sabe que ele escrevia paródias autênticas. Críticas disfarçadas de humor. Autênticas sátiras. E que o fazia bem.

Este livro não engana. Se algum dia alguém disser "epah, vou escrever um livro a gozar com todos os clichés possíveis e imaginários da literatura de Fantasia", vamos ter todos que lhe dizer "esquece, já foi feito". E a melhor parte? Duvido que alguém o consiga fazer melhor.

O mundo criado por Pratchett é extremamente completo, caótico e realista, à sua própria maneira. Esta minha opinião é ligeiramente influenciada por já conhecer alguma coisa (mas não tanta como seria de esperar) de Discworld, mas isso não me impediu de ficar seriamente fascinado. Reparem na simplicidade da premissa: imaginem o vosso típico mundo de Fantasia. Agora imaginem que lá chega um turista, vindo de terras distantes, que mal percebe a língua e que acha tudo o que acontece muito "engraçado" e "típico".

É isso, tal e qual, o que acontece em The Colour of Magic. Tudo fica ainda melhor quando esse turista é um vendedor de seguros (o que origina uns trocadilhos para lá de hilariantes), se chama Twoflower, tem uma mala com perninhas e mau feitio, encontra um feiticeiro falhado e insiste em "viver aventuras".

A sério, é qualquer coisa de fantástico. O tal feiticeiro de que falei é o Rincewind, sabe apenas um feitiço e nem sabe qual. E é um cobarde de primeira, semi-perseguido pela Morte, que FALA ASSIM, porque não?, e tem um sentido de humor peculiar.

Pelo meio há de tudo. Viagens cósmicas (não estou a brincar), o melhor conceito de dragões que alguma vez vi na vida, uma montanha virada ao contrário, um conjunto de deuses que assumem como o que todos os deuses são: brincalhões, e uma série de aventuras como não há igual.

Já mencionei que o mundo de Pratchett, Discworld, é literalmente um disco empoleirado em quatro elefantes apoiados na carapaça de uma tartaruga gigante? E que há toda uma sociedade que quer viajar para o espaço de forma a saber o sexo dessa mesma tartaruga?

Só lendo. O que aconselho vivamente que façam. Pratchett era (infelizmente isto já tem de ser dito no passado) dono de um humor mordaz e assertivo que não insultava, mas dizia o que era preciso. A escrita é boa, embora estivesse à espera de melhor, mas nada muda o facto de que Terry Pratchett, ao escrever uma paródia aos livros de Fantasia, escreveu um fantástico livro de Fantasia!