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quarta-feira, 10 de julho de 2013

A Cabeleira

Título: A Cabeleira
Autor: Guy de Maupassant
Tradutor: Milton Persson

Opinião: Se há coisa que aprecio numa história, além de um enredo retorcido e personagens loucas dos cornos, é o ambiente que serve de pano de fundo.

Coisa que o Lovecraft e o Poe faziam na perfeição, por exemplo. Os seus contos de terror eram-no desde as primeiras linhas, desde a primeira brisa chorosa que assobiava etereamente ao acariciar os ramos negros.

E isso foi algo que acho que Maupassant conseguiu fazer neste conto. A história tem uma premissa idiota, à primeira vista: um gajo apaixona-se por uma cabeleira.

Mas depois a estranheza assenta, os arrepios instalam-se, e uma premissa idiota torna-se de repente numa ideia assustadora.

Com uma escrita muito boa e bem trabalhada, o autor conta como este estranho amor tomou proporções tenebrosas, com direito a um final semi-sobrenatural e tudo.

Posso dizer que A Cabeleira foi um conto de que gostei muito, não só pela boa história e pela boa escrita, mas também pela forma como me conseguiu surpreender.

O simples facto de ter agarrado numa ideia mais digna de uma comédia, e tê-la transformado numa autêntica história de terror sobrenatural, da forma mais estranha possível, faz o autor ganhar pontos na minha mente.

Este é, portanto, um conto cuja leitura aconselho, e que aconselho a que leiam com atenção para conseguirem perceber todos os pequenos pormenores que introduzem o ambiente, a estranheza e o sobrenatural, e que fazem deste um bom conto.

sábado, 29 de junho de 2013

De Viagem

Título: De Viagem
Autor: Guy de Maupassant

Opinião: Este conto é a minha primeira incursão na obra deste escritor francês, e que incursão!

Com uma escrita fantástica, só é pena que a história que Guy de Maupassant conta esteja de tal forma desactualizada que perde o seu efeito. O amor fugaz entre duas personagens que se encontram no comboio, em situações curiosas, não convence, até pelos moldes que depois toma, de total e absoluto secretismo, e até em certa medida escondido dos próprios amados.

Mas a escrita é fenomenal. Com um estilo algo clássico, típico da sua época, o autor tem também traços mais modernos, apresentando uma escrita mais económica, com menos floreados. Mais directa ao assunto, diga-se.

E mesmo assim consegue fazer transparecer toda a beleza da história que conta, por pouco credível que esta seja. De Viagem é um conto romântico que caso tivesse uma história mais actualizada me teria arrebatado por completo.