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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Que as citações nos caiam em cima [58]


"A grande parte daquilo que os meus vizinhos consideram ser bom, eu acredito com toda a alma que seja mau, e se me arrependo de algo, é muito provável que seja do meu bom comportamento. Que diabo me possuiu para que me comportasse tão bem? Podeis dizer a coisa mais sábia que conseguirdes, ó ancião (vós, que vivestes setenta anos, não sem toda a espécie de honras), mas eu escuto uma voz irresistível que me convida ao alheamento de tudo isso. Uma geração abandona as iniciativas da outra como se se tratassem de navios encalhados."

Onde Vivi e Para Que Vivi
Henry David Thoreau

Onde Vivi e Para Que Vivi


Autor: Henry David Thoreau
Tradutora: Odete Martins


Opinião: Sabem quando um livro até podia ser interessante, mas fica aquém? E nem sequer é propriamente por ser um mau livro, ou estar mal escrito, mas sim porque pura e simplesmente não é algo que vos interesse muito?

Pois é, foi o que aconteceu com este livro. Não tinha nenhum motivo em especial para ler isto, mas decidi pegar nele porque andava aqui por casa e precisava de alguma coisa pequena para despachar rápido e desanuviar.

Não conhecia o autor nem nunca tinha ouvido falar do livro em lado nenhum. Curiosamente, depois de o ler, encontrei um livro do autor na Fnac. Mas antes, não sabia nada de nada. O que significa que comecei a leitura completamente às escuras, por assim dizer. E quando percebi sobre o que era, até achei piada: uma espécie de visão naturalista e simples da vida. Ou de como o autor acha que a vida devia ser, melhor dizendo.

Só que pronto, não é tema que me interesse. Estes ideais de comunhão com a natureza e de vida simples, à base de trocas e uma vida calma, é demasiado simplista para mim. Simplesmente não é realista. Talvez há umas décadas até fosse mais razoável, mas entretanto as coisas evoluíram, e viver assim é viver como um eremita sem grande futuro.

Também não consigo deixar de pensar que alguém a viver assim é pura e simplesmente egoísta. Não contribui nada, para nada. Bem, não chateia ninguém, já é qualquer coisa, é verdade. Mas é uma vida de isolamento, de afastamento e até de alienamento em relação aos outros e à sociedade.

No entanto tenho que deixar bem claro que é um livro bem escrito, porque é. Thoreau tem uma escrita clara e objectiva o suficiente para fazer passar o seu ponto de vista sem o forçar no leitor, algo que muitos autores contemporâneos portugueses podiam aprender a fazer. Mas pronto, lá está, não é o meu tipo de leitura, e portanto não a apreciei como poderia ter feito, por muito que reconheça a qualidade da escrita e do livro.