Autor: Henry David Thoreau
Tradutora: Odete Martins
Opinião: Sabem quando um livro até podia ser interessante, mas fica aquém? E nem sequer é propriamente por ser um mau livro, ou estar mal escrito, mas sim porque pura e simplesmente não é algo que vos interesse muito?
Pois é, foi o que aconteceu com este livro. Não tinha nenhum motivo em especial para ler isto, mas decidi pegar nele porque andava aqui por casa e precisava de alguma coisa pequena para despachar rápido e desanuviar.
Não conhecia o autor nem nunca tinha ouvido falar do livro em lado nenhum. Curiosamente, depois de o ler, encontrei um livro do autor na Fnac. Mas antes, não sabia nada de nada. O que significa que comecei a leitura completamente às escuras, por assim dizer. E quando percebi sobre o que era, até achei piada: uma espécie de visão naturalista e simples da vida. Ou de como o autor acha que a vida devia ser, melhor dizendo.
Só que pronto, não é tema que me interesse. Estes ideais de comunhão com a natureza e de vida simples, à base de trocas e uma vida calma, é demasiado simplista para mim. Simplesmente não é realista. Talvez há umas décadas até fosse mais razoável, mas entretanto as coisas evoluíram, e viver assim é viver como um eremita sem grande futuro.
Também não consigo deixar de pensar que alguém a viver assim é pura e simplesmente egoísta. Não contribui nada, para nada. Bem, não chateia ninguém, já é qualquer coisa, é verdade. Mas é uma vida de isolamento, de afastamento e até de alienamento em relação aos outros e à sociedade.
No entanto tenho que deixar bem claro que é um livro bem escrito, porque é. Thoreau tem uma escrita clara e objectiva o suficiente para fazer passar o seu ponto de vista sem o forçar no leitor, algo que muitos autores contemporâneos portugueses podiam aprender a fazer. Mas pronto, lá está, não é o meu tipo de leitura, e portanto não a apreciei como poderia ter feito, por muito que reconheça a qualidade da escrita e do livro.