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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Que as citações nos caiam em cima [43]


"- Sois um homem muito afectado pela música?
- Reconheço nela o reflexo da perfeição divina. - Luís Quinn ergueu os braços para que os seus servidores lhe removessem a sobrepeliz de renda. - É muito semelhante à matemática, nesse aspecto. Tal como um número, a música vale por si e não representa nenhuma realidade."

Brasil
Ian McDonald

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Brasil

Título: Brasil
Autor: Ian McDonald
Tradutora: Leonor Bizarro Marques

Sinopse: São Paulo 2032

Uma cidade com um coração de néon.
Uma cidade com incontáveis milhões de habitantes.
Uma cidade com fortunas de cortar a respiração e uma pobreza mortificante.
Uma cidade protegida por anjos onde a vigilância é constante e cada movimento é observado, seja o declínio, seja o fluxo do dinheiro ou da vida.
Uma cidade em que um ladrão poderia sair da favela e ficar encurralado no mundo estonteante e letal da computação quântica ilegal.

Rio de Janeiro 2006

Uma cidade sustentada por reality shows.
Uma cidade de gente que vê e que é vista.
Uma cidade onde uma ambiciosa produtora de televisão poderia descobrir o seu próximo grande êxito, perdendo a vida e a alma.

Brasil 1732

Um país de uma beleza paradisíaca.
Um país de ouro e de morte.
Um país de loucura e de religião.
Um país onde um padre jesuíta enviado no encalço de um padre apóstata, encontrará a fé e a realidade levadas ao limite.

Opinião: A decisão de ler este livro foi completamente influenciada pelo facto de o autor vir ao Fórum Fantástico. Tinha-o aqui na estante desde a Feira do Livro deste ano, e aproveitei o balanço.

À partida parecia-me bastante interessante, e não podia ser mais terrivelmente adequado: um livro que envolve mecânica quântica no semestre em que tenho uma cadeira de mecânica quântica. Curioso.

Mas a verdade é que não me conseguiu captar muito a atenção. Dou-lhe, no entanto, o mérito de ser o primeiro livro que me lembro que passa uma sensação completamente caótica, de forma propositada, e que faz com que isso funcione a favor da história. É uma sensação estranha, mas boa, muito boa. Pergunto-me se os outros livros do autor têm o mesmo estilo.

Acho é que o facto de se acompanhar as 3 narrativas, sem se encontrar qualquer tipo de ligação entre elas durante muito tempo, fez com que não me sentisse propriamente cativado por nenhuma. É verdade que se vão notando alguns pontos de contacto, mas alguns nem sequer chegam a ser explicados.

Por aí, acho que o livro perdeu muito. E o sentimento de caos acaba por levar a uma confusão desnecessária, que não me agradou nadinha. Acabei o livro com uma sensação de "então e agora? o fim?". Na prática o livro teve 3 fins, um para cada linha narrativa, mas nenhum deles me soube a fim.

As personagens são interessantes, mas acabam por não ficar tão bem caracterizadas como poderia ter acontecido. Fia, Edson e as suas personalidades, Luís Quinn, Falcon, Zemba, Marcelina... Cada um com os seus dilemas e as suas vidas, mas nenhum que se destaque propriamente.

Em suma, um livro mediano.