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segunda-feira, 20 de maio de 2013

The Big Trip Up Yonder


Título: The Big Trip Up Yonder
Autor: Kurt Vonnegut

Opinião: Este conto de Vonnegut foi das coisas mais hilariante e críticas que li nos últimos tempos. Aborda a questão da imortalidade e da consequente imoralidade, da ganância, da falta de escrúpulos e da liberdade, seguindo um enredo bastante engraçado e assertivo, com personagens interessantes, manipuladoras e, acima de tudo, sedentas de alguma coisa.

Num mundo em que inventaram um elixir que garante imortalidade, um ancião de 200 e qualquer coisa anos com ar de 70 convive com os seus filhos, netos, bisnetos, tetranetos e sei lá mais o quê, reunindo uma família absurdamente gigantesca numa casa não muito grande. A razão pela qual ali se reúnem? Todos querem ficar com a herança do velho, quando este se decidir a morrer.

A parte engraçada começa aí, com o testamento a ser reescrito uma e outra vez, alterando constantemente a pessoa que tudo herdará conforme o humor do ancião nesse dia. Isto cria favoritos, renegados e indiferentes, num processo cíclico em que todos passam pelas 3 categorias numa altura ou noutra.

No meio disso, como devem imaginar, as guerrinhas pessoais são imensas, o respeito pelos outros é pouco, mesmo quando são os próprios pais ou os próprios filhos, uns com 100 e muitos anos e outros lá muito perto, e a maior parte da história é sobre a forma como os parentes se digladiam uns com os outros, na vã esperança de ficarem com tudo.

Até que um dia algo muda, e é o descalabro total. Digamos que no entretanto, o ancião se fartou daquela brincadeira toda. Toma de repente consciência da prisão em que vive e em que vivem os seus descendentes, e decide mudar tudo.

Com uma escrita muito boa e um enredo interessante, Vonnegut prendeu-me à leitura e fez-me soltar algumas gargalhadas, ao mesmo tempo que me re-acendeu o interesse em ler mais qualquer coisa da sua obra.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

2 B R 0 2 B


Título: 2 B R 0 2 B
Autor: Kurt Vonnegut

Opinião: Como primeira incursão na obra de Vonnegut, não me posso queixar. Curto, 2 B R 0 2 B, que se lê em inglês e com aquele zero a ser lido como naught, é uma história bastante interessante que parte de uma premissa simples, e que é bem explorada.

No universo deste conto, o envelhecimento foi curado e as pessoas vivem até aos 200 e tal anos e mais além, sem envelhecerem um único dia. Como tal, passou a haver um controlo da população, pois se continuassem a nascer pessoas sem qualquer restrição, o planeta rapidamente seria incapaz de aguentar o excesso de população.

O processo é bastante simples: por cada criança que nasce, os pais têm que arranjar um voluntário para morrer nas câmaras de gás. É cruel, mas é uma resposta racional para o problema que a imortalidade traz.

Imaginem agora o desespero de um pai que está na sala de espera da maternidade, e que sabe que vai ter trigémeos e só tem um voluntário para morrer. Este desespero é perfeitamente transposto para o papel, com as pessoas a conversarem à sua volta, e a história a decorrer, e ele apenas sentado, com a cabeça entre as mãos, completamente imóvel. A primeira vez que reage minimamente ao que quer que seja chega a ser angustiante.

Isso foi o elemento que mais me marcou em toda a história, que já é por si bastante interessante e se encontra bem escrita. Ainda por cima, e como tem sido hábito com as minhas últimas leituras, deixou-me curioso para ler mais coisas do autor...