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sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Rouxinol e a Rosa


Título: O Rouxinol e a Rosa
Autor: Oscar Wilde

Opinião: Oscar Wilde é daqueles autores em que reconheço uma escrita sublime. Não lhe li muita coisa, mas foi mais do que suficiente para ter perfeita noção de que assim é.

Este pequeno conto dá força a essa ideia. Inserido num pequeno livro de contos românticos escritos por grandes vultos da literatura mundial, O Rouxinol e a Rosa é uma bonita história de amor em que se reflectem várias das facetas desse sentimento.

A começar pelo desespero do protagonista em encontrar uma rosa vermelha, condição imposta pela amada para que com ele dance, e a chegar à devoção cega e altruísta do rouxinol, que dá a vida e a alma por um amor que não é o seu.

Com contornos de fantasia e de fábula, esta história tem tudo. É triste e é bonita, mostra como o amor pode ser interesseiro, e como pode ser devoto, e como pode inspirar actos de loucura normalmente conhecidos por actos de amor.

sábado, 14 de agosto de 2010

O Fantasma de Canterville e outros contos


Nem um único conto dos presentes neste livro era o que eu estava à espera. Já li outras coisas deste autor, incluindo o seu romance O Retrato de Dorian Gray, em inglês, e O Crime de Lord Arthur Saville e outros contos, e nenhuma dessas obras me deixou com a ideia que Oscar Wilde era capaz do tipo de humor presente neste livro!

Quer dizer, não me expliquei bem... Capaz havia de ser, um escritor deste calibre é capaz de escrever quase tudo. Não sabia era que o fazia.

Em tudo o resto que li dele, podia haver uma pequena pontada de humor, mas não era o principal da história, diga-se de passagem. E nesta colectânea, humor é a palavra de ordem!

Logo no primeiro conto O Fantasma de Canterville, fiquei completamente estarrecido. Comecei a ler, à espera de uma história de terror, com o toque pessoal de Oscar Wilde, e que tenho? Uma história engraçadíssima sobre um fantasma que não consegue aterrorizar a família que lhe habita a mansão. E chega mesmo a ser gozado por eles!

Acho que foi das reviravoltas mais inesperadas que já li, quando o dono da casa ouve as correntes do fantasma, e em vez de ter qualquer tipo de medo, vai ter com ele, e dá-lhe um frasco de óleo, para as correntes fazerem menos barulho!

Mas no meio de tanto humor, também o seu quê de tragédia. O final deste primeiro conto é absolutamente dramático, bem como um conto ou outro, que são autênticos dramas, do princípio ao fim, ainda que contados num tom leviano e cómico.

Além de que, claro, a escrita é irrepreensível, não fosse Oscar Wilde.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

The Picture of Dorian Gray


A mais conhecida obra de Oscar Wilde, "The Picture of Dorian Gray" é uma espectacular narrativa, de um homem que não envelhece. Dorian Gray é um jovem na altura em que Basil Hallward pinta o seu retrato, e é considerado por muitos como o mais belo jovem de todos. Numa tarde, em que Lord Henry Wotton se encontrava na casa de Basil, Dorian Gray aparece, para que o pintor acabe o seu retrato. É esta a primeira vez que Dorian e Lord Henry se encontram, e é o começo de uma amizade, cultivada pela personalidade de Lord Henry, com as suas teorias provocativas sobre tudo, e o fascínio deste por Dorian, como sujeito psicológico.

Nessa mesma tarde, Basil acaba o retrato, e Dorian, ao vê-lo, fica espantado pela obra-prima que o seu amigo pintou, e apercebe-se verdadeiramente, pela primeira vez, da sua beleza, e, num impulso, diz que daria a sua alma para que o quadro envelhecesse em vez dele, para que ele continuasse sempre jovem e belo, enquanto o quadro carregava as consequências dos seus pecados.

O desejo de Dorian torna-se realidade, embora só ele repare, através das mudanças que começam a aparecer no quadro. Ele fecha-o à chave num quarto, e tapa-o, só olhando para ele de tempos a tempos, para poder olhar para a sua alma, e ver o que os seus pecados lhe estão a fazer. E assim Dorian vive uma vida cheia de pecados, e tentações, numa constante busca de prazer, sem, no entanto, envelhecer um único dia, ou perder o mínimo traço da sua beleza.

Um livro que trata, muito aprofundadamente, sobre a moralidade e a imoralidade, a ética e falta dela. Acho que, acima de tudo, levanta a questão: "Se ninguém souber, se não houver qualquer vestígio, se nos mantivermos jovens e de inocência pura para todo o sempre, faremos aquilo que muito bem nos apetecer, viveremos uma vida 'pecaminosa'?". E além de levantar a questão, responde-lhe, ao mostrar-nos o que acontece com Dorian Gray, que não envelhece, e que é "envenenado" pelas teorias e a influência de Lord Henry. Podemos observar a lenta queda em decadência de Dorian, sem que nenhuma marca dessa decadência seja visível na sua figura, e as consequências que isso tem na sua mente.

Tendo lido o livro em inglês, tive que prestar o décuplo da atenção, e não perdi muitos pormenores, e posso por isso dizer, sem qualquer sombra de dúvida, que é um livro brilhante, através do qual podemos observar as consequências da "imunidade", que se ganha, quando se deixa de envelhecer, ou mudar fisicamente, independentemente do que façamos. Sem dúvida um grande livro, do grande escritor que é Oscar Wilde.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O Crime de Lorde Arthur Savile



Um pequeno livro, que engloba, na verdade, duas histórias. "O Crime de Lorde Arthur Savile", como diz o título e "A Esfinge sem Segredos".

O primeiro conto, o maior, conta a história de um aristocrata inglês, Lorde Arthur Savile, a quem, numa festa, um quiromante lhe prevê o futuro, e prevê que ele vai cometer um homicídio. Lorde Arthur fica horrorizado com o seu futuro, e debate-se com um problema muito bicudo: o de conhecer o seu futuro, que pode ser uma mais-valia, ou, como neste caso, um tormento. Fica aterrorizado com esta ideia, e estando noivo, acha que não estaria a fazer bem em casar-se sem antes ter cometido o crime, limpando assim a sua consciência.

Por duas vezes Lorde Arthur tentou matar alguém, primeiro com veneno e depois com um explosivo, e das duas vezes falhou, para o seu desespero, acabando por matar o próprio quiromante que lhe tinha dito que ele ia matar alguém.

A segunda história, é muito mais curta, onde, basicamente, um homem conta ao seu amigo o que o aflige: uma mulher que viu apenas de relance e por quem se apaixonou, e que só viu depois, num encontro fortuito durante um jantar, e do mistério envolvendo essa mulher, que levou ao afastamento do homem, e quando voltou, a sua amada tinha morrido.

Ora, duas pequenas histórias que revelam a escrita deliciosa de Oscar Wilde, com pequenas passagens que são autênticas pérolas, e com histórias interessantes (pelo menos a primeira, a segunda já não achei tanta graça). A forma como desenvolve a história de Lorde Arthur, tem a medida certa de curiosidade e fatalismo, deixando o leitor sempre à espera do que vai acontecer.

Um excelente (embora pequeno) livro, de Oscar Wilde, o escritor de "O Retrato de Dorian Gray", que é, provavelmente, a obra mais famosa do autor, e que já tenho aqui em lista de espera para ler!