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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Tiro

Título: O Tiro
Autor: Puskine
Tradutora: Margarida Pereira

Opinião: Correndo o risco de me repetir, não resisto a dizer que autores russos não me desiludem. O meu fascínio por estes autores é cada vez maior, e isso assusta-me, pois chegará o dia em que vou ler os grandes calhamaços, de que até sou capaz de gostar, mas que vão dar uma trabalheira desgraçada a ler.

Até lá, felizmente, os tipos até tinham juízo e não escreviam só clássicos intemporais com mais páginas que programas estúpidos na televisão. Volta e meia lembravam-se de escrever contos e livros mais 'canitos.

Este é um exemplo desses contos, que serve também como prova de que os sacanas dos russos faziam bem tudo aquilo em que se metiam. Pelo menos os mais conhecidos, vá. Nas coisas que já li, e que nem foram assim tantas, pronto. Mas acredito piamente que tenho razão!

A história passa-se entre duelos, vinganças, tiros não dados há 20 anos e tiros dados 20 anos depois disso, tem uma moral curiosa e está bem escrita.

Como bónus tem uma primeira parte que serve de pano de fundo: ajuda a situar as personagens, a caracterizar a situação de guerra que viviam, enfim, a criar uma ligação com a história que aí vem. Essa primeira parte faz esse trabalho de forma exemplar, sendo uma excelente introdução à parte do conto com o "sumo".

No fundo, e é isto que importa, O Tiro é um bom conto de Puskine, com um final no mínimo interessante.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A Dama de Espadas


Título: A Dama de Espadas
Autor: Puskine
Tradutor: José Marinho

Sinopse: A velha condessa Ana Fédotovna - na sua juventude apelidada de a Vénus Moscovita - esconde um segredo... um segredo que pode tornar qualquer homem milionário ou destruir-lhe por completo a vida. Numa noite longa, durante um jogo de cartas, Tomski, o neto da condessa confidencia aos amigos parte do segredo da avó. Mas entre eles está o ambicioso Hermann, rapaz sem escrúpulos que vai tentar arrancar à velha senhora todos os pormenores que o poderão tornar o homem mais rico do mundo. Pelo meio, não hesitará em humilhar e quase levar à loucura Lisavete Ivanovna, a singela dama-de-companhia da condessa.

Opinião: A Dama de Espadas é um pequeno conto bastante curioso, com um final que me conseguiu surpreender e que me fez gostar bastante do conto em geral.

A escrita é a esperada de um autor russo clássico: formal, cuidada, trabalhada, enfim, basta dizer "clássica" e acho que se percebe bem a ideia.

As personagens nunca são particularmente interessante, mas atribuo isso à pequenez da história, algo que vai de encontro à minha opinião de que os autores russos estão, de uma forma geral, talhados para grandes romances.

Por outro lado, este conto prova que também sabem escrever coisas mais pequenas. Neste caso uma história sobre um certo truque que permite ganhar ao jogo, e que uma velha condessa hesita em revelar.

Sucedem-se manipulações, aldrabices e algumas condutas muito pouco morais, tudo sempre muito colorido pelas emoções intensas que as personagens dos escritores clássicos parecem sempre viver a toda a hora.

Como já dei a entender, a história não é particularmente interessante até mesmo ao momento final, em que a história ganha um novo significado. Aconselho a leitura, ainda para mais sendo algo tão pequenino e que não demora mais do que 10 ou 15 minutos a ler!