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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Histórias do bom Deus


Autor: Rainer Maria Rilke
Tradutora: Sandra Filipe


Opinião: O título deste pequeno livro não me é propriamente chamativo. E as descrições que encontrei dele também não, todas alguma variação de "pequenas histórias sobre a bondade e grandiosidade de Deus". Meh.

Mas tinha-o por aqui e precisava de uma leitura leve para intercalar entre leituras mais exigentes, portanto lá foi. E se quanto aos temas e às histórias não fiquei desiludido, são realmente desinteressantes, a escrita revelou-se uma boa surpresa.

Para mim foi quase o mesmo sentimento de ler o Sermão de Santo António aos Peixes, do Padre António Vieira, ainda que a uma escala mais pequena - poucas são as escritas comparáveis à deste senhor. Foi não achar piada nenhuma ao conteúdo, mas ficar bastante satisfeito com a forma.

Neste caso a escrita é boa, e o encadeamento das historietas é fantástico. Uma série de contos independentes que um narrador comum conta a alguém, por vezes a outras pessoas, às nuvens, por vezes à escuridão, e com uma sequência, em que o fim de cada parte leva directamente ao início da seguinte.

Revisitam-se personagens, temas (especialmente as crianças, os pobres, e a presença de Deus) e há uma espécie de continuidade muito interessante, que faz destas histórias um todo bastante consistente e que acaba por se tornar interessante em virtude disso mesmo.

Ou seja, mais uma prova de que não se deve julgar um livro pela capa. Literalmente. É muito fácil ser-se surpreendido!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Fuga

Título: A Fuga
Autor: Rainer Maria Rilke

Opinião: Um pequeno conto que até nem é muito mau, mas que não me conseguiu fascinar nem com a história nem com a escrita.

Esta história de um grande amor, que afinal talvez nem o fosse assim tanto, peca por ser contada de um ponto de vista masculino.

Ainda não pesquisei o autor em condições, mas a mentalidade deste protagonista é de fugir. Ora ama, ora não ama, ora está quase literalmente de rastos por ela, ora repara que ela não é lá muito bonita e está abaixo dele.

E até havia potencial, que se conseguirmos ignorar o protagonista e a sua mentalidade execrável, a visão que o autor dá do amor é bastante pessimista, e isso podia ser um bom caminho a seguir, no que tocava a desenvolver o enredo.

Mas é óbvio que o autor não foi por aí, ou eu teria elogiado muito mais o conto, que tem uma escrita razoável, uma personagem que apesar, e por causa, do seu atraso mental de macho man descomprometido se torna relativamente interessante.

Só há aquele pequeno problema de falhar na história e na forma como a desenvolve ao longo da sua curta extensão, o que para mim é uma das piores coisas que se podem fazer a um conto.