Autor: Theodore Sturgeon
Tradutor: Miguel Romeira
Opinião: Dizer que este livro é estranho, é dizer pouco. Este livro é para lá de estranho. Para ser sincero, acho que é tão estranho que se torna muito, mas muito bom. As minhas expectativas não era muito altas, apesar da boa opinião da Jules. Nem capa nem título me chamaram a atenção, e ao pesquisar o autor, apesar de ter ficado impressionado, não fiquei assim tão impressionado.
Erro meu. Theodore Sturgeon foi claramente um dos pesos pesados da ficção científica e de horror. O meu desconhecimento da sua obra uma falha finalmente colmatada.
É que este livro, no meio da sua história algo confusa e bastante convoluída, é altamente cativante, logo desde o início, com os seus pontos de vista pouco convencionais e as suas personagens complexas e multifacetadas. A própria escrita de Sturgeon, ou pelo menos a versão traduzida, flui que é uma maravilha, capaz como é de descrever fenómenos altamente complexos da melhor forma possível.
O fenómeno em causa é o homo gestalt, uma espécie de próximo passo evolutivo para a espécie humana, composto por várias pessoas que funcionam como um só organismo. Uma simbiose bastante peculiar, se assim o quiserem.
A forma como Sturgeon introduz e apresenta os vários protagonistas está muito bem orquestrada, assim como a escolha das suas personalidades. Passado poucas páginas, já estou mais do que curioso para saber o que vai acontecer, e quando me começo a aperceber a sério, mais quero saber!
Só tenho pena da divisão que o livro tem, em três secções mais pequenas. Ou o livro tinha capítulos mais curtos, ou não tinha divisões nenhumas. O que aconteceu com este formato foi uma grande falta de ligação directa entre as três partes que tornam a leitura muito, mas muito confusa.
Mas tirando isso é uma excelente leitura. A evolução do homo gestalt e até a introdução do conceito, são vários momentos bem escritos e bem montados no plano geral do livro. O autor perde algum tempo a apresentar cada uma das personagens, o que faz todo o sentido se pensarmos que as personalidades das pessoas envolvidas na simbiosa vão ser absolutamente determinantes para o comportamento e as ações do homo gestalt como um todo.
Só a segunda parte do livro é que me agradou um bocadinho menos, especialmente por causa da confusão que me gerou ao lê-la, mas também porque nem sequer há comparação possível com as outras partes, bem desenvolvidas e complexas o suficiente para soarem minimamente reais. Mas acho que é daqueles livros que todas as pessoas que lerem vão ter ideias completamente diferentes. Portanto só têm uma hipótese, que é pegar neste livro de 1953 (pensava mesmo que era dos anos oitenta), e dar uma vista de olhos. Garanto-vos que é fácil de ficar preso!