segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Breve História do Tempo


Stephen Hawking, o génio da ciência, afligido por uma grave doença que o deixa preso a uma cadeira rodas, quase impossibilitado de se mover ou de comunicar, não perde, no entanto, a sua clareza de pensamento, e a sua incrível inteligência, escrevendo, já num estado avançado da sua doença, este livro, que nos maravilha com os aspectos fenomenais do Universo, explicados da forma mais simples possível.

Desde o começo do Universo, ao fim do Universo, passando pela possibilidade da existência de vários Universos, e de vários princípios e vários fins. Alguns capítulos extremamente teóricos sobre a natureza do próprio tempo, e a possibilidade das viagens no tempo.

Mas no entanto, tudo isto, incluindo alguns conceitos extremamente difíceis de assimilar (como a própria ideia de infinito, ou um tempo imaginário, onde se pode circular livremente para a frente e para trás), são explicados de forma clara e fácil de entender, graças aos dons naturais de Hawking para comunicar. Utiliza analogias simples, da vida quotidiana, para explicar complexos teoremas e teorias, faz uso de um humor fácil, conseguindo, ainda assim, explicar alguma coisa.

Este livro, tem, no entanto um defeito. Ou se gosta de ciência, e se adora este livro, ou não se gosta, e não se passa do primeiro capítulo. Quer dizer, ou se gosta, ou se aprende a gostar com este livro, porque garanto que é impossível a alguém que não goste de ciência ler este livro até ao fim. E ajuda ter algumas luzes da ciência.

No meu caso, um apaixonado pela ciência, e aluno de Ciências, encontrei-me na posição perfeita para ler este livro, que até me ajudou a consolidar algumas dúvidas, nomeadamente da Física e da Química. Porque este é um livro de ciência, que não fala de outra coisa a não ser ciência, se não se gosta de ciência... está-se tramado.

Fora isso, uma grande leitura, um grande livro (embora pequeno) e, acima de tudo, um grande grande autor e cientista, por quem tenho uma grande admiração.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Os Maias


Tenho a sensação que esta vai ser a crítica mais difícil dos próximos tempos. Por um lado, tive a obrigação de ler este livro, que me foi imposta pelas aulas, e que é algo que me desagrada. Até hoje, ainda não encontrei nenhum livro que tenha lido obrigado, e que me tenha agradado.

Mas, lá está, até hoje. Este "Os Maias", é, quer queiramos quer não, um livro sub-valorizado, tanto a nível nacional, como a nível mundial. Tivesse calhado a Eça ser inglês, americano ou francês, etc., este livro estaria, de certeza no top dos clássicos mais vendidos. Mas é que sem dúvida.

Se bem que eu não olho para este livro como um livro, agora que o acabei de ler. É uma autêntica novela épica, Uma "Odisseia", ou uma "Ilíada", com uma acção mais... metafórica, pois também temos os nossos heróis, que têm, na minha opinião, como extremo, João da Ega, a personagem mais excepcional em todo o romance; temos um inimigo quase invencível, que não é um Deus grego, ou outra divindade, mas sim o próprio tempo, o destino.

Porque é esse um dos temas deste livro. O destino, que avança, inexorável, imparável, e que, embora lentamente, faz as suas vítimas. Claro que o grande tema (e objectivo) desta obra, não é outro que não a crítica. Uma forte e dura crítica à sociedade, e que, apesar de ter publicada em 1888, encontra-se estranhamente actual, mesmo passados estes 122 anos.

Não quero, porém, avançar com muito da história, falando só de algo, que foi o que mais me impressionou em toda a história. Não, não foi o caso de incesto, não não a forma fantástica como Eça descreve paisagens (nomeadamente as de Sintra), e não, não foi a poderosa crítica social. Foram as duas últimas páginas do livro, quando Carlos, regressado a Portugal após 10 anos de um exílio auto-imposto, conversa com Ega, e diz ter descoberto o sentido da vida, que "não vale a pena correr por nada, por absolutamente nada", e Ega acaba por concordar. Mas esta cena passa-se com ambos a correr para apanharem um transporte público para não chegarem atrasados a um jantar.

Situação irónica? Sim. Poderosa? Sim. No fundo, o fim perfeito para uma obra deste calibre. Uma situação ambígua (como aliás grande parte da história), algo contraditória, mas que é, para mim, o essencial deste livro. Como tal, não deixo de aconselhar este livro. Ainda que obrigatória, é realmente bom, confirmando a velha máxima de que "a excepção confirma a regra"!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Tumulto das Ondas


O primeiro romance de Yukio Mishima que leio, na verdade, o primeiro romance japonês que tenho o prazer de ler, numa espécie de lufada de ar fresco dos mangas, que me deixou totalmente rendida.
A história, de uma imensa simplicidade, transporta-nos para uma ilha remota do Japão, Utajima, de uma maneira tão perfeitamente descritiva que quase nos sentimos seus habitantes.
Shinji, um rapaz de dezoito anos, sem grandes objectivos na vida para além da de ser reconhecido como pescador, vê-se de repente deparado com algo de que o seu espírito simples e desprovido de conflito jamais esperaria: o repentino interesse por uma lindíssima jovem acabada de chegar à ilha.
De um momento para o outro, a rapariga, Hatsue, passa a invadir-lhe os pensamentos e as emoções.
Um tempo mais tarde, Shinji e Hatsue, amando-se mutuamente, vê-se obrigados a lutar contra a inveja e ao preconceito de alguns que fazem tudo para que os dois não vivam felizes.
Numa narrativa melodiosa, Mishima mostra-nos com uma história de carácter tão simples pode influenciar a nossa maneira de ver a natureza da mente humana.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os Cinco Suspeitos


Este livro provou-me pelo menos uma coisa sobre esta autora. Que embora a base de Poirot seja sempre a mesma (a psicologia, e as suas "célulazinhas cinzentas"), o método de investigação varia muito.

Talvez isso tenha a ver com os casos que lhe são apresentados, que são sempre originais, sendo esse, para mim, um dos pontos mais fortes dos seus livros. Desde crimes resolvidos em meia-dúzia de conversas, passando por resolver crimes passados há 16 anos, como é o caso deste.

Quando uma jovem rapariga procura Poirot para que este o ajude a esclarecer o que realmente aconteceu há 16 anos atrás, quando o seu pai, um famoso pintor, foi morto, e a sua mãe tida como culpada desse homicídio, nada parecia fácil para o investigador. Afinal, resolver um crime passados 16 anos, não pode ser pêra doce.

Mas a verdade é que Poirot deita mãos ao trabalho, e chega a uma conclusão, depois de conversar com toda a gente, e de ter vários relatos sobre o dia fatídico.

Desta vez foi mesmo o método com que Poirot resolveu o crime, que me espantou. 16 anos depois do crime, de alguém ter sido acusado e preso como culpado, Poirot descobre tudo. Mas tudo mesmo. Conversou com as testemunhas daquele dia, pediu-lhes um relato escrito, juntou-os na mesma sala, e descreveu aquilo que se passou, como se tivesse estado lá, naquele dia.

Um detective assustadoramente brilhante, um livro brilhantemente escrito.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Encontro com a Morte


Neste livro somos presenteados com uma das mais curiosas investigações de Poirot (pelo menos que eu tenha lido), não pelo crime em sim, mas pelo método. E também pela vítima, que foi, possivelmente uma das personagens mais interessantes que já vi num livro.

Uma mulher, autêntica tirana doméstica, que controla na totalidade a vida dos seus filhos, enteados e nora, é encontrada morta, depois de uma excursão à qual não foi. Todos tiveram oportunidade para a matar, e praticamente todos tinham motivo. Cabe a Hercule Poirot descobrir o assassino.

E para mim, a forma como o faz é simplesmente brutal. A única investigação que ele realiza, é conversar com todos os intervenientes na situação, fazendo perguntas por vezes estranhas, mas todos com um intuito bem definido na sua mente.

E consegue, de facto, descobrir o assassino, que era alguém em quem eu, nunca por um momento, pensei. A maneira como a autora nos passeou as ideias entre praticamente todas as personagens, é simplesmente enganadora, e o meu único remédio, às tantas, foi ficar à espera do final, que foi mesmo ao estilo de Poirot, com toda a gente reunida na mesma sala, e um monólogo do famoso detective, em que ele, lentamente, decompõe a situação, os indivíduos, e acaba por revelar o assassino, dando, como sempre, a impressão que ele já o sabia desde o início.

Não o veria como uma das melhores obras de Agatha Christie, mas parece-me mais uma "experimentação" da sua parte. Toda esta história de resolver o crime sem ir à procura de indícios, sem praticamente sair da sala, conversando com os intervenientes, e descobrindo, através das características psicológicas de cada um, quem mente e quem diz a verdade, quem é influenciável e quem influencia... Uma grande experiência, é o que me parece, e é também o que acaba por tirar alguma piada à história, pois não há uma "acção real", se é que me faço entender. Mas não deixa por isso de ser um bom livro, aliás, como praticamente todos desta autora (eu pelo menos ainda não li nenhum que não gostasse)!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Clube de Sangue


Mais um livro de Charlaine Harris, da saga "Sangue Fresco", que continua a seguir a história de Sookie Stackhouse, uma empregada de mesa perfeitamente normal, tirando o facto de ser telepata e o de ter Bill, um vampiro, como namorado.

Desta vez, Sookie vê-se a braços com uma traição de Bill, o seu consequente desaparecimento, e a "obrigação" que tem de o ajudar, depois de tal lhe ser pedido por Eric, Pam e Chow, os 3 vampiros que gerem o Fangtasia, o bar de vampiros da zona.

Novamente de destacar, é a escrita de Charlaine Harris. Simples, rápida quando precisa de ser rápida, lenta quando precisa de ser lenta, não perdendo muito tempo em descrições excessivamente pormenorizadas (que não são propriamente más, mas que neste tipo de história não encaixairiam), e cómico o necessário para a personagem que conta a história, Sookie.

Como nos dois livros anteriores, vemos uma Sookie divertida, corajosa, realista e, embora com poucos estudos, perspicaz e inteligente. Ao contrário dos outros livros, temos um Bill que está ausente durante a maior parte do livro, e um Eric que se aproxima mais de Sookie, e surge como uma personagem "mais principal". Entra também uma interessante personagem nova, Alcide Herveaux, um lobisomem, que vai ajudar Sookie na sua missão de salvar Bill.

O mundo dos vampiros, com o seu quotidiano, os seus rituais, e os seus hábitos de vida, está, novamente, brilhantemente retratado. Desde o mais simples pormenor, como o facto de não darem apertos de mão, ou o facto de não comerem nada, apenas beberem sangue, até a coisas mais complexas, como a (estranha) hierarquia que gere o seu mundo, e os seus rituais de cura, entre outros.

Atrevo-me até a dizer que tanto esta caracterização brilhante do mundo dos vampiros, como a forte caracterização de Sookie, que está perfeita, ou lá perto, são os pontos fortes desta saga. Embora, como ponto negativo, destaque o enredo, que desta vez me parece um bocadinho menos conseguido, mas nada por aí além, continua a ser bom na mesma, e a ser, sem dúvida, uma leitura mais do que agradável.

Agora é esperar pelo quarto livro, "Sangue Oculto", já aí, dia 22 de Janeiro!

sábado, 2 de janeiro de 2010

O Jardim do Segundo Sol


Na crítica que fiz ao livro anterior a este, "Túneis 2 - Aventura na Planície Assombrada", disse que não acreditava que esta saga fosse a sucessora de "Harry Potter", e mantenho essa posição. Sem querer tirar o mérito à saga de J.K. Rowling (pois eu mesmo me confesso fã), esta bate-a aos pontos.

Em tudo. Em termos de enredo, em termos de personagens, em termos de cenários, em termos de escrita. E por isso mesmo não apostaria o meu dinheiro nela para ser a sucessora de "Harry Potter". Já há rumores de um filme a caminho, e se a coisa for bem feita, não duvido que vá render uns dinheiros, mas não tem o mesmo apelo comercial. Não tem magia, não tem personagens com caminhos e posições bem definidas e marcantes, e não é, de certa forma, tão teen.

Mas, lá está, é bem melhor. Neste livro encontramos Will, Chester e Elliot abaixo das Profundezas, depois de terem caído no Poro, que é, basicamente, um buraco enorme. Safam-se graças à baixa gravidade, e à existência de um fungo anormalmente grande, que lhes ampara a queda. Lá em baixo conhecem Martha, uma antiga Renegada, que vive no fundo do Poro há bastante tempo. Por lá algures, anda também o Dr. Burrows, pai de Will, que continua as suas investigações e estudos, em busca d'O Jardim do Segundo Sol. Para ajudar à salganhada, ainda surgem as gémeas Styx, com Limitadores atrás, para dificultarem a vida a Will e companhia.

Um livro de leitura simples, com as folhas a voarem rapidamente, e que, apesar das suas 500 páginas e letra pequenita, se lê rapidamente. Tem alguns pormenores que me parecem inspirações simplesmente deliciosos. Desde a queda no Poro, quer outra mais à frente, em algo parecido, com a sua baixa gravidade, tornando a queda em algo extremamente longo, fazendo lembrar "Alice no País das Maravilhas", ao tal Jardim do Segundo Sol, que é, no fundo, uma ideia muito parecida com a de Júlio Verne em "Viagem ao Centro da Terra": um mundo dentro de um mundo. E claro, a Luz Escura, instrumento de tortura utilizado pelos Styx, e aquilo que ela faz, lembra-me o método de lavagem cerebral utilizado em criminosos em "A Laranja Mecânica".

É ler para ver. Fico à espera do próximo livro, ainda por sair, na versão original, "Closer", mas previsto para Maio de 2010. Sem dúvida uma saga que vou continuar a acompanhar!