sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Nível de Vida

Título: O Nível de Vida
Autora: Dorothy Parker
Tradutora: Amanda Franco

Opinião: Um pequeno conto bastante curioso, que contém uma excelente crítica social. A história é sobre duas amigas que jogam um jogo bastante particular em que imaginam o que fariam com uma certa quantidade de dinheiro.

As descrições da autora não são extraordinárias, mas são boas, ainda que tornem o conto algo lento. As duas amigas jogam o seu jogo enquanto descem uma avenida que parece nunca mais acabar. Não se perdia nada em aumentar o ritmo, mas pronto, nada de especial.

O ponto fulcral é quando no fim alteram ligeiramente as regras do jogo, por motivos que vale a pena descobrir. Aconselho vivamente.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Disney Especial: Horror

Título: Disney Especial: Horror

Argumento: Carlo Panaro, Massimo De Vita, Augusto Machetto, Francesco Guerrini, Fausto Vitaliano, Nino Russo, Casty, Marco Gervasio e Marco Bosco

Ilustrações: Massimo De Vita, Daniela Vetro, Francesco Guerrini, Francesco D'Ippolito, Andrea Freccero, Giorgio Di Vita, Valerio Held, Silvio Camboni, Giampaolo Soldati, Marco Gervasio, Luciano Milano

Opinião: Mais um livro de Mickey, Donald, Tio Patinhas, Pateta e companhia limitada, desta vez sobre a temática do horror.

Eu já devia estar à espera, mas isto de horror só mesmo o nome. A coisa mete uns monstros e uns fantasmas, às vezes, mas enfim, é para putos, não é verdade? Mas eu meti na cabeça que iam ser mesmo histórias de horror, ainda que levezinhas, e confesso que fiquei desapontado.

E depois há uma série de coisas que me chateiam: o Mickey parece ser um favorito dos fãs, assim como as suas histórias, mas eu juro que não suporto os policiais manhosos em que figura sempre. Mistérios dum lado e doutro, e eu sem paciência para ver o Mickey a resolver tudo por pura sorte ou por ser a única pessoa sensata EM TODO O UNIVERSO.

É puramente gosto pessoal, que as histórias até nem costumam estar mal feitas, mas faleço-me todo de cada vez que me aparece uma história destas com o Mickey. Houve uma que se safou mais ou menos, porque tinha uma ideia engraçada: sustogramas. Imaginem uma máquina que vos captura o vosso sustograma e vos tira a capacidade de ter medo. Os sustogramas ficam fantasminhas esverdeados aprisionados em espelhos.

Eu estava a ler aquilo e a pensar "genial, absolutamente genial". Se esquecerem as personagens e os detalhes específicos da história e pensarem na ideia em si, dá para simplesmente agarrar nela e desenvolver uma história qualquer. Por acaso é algo que me fascina neste universo de ratos e patos: a quantidade de ideias fabulosas mascaradas de histórias infantis (e infantilizadas).

Mas como se os policiais do Mickey não fossem o suficiente para me aborrecer, os desenhos modernos e cartoonescos também me batem na tecla errada. Aquilo que ganham em cores vivas e curvas, perdem em detalhes intricados e um ar mais "real", se é que se pode chamar real a um pato de suíças que fala e usa cartola. Vocês percebem.

No fundo gosto dos desenhos como os da história com fantasmas escoceses presente neste livro, que ainda por cima revisita o passado (muuuuito passado) do Tio Patinhas, o que consequentemente me leva a querer reler A Saga do Tio Patinhas, um dos melhores livros de BD que já li, e sem dúvida alguma o meu favorito deste universo em particular.

Pelo meio ainda houve tempo para uma história confusa mas fofíssima de um Donald em criança, outra em que o Donald leva a melhor sobre o Gastão, e que me agradou por isso mesmo,

- TOMA GASTÃO, TOMA, TOOOOOOOOOOOMAAAAAAAAAAAA -

já para não falar de uma história muito boa com o Professor Ludovico e um monstro, que tem um fim tão, mas tão triste, que é a que mais se aproxima de uma verdadeira história de terror, apesar do tom cómico.

Isto tudo para dizer que o livro é uma boa leitura, com alguns pormenores que não me agradaram tanto, mas que não foram o suficientes para eliminar por completo as pequenas e dissimuladas gargalhadas que tive que ir soltando de vez em quando.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Siddartha

Título: Siddartha
Autor: Hermann Hesse
Tradutora: Hilda Rosner


Opinião: Já há algum tempo que tenho bastante curiosidade relativamente a este autor, um prémio Nobel, alemão (li pouco de alemães) e com boa fama. Este livro, pequenito, pareceu-me o ideal para servir de introdução à sua obra.

A verdade é que é mesmo pequeno, Siddartha consegue ser bastante pesado, à sua maneira. Siddartha é o filho de um Brahman, uma espécie de sacerdote hindu, que é criado com o intuito de se tornar, ele próprio um Brahman.

Mas Siddartha tem uma mente pensante bastante activa e começa a magicar umas ideias e umas conclusões sobre a sua religiosidade e o que significa atingir de facto a santidade e a liberdade e paz de espírito, e conclui que aquele não é o caminho certo.

Segue então para os Samanas, uns eremitas ascéticos que tentam atingir a paz e a superioridade espiritual através da renúncia total a toda e qualquer posse. Siddartha é acompanhado nesta viagem por Govinda, um amigo de infância que muito o admira e à sua mentalidade.

Aqui é que tudo começa a ficar interessante. Depois de algum tempo entre os Samanas, o protagonista apercebe-se de que já ouviu tudo o que havia para ouvir e que aquilo não é para ele. Nem devia ser para ninguém. Ah! A conclusão dele é que não se pode simplesmente aprender a ser santo e elevado através dos ensinamentos de ninguém, por mais místicos e iluminados que os ensinamentos e os próprios professores sejam.

O ciclo volta a repetir-se e Siddartha parte outra vez, acompanhado de Govinda, e prossegue numa viagem espiritual e de crescimento pessoal em que se dedica a atingir a plena paz de espírito através da única maneira que acha possível: vivendo.

É interessante ver Siddartha a encontrar Gotama, o Buda, e a recusar os seus ensinamentos, ainda que reconheça alguém que atingiu o que ele quer atingir, para depois passar uma temporada a viver como uma "pessoa normal", sem renunciar a nada, tornando-se inclusivamente rico e cedendo às tentações da carne com bastante frequência.

A evolução de Siddartha é fascinante. Evolução e constante retrocesso, como se cada passo que desse o fizessem perceber de que estava apenas a voltar atrás. O que é transmitido ao longo da história é uma abordagem surpreendentemente sensata à vida: nem renunciar a tentações nem a prazeres, mas antes vivendo os dois, só assim é que alguém cresce, aprende e pode almejar atingir a paz de espírito.

Pelo meio há uns meandros filosóficos relativamente intricados, especialmente na sua estadia com um velhote simpático e sábio, mas que se revelam profundamente simples, no fim. O truque é exactamente não pensar demasiado nas coisas. Uma conclusão interessante para o protagonista, que tem um fim condigno.

No meio disto, a história em si não me conseguiu cativar por aí além, e muito menos a escrita, mas o livro é antigo e traduzido, portanto dou-lhe o benefício da dúvida. É uma leitura interessante, isso sem dúvida, mas que peca pela falta de características que permitam a identificação com o leitor, algo que acho que seria essencial numa obra deste género.

Mas também acho que é daqueles livros que cada pessoa lê de forma completamente diferente, portanto aventurem-se!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Estantes Emprestadas [1]: Literatura Grunge [1/2]


Sejam bem-vindos à primeira parte da primeira crónica convidada, escrita pelo meu amigo, colega, e habitual parceiro no crime, Jorge Martins, do Metáfora de Refúgio. O que vos posso dizer sobre este tipo, é que é tão louco como eu, embora de maneira diferente. A ideia para esta crónica surgiu de forma bastante simples: tanto a música como a literatura são duas das coisas que fazem o Jorge delirar, e dentro da música tem uma paixão enorme pelo grunge e uma admiração ligeiramente obsessiva pelo Kurt Cobain. Ou talvez seja ao contrário, nunca sei.
O importante é que misturar as duas coisas é o mais óbvio. E portanto pedi-lhe para investigar/pensar um pouco sobre literatura grunge, ou seja, um movimento ou estilo literário que tenha algum tipo de paralelo com o movimento grunge na música. Ele aceitou o desafio com entusiasmo (e foi o primeiro das pessoas a quem convidei a despachar o assunto) e o resultado, bastante interessante, é o que podem ler a seguir. A segunda parte aparece daqui a uma semana!
P.S.: as imagens fui eu que escolhi, que o Jorge é demasiado preguiçoso.

Livros e cd’s na mesma prateleira

Se há uma coisa no mundo que seja realmente imprescindível para toda e qualquer vida humana, será a música: pela sua capacidade de despertar emoções que nem julgávamos possuir, pelo seu poder de “intelectualização”, pela sua variedade e riqueza nos géneros e sub-géneros e sub-sub-géneros e etc que apresenta, pelo carisma de alguns dos seus maiores protagonistas, entre muitas outras coisas.
Por outro lado, se há uma coisa no mundo que seja realmente imprescindível para toda e qualquer vida humana, será a Literatura: pelas ligações estabelecidas com aquela personagem em especial, pela capacidade de transporte para mundos maravilhosos, pelas mensagens importantes e reflexivas que transbordam por páginas sem fim, entre muitas outras coisas.
Assim sendo, tanto o poder que tem origem nas notas tocadas ao de leve numa corda de nylon como aquele que resulta do incessante martelar num teclado gasto são essenciais para o conceito supremo de arte, de cultura e, acima de tudo, de Vida como deve ser; mas à partida não parecem capazes de co-existir, e não seria isso um problema?
Pois vejam, caso se substituísse Literatura ou Música por outra actividade artística, como Cinema, por exemplo, não teríamos essa questão; inúmeros filmes que são acompanhados por uma banda-sonora tremenda (ou os videoclips, que servem para dar vida a “milhentas” melodias), ou que revelam uma devoção obsessiva no argumento que resulta numa história exemplar, que poderia ter saído da pena de um qualquer escritor de referência.
Tudo isso mostra que duas formas de arte não têm de ser obrigatoriamente exclusivas entre si; mas como relacionar notas com palavras? Compassos com parágrafos? Ou, simplesmente, música com livros?
Este é um tema que daria pano para mangas, sobretudo pela riqueza e diversidade existente quer nos diversos géneros literários, quer nos musicais, daí que eu me vá cingir a falar de um caso que me é mais familiar e do qual sei mais, que é o caso do grunge.
E que é isso do grunge? Pois bem, mesmo que não reconheçam o nome, se já ouviram falar de punk, de Geração X, ou pura e simplesmente, de Nirvana, já ouviram falar de grunge.
História do Grunge
Este foi um movimento originado nos EUA no final da década de 80, mais concretamente em Seattle, onde miúdos na casa dos 20 anos estavam ocupados a serem... Bem, a serem adolescentes, ou seja, a exprimirem-se através de libertações intermitentes de raiva, melacolia e hormonas.
Só que eles tinham um problema; o movimento normalmente associado à angústia adolescente, o punk, estava agora longe da agressividade dos anos 70, que deu origem a porta-estandartes da revolução como Johnny Rotten. A verdade é que, nos anos 80, o punk estava “corporatizado”, ou seja, vendido ao eterno inimigo do povo, o “Sistema” sem cara e sem nome.
Depois de aparecerem os Joy Division, o punk deixou de ser sobre gritos de raiva e de contestação e passou a ser sobre depressão minimalista e fumos agridoces de erva queimada e fumada (dando origem ao movimento gótico e deixando raízes para o emo despontar).
Assim sendo, os miúdos do final dos anos 80/início dos anos 90 não tinham um escape para os seus sentimentos de adolescente, visto que o movimento principal da altura, para além do omnipotente disco sound, era o glam, território do louro oxigenado, permanentes e licra.
Desta forma, pelo “amolecimento” do punk, mas influenciado por este (e pela cultura do Metal, que nesta altura também parecia eternamente estagnada), forjou-se o grunge, movimento mais importante dos anos 90, que atingiu o seu apogeu em 1991 e começou o declínio a partir de 1994, após o suicídio do seu mártir/líder, Kurt Cobain, vocalista e guitarrista dos Nirvana.
(continua)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

I Have no Mouth and I Must Scream


Título: I Have no Mouth and I Must Scream
Autor: Harlan Ellison

Opinião: Mais uma vez influenciado pelo João Campos, lá tive que agarrar neste conto de Harlan Ellison, a minha estreia na sua obra, ainda que só o tenha feito uns meses depois da sugestão inicial (mas está feito!).

O que encontrei foi exactamente um prometido: um conto ao meu gosto e que mesmo não sendo perfeito, é muito bom.

Logo o início é chocante e pouco aconselhado a pessoas mais sensíveis, e a partir daí a história desenrola-se de forma interessante, cativante e sempre cruel. Imaginem um futuro pós-apocalíptico em que uma super inteligência artificial se torna boa demais e extermina a raça humana... Excepto uma mão cheia de pessoas, que modifica e controla a seu belo prazer.

O resultado é um conto com uma inteligência artificial cheia de requintes de malvadez, que tem como propósito a sua própria falta de propósito. Acho que o que o autor consegue é fazer quase um ensaio cru da condição humana, bem visível não só nos humanos presentes na história, mas também no computador, o que é excepcional.

Isto já para não falar de uma escrita fluida e agradável, capaz de usar exactamente o mesmo tom para descrever pessoas penduradas em ganchos de carne e as emoções de uma personagem, sem que nada perca a força. E como não podia deixar de ser, o final é bom, muito bom, deliciosamente malévolo, até! Procurem pelo conto que vale a pena, eu já tenho mais dois na calha...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Que as citações nos caiam em cima [45]


"Aprecio a tua boa vontade, mas não sei se chegarei ao fim do que tencionas dizer-me. Os meus pés já começam a parecer-se com pingos de orvalho cristalizados pela friagem de muitos Invernos. O meu estômago deve estar com tantos buracos como o de Sócrates ao acabar de beber a cicuta, sinto os afiados ventos do norte atravessarem-me o tubo digestivo de lado a lado. As mãos (se é que ainda são minhas) já não as reconheço como mãos: são cãibras que se congelaram perpetuamente em feitio de garras mortas."

A noiva vestida de nuvens
António de Macedo

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O limite de Rudzky

Título: O limite de Rudzky
Autor: António de Macedo


Opinião: Tinha este livro à espera desde a Feira do Livro do ano passado, e o facto de ter conseguido um autógrafo do autor durante o Fórum Fantástico serviu de incentivo para o empurrar mais para a frente da fila.

Terminada a leitura dos 3 contos que contém, não consigo evitar pensar nas tremendas pérolas que posso ter escondidas nas prateleiras "a ler"... É que este livro é fantástico, absolutamente fantástico.

Já esperava que fosse qualquer coisa de especial, tendo em conta o que conheço do autor (ainda que só lhe tenha lido O Sangue e o Fogo), mas confesso que superou largamente as minhas expectativas, por uma razão muito simples: a escrita.

Seja a contar que história for, Macedo consegue escrever de uma forma excepcional. Fiquei seriamente embasbacado e impressionado. Nas peças de teatro que li anteriormente esse aspecto não era tão visível, mas aqui é límpido e cristalino como a água da montanha.

O primeiro conto é O limite de Rudzky, uma história bem contada que consegue fazer uma ligação interessante entre os fenómenos físicos, químicos, biológicos, fisiológicos e psicológicos, de tudo o que existe, e o sobrenatural. Sem querer revelar muito, talvez devam pensar duas vezes sobre como funciona a electricidade...

Ainda por cima é um conto essencialmente sobre ciência. Matemática, física, trotinetes voadoras, detectores de neutrinos, há de tudo um pouco, em conjunto com temas mais sobrenaturais que adicionam um certo véu de mistério e de imprevisibilidade que cai muito bem com o resto da história.

Depois vem A noiva vestida de nuvens, bastante mais complicado de ler do que o conto anterior, de tal forma está revestido de simbolismo e noções herméticas e ocultistas e sei lá. O que é interessante é que ainda assim conseguiu causar um profundo efeito em mim.

A escrita, incluindo os diálogos, é trabalhada e complexa sem se tornar propriamente densa, e tudo soa a artificial, de certa forma, especialmente os diálogos, muito pouco naturais, mas a voz do autor consegue causar uma impressão de tal forma intensa que tudo encaixa na perfeição. Aqui já há inspirações lovecraftianas, e uma série de conceitos brutais, como o "dialecto flamejante":

"[...] deixou cair no lume o manuscrito original, e imediatamente uma espectacular chuva de luzes, sons e cores referveu das páginas prodigiosas, que se enegreceram e encarquilharam sob a acção do fogo sem sofrer todavia maior dano do que essa superficial deformação. Um outro discípulo teve a instantânea e feliz ideia de transcrever os sons musicais que retiniam enquanto as chamas abrasavam o manuscrito; um terceiro copiou a sequência de luzes e cores irradiadas durante o fantasmagórico processo. [...] teve uma revelação súbita e vislumbrou o código que relacionava os terríveis símbolos do «dialecto flamejante» com a sequência anotada de cores e sons musicais."

Por fim há Perpetuamente Perpétua, que além de ter um bom título, é o mais longo e possivelmente o melhor, embora eu tenha muita dificuldade em escolher. Só sei que por ser mais longa, acaba por ser mais estruturada e trabalhada, e a aldeia perdida no meio do nada, onde uma rapariga doente vai passar umas férias com os avós, é o cenário semi-idílico perfeito para o enredo convoluto de Macedo.

Com mistérios do oculto e companhia limitada ao virar de cada esquina, Perpetuamente Perpétua é uma história surpreendente: as personagens aparecem com várias idades, cruzando-se e comunicando consigo próprias, há uma voz retumbante e misteriosa pertencente a um mensageiro do fogo, e a própria Perpétua, ora mulher de meia idade, ora jovem virginal de 18 anos, ora idosa de rugas vincadas, a personagem central (não a protagonista) do conto e uma das personagens mais intrigantes que encontrei na minha vida.

Macedo consegue assim, num diálogo entre mistérios iniciáticos, comunhão com a Natureza e tudo aquile que uma aldeia destas perdida num canto solarengo de Portugal tenha de típico, construir um conto fabuloso que me deixou a salivar por mais, mas que conseguiu ter um fim bastante definitivo e satisfatório.

No geral, um livro excelente. Caso ainda não tenham percebido, é um livro a ler e um autor a conhecer. Estão à espera de quê? Siga!