domingo, 31 de outubro de 2010

Metade Sombria

Um livro de Stephen King é sempre algo em grande. Pelo menos foi isso que aprendi, após ler 5 livros dele, ter mais um na prateleira (em inglês, e com 1000 e tal páginas!!), e de ler as sinopses e opiniões sobre a maior parte dos outros. Este não é excepção.

Embora me seja difícil dizer qual é o melhor, daqueles que li, e embora não tenha lido assim tantos quanto isso, este é sem dúvida um dos melhores. Mas bem, não são todos?

A história deste é, no entanto, particularmente assustadora, porque parece, de certa maneira a junção de Carrie, A Hora do Vampiro, e Misery. O primeiro é sobre o poder escondido dentro de alguém, o segundo é sobre seres sobrenaturais, e o terceiro é sobre a loucura. E este livro, Metade Sombria, fala sobre o poder e a loucura de um ser sobrenatural escondido dentro de alguém.

Bem, first things first. O escritor, nos agradecimentos, agradece a Richard Bachman, o pseudónimo que usou para escrever alguns livros, e diz que sem ele não teria sido capaz de escrever este livro. E percebe-se porquê, pois este livro fala exactamente sobre um pseudónimo.

Thaddeus Beaumont, um escritor de parco sucesso, vítima de um tumor cerebral muito peculiar enquanto criança, descobriu cedo a sua vocação para a escrita, mas só tardiamente é que descobriu George Stark dentro de si. Stark é o nome com o qual assina 3 livros que vendem que nem pães quentes, e que obtém um enorme sucesso, entre os leitores e a crítica, sem que ninguém saiba que Stark e Beaumont são a mesma pessoa. Até que Thad decide matar Stark, revelando tudo numa entrevista à revista People. Só que Stark não quer morrer.

Inicia-se então uma luta, travada entre Thad e Stark, que a princípio não passa de apenas uma série de assassínios da parte de Stark, e de uma frustrante impotência da parte de Thad, mas que culmina numa batalha final bastante original, bem ao estilo de Stephen King.

Quanto às personagens, a dualidade Thad/Stark dava para escrever um ensaio, com todas as suas particularidades, duas metades completamente opostos do mesmo ser, com uma reprimida durante anos, numa tentativa de controlo que acaba por fracassar, e até por se inverter, com a materialização do fantasma de um homem que nunca existiu realmente. Liz, a mulher de Thad é uma personagem forte, ainda que não tenha tanto destaque como isso, mas que prova, vezes sem conta, que é uma mulher forte. Alan, ou melhor, o xerife Pangborn, é o céptico que não tem outro remédio que não aceitar o sobrenatural. Ah, e Rawlie DeLesseps, é claro, com o seu cachimbo apagado, e personalidade estranha, é uma personagem bastante agradável, embora apareça muito pouco. E os pardais. Pode parecer estranho, mas os pardais acabam por se tornar numa personagem muito importante, ao longo do livro.

Por sorte, para os leitores de estômago mais fraco, não é dos livros mais sangrentos que eu já tenha lido deste escritor. Não deixa de ser sangrento, mas essa parte torna-se muito menos relevante, face a tudo o resto, em especial face ao essencial da história, a luta de Thad, a "velha carcaça", com Stark, a sua metade sombria.

Um livro mais do que aconselhado, como não podia deixar de ser.

sábado, 30 de outubro de 2010

Tempo para ler


Já foi há uns tempos, talvez em Abril deste ano, que participei numa "conversa" na biblioteca da minha escola, sobre a leitura, onde estiveram presentes a minha turma e uma outra. E sendo eu um leitor mais do que compulsivo, a verdade é que acabei por não me calar.

Foi uma conversa interessante, em grande parte por os hábitos de leitura das duas turmas serem MUITO diferentes. Enquanto que a minha tinha alguns leitores casuais, e mesmo alguns viciados, a outra estava repleta de gente cuja opinião sobre a leitura era "que desperdício de tempo", ou que quando lhes perguntavam o que tinham lido ultimamente, respondiam "a TV Guia desta semana". Também tinham algumas leitoras (a turma só tinha raparigas, que eu me lembre), embora, se não estou em erro, e sem querer menosprezar essas leituras, tenham apenas lido a saga do Crepúsculo, e livros da Margarida Rebelo Pinto.

Aquilo que aconteceu, foi que fizeram má-cara ao meu tipo de leituras. Fantasia, ficção científica, terror, policiais, romances históricos, tudo isso não passava, para elas, de lixo. O pilar da literatura, segundo elas, assentava essencialmente nas histórias de amor. A minha resposta, sempre acidentalmente (*cough*) ácida, foi: "Se eu quisesse ler melodramas, lia os guiões das telenovelas.". Não acharam piada, como é óbvio, mas elas estavam a pedi-las.

Mas ainda não foi esta, a parte mais interessante. A parte a que eu achei mesmo piada, foi quando uma rapariga da outra turma me perguntou quantos livros é que eu tinha lido desde o início do ano. Quando respondi "30 ou 40, não tenho a certeza", fui nomeado o mentiroso do mês. Pura e simplesmente não acreditaram. E eu percebo que para pessoas que não leiam habitualmente, estes números pareçam simplesmente assombrosos, mas para mim, e para leitores como eu, ou ainda piores (no bom sentido!), 30 livros em 4 meses é o normal.

A rapariga disse logo "Fogo, nem deves dormir!", e foi a risota total. E foi aquilo que eu disse a seguir, que acho que foi o essencial daquela conversa. "Ora, em vez de estar a perder tempo com as novelas ranhosas da TVI, leio um bocado. Em vez de estar a passear pelo Facebook, ou pelo HI5, a olhar para fotos sem o mínimo interesse, leio um bocado. Em vez de transformar o telemóvel numa extensão do meu ser, de tal maneira que ele parece colado aos meus dedos, deixo-o de lado para ler um bocado. Leio antes de dormir, e leio para descansar do estudo.". Pronto, talvez não o tenha dito exactamente por estas palavras, mas permitam-me alguma liberdade, que a memória já começa a falhar... A essência está lá, de qualquer maneira.

Ficaram a olhar para mim, como se eu fosse um bicho do mato. Sem Facebook, sem HI5, sem ver telenovelas, ser capaz de largar o telemóvel, ler antes de dormir, e ler para descansar do estudo? Eu só podia ser maluco. Foi nessa altura que me calei. Percebi que não valia a pena tentar explicar à maior parte daquelas alminhas, o que é o prazer de ler. Que, para mim, arranjar tempo para ler não é um obrigação, ou algo que me dê muito trabalho, mas antes um dado adquirido. Que quando leio nem noto pelo tempo a passar. E que sou perfeitamente capaz de ficar 3 horas a ler sem ficar com os olhos tortos.

Porque é isso, afinal, que importa, não é? Não é o eu arranjar tempo para ler, eu não faço isso. Ele está lá sempre. Eu arranjo é tempo para não estar a ler, porque tenho obrigações. Leio muito, e leio depressa, é verdade, mas isso não é um defeito. O único problema é a carteira que vai ficando mais leve. Mas eu não me importo, é um bom investimento!

Tempo para ler? Tenho-o todo. Todo o que preciso, e quase todo o que quero (nunca é suficiente). Aproveito-o ao máximo, e devoro livros a uma velocidade assustadora, porque gosto realmente de o fazer.

E sim, durmo. Até durmo bastante.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

[Novidades] Clube do Autor

Mais de 600 páginas e dezenas de fotografias, algumas inéditas, dão a conhecer aquele que se viria a tornar umas das figuras mais destacadas do actual panorama cultural do país. Compositor, pianista, maestro, escritor, comunicador nato, eis a autobiografia de António Victorino d’Almeida quando, ao princípio, era ele.

PVP: 24,95 € 608 Páginas + Extratextos


SOBRE O AUTOR

António Victorino Goulart de Medeiros e Almeida nasceu em Lisboa a 21 de Maio de 1940. Aluno de Campos Coelho, finalizou o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional de Lisboa com 19 valores e diplomou-se em Composição pela Escola Superior de Música da cidade de Viena.

Pianista, compositor e maestro, é ainda autor da adaptação para teatro musicado de A Relíquia, de Eça de Queirós, e realizou o filme A Culpa - primeira longa-metragem portuguesa a vencer um festival de cinema no estrangeiro (Huelva, 1980).

Como escritor, publicou, entre outros, Histórias de Lamento e Regozijo, Coca-Cola Killer, Um Caso de Biografia, Polissário, Tubarão 2000, Memória da Terra Esquecida, O Que é a Música, Toda a Música que eu Conheço (2 vols.), Os Devoradores de Livros e Músicas da Minha Vida.

Escreveu, apresentou e realizou mais de uma centena de documentários culturais para a televisão, foi membro do júri do Concurso de Piano de Moscovo e é actualmente Presidente do Sindicato dos Músicos Portugueses.

[Novidades] Civilização Editora


Título: Até os Fantasmas Tremem (N.º 4)
Autor: Pierdomenico Baccalario
Título Original: Anche i Fantasmi Tremano
Tradução: Francesco Mai
Formato: 143 x 210 mm
Páginas: 160
Encadernação: Capa mole
Família: Ficção Juvenil
ISBN: 978-972-26-3192-1
EAN: 9789722631921
PVP: 8,98 €
Lançamento: Outubro 2010



SINOPSE

Em casa de Will Moogley nunca há um instante de sossego. Desta vez foi o fantasma da senhora Turricane que apareceu a meio da noite: o seu irmão (também ele um fantasma, obviamente) desapareceu! No sótão que o senhor Turricane estava a assombrar, Will e o seu amigo Tupper encontram vestígios de um esquisito líquido azulado, a lyxospectrina, uma terrível componente das Máquinas Sugaespíritos. Só resta uma única explicação possível! Há um novo caça-fantasmas na cidade… Começam os problemas para a Agência Moogley.

SOBRE O AUTOR

Pierdomenico Baccalario nasceu a 6 de Março de 1974 em Acqui Terme, uma pequena e bonita cidade piemontesa. Começou a escrever no liceu. Quando frequentava Jurisprudência na universidade, ganhou o prémio Batello a Vapore com o romance La Strada del Guerriero, e a partir desse momento começou a publicar romances. Depois da licenciatura encarregou-se de museus e projectos culturais. Começou a viajar e a mudar de horizontes: Celle Ligure, Pisa, Roma, Verona. Adora ver novos lugares e descobrir modos de vida diferentes, embora, no fim, se refugie sempre num albergue no Val de Susa.



Autor: Luísa Ducla Soares
Título Original: ABC O Livro das Letras
Ilustrador: Sara Sousa
Formato: 210 x 210 mm
Páginas: 28 pp.
Encadernação: Capa dura
Família: Infanto-Juvenil
Cód. Barras: 9789722632157
ISBN: 978-972-26-3215-7
Preço: 11,09 €
Lançamento: Outubro 2010



SINOPSE

O novo livro de Luísa Ducla Soares, ABC – O Livro das Letras, apresenta um método inesperado e divertido de aprender o abecedário associando objectos a letras. O exercício de memória e aprendizagem é aqui simples e eficaz: “AA” que fazem lembrar casas com tectos inclinados, “YY” copos de pé alto ou “XX” os vezes da matemática.

SOBRE A AUTORA

Luísa Ducla Soares é uma das escritoras mais importantes do panorama literário infanto-juvenil português, uma autora com uma vasta obra iniciada em 1972, com a publicação do livro A História da Papoila. O ano passado, a Civilização publicou o seu centésimo livro, O Livro das Datas.

domingo, 24 de outubro de 2010

Tenho dito


O dever de não basearmos as nossas opiniões em opiniões alheias.
O direito de não conseguirmos opinar de forma clara sobre um livro.
O dever/direito de não gostarmos de algum livro só porque nos disseram para gostar. 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Matemáticos, Espiões e Piratas Informáticos

Enquanto que no primeiro livro desta colecção se falava da relação (mais íntima do que se poderia pensar) entre a arte e a matemática, este segundo volume fala sobre uma relação muito mais directa e fácil de compreender: a relação entre a criptografia e a matemática.

Mas atenção, o que é fácil de compreender é o porquê de haver uma relação. Asseguro-vos que compreender tudo o que vem neste livro não é muito fácil. Eu próprio, com os meus 12 anos de matemática, tendo passado os últimos 3 a dar no duro, não consegui perceber tudo o que aqui vem.

Não é, por isso, uma leitura muito fácil. Pelo menos no final, que no início até é pacífico, com coisinhas básicas, e umas tabelas e tal, mas depois começa a chamar a aritmética modular, e funções (oh! o horror!), e no fim já é demais para a minha cabeça.

No entanto, é um livro interessantíssimo, mesmo para quem não perceba 90% das habilidades algébricas que aqui são descritas, pois nem só de contas se vive. Com alguma história (gregos, Júlio César, Segunda Guerra Mundial, etc.), algumas previsões para o futuro (computadores quânticos), e curiosidades absolutamente fascinantes (códigos de barras!), "Matemáticos, Espiões e Piratas Informáticos" consegue ensinar, entreter, divertir e fascinar, tudo ao mesmo tempo, de uma forma absolutamente fenomenal.

E a escrita é porreira! Excepto quando começa a falar de contas. Aí torna-se demasiado científica, e destoa um bocado do tom do livro, mais simples e leve, mas no geral consegue não se tornar demasiado maçadora.

Tal como o outro, aconselho este livro a toda a gente!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Jogador

Está finalmente cumprido o meu desejo de ler um livro de maior extensão de um autor russo. Bem, mais ou menos, já que embora seja maior do que um simples conto, é pequeno enquanto livro.

E é daqueles livros cuja história que tem por trás é quase tão interessante como o enredo do livro. Segundo aquilo que diz na própria contracapa, para além de ser baseado em acontecimentos reais da vida do escritor, foi um livro escrito para cumprir um prazo. Dostoievsky teve mesmo que suspender a escrita da sua obra maior "Crime e Castigo", para ditar este livro a uma estenógrafa (que acabou por se casar com ele).

Se estiverem neste momento a pensar "hum, se é assim, deve ser uma bela porcaria, escrito à pressa, e tal, só para que o editor não o chateasse...", tal como eu pensei, desenganem-se!

"O Jogador" é um livro com bastante mérito próprio! Não tem as extensas descrições de que tanta gente se queixa, nos livros de autores russos, e tem bastante diálogo, a maior parte muito interessante, embora de vez em quando lá apareça algum pedaço de conversa do mais puro aborrecimento...

Mas bem, a história não é muito complicada. Alexis Ivanovitch, apaixonado por Paulina, e que trabalha como preceptor dos filhos de um general, descobre o mundo do jogo. Fica viciado, ganha, perde, ganha, perde, como qualquer pessoa que jogue, desafia as probabilidades, arrisca, joga pelo seguro... Enfim, todo um desfiar de acções e decisões extremamente típicas do jogador habitual.

Como que para agitar a história, o general, patrão de Alexis, tem dívidas até ao pescoço, e uma certa personagem muito especial aparece de repente, de forma completamente inesperada, e fica, tal como Alexis, viciada na roleta. E perde, e ganha, e perde, e ganha... A mesma coisa. Mas de notar que esta personagem, que não vou dizer quem é (spoiler alert!), é muito provavelmente a personagem mais interessante do livro, de tão intensa que é.

Todo o livro tem um tom que oscila entre o trágico e o cómico, misturando os dois, e alternando livremente, e acaba por ser a reflexão perfeita da vida de um jogador, que ora ganha, e se sente nos píncaros; ora perde, e vai completamente abaixo... até conseguir arranjar mais dinheiro, para voltar a jogar, é claro.

Resumindo, um livro muito interessante, que me obriga a fazer a promessa de agarrar em mais qualquer coisa deste autor, num futuro não muito distante.