sábado, 30 de abril de 2011

Que as citações nos caiam em cima [2]

A citação desta semana foi-nos enviada pela Andreia Silva, do blog Segredos...escondidos!!!!, e é mais uma bela citação, desta vez do Clube das Encalhadas, de Catarina Fonseca.

"Chama-se química à relação que se estabelece entre dias pessoas apaixonadas, mas devia chamar-se alquimia. A química é qualquer coisa demasiado asséptica, que mete batas brancas e números e pós verdes que explodem. A alquimia exige uma fé maior que o mundo, exige acreditar em qualquer coisa que todos sabem que existe mas ainda ninguém viu acontecer de facto, como transformar terra morta e outras coisas que não interessa e que cheiram pior que terra morta em ouro."


O Clube das Encalhadas, Catarina Fonseca

Já sabem, para nos enviarem mais citações só têm que enviar um e-mail para queaestantenoscaiaemcima@gmail.com. Boas leituras!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Enigma de Fermat

Título: O Enigma de Fermat
Autor: Albert Violant i Holz

Sinopse: Nenhuma outra conjectura na história da Matemática é tão sugestiva como a enunciada pelo francês Pierre de Fermat em 1637. A simplicidade da sua formulação contrasta com as profundidades matemáticas às quais dedica o seu estudo, que chegaram a parecer insondáveis.

Opinião: Dos livros que já li desta colecção, este deve ser, muito provavelmente, aquele que tem mais texto e menos equações. Os motivos pareceram-me evidentes, no entanto: por um lado, o famoso último teorema de Fermat é algo tão fascinante e tão polémico, que praticamente todos os grandes matemáticas se debruçaram sobre ele; por outro, a maior parte das explicações envolvem matérias tão complexas e distantes do alcance das pessoas que estiverem de fora deste mundo, que este livro não chegaria para as dar de forma satisfatória.

Como sempre, há uma grande contextualização histórica, em grande parte devido aos três séculos de intenso trabalho sobre este teorema, e não foi por apenas um punhado de matemáticos, mas sim pela grande maioria dos nomes mais famosos, como Gauss, e Euler.

Acho que basta que todo o livro seja dedicado a um único teorema para que se perceba a importância e complexidade desse mesmo teorema. Para além de ser dos teoremas mais famosos da história da matemática, destaca-se dos demais pela simplicidade da sua formulação, coisa que Fermat fez na margem de um livro, em meia dúzia de linhas, embora toda esta simplicidade do enunciado esteja em forte contraste com a extrema dificuldade da sua resolução. Não são todos os problemas que levam três séculos a serem resolvidos...

O livro tem uma escrita simples e acessível, tal como é preciso em obras de divulgação científica, apesar do tema deste ser um bocadinho mais "pesado", em termos matemáticos, mas nada que tire o prazer à leitura, já para não falar da componente histórica, que eu pessoalmente acho sempre fascinante... Fica, portanto, obviamente aconselhado a toda a gente.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Blasfémia

Título: Blasfémia
Autor: Douglas Preston
Tradutor: Manuel Alberto Vieira

Sinopse: O maior supercolisionador do mundo, encerrado numa montanha no Arizona, foi construído para revelar os segredos do momento da criação: o próprio Big Bang. O Torus é a máquina mais cara jamais criada pela Humanidade, gerida pelo computador mais poderoso do mundo, uma invenção do cientista Nobel, North Hazelius.
Será o Torus capaz de divulgar os mistérios da criação do universo? Ou irá, de acordo com algumas previsões, sugar a Terra para um buraco negro? Poderá também ser uma tentativa satânica, como alguns televangelistas clamam, de desafiar o Deus Todo-Poderoso no próprio trono divino?
Sob a liderança de Hazelius, doze cientistas são enviados à montanha remota para activar a máquina, e aquilo que descobrirem deverá ser mantido secreto a todo o custo. Wyman Ford, ex-monge e agente da CIA, tem a missão de descobrir o segredo, um segredo que irá destruir o mundo... ou salvá-lo. A contagem decrescente começou...

Opinião: Já para começar bem, vou-vos contar o porquê de ter estado tão perto de não pôr ali a sinopse deste livro. Primeiro, há muito tempo que não via uma sinopse tão enganadora. Especialmente aquele último parágrafo. A ideia com que pelo menos eu fiquei, é a de que ia ler sobre uma equipa de cientistas arraçados de Indiana Jones, numa viagem perigosa a um complexo abandonado para activarem a máquina e verem o que se passou, para depois serem salvos por Wyman Ford, um agente da CIA, aos tiros, e a rezar pela purificação da sua alma (esta parte é exagerada, mas enfim), e não é nada disto que vem no livro. Depois, vêem onde diz Torus? Pois, se há nome que nunca aparece em todo o livro, é Torus. O nome do supercolisionador é Isabella.

Pequenos (grandes) pormenores à parte, gostei bastante desta leitura, com os seus capítulos curtos, ao melhor estilo de Dan Brown, apesar de ter sentido um bocado a falta de mais algum desenvolvimento a nível das personagens, que ainda por cima tinham praticamente todas um enorme potencial: 12 cientistas super inteligentes, alguns fanáticos religiosos, um ex-agente da CIA e ex-monge... Já agora, esta personagem foi provavelmente a minha maior decepção, não passa de um homem que não se chega a perceber muito bem o que é que sabe fazer, que não chega propriamente a fazer nada de jeito e que embora seja uma das personagens centrais da história, pouco ou nada se fica a saber sobre ele.

No entanto, para depois não dizerem que estou a massacrar o autor sem razão, eu fiz a minha pesquisa, e há uns livros anteriores a este, com uma espécie de continuidade, num dos quais esta personagem tem algum relevo, e é ainda um monge. Pronto.

Quanto ao tema do livro é um tema que me diz muito, a eterna luta entre ciência e religião, os fanáticos (de ambos os lados, reconheço) e enfim, todas as questões associadas a esta batalha já com vários séculos (milénios!) de idade. O ponto de vista apresentado é deveras curioso, assim como a forma como esse ponto de vista é apresentado. Juro que fiquei fascinado com os diálogos que surgiram devido a uma certa e determinada situação, a qual não irei revelar, como é óbvio, para não estragar a surpresa (e também para que quem ainda não leu fique a sofrer um bocadito).

Por fim, uma nota bastante negativa para a edição, que além da sinopse, que é moderadamente horrível pelas questões supra mencionadas, conta ainda com vários erros e gralhas. Um exemplo, assim de repente, é em vez de "bem", aparecer "vem". É uma gralha que acontece, pronto. O problema é que eu vi esta gralha pelo menos duas vezes, o que, segundo as minhas definições pessoais, já conta como erro. E todos sabemos quão desagradável é ler um livro com erros.

Mas bem, no geral é um bom livro, com algumas falhas, que me deixou curioso para ler mais qualquer coisita deste autor, mas que ao mesmo tempo não me deixou com uma ânsia extrema de ir comprar qualquer coisita já a correr de bicicleta. Embora me tenha enchido as medidas, no que toca a resmunguice anti-religião.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Balanço Épico


Foi uma batalha épica. Uma longa temporada, de quase 3 meses, que deu origem a 15 posts (já a contar com este) e a algumas dores de cabeça, que isto não foi nada fácil. Estas epopeias não se lêem como os livros a que estamos mais habituados, embora estejam inseridos no género narrativo, e muito menos como se se estivesse a ler poesia, embora as semelhanças a nível da forma sejam imensas. São leituras para serem feitas com imensa calma, com imensa paciência e com um dicionário por perto, de preferência.

Agora que já assustei todos os interessados em ler estes livros, deixem-me passar às coisas boas. Sabem aquela sensação de verem um daqueles filmes, ainda a preto e branco, que ficaram na história na cinema? Aqueles filmes que praticamente definiram géneros cinematográficos inteiros, ou que criaram técnicas ainda hoje utilizadas? Pois. Ao ler estes 4 livros, que representam apenas uma pequena (ainda que importante) parte daquilo que este género tem para oferecer, senti-me como se estivesse a ler autênticos pedaços da história da literatura, que é, afinal de contas, o que eles são.

São livros verdadeiramente épicos, dignos de se chamarem epopeias. Confesso que me rendi ao género, o que torna as minhas opiniões, e este próprio balanço, algo bastante parcial, logo à partida, mas vou tentar não ser demasiado efusivo, e deixar os gritinhos histéricos para as adolescentes que rezam todos os dias para que a Meyer publique um novo livro. Embora, caros leitores e caras leitores, não se escapem a um texto mais longo que o habitual. Considerem-se avisados.

Ora bem, começando pelo princípio: Os Lusíadas. Quando o comecei a ler não estava assim muito inclinado para gostar, devido às minhas experiências anteriores (viva as leituras obrigatórias no 9º ano!), mas depois de algumas estrofes dentro da coisa fiquei, à falta de outra expressão melhor, doidinho de todo. Sim, está lá o nacionalismo exacerbado, os ideais algo retrógrados e ultrapassados, a fé completamente irracional, mas também lá anda o descontentamento com a situação do país além dos traços de uma fortíssima ideologia humanista. E, como eu não me canso dizer, é preciso dar algum crédito ao Camões. 8816 versos sempre com o mesmo esquema rimático, sempre com a mesma métrica, e ainda por cima conseguindo manter a coerência da história...

Depois veio o ponto mais baixo da temporada: Beowulf. De autor desconhecido, o mais pequeno dos 4 foi lido em inglês e não correu muito bem. Eu, que tanto gosto de me gabar do meu bom inglês, fiquei completamente às aranhas com aproximadamente metade do que era dito. Às tantas habituei-me e lá entrei um bocadinho melhor no esquema, mas foi uma leitura praticamente perdida. Não consegui absorver a musicalidade e a cadência como deve ser e tive vários problemas de vocabulário. Fica no entanto a garantia de voltar a pegar nele, daqui a uns tempos.

De seguida foi a vez de partir para a epopeia mais excêntrica da minha lista: Fausto. Com a sua estrutura hiper-mista de narrativa/poesia e teatro, é um épico ligeiramente diferente dos outros, muito mais liberal em termos de forma, integrando até pedaços em narrativa. Enfim, foi uma leitura curiosa, que demorou mais tempo do que aquilo que eu tinha previsto, mas que valeu a pena e de que maneira! Tem um tom algo surreal, especialmente à medida que a leitura se aproxima do fim, e deve contar para alguma coisa o facto de ter sido o livro que praticamente criou toda a mística em torno dos pactos com o Diabo.

Por fim, o avozinho das epopeias modernas: Divina Comédia. Nunca vi uma obra cujo nome do género em que está inserida se adequasse tão bem. Epopeia. Fica no ouvido e fica na cabeça. Passei metade da temporada com este livro, graças principalmente à escola, mas também às notas desta edição. Já aqui falei e re-falei montes de vezes deste assunto, mas não posso fazer este balanço sem referir o quão ridículas são estas notas. Basta dizer que metade do livro é a Divina Comédia, e que a outra metade são as suas notas. No entanto, nada que tirasse a grandiosidade a este livro, que pura e simplesmente adorei, apesar da sua mensagem ir contra as minhas próprias ideias.

No geral acho que o balanço é mais do que positivo. Li grandes obras-primas da literatura, delirei por completo, aborreci-me de morte, desejei nunca ter feito esta temporada, desejei ter mais epopeias à mão... O que é que se pode dizer, foi toda uma (Vasco da) gama (que piada parva) de emoções, que espero ter oportunidade de repetir, seja epopeias seja outro tema. Foi algo de que gostei muito, escrever mais do que um post acerca do mesmo livro, para dar uma visão mais detalhada da minha leitura. Espero que tenham gostado de me acompanhar tanto como eu gostei de ler estes épicos.

P.S.: Aceitam-se sugestões para a próxima temporada!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os Subterrâneos da Liberdade: Árduos Tempos


Título: Os Subterrâneos da Liberdade (Vol. 1): Árduos Tempos

Autor: Jorge Amado

Sinopse: Os ásperos tempos, primeiro volume da trilogia, traz a instauração do regime ditatorial do Estado Novo, o comportamento das forças políticas, os ideais proclamados e os primeiros movimentos de resistência. Publicada pela primeira vez em 1954, a obra, dividida nos volumes "Os ásperos tempos", "Agonia da noite" e "A luz no túnel", é a sua forma de protesto e crítica ao Governo Vargas.

Opinião: Há muito que esta crítica esperava ser feita, tal como há algum tempo que já acabei este monumental primeiro volume da trilogia Os Subterrâneos da Liberdade. O tempo é pouco, mesmo em férias e o blog vai sendo sem querer deixado para trás. Não é mesmo nada justo e eu já tinha saudades de aqui escrever.

Quanto a Ásperos tempos, as expectativas eram altas, sendo Jorge Amado um dos meus autores preferidos, e a temática da história também se me afigurava bastante atraente.

Numa belíssima lírica narrativa, Jorge Amado não desilude, e penetra mais uma vez, no âmago das emoções humanas, neste relato do que foi a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil.

Focada principalmente na luta operária do Partido Comunista Brasileiro, trabalhando e sofrendo na clandestinidade pela queda do governo de Vargas, a história abraça também outras personagens da baixa burguesia à elite multimilionária de São Paulo.

Jorge Amado consegue assim manipular na perfeição pontos de vista, ideologias, sentimentos e romances variados numa única época histórica.

Inicialmente escrito pelo autor como um único volume, Os Subterrâneos da Liberdade foi dividido em três volumes pela editora, compondo assim uma trilogia com o mesmo nome.

Quanto à recente re-edição pela editora Dom Quixote, só tenho a apelar para que não a comprem. Jorge Amado nunca aprovaria o valor exorbitante de 25€ que é pedido pelo livro, e pô-lo à venda a esse preço, julgo ser uma afronta e falta de respeito pelo escritor.

Os meus Lusíadas

Título: Os Lusíadas
Autor: Luís de Camões 

Opinião: Como o Rui já referiu num outro post, a falta de tempo tem vindo a tornar-se um obstáculo cada vez maior. A verdade é que nunca vi um ano tão egocêntrico como este, o 12º, tem sido um ano muito trabalhoso, por isso a leitura tem ficado para trás e os momentos para escrever nos blogues também têm estado em vias de extinção.


Foi por esta precisa razão que demorei cerca de um mês e tal a ler os Lusíadas e que tenho vindo a atrasar a minha lista de leituras desejadas.

Quanto à minha leitura d' Os Lusíadas, esta começou numa edição emprestada pelo Rui e acabou noutra edição, a que me ofereceram há uns dias pelos meus dezoito anos.

E se me permitem com toda a franqueza e sem qualquer ar de superioridade, gostava muito de falar-vos sobre os meus Lusíadas. Esta edição, que é linda, foi-me oferecida pelo meu pai no dia em que fiz dezoito anos, e sendo eu uma apreciadora de literatura entrei em êxtase quando a vi. Trata-se de uma edição limitada, com capa dura e retoques dourados; um tipo de letra maravilhoso, com papel de qualidade, agradável ao toque e todo ele escrito em português antigo, fiel ao original em que foi escrito. É enorme e pesado, tem aquele ar de antiguidade distinta e pertence àquela categoria de livros que vale a pena ter, nem que seja só para admirá-lo.

Falando agora da minha opinião sobre a obra, o resultado é positivo. Já tinha lido e analisado alguns cantos que fazem parte do programa da disciplina de Português mas resolvi ler a obra completa. 
E apesar de ter gostado muito, a leitura por vezes, tornou-se um tanto ou quanto complexa, o português arcaico da altura, enriquecido com os mais variados recursos estilísticos e latinismos fez com que nem sempre fosse muito perceptível o que é que o poeta queria dizer em determinada estrofe, o que levou com que eu não entendesse algumas passagens e que alguns pormenores históricos me tivessem escapado. É por estes alicerces que a grande obra lusitana é de um certo modo difícil de ser lida e requisita de um nível de concentração por parte do leitor mais elevado do que o necessário noutro estilo de literatura.


Contudo, é sem dúvida uma das grandes, se não a maior obra literária portuguesa, e já que a temos que dar e não a podemos vencer, que tal juntar-nos a ela? E foi o que eu fiz, a opinião essa, ficou inserida no verbo gostar!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Prisioneiros com Dilemas e Estratégias Dominantes

Título: Prisioneiros com Dilemas e Estratégias Dominantes
Autor: Jordi Deulofeu


Sinopse: O jogo, a actividade livre por excelência, também admite interessantes formalizações matemáticas. Este processo culminou em meados do século passado quando, no calor da Guerra Fria e do confronto entre superpotências, se desenvolveu a moderna teoria de jogos, que tem como objectivo estudar estratégias vencedoras com que abordar toda a espécie de conflitos. 

Opinião: Aposto que a partir do momento em que disser que este livro de matemática tem como tema a teoria dos jogos, quem me estiver a ler vai ter sentimentos contraditórios: por um lado, "teoria", vindo de um livro de matemática, implica, à partida, algo sério; por outro, "jogos", deita essa lógica por água abaixo.

Pois bem, caros descrentes, desenganem-se. A teoria dos jogos é algo muito sério, sendo até um dos ramos da matemática com mais aplicações práticas no dia-a-dia!

Sendo algo que começou por analisar jogos em concreto, rapidamente tratou de se abstrair, desenvolvendo uma teoria geral para a resolução dos mais variados problemas, ou até à simples análise de situações, desde saber que jogada efectuar num jogo de NIM, até perceber quais as opções de 2 potências mundiais, no que toca às armas nucleares.

Como todos os livros desta colecção trata-se de um livro escrito com a linguagem mais simples possível, que trata os vários assuntos de forma clara e objectiva.

Nada que me desapontasse, portanto, ou não gostasse eu muito de matemática, e que, tal como o resto da colecção, aconselho a toda a gente, seja amador seja experiente, nestas andanças matemáticas.