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sábado, 3 de setembro de 2011

Uma Descoberta Sem Fim

Título: Uma Descoberta Sem Fim
Autor: Enrique Gracián

Sinopse: Se a procura do conhecimento fosse a caçada, o infinito seria certamente o principal troféu. Abrindo caminho por entre dogmas e paradoxos, esta fantástica presa atravessou as paragens da filosofia antiga, da religião medieval e da ciência moderna. Este livro segue o rasto furtivo do infinito na mente de filósofos, teólogos, físicos e, acima de tudo, matemáticos.

Opinião: Mais que um objectivo, o infinito é uma paixão. Uma noção tão inconcebível que provoca na mente humana aquilo que seria de esperar: uma ânsia igualmente inconcebível de o perceber. Pode até ser visto como o Santo Graal da matemática, do conhecimento em si, até... E o mais curioso é que falamos dele e dele fazemos uso, sem sabermos exactamente como o explicar.

Dizemos que o Universo é infinito, que o Tempo é infinito, os mais românticos dizem que o amor verdadeiro é infinito, falamos em cálculo infinitesimal, fazemos operações com o infinito, distinguimos vários tipos de infinito, dizemos que os números são infinitos... Mas o que é o infinito?

Será que há alguém que seja capaz de conceber o infinito? Será que a própria mente humana tem essa capacidade, a de imaginar e de percepcionar o infinito? Ou teremos apenas uma mera ilusão finita, ainda que incrivelmente longa, que nos dá uma ideia do infinito?

É este o assunto do livro, e a sua estrutura fulcral, mais perguntas que respostas. E o autor tratou o assunto de uma forma bastante didáctica e interessante, fazendo deste aquele que é provavelmente um dos melhores, se não for mesmo o melhor livro de toda esta colecção matemática. Fala dos paradoxos causados e explicados pelo infinito, dos dogmas à sua volta, das visões filosóficas, religiosas, físicas, mundanas e matemáticas que há e que houve do infinito.

Um livro belo, que trata um assunto igualmente belo, e que vale a pena ler, por qualquer pessoa que tenha coragem de se sentir deslumbrada... e insignificante.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Os Números Primos - Um longo caminho para o infinito

Alguns podem pensar que é tortura, ter que levar com matemática, química e física (todas envolvem muitas contas e muitos números), e ainda ler sobre matemática, mas para mim é algo natural. Eu que não gostava nada de matemática, tive que aceitar que ela faz parte da minha vida como estudante, e que há-de fazer para o resto da minha vida, estando eu na área em que estou, e tendo as ambições que tenho. Comecei a prestar-lhe mais atenção, a gostar, e descobri-lhe a beleza.

"Beleza?!", exclamaram, de certeza alguns de vocês. Mas acreditem em mim, se há ciência que consegue ser elegante, bela, prática e espectacular, é a matemática.

Os livros desta colecção, "O Mundo é Matemático", são a prova disso mesmo. Neste "Os Números Primos", o autor (que é provavelmente o que melhor escreve, dos autores desta colecção) fala sobre os números primos, uma autêntica pedra no sapato para os matemáticos por todo o mundo. É preciso executar cálculos para meter um satélite em órbita? Tudo bem. É preciso resolver equações que ocupam uma página A4? Também se arranja. É preciso arranjar uma fórmula que nos permite calcular todos os números primos? Se alguém conseguir, é só dizer, pois já lá vão 3000 anos que os matemáticos e estudiosos andam a tentar.

É claro que isto pode não parecer nada de especial... Afinal, qual é que é a verdadeira importância dos números primos? Bem, para vos dar uma ideia, podem pesquisar sobre matemáticos famosos. Estou capaz de apostar que na biografia de 90% deles aparece uma referência aos números primos. Gauss, Euler, Euclides, Rienman, os irmãos Bernoulli, Eratóstenes, Mersenne, Fermat, Goldbach, Napier e o espantoso Ramanujan, só para mencionar alguns.

Os números primos são de extrema importância. São usados na codificação de mensagens, foi através dos estudos sobre eles que se descobriram importantes propriedades dos números, e que se desenvolveram numerosas ferramentas de cálculo, e ainda ajudaram (e ajudam) a desenvolver computadores cada vez mais potentes.

O autor, Enrique Garcián, fala sobre todos estes assuntos com uma clareza surpreendente, dando uma grande importância à contextualização histórico-social, muito mais relevante do que nos livros precedentes.

Tal como os outros livros desta colecção, aconselho a toda a gente, goste ou não goste de matemática.