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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Antologia Fénix III [2/2]

Título: Antologia Fénix III
Autores: João Rogaciano, Joel Lima, Luís Corujo, Manuel Mendonça, Marcelina Leandro, Nuno Almeida, Ricardo Dias, Rui Bastos (eheh), Rui Ramos, Samir Karimo, Vítor Frazão


Opinião: Podem ler a primeira parte aqui (ou ali em baixo). Vou novamente apresentar na forma de lista, não só por ser mais fácil, mas também porque gosto de listas, de uma forma geral.

  • O primeiro natal ao vivo e a cores, de João Rogaciano, conta com uma boa escrita e uma história curiosa, mas acho que, muito provavelmente pela restrição de palavras, ficou a faltar desenvolvimento. Quer dizer, acho que merecia mais desenvolvimento, porque fiquei realmente interessado!
  • Diálogo no Pólo Norte, de Joel Lima, tem uma ideia minimamente engraçada, mas acaba por ser um conto tão, mas tão mediana, a fazer convergir dois mitos (de classes diferentes, mas pronto)
  • Pinheirinho, de Luís Corujo, é um conto com uma interessante, e inclui algo que raramente falha em qualquer história que apareça: VIKINGS! Apesar disso o autor conseguiu estragar a história com um final absolutamente terrível.
  • Filhós e Azevinho, de Manuel Mendonça, foi um dos contos de que menos gostei. Não fiquei a perceber grande, só que há um demónio a ser ordenhado, que dá sangue, ou sei lá... Nem sei, nem sei.
  • Missão de colonização, de Marcelina Leandro, nem sequer tem uma ideia muito má, mas o conto é terrível. Há uma Imediato Eva, um Comandante Adão, uma escrita mediana e uma conclusão que não conclui grande coisa. Não gostei.
  • Noite de Surpresas, por Nuno Almeida, não está nada mal, mas acho é que o início não está coerente com o final, nem sei bem como explicar, mas o conto parece-me desfasado, de certa forma.
  • Os Três Fantasmas, de Ricardo Dias, é um caso muito particular em que uma ideia excelente (a sério, tremenda) origina um conto fraco por causa da forma como a história é contada. Em vez de contar a coisa de forma cativante, o autor optou por ter as personagens a conversar e a explicar tudo, numa mera exposição que não se torna minimamente interessante.
  • O Julgamento de Natal, não vou comentar, porque foi o conto que eu escrevi. Eu sei que já toda  gente deve estar farta de me ouvir mencionar isso, mas eu quero lá saber, é o meu primeiro conto a ser publicado, sou um tipo mais feliz por causa disto! De qualquer forma, já lá topei uma vírgula mal posta...
  • Conto de Natal, de Rui Ramos, é outro dos contos de que menos gostei, nesta antologia. Uma escrita que achei fraca, diálogos maus, uma história confusa e pouco interessante e, pior de tudo, um Deus e um Lúcifer muito pouco credíveis...
  • Santa Claus Sideral y la Gota de Oro Navideña, de Samir Karimo, é outro conto em espanhol (galego?), mas deste não percebi pevas, portanto abstenho-me.
  • O Último Natal, de Vítor Frazão, é um conto bonito, muito bem escrito, mas acho que a ficção científica não lhe faz falta. É mais uma história de amor passada num cenário de FC para a qual a FC não tem qualquer relevância. Não perde a qualidade por isso, atenção, mas perde alguns pontos, vá...

E pronto, está tudo dito acerca dos contos. Esta segunda parte foi mais fraquinha, e desceu o nível da antologia para mediana, com algumas pérolas tremendas lá pelo meio.

Em termos de considerações gerais, a formatação do ebook não é a melhor, mas o que mais me fez confusão foi o ter contos não traduzidos para português e ainda o facto de incluir contos dos próprios organizadores. É claro que cada pessoa é livre de fazer como muito bem lhe apetecer, longe de mim querer dizer como é que se faz uma antologia, mas acho que os organizadores se deviam abster de participar.

Já para não falar dos contos não traduzidos. Por exemplo, naquele que não percebi pevas, do Samir Karimo, posso estar a perder um conto fantástico. Enfim.

No geral é uma antologia razoável, com contos fantásticos e 2 ou 3 que achei maus, mas com a maioria a cair no mediano. Em termos de experiência, foi bastante agradável ver-me incluído entre tantos nomes que já conheço destas andanças e mal posso esperar por repetir!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Vollüspa (Parte 2 de 2)

Título: Vollüspa
Autor: Vários

Opinião: Perdoai-me, caros poucos leitores que ainda visitam o blog com frequência e com razão. Não tenho tido mesmo tempo nenhum. Nem devia ter tido tempo para vir aqui escrever esta segunda parte da opinião, mas enfim, já me estava a fartar de me preocupar com a universidade, e perdido por cem, perdido por mil... Já sabia que estes dias não ia conseguir estudar grande coisa, portanto...

Mas pronto, avancemos. A encerrar a secção de Terror, aparece um conto de José Manuel Morais, A Vida é Sonho, um conto que não me agradou muito. Começa com uma premissa interessante, ainda que não seja nada de super-original: sonhos e afins. Mas todo o conto parece que passa a correr, e de repente já estamos no fim, sem interesse nenhum...

Depois a abrir a última secção, de Fantasia, aparece A Máquina, de Álvaro de Sousa Holstein, que dispensa apresentações de maior e que apresenta aqui um conto que classifico como um dos mais interessantes desta antologia, sobre o poder das memórias. O autor homenageia alguns dos grandes vultos da literatura portuguesa, sem grande alarido, mas de forma sentida.

Já em A Queda, de Carla Ribeiro, não encontrei uma história que me prendesse por aí além. Em termos de escrita devo dizer que até gostei, apesar de ser fã de uma escrita mais directa e menos floreada. Mas a história não me convence minimamente... Soa a mais do mesmo, para dizer a verdade... Com todo o respeito pela autora, com quem já contactei em fóruns e afins, mas daquilo que lhe conheço (que não é muita coisa, confesso), penso que seria capaz de fazer bem melhor!

A seguir aparece Joel Puga, com O Último, do qual gostei. Bem escrito, bem estruturado, para um conto tão pequeno, e interessante, apesar de ser mais uma retrospectiva, ou umas memórias, o que preferirem... Passa muito bem a ideia de solidão e a de resignação forçada de quem sabe que não tem saída, mas que sabe uma coisa de certeza: vai sair a lutar. Muito bom.

De seguida temos A Sala, de Marcelina Gama Leandro, que não é mau de todo, mas que podia estar melhor escrito. As coisas parece que acontecessem muito rapidamente e os diálogos estão um bocado repetitivos e extremamente pouco naturais, se bem que eu sei perfeitamente a dificuldade que é escrever um diálogo decente...

Quase a acabar vem Uma Questão de Lugar, de Pedro Ventura, que no meio de tanto conto pequenino, parece apenas grande demais. E tem de facto alguma ronha. A história é moderadamente interessante, e a escrita é agradável, não haja dúvida, mas estendeu-se demais. Ainda por cima no meio de tantos contos tão mais pequenos, em contraste, ainda parece maior do que é. E depois no fim... Nada de especial. Mas pronto, não é o pior conto...

O pior talvez seja este último, Vermelho, de Regina Catarino. O recontar de um episódio bíblico pelos olhos de um observador aleatório não me convenceu mesmo nada, apesar de achar que Fantasia é a palavra certa para descrever tal episódio. E a escrita nem é má de todo, mas perde-se no meio da história sensaborona.

E pronto, cá ficam todos os contos opinados (finalmente!). O balanço geral é positivo, apesar de alguns defeitos e de uma secção de Fantasia relativamente fraquinha, quando comparada com a de Ficção Científica, já para não falar da quase ausência do Terror... Mas não se fica a perder nada, penso eu, são no geral bons autores, com bons contos, que demonstram que existe um forte sector Fantástico em Portugal por descobrir, e é esse o papel mais importante desta "Vollüspa", o de dar a descobrir autores e o de fazer as pessoas descobrirem o Fantástico. Como tal, e uma vez que foi uma leitura agradável, que só pude ter graças ao trabalho do Roberto Mendes, que lutou por este projecto, e que parece ter acertado. Esperemos que dê frutos!