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sábado, 28 de março de 2015

A "Terceira Realidade" de Joel Puga

Contactado pelo próprio autor, decidi espreitar o blog ficcional Terceira Realidade. Esse autor é Joel Puga, e o que encontrei foi uma iniciativa que gostava de ver repetida por aí fora. Bem, não literalmente, como é óbvio, mas esta vontade de fazer algo diferente dentro da Literatura do Fantástico português é de aplaudir!

Qual é a premissa? Podem perceber melhor nas FAQ do próprio blog, mas em termos muito simples, é o relato das aventuras e desventuras, invariavelmente Fantásticas, de alguém que encontrou um caderno com informações que normalmente não estão acessíveis ao comum dos mortais.

Como por exemplo a localização de um bar de seres sobrenaturais. Ou detalhes sobre grandes ajuntamentos de fantasmas.

Porque é que eu gostei? Porque isto, caros leitores, é a criação de um universo próprio, com vasto potencial para se tornar vasto, detalhado, e ainda ser usado para o autor desenvolver histórias maiores.

E tudo isto feito em textos curtos, publicados por segmentos, que abrem o apetite, não contam demasiado, e são pequenos o suficiente para serem lidos durante uma pausa no trabalho, no estudo, ou no que quer que seja.

Ainda por cima são boas leituras. Há ali muito espaço para evoluir, e muita coisa para polir na escrita, que parece demasiado impessoal e mecânica, mas gostei de ler e vou seguir, definitivamente. A vocês, aconselho que façam o mesmo! No entretanto podem acompanhar o outro blog do autor, Journeys of the Sorcerer, bem como procurar alguns dos seus muito contos que por aí andam espalhados.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Comandante Serralves - Despojos de Guerra


Autores: Carlos Silva, Vítor Frazão, Inês Montenegro, Joel Puga, Rui Leite, Ana Filipa Ferreira


Opinião: Vamos lá falar de coisas importantes, nomeadamente sobre este livro, o primeiro resultado palpável do projecto Imaginauta. Desde que foi anunciado que fiquei bastante interessado no projecto, e tive direito a sinopses em primeira mão e tudo (já agora, acertei em quase tudo, eheh).

A primeira coisa a dizer é que a capa é fantástica. A sério, fantástica. Não só uma das melhores capas que já vi no panorama nacional, mas de uma forma geral. É lindíssima, e ficam aqui os meus sinceros parabéns à artista, Ana da Silva Monteiro!

Senti foi falta de um prefácio, uma introdução ao projecto, qualquer coisa. Da forma como está, embora possa com alguma facilidade apelar a um público maior, acaba por parecer direccionado a quem conhecer o projecto - porque quem não conhecer, não o vai conseguir fazer só por pegar no livro. O que para um projecto novo desta natureza, talvez fosse o ideal!

Na parte de trás do livro, há um pequeno problema com a espécie de sinopse: gralhas. Em bom português, frases mal enjorcadas! Mas nada muito grave, só é chato porque é normalmente o segundo contacto que um leitor tem com o livro, depois de passar pela capa...

Avancemos para os contos. A qualidade geral é acima da média e, espantem-se, acho que foi um dos poucos livros que li que conseguiu ir ao encontro das minhas expectativas. Não as superou, mas também não ficou aquém, e não por por eu as ter demasiado baixas.

O primeiro é do Carlos Silva e chama-se Métodos de Evasão. Pouco depois de o começar já tirei as medidas ao Comandante Serralves: é só juntar um bocadinho de Star-Lord (Guardians of the Galaxy) ou um bocadinho de Jack Sparrow (Pirates of the Caribbean) e já temos o essencial. Felizmente a personagem revela-se bem mais do que isso, com o passar das páginas e dos contos, mas seu carisma transborda para fora do livro, o que é bom.

É um conto curto, porreiro e que serve bem como ponto de partida para ficarmos a conhecer o resto do Universo criado por este grupo de autores. O mistério e a acção também estão bem trabalhados, e foi bom ver como o Serralves não era propriamente o foco principal da história, que conseguiu ser bem interessante.

Depois vem Sinais, de Vítor Frazão, que tem um bom começo e explora bem o Serralves e o seu grupo de rebeldes, tem óptimas cenas de acção e boas pistas sobre o passado e o carácter do Comandante, mas, e isto é um grande mas, tem diálogos com "Ah! Ah" de pessoas a rirem-se. O meu problema com essa escolha estilística está bem documentado e não dou hipótese. Fazer isto, para mim, é pecado. A vontade com que fico é a de fechar o livro!

E como cereja no topo do bolo, há uma personagem cuja relação com Serralves é metida a martelo, e o conto acaba com um final muito pouco satisfatório. Ou seja, acabei por não gostar tanto quanto poderia ter gostado, tendo em conta os pontos (bastante) positivos que mencionei. Uma pena.

Felizmente a seguir vem Dogson, de Inês Montenegro, um conto muito interessante e que explica de forma bastante explícita e ligeiramente perturbadora como raio é que funciona a aparente imortalidade de Serralves. De vez em quando aparece uma frase com uma sintaxe um bocado esquisita ("Mas no que lhe dizia respeito, já não mais seria um deles.") que só conseguiram distanciar-me da leitura, e eu queria mesmo era que o conto fosse maior, mas gostei, particularmente das descrições da luta mental que Serralves acaba por (obviamente) ganhar.

O segundo conto de Carlos Silva, Despojos de Guerra, mostra-me que o livro está muito bem equilibrado em termos da extensão dos contos e da forma como revela informação sobre Serralves e o resto do universo criado. E bem, tem piratas espaciais! Eu tinha razão, o que é que há para não gostar?

A história até é porreira, e aparece a nave do Serralves, chamada Maria (pormenor delicioso) mas tudo começa a descambar quando duas pessoas que sabem perfeitamente como algo funciona sentem necessidade de explicar um ao outro o funcionamento dessa coisa com algum detalhe. É um bocado como ver os tipos do CSI a explicarem tudo uns aos outros, como se não tivessem todos os mesmos conhecimentos básicos.

E é então que aparece um "Ahahahahah!". Nope nope nope. O fim não ajuda, fraquinho e a deixar claro que não havia propriamente uma história relevante para o que quer que fosse.

O conto seguinte, Das Eigentum, da Ana Ferreira, não ajuda à causa, com um começo interessante mas a descambar rapidamente (também é pequeno, vá). Por muito interessante que seja seguir o ponto de vista de um alien, a personagem do Serralves não bate certo com o que já se conhece, e o final é abrupto e difícil de acreditar. Boa escrita, no entanto!

Guerra Esquecida, de Joel Puga, foi o conto que menos gostei. Podia ser bastante interessante, mas fica claramente aquém, além de precisar de uma boa dose de revisão. E epah, o pessoal que me desculpe o spoiler, mas atlantes? A sério? A mim o que mais me espanta é um arqueólogo chegar a essa conclusão em cerca de vinte minutos, sem indicações especiais. "Vamos lá ver que ruínas são estas, tão estranhas... Ah, claro, atlantes, aquela civilização que, tanto quanto sei, nunca existiu." Enfim! O que ainda se aproveita mais é o facto do Serralves ir parar a um corpo um pouco... diferente do do que estava habituado, mas até isso é completamente desperdiçado.

Tudo melhora, no entanto, com Static Falls, de Rui Leite, o meu conto favorito deste livro, que acho que só peca pela facilidade em derrotar o vilão, e pela demasiado súbita mudança de ideias (de toda a gente). A verdade é que todo o ambiente e o desenrolar da história estão muito bem feitos. A forma como explora a personagem do Serralves, pondo-o ao lado de uma Emily de cinquenta anos (que conhecemos anteriormente bem mais nova), é muito boa, e embora não tenha ficado nada mau, ficou a faltar um final mais assertivo para ainda melhorar mais o conto.

No fim, posso dizer que gostei e irei certamente seguir o projecto. Não se deixem enganar pela minha picuinhice mais virulenta do que é normal, não consigo evitar ser mais rígido com projectos novos que me interessam. Na realidade, tirando talvez Guerra Esquecida, não posso dizer que tenha de facto desgostado dos contos. E como disse no início, é um livro claramente acima da média. Os meus parabéns e venham mais!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Vollüspa (Parte 2 de 2)

Título: Vollüspa
Autor: Vários

Opinião: Perdoai-me, caros poucos leitores que ainda visitam o blog com frequência e com razão. Não tenho tido mesmo tempo nenhum. Nem devia ter tido tempo para vir aqui escrever esta segunda parte da opinião, mas enfim, já me estava a fartar de me preocupar com a universidade, e perdido por cem, perdido por mil... Já sabia que estes dias não ia conseguir estudar grande coisa, portanto...

Mas pronto, avancemos. A encerrar a secção de Terror, aparece um conto de José Manuel Morais, A Vida é Sonho, um conto que não me agradou muito. Começa com uma premissa interessante, ainda que não seja nada de super-original: sonhos e afins. Mas todo o conto parece que passa a correr, e de repente já estamos no fim, sem interesse nenhum...

Depois a abrir a última secção, de Fantasia, aparece A Máquina, de Álvaro de Sousa Holstein, que dispensa apresentações de maior e que apresenta aqui um conto que classifico como um dos mais interessantes desta antologia, sobre o poder das memórias. O autor homenageia alguns dos grandes vultos da literatura portuguesa, sem grande alarido, mas de forma sentida.

Já em A Queda, de Carla Ribeiro, não encontrei uma história que me prendesse por aí além. Em termos de escrita devo dizer que até gostei, apesar de ser fã de uma escrita mais directa e menos floreada. Mas a história não me convence minimamente... Soa a mais do mesmo, para dizer a verdade... Com todo o respeito pela autora, com quem já contactei em fóruns e afins, mas daquilo que lhe conheço (que não é muita coisa, confesso), penso que seria capaz de fazer bem melhor!

A seguir aparece Joel Puga, com O Último, do qual gostei. Bem escrito, bem estruturado, para um conto tão pequeno, e interessante, apesar de ser mais uma retrospectiva, ou umas memórias, o que preferirem... Passa muito bem a ideia de solidão e a de resignação forçada de quem sabe que não tem saída, mas que sabe uma coisa de certeza: vai sair a lutar. Muito bom.

De seguida temos A Sala, de Marcelina Gama Leandro, que não é mau de todo, mas que podia estar melhor escrito. As coisas parece que acontecessem muito rapidamente e os diálogos estão um bocado repetitivos e extremamente pouco naturais, se bem que eu sei perfeitamente a dificuldade que é escrever um diálogo decente...

Quase a acabar vem Uma Questão de Lugar, de Pedro Ventura, que no meio de tanto conto pequenino, parece apenas grande demais. E tem de facto alguma ronha. A história é moderadamente interessante, e a escrita é agradável, não haja dúvida, mas estendeu-se demais. Ainda por cima no meio de tantos contos tão mais pequenos, em contraste, ainda parece maior do que é. E depois no fim... Nada de especial. Mas pronto, não é o pior conto...

O pior talvez seja este último, Vermelho, de Regina Catarino. O recontar de um episódio bíblico pelos olhos de um observador aleatório não me convenceu mesmo nada, apesar de achar que Fantasia é a palavra certa para descrever tal episódio. E a escrita nem é má de todo, mas perde-se no meio da história sensaborona.

E pronto, cá ficam todos os contos opinados (finalmente!). O balanço geral é positivo, apesar de alguns defeitos e de uma secção de Fantasia relativamente fraquinha, quando comparada com a de Ficção Científica, já para não falar da quase ausência do Terror... Mas não se fica a perder nada, penso eu, são no geral bons autores, com bons contos, que demonstram que existe um forte sector Fantástico em Portugal por descobrir, e é esse o papel mais importante desta "Vollüspa", o de dar a descobrir autores e o de fazer as pessoas descobrirem o Fantástico. Como tal, e uma vez que foi uma leitura agradável, que só pude ter graças ao trabalho do Roberto Mendes, que lutou por este projecto, e que parece ter acertado. Esperemos que dê frutos!