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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

True Detective [T2]



A primeira temporada desta série é extraordinária. Matthew McConaughey e Woody Harrelson fazem um duo perfeito, em papéis excepcionalmente bem interpretados, inseridos numa história que cativa do princípio até ao fim, e rodeados de um elenco secundário igualmente bem trabalhado.

Mas tendo em conta o formato de antologia da série, com tudo a mudar de uma temporada para a outra - excepto a equipa técnica e o tema principal, polícias e detectives a fazerem as suas coisas de polícias e detectives - tudo podia correr mal aqui. Mas o elenco anunciado revelou-se cada vez mais forte, e o argumentista, Nic Pizzolatto, prometeu seguir a mesma fórmula em termos de ambiente e caracterização das personagens.

Levantei as expectativas. E fiz bem. A segunda temporada é tão extraordinária como a primeira, e até me cativou mais. Tiraram-se os longos monólogos da personagem de McConaughey, que por muito interessantes e fascinantes que fossem de acompanhar, matavam completamente o ritmo, e em vez disso introduziu-se um enredo mais denso, mais política palaciana e uma maior ambiguidade moral em todas as personagens.

Era isto que faltava. Uma maior representatividade de vilões, e a explicação de que nem sempre os maus das histórias são os vilões. Ou que há vários níveis de vilões.

O enredo até perde relevância quando o que temos no ecrã são personagens brilhantemente caracterizadas, como: o detective corrupto, mas com boas morais que luta contra o vício e só quer ser um bom pai; o mafioso mais mafioso de sempre, completamente entregue ao seu papel de mau da fita para conseguir sobreviver; a detective com estranhos fetiches sexuais e um passado complicado, adepta de fazer o bem, mas que está constantemente a lutar por se fazer valer num mundo de homens; e o polícia justo que é tramado por uma celebridade e que luta contra os seus impulsos homossexuais.

Dito isso parece só um desfilar de desgraças, mas acreditem que os actores e actrizes trazem estas personagens ao ecrã com uma densidade e um realismo que só é possível fora da vida real. São, quase literalmentes, personagens larger than life. Cada uma a representar os seus próprios demónios. E é espectacular vê-los em acção, ou a trabalhar em conjunto por causas comuns.

Quem é quer saber de um enredo sobre negociatas de terrenos e linhas de caminhos de ferro e estradas e auto-estradas e sei lá mais o quê, uma história que os próprios episódios deixam bem claro que é secundário? O que é realmente importante são as personagens e as relações entre elas.

E o final? Oh, o glorioso final, em que tudo faz sentido, excepto a vida (toquem os tambores do dramatismo). A sério, as peças encaixam todas, e a grande conclusão é que a morte não perdoa, e isso nem sempre é mau. O que significa que vou ficar ansiosamente à espera da próxima temporada, porque a fórmula funciona!