Mostrar mensagens com a etiqueta Séries TV. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Séries TV. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Bones [T01]



Com o aparecimento do CSI, deu-se início a uma revolução. Os inevitáveis spin-offs, cópias e outras séries com o mesmo estilo policial-mas-nos-bastidores não demoraram a surgir. Algumas tornaram-se coisas verdadeiramente interessantes e com qualidade (NCIS e Criminal Minds, que eu conheça e me lembre assim de repente), e outras nem por isso.

No entanto acho que nenhuma teve uma premissa tão arrojada como Bones: um agente do FBI junta-se a uma antropóloga forense e à sua equipa, para juntos resolverem os mais variados crimes. E mais ainda, pois se CSI sempre foi muito focada nos crimes em si, NCIS sempre quis mais ver as personagens a interagirem, e Criminal Minds usa os crimes violentos para explorar a condição humana, Bones preocupa-se muito mais com as emoções e o desenvolvimento das personagens principais do que com tudo isso.

Basta olhar para o duo de protagonistas: Booth, o agente do FBI, é o coração do programa desde logo, uma personagem emotiva com quem é fácil de simpatizar; Brennan, a antropóloga forense, por outro lado, é fria, distante e com uma personalidade muito mais racional.

O contraste não podia ser maior. É claro que para a série funcionar, ambas as personagens partilham o peso emotivo, e ambos os actores fazem um óptimo trabalho, especialmente David Boreanaz, que parece que nasceu para o papel de Booth. Brennan é, na realidade, tão emotiva como Booth, apenas lida com isso de forma diferente. Se Booth vive com o coração nas mãos, Brennan tem-o enterrado bem lá no fundo.

Infelizmente, sendo esta a primeira temporada, ainda teve vários episódios mais fracos e menos confiantes, como se os argumentistas ainda não tivessem a certeza do que fazer com estas personagens. Ainda por cima todas ganham muito claramente uma vida própria nas mãos dos actores, que são completamente irrepreensíveis e encarnam cada personagem com uma naturalidade impressionante.

Isto significa que a temporada é bem porreira: foi lentamente criando aquilo que é mais interessante na série, as histórias mais gerais e mais envolventes, quer em termos de personagens quer em termos de pura abrangência daquilo que estamos a ver. Sim, Bones é maioritariamente uma série de crime-por-episódio, mas brilha realmente quando aproveita esses pequenos mistérios para desenvolver as personagens e as histórias transversais a todas elas.

Nada melhor do que mostrar que estas personagens são reais. Têm problemas que os afectam directamente. Mistérios próprios, quer sejam a família rica de Hodgins, a família numerosa e religiosa de Zack, o mais ou menos namorado de Angela (assim como as suas inclinações lésbicas), a vida amorosa de Brennan e os seus pais misteriosos, ou aquilo que Booth passou na guerra.

O último episódio é o catalisador perfeito, com a descoberta dos ossos da mãe de Brennan e uma chamada final do seu pai, a avisá-la para não o procurarem. Bom, muito bom! É pena que para isto tenha sido preciso sofrer uma série de episódios deploráveis e aborrecidos com que a temporada de vez em quando se lembrava de nos brindar, mas pelo menos fiquei interessado em continuar, o que é muito bom sinal!


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

The Abominable Bride




Detectives carismáticos são uma das minhas fraquezas narrativas. Atirem-me um Sherlock Holmes ou um Hercule Poirot, uma Miss Marple ou outra personagem qualquer do mesmo género, e convencem-me. Até pode ser um Dr. House, manifestação médica da criação de Conan Doyle.

Portanto também não é de espantar que as adaptações ao pequeno e grande ecrã não me passem ao lado. As histórias de Poirot, interpretado pelo excepcional e super adequado David Suchet (a personagem parece ter sido criada à sua imagem), prendem-me sempre, mesmo que apenas por alguns minutos antes de sair de casa.

Por outro lado, e como Sherlock e Poirot em particular me acompanham desde que me lembro, enfureço-me com facilidade quando alguém decide abusar da sorte e fazer algo ridículo em seu nome. É o caso dos filmes com o Robert Downey Jr. e Jude Law nos papéis principais, que são apenas filmes de acção passados em Londres e centrados num detectiva, e não filmes do Sherlock Holmes, assim como é o caso da série Elementary, que embora pareça ter mais respeito pelo trabalho original, me faz mais do que um pouco de comichão

Felizmente existem pessoas como Steven Moffat e Mark Gatiss, meus conhecidos de Doctor Who. Quando Sherlock apareceu, estranhei. Tratava-se de uma modernização, o que me soa sempre estranho. Mas vindo de quem vinha, não havia de ser demasiado mau. Decidi experimentar.

Abençoado o dia.

Devorei o que havia disponível como se não houvesse amanhã. Depois desesperei por as temporadas serem só de três episódios (ainda que de hora e meia cada) e o intervale entre elas ser de pelo menos dois anos. Convenci a minha namorada a ver, deixei-a igualmente viciada, e pelo menos passei a ter alguém com quem desesperar.

Há dias vimos o semi-especial de Natal The Abominable Bride, que furou todas as minhas expectativas, depois triturou-as, atirou-as ao chão e dançou a polka em cima delas. Da melhor maneira possível.

O episódio há muito que andava a ser anunciado como uma aventurada Vitoriana, numa realidade alternativa, para que o programa tivesse oportunidade de ter uma adaptação fiel das histórias de Conan Doyle sem que isso interferisse com a série.

E quando começou, parecia ser exactamente isso. Um recontar da história que já conhecemos, com momentos de outros episódios vistos através de uma lente vitoriana, com direito a um Sherlock ainda mais irritante, por algum motivo.

Só que havia qualquer coisa estranha. Esses momentos decalcados de episódios anteriores podiam ser só peculiaridades do argumento, graças a dois argumentistas que gostam mesmo daquilo que fazem, ou podiam ser algo mais. Para mim houve um momento ainda relativamente perto do início que me deixou com a proverbial pulga atrás da orelha.

Com o avançar do episódio, iam aparecendo mais pistas que comprovavam a minha teoria, e como consequência ia aumentando a minha admiração pelo episódio, os actores, os argumentistas, o programa em si e tudo e todos os que com ele estão relacionados.

Afinal, e agora é o momento ideal para as pessoas que não gostam de spoilers começarem a fugir o mais depressa possível deste blog, tudo aquilo estava a acontecer na mente de Sherlock, refugiado no seu palácio mental, com a ajudinha de um cocktail de droga dos agressivos. O objectivo era explorar um caso centenário na esperança de perceber como é que Moriarty podia estar de regresso!

Genial! Tudo funciona de uma forma estupenda, desde o sempre excepcional Martin Freeman, que não se deixa ficar na sombra de um tremendo Cumberbatch, até à forma como as histórias interagem, mais dignas de um episódio de Doctor Who (ah!) do que de Sherlock.

Por falar nisso, não posso deixar de notar numa coisa. A longa história vitoriana a que assistimos não demora mais do que dez minutos em tempo real, como se o tempo dentro da cabeça de Sherlock andasse mais devagar do que na realidade - bem, para isto fazer sentido o tempo anda mais depressa dentro da cabeça dele, para que vários dias correspondam apenas a dez minutos, mas pronto, vocês percebem. O que interessa é que o Sherlock usa este truque para ganhar tempo.

Sabem onde é que isso também aconteceu recentemente? Em Heaven Sent, o penúltimo episódio da mais recente temporada de Doctor Who. Sim, Sherlock já tinha usado o conceito em quase todos os episódios, mas nunca, que me lembre, como uma forma de ganhar tempo.

Enfim, excepcional a vários níveis, e termina com um cheirinho para a próxima temporada. A beleza da construção do episódio é que foi um pedaço de entretenimento de qualidade, não revelou quase nada de concreto para a próxima temporada, mas não foi apenas uma versão alternativa dos acontecimentos. Foi interessante, mais do que cativante, e relevante. Até contou com o regresso de um extraordinário Andrew Scott como Moriarty-alucinação.

Um excelente episódio, que já vi dividir ligeiramente as opiniões entre os fãs. Eu cá fiquei fascinando, este é o tipo de televisão inteligente e bem feita que gosto de ver. Experimentem também, acreditem que vale bem a pena!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Doctor Who [T09] (pós-2005)


Vamos lá esmiuçar mais uma temporada de Doctor Who, que teve muito que se lhe diga...

Contexto

A temporada anterior foi a primeira de Peter Capaldi no papel de Doctor. Depois de Matt Smith como um brincalhão e saltitão Eleventh Doctor, foi-nos prometido um Doctor mais sério; e foi o que aconteceu. De tal forma que choveram críticas à nova encarnação da personagem, que demonstrou muito cedo ter uma personalidade muito diferente das dos seus antecessores imediatos.

Aliás, poucos episódios depois de começar a oitava temporada, era difícil não fazer paralelos com alguns dos Doctors da série clássica, já que este Twelfth Doctor transmitia muito mais uma sensação de veterano e velho rezingão.

Para mim foi uma óptima mudança, e não demorei muito a ficar convencido de que o actor tinha sido bem escolhido. Mas ainda assim, e por mais a oitava temporada me tenha tentado convencer que este novo Doctor era mesmo, mesmo badass e todo dark, os episódios ficaram um pouco aquém, de uma forma geral. As histórias repetiam-se, as reviravoltas já não surpreendiam, e era possível apontar os tiques de Moffat com demasiada frequência.

Houve certamente uma mudança em termos de tom, mas não em termos de direcção. A série continuava a seguir o mesmo caminho, só que de outra perspectiva, o que criou excelentes momentos, mas falhou em ser algo mais.


Aprendizagem

No entanto as coisas mudam. E se há algo de bom (e mau) nesta era da Internet, é a quantidade de feedback que os espectadores dão de imediato. Ainda o episódio não acabou, e já há malta a disparar por todos os lados.

Alguém com paciência (ou que tenha esse trabalho) pode filtrar as alarvidades e perceber a opinião real das pessoas. E parecia que era o que o Moffat tinha feito! Apesar da escolha questionável de manter Jenna Coleman no papel de companion durante mais uma temporada, começaram a surgir notícias promissoras: uma temporada repleta de two-parters, um Doctor mais seguro de si próprio, rumos sobre o regresso de Gallifrey... Prometia!

E sabem o que aconteceu com o primeiro episódio? Fiquei satisfeito. Superou as minhas expectativas e deixou-me capaz de dizer "estás perdoado, Moffat". Sim, foi assim tão mais incrível do que aquilo a que o argumentista já nos tinha habituado. Depois veio o segundo episódio, e a tendência manteve-se. O formato de two-parter assentou que nem uma luva, o tom das histórias tornou-se finalmente no tom certo, Capaldi esteve excelente e a Missy voltou. Nem sequer dei pelos tiques habituais, portanto tudo apontava que Steven Moffat tivesse aprendido a lição!

O desenrolar dos acontecimentos

O que aconteceu foi que as histórias, tirando duas, se mostraram boas. Realmente boas. Bem feitas, bem exploradas, bem montadas, bem escritas, bem tudo. As críticas continuaram a chover, mas a malta diz mal por tudo e por nada. Se não tem two-parters é porque não tem, se tem é por tem, se isto é porque isto, se aquilo é porque aquilo. Há sempre alguém a dizer violentamente mal de alguma coisa.

Já eu, que me considero um connoisseur de Doctor Who, fiquei bastante agradado. As histórias foram interessantes e cativantes, as personagens secundárias raramente foram mera carne para canhão, a personagem do Doctor evoluiu mas não se distanciou da oitava temporada de forma ridícula, e a direcção que a narrativa tomou esteve em sério risco de ser excelente.

Se houve um problema, para além da desgraça inenarrável de The Woman who Lived e da confusão de Sleep No More, foi a caracterização de Clara, que fez uma viragem brusca e agressiva e arriscou deitar tudo a perder. O que Moffat queria era forçar-nos a ideia de que depois de uma temporada a tornar-se cada vez mais parecida com o Doctor, Clara estava demasiado parecida com o Doctor e a tomar demasiado riscos.

Tudo envolvido numa nuvem de foreshadowing do fim da personagem. Mas as coisas correram bem. A personagem de Clara irritou-me, mas sempre me irritou um bocadinho. Foi então que chegámos a Face the Raven...


O princípio do fim

O décimo episódio, logo a seguir ao fraco e desnecessário Sleep No More, tinha de valer a pena. E valeu! Com algum do melhor e mais coeso storytelling a que a temporada teve direito, o regresso de um Rigsy bastante diferente da sua aparição em Flatline, na temporada passada, o regresso de Ashildr Me, que continuou supérflua, mas que pelo menos já foi interessante e relevante para o enredo, e inspirações potterianas um bocadinho por todo o lado, até eu fiquei surpreendido. O episódio foi bom!

Não só matou a Clara (finalmente!) como terminou de uma forma brutal: Me engana o Doctor de forma a ficar-lhe com a chave da Tardis e a teletransportá-lo para um destino incerto a mando de alguém. Isto logo a seguir à nova atitude excessivamente destemida de Clara lhe ter reservado um final trágico. Aquilo que surgiu foi um Doctor muito zangado, com Capaldi a conseguir transmitir uma fúria de 2000 anos com muito poucas palavras, um olhar mortífero e um tom de voz calmo.

Uma clara diferença relativamente ao Eleventh Doctor, com os seus grandes discursos e postura maior que o mundo. Mas igualmente eficaz, ou até mais, já que desde o Ninth Doctor de Christopher Eccleston que eu não via tanta fúria e tanta pesar na personagem.

O final termina com o Doctor a ser teletransportado depois de ameaçar abertamente Me e deixar prever o caminho negro que se preparava para seguir.


Uma obra-prima

A semana seguinte trouxe Heaven Sent, um clássico instantâneo e um dos melhores episódios de Doctor Who de sempre. Preso num castelo misterioso, com ares de Hogwarts, sem fazer a mínima ideia de como lá foi parar, e com um monstro igualmente misterioso a persegui-lo lentamente mas sem nunca parar, o Doctor não compreende o que se passa.

Os minutos que se seguem mostram que Moffat ainda tem muitas ideias primorosas dentro daquela cabecinha, e que vai ser sempre uma força a ter em conta no universo de Doctor Who. Um episódio em que a única personagem é o Doctor, com uma série de conceitos absolutamente fantásticos, e um loop muito à là Moffat... Não há como não ficar impressionado!

E depois vem o final. A grande revelação e a conclusão de que o sítio onde o Doctor chega, depois de escapar do castelo misterioso, é Gallifrey. Finalmente! Quase consegui ouvir as milhões de exclamações por esse mundo fora, por verem o planeta dos Time Lords a aparecer no programa (pós-2005), de forma decente!


Gallifrey falls... no more!

Hell Bent. O final da nona temporada, e o regresso de Gallifrey. O episódio que podia mudar tudo. Uma primeira metade absolutamente fantástica, com tudo aquilo que eu podia desejar... E uma segunda metade que arruina tudo. Depois de uma temporada inteira a conter-se, Moffat consegue trazer aquilo que tem de pior ao de cima, e torna toda a temporada e toda a carga emocional e de evolução da personagem do Doctor em algo sobre a Clara.

Sim, ouviram bem. Não é só Gallifrey que regressa, é também Clara, graças a um esquema duvidoso que deixa perceber que tudo o que se passou até agora foi apenas um plano elaborado para resgatar a resgatar. Haja paciência.

O final até não foi das piores coisas de sempre, mas Moffat trouxe Gallifrey de volta, introduziu uma série de personagens novas e de momentos interessantes, como a postura silenciosa do Doctor, que leva a uma revolução igualmente silenciosa que faz dele o Presidente de Gallifrey, graças ao seu estatuto de herói de guerra... Para depois se focar inteiramente na sua companion fetiche, que deve ser, em termos objectivos, a personagem mais importante e envolvida no canon de Doctor Who tirando o próprio Doctor.

Moffat conseguiu ser a criança birrenta que quer ter a mão em tudo, e fê-lo através de Clara, que não só entrou na timestream do Doctor para o salvar durante a sua vida toda, como conseguiu sacar regenerações aos Time Lords, inspirar um Doctor juvenil e agora ser o motivo pelo qual o Doctor chega a Gallifrey.

Nem tenho muitas razões de queixa do episódio: foi bom, de uma forma geral, mas podia ter sido excelente. Era só continuar na mesma onda da primeira metade, na mesma onda da temporada até ao momento... E Moffat estragou.

Mas pelo menos trouxe Gallifrey de volta. Espero é que seja algo mais permanente do que só para este episódio...


Conclusão

Por muito que me queixe, a temporada foi boa. Atrevo-me até a dizer que foi excelente. Não há nada como terminar tantos episódios a pensar "ah, caraças, assim vale a pena". Moffat esteve bem, apesar de tudo, e diz-se que continua para a próxima temporada. Desde que tenha tomates para continuar na mesma onda, mas com menos momentos como a última meia hora de Hell Bent, e ainda formar e escolher o seu sucessor...

O balanço final é que tem de ser positivo, por muito que me apeteça penalizar a temporada pelo descarrilamento final. Ainda por cima sou parcial, quando se fala desta série. O que é que eu posso fazer... Venham mais!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Death Parade


Esta anime foi-me muito bem recomendada. E após o primeiro episódio, não fiquei inteiramente convencido. Mas pareceu-me bem feito. Todo o mistério por detrás da coisa, a situação impossível em que as personagens se encontram, a conclusão do episódio... Competente, no mínimo.

Em termos simples, o que a série acompanha é a rotina em Quindecim, o bar onde chegam as almas de pessoas que morrem ao mesmo tempo, e onde vão ter que jogar uma contra a outra, para decidir quem é que vai para o Céu (reencarnação) e quem é que vai para o Inferno (esquecimento). Ao início perdem praticamente todas as suas memórias, em especial a de que morreram, e só as vão ganhando lentamente.

Mas logo ao segundo episódio a série revela-se muito inteligente, ao apresentar, uma autêntica desconstrução do primeiro episódio! Golpe de génio. Se o episódio anterior foi contido e bastante directo, este apresenta mais personagens, dá pistas de um universo complexo, origina bastantes mistérios e permite uma segunda perspectiva dos acontecimentos anteriores. A nova personagem, Nona, é fantasticamente malévola, de certa forma, e a rapariga sem nome é misteriosa, mas o episódio não quer saber disso. O objectivo é mostrar que aquilo que as conclusões que tirámos do caso do episódio anterior estão erradas, e que Decim se enganou. Muito esperto, e muito bem feito, impecável!

Os episódios decorrem de forma aparentemente banal, embora nunca se repitam. É preciso dar pontos a Death Parade por ter uma estrutura tão obviamente formulaica, e conseguir não se tornar numa sequência irritante e desinteressante de episódios todos iguais uns aos outros.

Além de que cada episódio é mais intenso do que o anterior. A emoção está muito bem trabalhada, e de forma muito óbvia (mas não aborrecida) quando Decim, o bartender aparentemente sem emoções, revela um gingarelho que permite interferir com os jogos, que já são brutais por si só, para conseguir extrair a parte mais negra de cada pessoa. O dilema moral que se cria é fascinante, e nunca é verdadeiramente respondido: essa faceta mais negra já lá estava, ou é criada pelas situações em que Decim põe as pessoas?

Há também o facto de que a lenta, mas eficaz, introdução de novas personagens recorrentes e de detalhes sobre o mundo em que se movimentam está muito bem feita, e é impossível não ficar interessado numa ou noutra coisa.

As personagens também se revelam cada vez mais complexas do que pareciam à primeira vista, e embora não haja propriamente uma história no sentido comum da palavra, há uma série de ligações e de dicas que vão sendo dadas que ficam meio no ar e precisam de ser respondidas - o que me deixa sempre agarrado à espera de saber mais!

Os mistérios adensam-se em redor de todas as personagens, e ao fim dos primeiros sete episódios percebe-se que foram quase uma introdução longa que já incluiu algum desenvolvimento. Tudo indica que a partir daí, e nos cinco episódios que restantes, é que tudo vai acontecer, e provavelmente a um ritmo estupidamente alucinante.

É então que em vez de uma simples história, fazem um two-parter, com as personagens mais dramáticas e bem construídas da série até agora. A conclusão da história é fascinante, e agradou-me bastante, com Decim a tentar quebrá-los ao máximo. Tudo se torna mais impressionante quando Decim fica apático, com um surge de emoções que claramente não compreende e que não deita cá para fora, e o episódio acaba sem revelar qual dos dois julgados vai para onde, mas apenas com a imagem da cara demoníaca por cima do elevador do Inferno, e mais nada. Brilhante!

Começam a surgir as dúvidas e as dicas que foram sendo dadas ao longo dos episódios juntam-se e encaixam de forma perfeita. Nona, a chefe de Decim e subordinada de Oculus, um velhote que afirma ser o mais parecido que ali existe com Deus, tem claramente um qualquer plano desde o início, que só é revelado no final e aponta directamente ao foco emocional da série: a ausência não tão completa quanto isso de emoções de Decim.

O final, sem ser perfeito, desapontou-me, mas foi algo que fez sentido em termos narrativos. A série no geral agradou-me, e ficou definitivamente marcada como uma das melhores que já vi. Original, corajosa, intensa, com histórias bem contadas e personagens perfeitamente caracterizadas. Os temas abordados são explorados até à exaustão de formas normalmente pouco óbvias e não cansativas nem intrusivas durante os episódios. Há momentos menos bons, mas também há momentos absolutamente brilhantes, especialmente quando se trata de explorar o lado negro da Humanidade de cada um.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Da Vinci's Demons [T2]



Eu queria mesmo muito gostar deste programa. A sério, adorava. A vida de um jovem Leonardo Da Vinci, a personagem histórica que mais admiro? Siga!

Mas a primeira temporada não me convenceu. A personagem é uma caricatura romantizada de Da Vinci, o que se podia justificar tendo em conta que é um programa de televisão, pronto. Mas o seu génio é encarado quase como uma série de inspirações semi-divinas que o deixam capaz de fazer coisas literalmente impossíveis.

Todas as outras personagens à sua volta só lá estão para realçar o quão espectacular ele é, mesmo os vilões e as personagens ambíguas, que ainda são a melhor parte do elenco. E tudo isto falha espectacularmente, com desenvolvimento atrás de desenvolvimento que não fazem ponta de sentido.

"Mas ainda pode melhorar!", pensei eu, ingénuo. Nope. A segunda temporada eleva o ridículo a novos níveis que eu achava impensáveis. O resultado é uma sequência de episódios com o enredo mais idiota que eu já vi num programa de televisão, e um herói que resolve todas as situações possíveis e imaginárias das formas mais idiotas que eu já vi num programa de televisão.

E eu sou um fiel seguidor de Doctor Who, em que a personagem principal às vezes derrota inimigos só de gritar com eles, e que no último episódio usou enguias eléctricas para derrotar uma raça de guerreiros alienígenas que se estavam a disfarçar de deuses nórdicos, no meio de uma aldeia Viking.

Da Vinci's Demons tem menos credibilidade do que isso. Ninguém é capaz de acreditar nas resoluções da personagem principal, que aprende a falar uma língua que nunca tinha ouvido, completamente diferente de todas as línguas existentes no mundo que conhece, em meia dúzia de horas.

Aquela coisa chamada suspensão da crença? Aqui não existe. E portanto, por muito que os vilões até sejam interessantes (um papa maléfico que é na realidade o irmão gémeo do verdadeiro papa e que o tem preso para lhe roubar o lugar? contem-me antes essa história!!!), e que a série ainda tenha algum potencial (muito, muito pouco), para mim acaba aqui, e com uma prestação absolutamente miserável.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

True Detective [T2]



A primeira temporada desta série é extraordinária. Matthew McConaughey e Woody Harrelson fazem um duo perfeito, em papéis excepcionalmente bem interpretados, inseridos numa história que cativa do princípio até ao fim, e rodeados de um elenco secundário igualmente bem trabalhado.

Mas tendo em conta o formato de antologia da série, com tudo a mudar de uma temporada para a outra - excepto a equipa técnica e o tema principal, polícias e detectives a fazerem as suas coisas de polícias e detectives - tudo podia correr mal aqui. Mas o elenco anunciado revelou-se cada vez mais forte, e o argumentista, Nic Pizzolatto, prometeu seguir a mesma fórmula em termos de ambiente e caracterização das personagens.

Levantei as expectativas. E fiz bem. A segunda temporada é tão extraordinária como a primeira, e até me cativou mais. Tiraram-se os longos monólogos da personagem de McConaughey, que por muito interessantes e fascinantes que fossem de acompanhar, matavam completamente o ritmo, e em vez disso introduziu-se um enredo mais denso, mais política palaciana e uma maior ambiguidade moral em todas as personagens.

Era isto que faltava. Uma maior representatividade de vilões, e a explicação de que nem sempre os maus das histórias são os vilões. Ou que há vários níveis de vilões.

O enredo até perde relevância quando o que temos no ecrã são personagens brilhantemente caracterizadas, como: o detective corrupto, mas com boas morais que luta contra o vício e só quer ser um bom pai; o mafioso mais mafioso de sempre, completamente entregue ao seu papel de mau da fita para conseguir sobreviver; a detective com estranhos fetiches sexuais e um passado complicado, adepta de fazer o bem, mas que está constantemente a lutar por se fazer valer num mundo de homens; e o polícia justo que é tramado por uma celebridade e que luta contra os seus impulsos homossexuais.

Dito isso parece só um desfilar de desgraças, mas acreditem que os actores e actrizes trazem estas personagens ao ecrã com uma densidade e um realismo que só é possível fora da vida real. São, quase literalmentes, personagens larger than life. Cada uma a representar os seus próprios demónios. E é espectacular vê-los em acção, ou a trabalhar em conjunto por causas comuns.

Quem é quer saber de um enredo sobre negociatas de terrenos e linhas de caminhos de ferro e estradas e auto-estradas e sei lá mais o quê, uma história que os próprios episódios deixam bem claro que é secundário? O que é realmente importante são as personagens e as relações entre elas.

E o final? Oh, o glorioso final, em que tudo faz sentido, excepto a vida (toquem os tambores do dramatismo). A sério, as peças encaixam todas, e a grande conclusão é que a morte não perdoa, e isso nem sempre é mau. O que significa que vou ficar ansiosamente à espera da próxima temporada, porque a fórmula funciona!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Naruto [T2]



Já revelei que Naruto é um guilty pleasure, e até já deixei bem explícito o quão mal dividida a série está em termos de episódios/temporadas/história, portanto não vou continuar por aí. Embora devesse.

Deixem-me antes focar no quanto os fillers e o esticamento de situações já conseguiram testar até a minha paciência. Chega ao ponto de, nos últimos episódios, um tipo ter uma espada enfiada no peito do de outro tipo, lentamente a aumentar a pressão, durante uns cinco ou seis episódios, tudo para dar tempo de mostrar o que todas as personagens estão ao fazer ao mesmo tempo.

É triste, e faz a série perder muitos pontos. Por outro lado, a história está muito mais focada nesta temporada, e é interessante ver que as personagens realmente evoluem. Parecem desenhos demasiado abonecados para terem um desenvolvimento decente, e os constantes exageros da animação para efeitos cómicos levam a acreditar em algo parecido.

No entanto, e espantem-se à vontade, as personagens estão fantasticamente bem construídas, assim como o universo onde vivem. Se esta série falha em alguma coisa, é na estrutura narrativa e no ritmo, que se fosse uma função teria o gráfico mais esquizofrénico possível, mas todos os elementos de caracterização são espectaculares.

Cada informação sobre a personagem é introduzida da forma mais eficaz possível, embora nem sempre da forma mais eficiente. Por muito útil que seja ter um flashback da infância da uma personagem secundária, tanto em termos explicativos como emotivos, fazer esse flashback ocupar 75% do episódio é abusar da sorte.

Para compensar, esta temporada introduz uma das personagens mais espectaculares que já vi, Jirayia, o eremita pervertido cujo manancial de técnicos envolve muitas vezes invocar sapos de todos os tipos, tamanhos e feitios.

Falta ver como é que a história evolui daqui para a frente, e se consegue manter-me interessado. Eu tenho alguma confiança de que no final das cinco temporadas que, supostamente, constituem a série de Naruto original (depois passa-se para Naruto Shippuden, o que quer que seja que isso signifique), tenham uma história relativamente fechada e agradável. Os sinais por agora não estão promissores, mas as personagens em jogo são e estão cada vez melhores, portanto nem tudo é mau.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Doctor Who [T9]


Esta temporada está exactamente a meio da era Pertwee enquanto Doctor. Com duas temporadas já feitas e duas por chegar, estas talvez sejam as histórias mais neutras em termos da posição do actor no universo de Doctor Who. Não acabou de chegar, nem está prestes a sair. É apenas mais uma temporada rotina, com a personagem já bem explorada e background suficiente para que as interacções e as reacções pareçam mais genuínas.

Por isso não é de estranhar que a qualidade seja acima da média para praticamente todas as histórias. Jon Pertwee é um excelente Doctor, completamente diferente dos seus antecessores, com a coragem de se diferenciar ainda mais do que a transição Hartnell-Troughton, mas a habilidade de ainda assim se manter fiel à personagem.

Fala-se muito de como o Second Doctor foi essencial (mais ainda do que o First) para estabelecer a personagem do Doctor. A forma como Troughton pegou na personagem e lhe deu uma direcção nova, com uma personalidade completamente diferente, é normalmente vista como o momento mais importante da série clássica, ou pelo menos um dos mais importantes.


Mas acho que o Third Doctor ainda foi mais importante. Bem vistas as coisas, o Second foi uma versão mais jovem e amigável do First, enquanto o Third passa bem por ser uma pessoa completamente diferente. A encarnação de Pertwee retém a moral e o mistério sobre a sua pessoa, mas de velho rezingão e manipulador, e de jovem hiperactivo e manipulador, o Doctor evoluiu para um herói de acção com instintos diplomatas, e muito mais capaz de inspirar confiança com o seu carisma natural do que os dois Doctor anteriores.

Os argumentos também ajudam, e isso é algo que se nota muito claramente nesta temporada. Com a equipa criativa já muita segura dos conceitos base da série, usam e abusam deles, introduzindo cada vez mais noções e costumes da ficção científica.

É por isso que a primeira história, The Day of the Daleks, apesar de recheada de gerigonças palermas e confusões temporais igualmente palermas, tem uma narrativa relativamente consistente que podia ter funcionado muito bem. Aliás, não tenho dúvidas de que este é uma daquelas histórias que o actual argumentista-chefe, Steven Moffat, já viu e reviu.



Infelizmente esse enredo não é sólido o suficiente, apesar de repetir contexto da conferência internacional e alguém em perigo, e de usar os Daleks, uma aposta segura. A certa altura ambas as facções em jogo queriam chacinar a mesma pessoa, basicamente da mesma forma, por motivos completamente diferentes, o que não faz qualquer sentido. Mas pronto.

A vantagem é que a partir daqui é sempre a subir! A história seguinte, The Curse of Peladon não só é um bom conjunto de episódios, como adiciona mais um tijolo importante às fundações da série: o regresso dos Ice Warriors... Como seres pacíficos! É verdade, e deve ter sido preciso uma dose massiva de coragem para incluir isso neste argumento, porque não é, de todo, algo expectável, ainda para mais quando a evolução da raça se faz completamente off-screen.

O único ponto fortemente negativo é o facto do rei de Peladon ser um completo idiota: basta imaginarem que um dos pontos importantes é a existência de uns túneis secretos por baixo de todo o castelo, e nunca uma vez o rei diz "mostrem-me!". Tudo se tinha resolvido em dois ou três episódios.


Mas depois vem The Sea Devils, uma história competente a todos os níveis, com um argumento forte, um excelente regresso do Master e uma óptima evolução dos acontecimentos. Os primos dos Silurians são vistos alternadamente de forma negativa e positiva, e são de facto ambíguos para o espectador, e pelo meio há duras críticas às forças governamentais e militares, sempre mais amigas do "explodir primeiro, perguntar depois".

A história seguinte, The Mutants, é peculiar no sentido em que a ideia é fabulosa, mas a execução de algumas coisas deixo algo a desejar. O Doctor é novamente enviado pelos Time Lords para servir de pau mandado junto de mais uma situação perigosa, sem qualquer indicação do que está a acontecer, para onde está a ser enviado, nem do que é suposto fazer. Apenas tem uma encomenda que só se abre para a pessoa a quem é destinada, uma boa ideia só por si.

O ritmo é bom e tudo culmina num clímax alargado em que nos apercebemos, juntamente com as personagens, que nada do que pensávamos saber está certo. Os mutantes do título têm mais do que se lhe diga, e isso é um desenvolvimento deveras interessante. O final mantém a qualidade, e só falha na estranhíssima evolução de uma das personagens que... bem... é idiótica. Mas tirando isso, uma história de qualidade.


Por fim, The Time Monster, com o Master de volta com um dos seus pseudóminos mais famosos, Professor Thascalos, com muita conversa inconsequente sobre fluxos temporais e Atlântida (já começa a ser um fetiche, esta civilização ser retratada na série). Felizmente a história tem qualidade, e as brincadeiras temporais estão bem feitas, incluindo a Tardis do Doctor a aterrar dentro da Tardis do Master, enquanto a Tardis do Master aterra dentro da Tardis do Doctor, e todas as consequências disso. Muito interessante e inovador para a época, de certeza.

Acho que já deu para perceber que esta é realmente uma temporada de qualidade, com um Doctor e uma companion no seu melhor, a UNIT a ter um papel relevante e bem integrado, e todos os conceitos de FC a serem misturados e usados de forma bastante eficaz. Fica a excitação para a próxima temporada, que começa com o especial dos 10 anos da série, The Three Doctors, a primeira história com vários Doctors e que marca o regresso de William Hartnell e Patrick Troughton ao papel.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hannibal [T2]



Ah, Hannibal. Uma personagem que entra naquela categoria de vilões dos quais é impossível não gostar. Desde Anthony Hopkins que o psiquiatra canibal está bem destacado no nosso imaginário colectivo. O receio de fazer uma série com outro actor e novas abordagens a várias das histórias não era completamente infundado. Foi um risco enorme, mas um risco que valeu a pena.

A execução de cada cena e de cada linha narrativa é tão perfeita que mete dó. Toda a série tem um aspecto visual grandioso e espectacularmente bizarro. Cada cena parece uma obra de arte, não só pela qualidade mas com a convicção com que aparece no ecrã.

No entanto é a história e a opressão psicológica que as personagens exercem umas nas outras (e no espectador) que faz com que isto valha mesmo a pena. A narrativa enrola-se sobre si própria e produz algumas das maiores reviravoltas que já vi numa série.

E mais do que isso, os momentos de tensão são verdadeiros momentos de tensão extrema, durante os quais tudo ajuda, desde os planos que duram até ao ponto do desconfortável, a música agressiva, sinfónica e claustrofóbica, e as metáforas visuais extremamente perturbadoras.

Ainda há melhor, no entanto! Todas as personagens, todas, mostram uma evolução real e significativa. A quase descontrolada descida à insanidade de Will Graham, a forma super controlada como Hannibal Lecter navega no meio de toda a gente, enfim, fantástico a todos os níveis!

Cada episódio é tão intenso, que chega a ser mentalmente extenuante acompanhar a série. Entre pessoas que morrem, dramas vários que se desenrolam, e a noção de que há uma personagem, Hannibal Lecter, que sabe mais do que nós, que estamos a ver tudo, é impressionante.

No fim é uma série que vale bem a pena e que é sem dúvida uma das melhores séries de sempre. O que levanta a questão de porque raio é que foi cancelada, mas enfim. Vejam!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Naruto [T1]



Falar da primeira temporada desta série é um exercício um bocado abstracto. Apesar de oficialmente ela estar dividida em cinco temporadas, é mais um contínuo de duzentos e qualquer coisa episódios, que servem de prelúdio a Naruto: Shippuden, que já conta com uns quatrocentos episódios sem perspectivas de acabar.

Isto significa que a "primeira temporada" acaba sem acabar. Chegamos ao suposto último episódio e encontramos um dos acontecimentos mais importantes da série a meio. Não faz qualquer sentido. Mas toda a série é altamente palerma, portanto não me vou chatear demasiado com isso.

A verdade é que esta série é praticamente um guilty pleasure meu. A enorme quantidade de fillers, o ritmo tipicamente anime, com confrontos que duram vários episódios (quem é que não se lembra de ver miúdos a correr campo fora durante vários episódios em Oliver e Benji?) e muitos minutos gastos a repetir o que se passou no episódio anterior, efectivamente reduzindo um episódio de vinte e cinco minutos a cerca de dez minutos de coisas novas, são fatais.

E ainda assim a série é divertidíssima. Uma pessoa esforça-se por se abstrair destas falhas, e o que encontra é um mundo vasto e complexo, em que as personagens são verdadeiramente individuais e bem construídas, e os acontecimentos são interessantes.

Entre intrigas e poderes secretos, guerras nas sombras e mortes ao virar da esquina, sempre pontuados pela vida pessoal de várias personagens, a série é puro entretenimento. As lutas são fascinantes de ver, mais que não seja para descobrir as várias técnicas ninja que cada pessoa usa, que são invariavelmente originais.

Não fossem os fillers e a quantidade de tempo perdida em coisas que não interessa, esta podia ser uma excelente série. Assim é apenas gira de ver, vá. Dá para um tipo se distrair. Só é pena que depois de vinte episódios ainda se esteja a contar a história do terceiro ou quarto livro (só para terem noção do ritmo).

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Casanova (Mini-série)



Toda a gente conhece a personagem de Casanova. Muita gente até conhece a pessoa, que existiu mesmo. Mas pouca gente conhece realmente a sua história, ou tem verdadeira noção da sua personalidade.

Russel T. Davies decidiu colmatar essa falha ao juntar dois actores carismáticos para interpretar uma versão jovem e uma versão idosa de Casanova: David Tennant e Peter O'Toole. O segundo, um veterano por todas as medidas possíveis e imaginárias, é um Casanova em fim de vida, a viver praticamente escondido do mundo, num castelo do qual é o bibliotecário.

Dedica os seus dias a escrever as suas memórias e a ser constantemente desprezado pelo resto dos trabalhadores. Mas um dia uma empregada acabada de chegar fascina-se por este carismático homem e pede para que ele lhe conte a sua história, o que Casanova faz, ainda que com alguma hesitação.

E começa bem do princípio, desde os seus dias como filho de uma actriz que o abandona sem mais nem menos, passando pela sua infância perturbada e a descoberta da sexualidade que o faz florescer num pequeno prodígio em várias áreas, e durante a maior parte da sua vida adulta, com todos os seus altos e baixos.

É claro que há muitas cenas na cama de alguém, e muita gente nua, mas a série chama-se Casanova, do que é que estavam à espera? O interessante é que essas cenas não são propriamente gratuitas, nem inúteis. Digamos que fazem sentido, ao longo da narrativa. O charme e a incapacidade de manter as calças apertadas são uma parte fulcral da personalidade de Casanova, e essas cenas tornam-se essenciais para contextualizar a personagem.

São esses momentos que demonstram o quão liberal ele é, assim como o quão apaixonado consegue ser. Também é nesses momentos que se percebe como ele quase não olha a meios para conseguir o que quer, mas que ao mesmo tempo a sua verdadeira ambição é divertir-se.

Além disso, o resto da história não perde interesse por causa de tantas cenas de sexo (que, convenhamos, nem são assim tantas quanto isso, tendo em conta os padrões televisivos de hoje em dia!). Ver esta personagem a ganhar e a perder riqueza a um ritmo alucinante através dos mais (a)variados esquemas é cativante. Vê-lo a descobrir que tem um filho que mais tarde se revela um completo psicopata, é fascinante. E vê-lo a lidar com as consequências de ir para a cama com tantas mulheres é igualmente fascinante. Pode fugir, pode-se esconder, ou pode ir abertamente ter com elas, mas há sempre uma reacção.

No meio disto tudo ele apaixona-se realmente. Mais do que uma vez. A sério, a sério, duas vezes, e uma delas é mais um estranho fascínio que nem ele consegue compreender. E essas histórias são bem contadas. Essas personagens têm uma boa evolução. E tudo termina num final extraordinário, como já poucos se fazem!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Falling Skies [T3]



Há limites para a minha paciência. Esta série conseguiu ultrapassá-los todos. Aliás, fez o impossível, e conseguiu ser mais banal, fraca, estúpida e apenas vagamente interessante. Muito, muito vagamente.

As personagens continuam a tomar decisões estranhas, e o enredo avança aos soluços, com certos acontecimentos cujo único propósito e motivo para acontecerem é exactamente esse: fazer avançar o enredo.

Pior que isso é todos esses acontecimentos estão tão mal feitos que dói. As personagens não aprenderam nada nas últimas duas temporadas, e continuam a cometer os mesmos erros estúpidos. Até durante a temporada, resolvem um problema, mas dois episódios depois é preciso resolver o mesmo problema, com outra pessoa, e já ninguém sabe.

Todo o enredo consegue dar várias voltas que não fazem a mais pequena ponta de sentido, com ataques e contra-ataques, alianças e traições que se sucedem sem nenhum fio condutor razoável relativamente às situações que as despoletam.

Os actores, esses tirando dois ou três que se safam, estão péssimos. Continuam a existir muitos momentos de "vou contar a esta personagem o que aconteceu", para que tudo fique explicado. E os diálogos são sofríveis, com muitos, mas muitos actores completamente incapazes de ter mais do que uma ou duas formas de dizer as suas falas.

Já falei do cientista nuclear que vive na cave e que nunca ninguém mencionou e que, já agora, também sabe fazer sequenciação de ADN on the fly, a partir do que tinha à mão de semear?

Enfim. A única coisa que se safou nesta temporada foi mesmo o oitavo episódio, muito bem feito, realmente impressionante e cativante, apesar de ser mais do que óbvio o que raio estava a acontecer. Mas foi um bom momento da narrativa, que deu para esquecer o resto do enredo idiota durante uma hora.

Tirando isso, tudo mau. Péssimo. De tal forma que vou deixar a série a meio, em vez de me martirizar com os 24 episódios em duas temporadas que me faltam. Estou farto de aturar esta invasão alien de meia tigela!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Better Call Saul [T1]



O que fazer depois do fim de uma das melhores séries de sempre? Como lidar com o fim de Breaking Bad? A resposta foi criar Better Call Saul, um spin-off/prequela/sequela/interquela desse grande programa, e do qual ninguém estava à espera. Saul Goodman, a personagem, era sem dúvida uma das melhores. e das que mais gozo dava de ver no ecrã, mas daí a torná-lo o protagonista de uma série inteira ainda vai muito.

Mas foi isso que aconteceu, e se fosse outra série qualquer tenho a certeza que o coro de fãs seria negativo: para quê voltar a pegar nisto, é só para dar dinheiro, não faz sentido, vão estragar a história, vão estragar as personagens, bla bla bla. No entanto os fãs sempre apoiaram esta decisão!

É mais uma prova da popularidade e qualidade da série original. Eu próprio sempre achei que fazia todo o sentido, Saul era uma boa personagem, e o formato prometido não corria demasiado o risco de se meter na história que já conhecemos. Ia contar a história do Saul, de como se tornou no Saul que vemos em Breaking Bad.

Vista a curta série, tenho a dizer que correu bem. Estrondosamente bem, até. Foi bom revisitar algumas personagens, como Mike, que devia ter a sua própria série, e Tuco, tão louco como sempre. Mas é Saul, perdão, Jimmy McGill, que rouba o espectáculo.

A representação está bastante honesta e credível, e deixa-nos conhecer um lado da personagem que nem sequer imaginávamos que existisse. Tem um irmão, que é alérgico a radiação electromagnética, uma mulher por quem está embeiçado, inimigos, e uma notável presença de escrúpulos.

Os episódios são do mesmo estilo dos de Breaking Bad, calmos, com pouca música de fundo, até pouco ruído de fundo tirando os banais, como carros a passar e pássaros a cantarolar, e uma vivacidade subtil que me espantava a cada episódio, assim como a série original.

O ritmo é excelente, o enredo é excelente, a forma de contar as histórias é excelente, os desvios narrativos para acompanhar outras personagens são excelentes, é tudo excelente. Até a quantidade de episódios, que me pareciam poucos ao início, se revelaram mais do que suficiente para contar uma boa história e ainda despertar a curiosidade quanto ao futuro/passado de Saul. Uma aposta ganha, sem sombra de dúvida.


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Supernatural [T10]


Há coisas que não sabem quando acabar. Piadas britânicas, actualizações do Windows e esta série. São aquelas coisas que começam, até podem conseguir atingir um certo nível de brilhantismo, mas depois insistem e continuam a arrastar-se de forma indefinida, como se quisessem propositadamente estragar tudo.

E se no humor britânico isso já é esperado, e faz parte do ADN da coisa, e nas actualizações do Windows não há nada a fazer a não ser fugir desse sistema operativo (viva o Linux!), a esta série só lhe está a fazer mal.

Os planos iniciais eram só até à quinta temporada. Foram cinco fantásticos conjuntos de episódios, a terminarem de forma espectacular, ligeiramente inesperada, e mais ou menos inovadora. Não teve um final feliz, mas sim um final compreensível e com lógica. Tudo estava bem nesse longínquo ano de 2010.

Hey Lucifer, não queres voltar e acabar com a miséria do programa?
Foi então que decidiram continuar. Como é óbvio, a qualidade nunca foi a mesma, e o facto de há dois ou três anos terem dito "temos planos até à décima temporada", e agora estarmos à espera de uma décima primeira, é mais do que indicativo da forma como estão a fazer a série. Temporada atrás de temporada de "então e agora, o que vamos inventar?".

Nessa quinta temporada, cinco temporadas atrás, já tinham praticamente todos os bons elementos da série: o Dean, o Crowley, o Bobby, o Castiel, e enredos fortes. Até conseguiram, no último episódio, verem-se livros do Sam! Perfeito! Tirando o facto do episódio seguinte começar logo com o Sam de volta, sabe-se lá como. Apresentaram mais família dos irmãos Winchester, novas ameaças cada vez mais idiotas e incapazes (o plano dos Leviathans em junção com a loucura passageira do Castiel foi das coisas mais ridículas de sempre), e conseguiram arrastar a relação entre Dean e Sam até ao ponto em que parecem uma paródia deles próprios.

Sempre que há um momento de partilha entre os dois, eu rio-me. Não há outra reacção possível.

Chacina-os e fica com a série para ti Crowley, tu mereces.
Para terem noção, nesta temporada o Dean, depois de morrer no final da temporada anterior, regressa como um demónio, graças a uma marca que tem no braço e que lhe foi dada por Cain, o homicida original, e anda por aí a fazer porcaria, mais o Crowley, satisfeitos da vida. Mas sabem o que é que acontece mais? Há uma personagem que regressa de Oz (não estou a brincar), aparece a mãe do Crowley (continuo a não estar a brincar) que é a bruxa mais poderosa de sempre (a sério), Sam consegue humanizar Dean (como é óbvio), e o mais parecido que há com uma nova ameaça são os Styne, que são na realidade a família Frankenstein (yap, isto acontece).

É isto. Não preciso de mais argumentos, para apontar o ridículo da situação, e é uma pena que esta série se tenha tornado nisto. Até voltei a ter algumas esperanças com o último episódio, em que Dean, incapaz de resistir à marca de Cain, que o está a transformar não tão lentamente quanto isso num selvagem sedento de sangue, faz um acordo com a Morte: ele mata o Sam (yay!) e a Morte envia-o para um planeta longínquo, onde não possa fazer mal a ninguém. Dean não pode morrer, graças à marca, portanto isto era um final duplamente agonizante, chocante e bom! Mas querem saber o que é que acontece?

Depois de tantas situações em que não fazem o que está certo para se salvarem um ao outro, e isso dar muito para o torto, o Dean arrepende-se do seu acordo, e MATA A MORTE! Não, a sério, ele mata-a com a sua própria foice. Mas calma, que felizmente o feitiço que a mãe do Crowley e companhia andavam a preparar para tirar a marca funcionou, e o Dean está livre! Só que no processo, libertaram a Darkness, que é uma nuvem gigante de fumo negro que aparece no horizonte e atropela os irmãos, seguros dentro do Impala.

O vilão da próxima temporada é uma nuvem de fumo. Era só isto.
Triste, é só triste. A única vantagem disto é que nunca ninguém vai fazer uma paródia desta série: ela já existe e chama-se as últimas cinco temporadas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Doctor Who [T8]


A oitava temporada da série é a segunda com Jon Pertwee no papel de Doctor, já completamente entregue à personagem. A naturalidade com que a encarna é extraordinária, e não envergonha a crueza da representação de William Hartnell, nem a versatilidade da representação de Patrick Troughton.

Ao mesmo tempo, esta temporada é importante para a série por várias razões: introduz o Master, introduz Jo Grant como nova companion, revela muito sobre o Doctor e volta a pô-lo a bordo da Tardis, e tem algumas das histórias mais espectaculares da série, largamente vistas como excelentes pelos fãs: logo a primeira, Terror of the Autons, e a última em particular, The Daemons.

Eu achei que todas as histórias estiveram bastante acima da média, o que não é fácil nesta série. Acho que a redução de número de histórias por temporada, na transição de Troughton para Pertwee, foi uma boa jogada, que permitiu ter temporadas mais equilibradas e menos cansativas.

A primeira história, como já disse, é Terror of the Autons, que reintroduz os icónicos Autons, vilões que regressariam para atormentar o Ninth Doctor de Christopher Eccleston, no primeiro episódio da nova série. E logo ao início, o primeiro defeito, que muito me chateou: a companion da sétima temporada, Liz Shaw, por muito instável que fosse enquanto personagem, simplesmente desapareceu de cena, para ser substituída por Jo Grant, e ainda por cima com uma desculpa ligeiramente idiota (ainda que ligeiramente legítima).


É uma pena que uma personagem tenha sido assim tratada, mas Doctor Who tem um longo historial de tratar mal alguns actores, por um motivo ou por outro. O outro problema aqui foi que a nova companion era muito fraquita. Uma personagem irritante, vagamente interessante, mas que ficava em apuras praticamente uma vez por episódio, sem acrescentar absolutamente nada à acção, nem ao enredo.

Ao mesmo tempo, esta é a primeira história em que o Master aparece, interpretado pelo incrível Roger Delgado, e não tem direito a uma introdução decente. Gostava de ter visto algo mais calmo, que desse tempo para nos habituarmos à personagem, antes de estar a confrontar o Doctor. É que Delgado tem uma representação muito intensa, e o Master tem realmente um ar pérfido e carismático, mas parece que foi enfiado à pressão na história.

Os episódios, no entanto, desenrolam-se bem. Estão bem feitos e têm um bom argumento, o que também não era tão fácil quanto isso, nos primórdios da série. Gostei particularmente de ver Pertwee e Delgado a interagir, ambos excelentes actores com excelentes personagens, e a demonstrarem um fantástico funcionamento conjunto.

Nos momentos finais, o Doctor troca uma peça da Tardis do Master pelo equivalente da sua própria Tardis, que está avariada, e lança assim o primeiro arco narrativo a sério do programa. De tal forma que o Master volta a aparecer em todas as histórias desta temporada!


Mas antes disso, vamos à segunda história, The Mind of Evil, que tem uma boa premissa: uma prisão usa uma máquina que extrai o Mal dos criminosos, com o intuito de os reabilitar. Os resultados não são muito bons, já que a única coisa que conseguem é que algumas pessoas morram, literalmente, de medo. O que também é uma boa ideia e uma boa utilização do conceito desta história.

E é aqui que se descobre algo muito interessante sobre o Doctor, que quando confrontado com a máquina que confronta as pessoas com os seus piores medos, vê fogo. Não sei de nenhuma razão em particular para isto, e tenho esperanças que o assunto ainda seja abordado, mas é interessante! O Doctor, que já viu, viveu, e enfrentou tanta coisa, tem medo de fogo. Pode até ter sido uma escolha pouco pensada e semi-aleatória da produção, mas funciona perfeitamente que o homem que tantas adversidades já venceu, muitas vezes apenas com o seu intelecto, fique aterrorizado com uma força imprevisível e irracional como o fogo.

No meio desta história, que também está muito bem conseguida, o mais interessante acabam por ser os encontros entre o Master e o Doctor. Outra vez. A relação dos dois é realmente muito estranha, entre o companheirismo de irmãos e a rivalidade de inimigos mortais. Um bocado inversa à relação que o Doctor tem com o Brigadier, que é uma das mais estranhas que já vi em ficção.

Na história seguinte, The Claws of Axos, aparecem uns aliens perturbadores, o Doctor revela a sua pouca paciência para aturar soldados, e a Jo torna-se mais interessante ao revelar a sua pouca paciência para aturar machismos. E o Master, sempre incrível, até colabora com o Doctor, sem que nenhum dos dois revele as suas verdadeiras intenções ao fim!


Muito bom mas, na minha opinião, é uma história que fica na sombra de A Colony in Space, que é bem melhor. Cá temos o Doctor novamente a viajar na sua Tardis, ainda que seja como pau mandado dos Time Lords. E cá temos uma história bem construída, bem explorada e bem conseguida. Todos os actores envolvidos fizeram uma excelente trabalho a demonstrar a luta inglória de uma colónia terrestre contra uma agressiva empresa de extracção de minério.

Não há cá acordos, nem nada que se pareça. Até tentam, mas redundam sempre na mesma coisa: porrada, traições e esquemas para mostrar quem é que manda. E como se isto não bastasse, existe ainda uma raça alien com uma história muito mais interessante do que parecia à primeira vista, e com um papel surpreendente no desenrolar da acção.

O final, esse, é impressionante a todos os níveis, e para todas as partes envolvidas. Gostei bastante destes episódios!

Ainda assim, foi a história final que me arrebatou completamente. The Daemons, considerada há décadas como uma das melhores histórias que Doctor Who já viu. Não discordo. Tem o melhor Roger Delgado até ao momento, e um argumento tão bem escrito que envergonha o resto da temporada. A luta aqui é mais ideológica do que outra coisa: ciência contra magia. De um lado o Doctor, céptico até às últimas, do outro quase toda a gente, levados por superstições e supostas manifestações sobrenaturais.


A parte interessante é ver o Master a conduzir rituais místicos. A minha primeira reacção foi “mas que raio”, a segunda foi “oh, wow, então é isso”, e quando os demónios, perdão, os daemons começaram a aparecer, a minha reacção foi “é melhor que me expliquem isto!, mas não agora, que quero ver o que vai acontecer”. Não estou a brincar. Finalmente uma história sem falhas, que nos conduz de um episódio para o outro sem perder o interesse e que tem uma explicação muito clarkiana. Aliás, o episódio final está recheado de momentos incríveis, e termina com o Doctor, sempre sábio, a dizer que “There's magic in the world after all!”, num óptimo contexto.

Tudo junto, isto faz desta temporada a melhor até agora, ainda que não com o melhor Doctor (William Hartnell continua imbatível, se querem que vos diga). Importante é ver onde é que isto vai dar, e como é que vai ser a próxima temporada, que também tem vários episódios famosos. Por agora estou mais do que satisfeito!