Título: Liga da Justiça: Terra Dois
Argumento: Grant Morrison
Desenho: Frank Quitely e Ed McGuinness
Cores: Laura DePuy, Wildstorm FX e Dave McCaig
Arte-final: Dexter Vines
Tradutor: Pedro Miranda
Sinopse: Eles são os mais poderosos super-vilões que o mundo já conheceu: Ultra-Homem, Coruja, Super-Mulher, Johnny Quick e Anel de Poder - o Sindicato do Crime da Amérika! Nunca ninguém conseguiu ameaçar o reino de corrupção global que controlam... até à chegada duma equipa de super-heróis que parecem ser o reflexo distorcido da sua imagem, vindos dum universo paralelo perverso - a Terra 2! Serão eles capazes de derrotar esta "Liga da Justiça", e assim evitar que o Mal perfeito e estável do seu mundo caia, vítima da tirania da Liberdade, da Lei e do Bem?
Opinião: Antes de começar de facto a minha opinião sobre este livro, queria só dizer que acho que a noção de "introdução" ainda escapa a muita gente. Neste livro há uma. De José Hartvig de Freitas. Uma introdução que eu comecei a ler, contentíssimo, até que cheguei a um parágrafo bastante especial: naquelas linhas, foi-me contada TODA a história do que eu ia ler a seguir.
Hum... O que raio se passou? Que pessoa é que escreve uma introdução em que dedica um parágrafo a contar TODO o enredo? Que editor, ou seja lá o que for, é que deixa passar isso para um livro que vai publicar? É que nem sei! Nem sei!
Mas passemos a coisas interessantes. Logo uma das primeiras cenas é uma nave espacial a despenhar-se, de onde sai um Luthor com uma armadura de aspecto perigoso, e que diz uma das primeiras linhas de diálogo mais badass de sempre: "Tu és humana. Eu sou Luthor. Agora... Onde é que posso encontrar o pessoal dos super poderes?"
Fantástico, absolutamente fantástico.
A história do livro tem um Luthor bonzinho, de um mundo alternativo, a visitar o nosso, para pedir ajuda à Liga da Justiça para derrotar o Sindicato do Crime, uma Liga da Justiça maléfica.
É uma história com potencial que teve uma grande importância na altura, por causa da história dos universos paralelos, que permite aos argumentistas resolverem problemas narrativos, fazerem reboots e companhia limitada, sem qualquer tipo de problemas. Como costuma dizer um amigo meu "a DC, quando tem alguma história que corre mal, ou quando alguém morre, ou assim, BAM, universo paralelo, problem solved".
Bem, é um bocado isso. Ou parece, a mim que não acompanho os comics.
Mas confesso que fiquei desapontado com esta história. Não sei se é por não me conseguir situar numa mentalidade em que isto é completamente inovador, mas o argumento pareceu-me demasiado simples. Quase infantil.
Talvez tenha essa ideia em parte por causa de alguns pormenores que não têm nada a ver com a história, mas com a mitologia da DC em geral.
Por exemplo, foi a primeira vez que li uma BD com um Lanterna Verde em acção, e embora tenha momentos bons, como usar macacos voadores, à là Oz (a bruxa era verde e tudo!), acho sempre que aquele anel é completamente idiota. Quer dizer, o super poder. Podem criar o que lhes apetecer, com a força de vontade. Um bocadinho overpowered, não? É como o Super-Homem, que é praticamente um deus entre mortais.
E depois, claro, têm que ter algum tipo de fraqueza ridícula. O Super-Homem tem os pedaços do seu planeta natal, e o Lanterna Verde tem... amarelo. A sério. A fraqueza dele é o amarelo. Não consegue fazer nada a coisas amarelas, e pode ser derrotado se alguém lhe despejar um balde de tinta amarela em cima, porque ele fica sem poderes. Nem sei o que dizer.
Isto foi tudo relativamente à primeira história, mas a segunda também é interessante. Tem até um enredo mais interessante, ainda que seja bastante confusa e comece, literalmente, a meio da acção, sem que se explique nada, o que talvez seja por causa de falta de contexto de alguns números atrás, ou algo do género.
Nem vou comentar é a forma aleatória como tudo acontece. No fim não se percebe grande coisa, mas talvez seja culpa da tal falta de contexto. Mas hey, há uma equipa diferente, uma Liga da Justiça africana, pelo que percebi, bastante original e interessante. Gostava de saber mais.
No fim, o livro fica a saber a pouco. Nenhuma das histórias é realmente extraordinária, e fica a faltar aquela satisfação de se ter lido uma boa história de super heróis, o que é pena, tendo em conta o potencial que havia para aqui.