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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

X-Men Origins: Nightcrawler



Argumento: Adam Freeman, Marc Bernardim
Arte: Cary Nord, James Harren, Chris Sotomayor

Opinião: Ao contrário de Jean Grey, o Nightcrawler sempre foi dos meus X-Men favoritos. Poucos são os mutantes como ele, com uma história realmente profunda e trágica por detrás, e uma personalidade encantadora.

Além de que é dono de um humor incrível, e consegue ser a personagem mais católica e "boazinha", apesar de ter o ar mais demoníaco de sempre. É um aparente paradoxo bastante interessante. E tudo isso ainda é realçado pelo facto de ser praticamente um anjo vingativo. Personagem mais completa que esta também é complicado...

E depois a arte é fantástica e assenta na perfeição na história, que é uma impecável história de origem, trágica e intensa, e que dá explicações para muitas das coisas que se conhecem da personagem.

A forma como lida com a aparência e os poderes de Kurt Wagner - nome "real" do Nightcrawler, que também tem uma explicação neste comic - é muito curiosa e está surpreendentemente bem feita. Seria fácil cair na parvoíce ou no demasiado óbvio, mas tanto o argumento como a arte resolve bem todos os problemas e ainda brinca com a situação.

Outra coisa que gostei de ver foi uma explicação para a fé acirrada de Kurt, uma das suas características mais marcantes ao longo dos anos e das várias histórias em que aparece. É incrível como lhe conseguiram dar um toque realista e verdadeiramente humano, fugindo ao cliché mutante, um bocado à semelhança do que o outro Origins fez com Jean Grey.

Definitivamente aconselhado, e um one-shot que irei reler várias vezes. É bom encontrar estes pequenos tesouros, que não são super chamativos nem nada que se pareça, mas que conseguem ser marcantes e muito bons, no meio de toda a sua simplicidade.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

X-Men Origins: Jean Grey


Argumento: Sean McKeever
Arte: Mike Mayhew

Opinião: Ao mesmo tempo que é uma das personagens mais interessantes do plantel mutante, Jean Grey sempre foi das que menos me chamou a atenção. Não sei bem porquê, mas sempre foi uma personagem demasiado inocente e fora do contexto para aquele grupo.

E isto é injusto, eu sei bem. A Jean é uma personagem bonita, inteligente e extremamente poderosa, além de ser uma mutante que passa despercebida fora da escola do Professor X, e que assim poderia ter uma boa vida. No fundo, é alguém deslocado dentro dos X-Men, que são um grupo de pessoas deslocadas da sociedade!

Ou seja, esta ainda é das personagens mais dramáticas do grupo. E mesmo assim nunca fui fã. Por isso foi com o pé atrás que li este one-shot sobre as suas origens, pé que tive rapidamente de trazer para a frente logo após as primeiras páginas.

A começar pela arte, que é bastante realista e tem expressões faciais particularmente boas - tirando a semelhança perturbadora, numa das páginas duplas, com uma colega minha de faculdade - o que é de louvar numa BD da Marvel, ou pelo menos das que tenho lido nos últimos tempos.

No entanto, talvez por ser demasiado realista, às vezes dá demasiado a ideia de ser estática, o que estraga um bocado o efeito. É complicado de explicar, mas as BD's costumam transmitir uma certa ideia de movimento, e aqui parece que não há, quase como se estivesse a olhar para quadros numa parede, um bocado como em Marvels, mas sem ter um efeito tão bom.

Depois a história é interessante! Gostei honestamente, e não estava nada à espera. Jean Grey revela-se uma personagem com alguma profundidade e uma dimensão humana que às vezes falta aos outros X-Men fora do habitual "sou um mutante e portanto renegado pela sociedade, mas sou mais humano que vocês".

Algumas das partes mais curiosas são as sequências dentro da mente dela, e ver como é que o Professor X interage com ela. Está perfeitamente de acordo com ambas as personagens e com aquilo que conheço da sua relação no futuro, o que indica um excelente trabalho de Sean McKeever ao escrever este argumento.

Para terminar, e para minha própria surpresa, aconselho a leitura deste comic, embora deva ser complicado de arranjar. Mas procurem que vale a pena!