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sábado, 30 de janeiro de 2016

Uma Nova Era (Marvel Salvat #3)


Argumento: John Ney Rieber
Arte: John Cassaday
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Capitão América. Outra vez. Parece espantoso que com todos os problemas que tenho com a personagem, me cheguem às mãos tantos livros dele. Aparentemente, é um dos favoritos por esse mundo fora, provavelmente por causa do enorme favoritismo que tem nos EUA, quase exclusivamente derivado do seu valor patriótico.

Esse ausência de valor enquanto personagem sempre me chateou. Para além de ser um símbolo e uma personagem basicamente perfeita, há ali pouco sumo, digamos assim. Só que tem sorte, pois com tanta visibilidade acaba por ter uma quantidade de histórias e de equipas criativas enorme, o que significa que só com muito azar e/ou incompetência é que não se arranjavam algumas coisas decentes!

Felizmente este livro consegue ser um desses casos felizes. Calma, continua a não ser nada de extraordinário, mas tendo em conta que é um livro do Capitão América... Estou impressionado.

Ah, e melhor ainda. Este podia muito perfeitamente ser o pior livro do Capitão América de sempre, já que começa com a personagem a lidar com as consequências do atentado de 11 de Setembro de 2001. Sim, a personagem mais patriótica de sempre num dos momentos mais emocionais de sempre da nação que representa. Sabem que cheiro é este? É patriotismo. Este livro exala disso.

Mas John Ney Rieber, o argumentista, consegue fugir, em grande parte, a essa faceta, e escreve uma história que serve de homenagem às vítimas e mensagem de esperança para toda a gente. Não é uma história perfeita, longe disso, mas mostra o Capitão América a ser uma pessoa real, como apenas raramente acontece. E só por isso, até vale a pena espreitar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Wolverine: Origem #2



Argumento: Kieron Gillen
Arte: Adam Kubert
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Não é péssimo... mas anda lá perto. Já estava de pé atrás, graças ao primeiro volume, mas ainda tinha alguma esperança. O principal problema tinha sido um Wolverine completamento desprovido dos traços característicos da personagem. Aqui já não era suposto existir esse problema, portanto havia a possibilidade de as coisas correrem bem.

Mas pelo menos em termos de história. não correu. As personagens até são interessantes, assim como a luta de Logan com o seu eu bestial não tão interior quanto isso, mas o enredo é demasiado óbvio e a introdução dos Creed é feita a martelo e força o engano dos olhos dos leitores, de forma tão óbvia que dói (embora já me tenham dito que isso é só problema de eu já conhecer relativamente o Wolverine enquanto personagem).

Enfim. Safa-se a arte, que é verdadeiramente espectacular, principalmente nos momentos iniciais, quando ainda temos um Logan/Wolverine selvagem, a viver com lobos e a matar ursos. Mas de resto, digamos que não me fica na memória...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Vingadores: O Último Acto (Marvel Salvat #2)


Argumento: Brian Michael Bendis
Arte: David Finch, Danny Miki, Frank D'Armata
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: Começo a achar que as histórias dos Vingadores não têm muito para me dizer. Para além de sofrerem de um óbvio problema de chefia (o verdadeiro super-poder do Capitão América é, na realidade, a liderança), não me conseguem cativar de uma forma geral.

Grande parte vem do facto de não fazerem sentido. São a maior e mais poderosa equipa de super-heróis de sempre, e deixam-se enganar, vez após vez, por coisinhas menores.

Neste caso há uma personagem que volta a fazer das suas e que já não me surpreende (a sério, quantas vezes é que vão ter de morrer quase todos, antes de perceberem?

Enfim, o livro não é completamente desinteressante e tem uma boa premissa: as desgraças começam a acontecer em catadupa, tudo em cima dos Vingadores, sem que alguém faça a mínima ideia do que se passa realmente.

Até morrem alguns dos Vingadores, incluindo personagens mais ou menos não-secundárias. É um ponto positivo, dar consequências reais e palpáveis aos acontecimentos do passado. Digamos que é daquelas coisas que eu procuro sempre em qualquer história que veja/leia/oiça/o-que-quer-que-seja. Densidade narrativa, logo a seguir à coerência narrativa.

Este livro falha um pouco em ambos os campos e nunca deixa de ser um livro razoável. Tenho sempre pena destas coisas, pois até costumam ser histórias com bastante potencial, como este.

Ainda por cima o fim deixa mais do que um pouco a desejar. Há tantas personagens envolvidas em cada página, que não é fácil seguir e acompanhar toda a gente, o que não é bom. Pelo menos o úlimo capítulo está bem feito, graças à arte original de cada uma das histórias mencionadas, numa iniciativa que merece ser louvada!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Regresso às Origens (Marvel Salvat #1)


Argumento: J. Michael Straczynski
Arte: John Romita Jr.
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: A minha primeira leitura nesta fantástica colecção da Salvat! E logo a começar com uma boa história do Homem-Aranha, que altera a sua origem de forma retroactiva, ainda que introduzindo alguns elementos que não me agradaram por aí além. 

Pelo menos estão pensados e a coisa foi bem feita. Os diálogos estão bons, especialmente as constantes piadas do próprio homem aranha, igual a ele próprio e uma das personagens com uma representação mais consistente nos comics. Acho que nunca vi ninguém a falhar a essência da sua personalidade. Falharem o Peter Parker é o pão nosso de cada dia, mas o Homem-Aranha? Sempre impecável!

O vilão, Morlun, é intenso e consegue ser assustador, e a introdução de Ezekiel, mais um tipo com poderes de aranhiço, levanta mais questões do que respostas, e embora um dos elementos de que eu não tenha gostado muito tenha sido, exactamente, a história que este conta (e que explica a perseguição que Morlun faz aos heróis aranha), a verdade é que toda a conversa dos totems me deixou muito, mas muito curioso.

Por outro lado, é de destacar o próprio Ezekiel, que merecia as suas próprias histórias... tanto potencial num herói que se recusa a ser herói!

No final, a tia May descobre que o sobrinho querido é o homem aranha, e só acho mal que eu vá ter de esperar tanto para descobrir as consequências. Mas é um óptimo começo para a colecção!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Wolverine: Origem #1


Argumento: Paul Jenkins
Arte: Andy Kubert, Richard Isanove
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Wolverine é um dos meus super heróis favoritos. Se não mesmo o favorito. O seu tipo de humor, bem como o seu típico mau-humor, são características mais do que suficientes, mas o passado misterioso, a personalidade complexa, e o estatuto de badass ainda melhoram a situação.

Por isso este livro é ao mesmo tempo algo que sempre quis ler, e algo que nunca quis ler. Se por um lado sou fascinado por histórias de origem, revelar a origem do Wolverine sempre foi, para mim, como revelar a origem do Joker: algo que estraga a personagem, uma vez que parte do interesse vem exactamente da ignorância em que somos mantidos quanto aos detalhes.

Será que é mesmo preciso haver razão para a loucura do Joker? Um motivo, que o tenha tornado louco? Porque é que não o consideramos simplesmente um psicopata fã de caos, intrinsecamente maléfico? Não será isso mais interessante do que vermos que ele era uma pessoa normal a quem foram dados motivos para se tornar naquilo que é?

E o mesmo se passa com Wolverine. Grande parte das suas histórias dependem exactamente de não só o leitor, como o próprio Wolverine desconhecer o seu passado. Dá-lhe uma certa liberdade, torna-o mais intenso enquanto personagem, e adiciona-lhe camadas mentais de complexidade que seriam impossíveis de outra forma.

Mas a curiosidade sempre foi o meu ponto fraco, portanto peguei no livro e não desgostei tanto quanto estava à espera, mas não fiquei muito agradado. Embora interessante, há pormenores da história que são tão óbvios que metem dó. E a origem de Wolverine é menos do que... digna. A evolução da narrativa não é má, e compensa em parte o que acontece (ao mesmo tempo que explica, desnecessariamente, a sua futura fixação com ruivas), mas esta não é uma história que me vá ficar na memória.

É que esta é uma história do Wolverine em que falta aquilo que é essencial às suas histórias: o Wolverine tal como o conhecemos hoje.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Agents of S.H.I.E.L.D. [T2]



Ah, Coulson, Coulson, Coulson. És realmente qualquer coisa de especial. Não sei como é que o actor, Clark Gregg, relativamente pouco conhecido como era, tem conseguido manter uma das melhores personagens do Universo Cinemático da Marvel com tanta qualidade! O apreço por ele é praticamente unânime por entre os fãs, o que é para lá de ridículo.

Mas compreensível. O homem faz da personagem o que quer: Coulson é um tipo porreiro, com um carisma imbatível, uma confiança praticamente inabalável, e um nível de espectacularidade bem acima da média. O facto de existirem várias personagens bastante boas não o prejudica nem por ele é prejudicado, pois consegue dar o lugar a quem de direito, e manter-se fixe, em segundo (e até terceiro e quarto) plano.

Podia ficar aqui bastante tempo nisto, mas ia acabar por escrever odes a esta personagem, em vez de dizer algo de interessante sobre a série, portanto vamos lá a concentrar.

Esta segunda temporada já não tinha a muleta da novidade, nem a de servir única e exclusivamente para expandir um Universo já criado. Depois de tudo o que aconteceu até agora, e de todas as revelações que já foram feitas, esta temporada já estava sentada no seu próprio espaço, com uma mitologia própria (ainda que integrada num mundo mais vasto) e um conjunto de regras específicas.

Para começar foge claramente dos filmes no ponto mais óbvio: quando falamos de grandes vilões estamos literalmente a falar de grandes entidades maléficas como a Hydra e conspirações afins, e não de super-vilões apenas derrotáveis por super-heróis com poderes vistosos.

O que faz todo o sentido, lá está: Agents of S.H.I.E.L.D., mesmo incluindo pessoas com poderes, nunca foi sobre super-heróis e nunca o será propriamente. Mais do que salvar o mundo, o objectivo é fazer o que está certo, tanto uns pelos outros como por toda a Humanidade, com uma ênfase ao mesmo tempo mais particular e mais geral.

Para fazer isso, a primeira temporada tentou balançar a ficção científica em que assenta o Universo Marvel com o desenvolvimento das personagens, que se quiseram fortes desde o início, com mais ou menos sucesso. No início desta temporada as coisas estão muito diferentes, há personagens que se revelaram como completamente diferentes daquilo que esperávamos, outras que sofreram consequências inimagináveis, e todas sem excepção têm que lidar com as escolhas que foram feitas.

O fantástico desta segunda temporada está nisso mesmo: apesar de (mais do que) ocasionalmente morna, a história andou a um bom ritmo e não se limitou a introduzir situações novas. Em vez disso continuou a desenvolver as antigas, porque elas não desapareceram nem ficaram magicamente resolvidas. Tal como acontece realmente! As mazelas foram e são demasiado grandes para serem simplesmente ignoradas, e raramente o são.

Depois as principais linhas narrativas são todas interessantes por si só e confluem de forma bastante inteligente, se querem que vos diga. Uma segunda S.H.I.E.L.D., nascida das mesmas cinzas da S.H.I.E.L.D. que temos estado a acompanhar, os Inumanos (introduzidos vários anos antes de terem direito a um filme seu, o que ainda me deixa espantado e me diz que a Marvel tem grandes, GRANDES, planos para este grupo), os resquícios da Hydra, os poderes de Skye... E por aí fora.

(a forma como convergem não vos digo, para não perder o interesse)

Aquilo que mais afectou a temporada e lhe tirou bastante do seu brilho, foi mesmo um problema intrínseco à série: o número de episódios. Vinte e dois é demasiado, e a sensação que tenho é que o argumento se aproveita disso para arrastar algumas coisas que não deviam ser arrastadas, e assim dar origem a vários episódios bastante medianos. Obrigar a malta criativa a contar as suas histórias em metade dos episódios, para além de desafiante e de implicar incluir menos coisas, seria uma forma bastante fácil de tornar a série melhor.

É que nem só de Coulson vive a série, e por muito que o Fitz, a Simmons, a Bobbi, o Hunter, o Mack, a May, a Skye, e as outras quinhentas mil outras personagens que por lá andam, se esforcem, precisavam de episódios mais intensos e mais bem planeados.

Mas a temporada acaba bem, depois de todos os conflitos evoluírem e evoluírem e evoluírem, incluindo o pai da Skye, que vemos finalmente na sua forma monstruosa (ou pelo menos a caminho). Pelo menos a mim, deixou-me interessado, falta ver se a coisa se concretiza como deve ser na próxima temporada, ainda em Setembro deste ano.

sábado, 25 de abril de 2015

Estantes Emprestadas [16] - Universos Partilhados


O Joel é um tipo fantástico. É mais um amigo/colega da Oficina de Escrita que recruto para esta rubrica, e mais um que de certeza me vai responder de forma espectacular. Dono de um humor peculiar, mas fantástico, e de uma imaginação sem limites, podem segui-lo principalmente pelo seu site e restantes links que por lá encontrarem. Acreditem que vale a pena. Já o entrevistei, já lhe li algumas coisas mais pequenas, e outras assim a dar para o maiorzito, além de todos os contos que submeteu para a Oficina, e sou fã. Vocês preparem-se!


Tenho um fraquinho por Universos partilhados. Nem vale a pena tentar esconder. Há qualquer coisa no conceito de algo maior onde todas as histórias cabem, que me fascina. Aquela sensação de continuidade ao longo de vários livros independentes, ou que atravessa vários episódios de várias séries diferentes... É qualquer coisa.

Já tentei muitas vezes tentar perceber o porquê, e ainda não tenho a certeza. Mas em parte só pode estar relacionado com a forma como esses Universos me deixam mergulhar mais completamente nas histórias. Mais que não seja porque o autor teve que pensar em muito mais do que apenas aquele livro e aquela história, tornando-a assim mais coerente e mais forte.

Por outro lado tem a ver com fascínio puro. É quase como uma mitologia. Uma história muito maior do que aquela que estiver a ler naquela momento, e que de certa maneira tem influência em tudo. Já para não falar dos pormenores que vão surgindo aqui e ali, por vezes de tal forma subtis que passam completamente ao lado até sabermos da história toda.

E nessa altura, tudo faz sentido. Pode ser uma explicação dada pelo autor numa entrevista, ou uma situação demasiado óbvia noutro livro, mas dá-se aquele click e todo um novo mundo universo se abre diante de nós!

Querem um exemplo simples e porreiro? A Middle-Earth de Tolkien. Não exemplos muito melhores de um enorme Universo dentro do qual o autor inseriu (quase) todas as suas histórias. Funciona? E de que maneira! Tolkien é um caso particular, que o mundo que ele criou é particularmente detalhado e ele foi particularmente meticuloso nos seus livros, mas não deixa de ser representativo por causa disso.

Aqui está um bom exemplo de um autor que cria um universo e depois escreve histórias sobre o que se passa nesse mundo. Adopta diferentes (mais ou menos, vá) pontos de vista, aborda diferentes (mais ou menos, vá) histórias e consegue realmente construir toda uma mitologia, digamos, funcional.

Outro caso completamente diferente é o de Stephen King, que não só é um dos meus autores favoritos, como foi um dos primeiros de cujo Universo partilhado me apercebi. Isso acontece porque ainda não li nada de Dark Tower, saga na qual já me prometeram existir todas as ligações/explicações e mais algumas; e também porque King o faz de forma extremamente subtil. Pelo menos nos livros que li.

Para começar, nem todos os livros precisam de estar inseridos nesse Universo. Depois a forma como o faz é com a introdução das mesmas personagens uma e outra vez em vários livros diferentes, muitas vezes sem qualquer relevância para o enredo. Ou então um vilão que nunca é bem explicado num livro mas que faz todo o sentido para quem tiver lido o segundo.

Mas isto não fica por aqui, que continua a existir muita gente a insistir neste fenómeno, que é de facto extraordinário. E difícil de cumprir. Mas há mais um autor que faz isto muito bem (acho eu, que ainda não lhe li assim tanto quanto isso): Brandon Sanderson. Este tipo sim, é subtil. Uns nomes largados aqui, uns nomes largados acolá, países e cidades e raças estranhas, sempre no tom simples, calmo e divertido que usa sempre.

Quando descobri, depois de ler a trilogia Mistborn, que todos os seus livros estavam de alguma forma relacionados uns com os outros. Não imaginam a minha excitação!

Fora da literatura também há coisas interessantes, embora alguns casos tenham que ser abordados com uma mente aberta, pois não são bem Universos partilhados, ainda que o sejam. Como por exemplo, Doctor Who, que eu consigo sempre, de alguma forma, usar para explicar ou falar sobre alguma coisa. É incrível. Mas bem, Doctor Who, a série?

Errado. Doctor Who, a série, o filme, os livros, as bandas-desenhadas, os jogos, etc, ok? A grande diferença é qual a abrangência da partilha. Tolkien partilhava o seu Universo pelas várias histórias que escrevia; Doctor Who, por outro lado, partilha a sua história por uma série de meios, desde a série original até às bandas-desenhadas que ainda não saíram, existe de tudo um pouco!

E não nos podemos esquecer dos grandes Universos dos pesos pesados das BD's americanas: Marvel e DC. É fácil de esquecer que sejam realmente Universos partilhados, mas são, e dos bons! Bem, pelo menos dos mais completos, ainda que também dos mais incongruentes.

O mais incrível ainda consegue ser o que se faz por cá. Milagre, não? Um bocado. Mas a Imaginauta esforça-se, em parte, exactamente para contrariar esse preconceito: histórias são boas, ficção especulativa é boa, universos partilhados são bons. Deixai-os andar!

Tudo isto para vos mostrar que estes Universos andam por aí, muitas vezes escondidos nos detalhes, de tal forma que até passam despercebidos. E também que valem a pena. De certa forma, este tipo de Universos, depois de descobertos, quase que obrigam a um certo investimento da parte dos leitores, que começam a sentir que fazem parte. Pelo menos é o que me acontece a mim.

E além disso, esses Universos partilhados servem como base para muita coisa, e acabam, de vez em quando, por sustentar completamente várias histórias. Ou então dão uma nova profundidade a determinado livro. Como por exemplo, ao Hobbit, que é porreiro por si só, mas que quando lido sabendo tudo o que sabemos sobre a Middle Earth se torna muito melhor.

Mas ainda falta falar de uma coisa: os Universos partilhados que não o são realmente. Ou se preferirem, os Universos partilhados que são feitos à força pelos fãs. Aquelas ligações estranhas que se fazem entre as coisas, seja por coincidência seja por vontade deliberada de alguém. Já vos aconteceu? E a ti Joel?

Por favor digam de vossa justiça, e fiquem à espera da resposta do Joel, que será de certeza bastante interessante!

sábado, 4 de abril de 2015

Colecção "Universo Marvel"


As minhas expectativas para esta colecção eram medianas. Era a primeira vez que ia fazer uma colecção de BD deste género do princípio ao fim, o que me deixou ansioso. Muitos dos títulos agradavam-me bastante, o que me deixou mais ansioso. Mas conheço bem a tendência da Marvel para, digamos, exagerar e publicar algumas coisas com um padrão de qualidade bem reduzido.

Mas achei que valia a pena. Capa dura, com a qualidade da Levoir, que nos últimos anos tem apresentado colecção atrás de colecção de forma impecável, e pelo menos algumas histórias que já sabia que não me iam desapontar.

O que aconteceu foi curioso. Se por um lado aconteceu aquilo que eu esperava - dar de caras com livros francamente abaixo de medianos - por outro também tive algumas surpresas bastante agradáveis.

Por exemplo, gostei bastante dos dois primeiros livros, com a história do Soldado do Inverno, que originou o mais recente filme do Capitão América. Não sendo fã da personagem (aquele patriotismo e virtuosismo todo faz-me comichões), fiquei honestamente surpreendido com a qualidade da história e da forma como está construída.

A Última Caçada de Kraven também se revelou um dos melhores, embora eu esse já esperasse, que só via muito boas críticas por todo o lado. O Marvels, por outro lado, tinha-me deixado ligeiramente mais duvidoso, apesar de também ter visto críticas fantásticas. A premissa interessava-me, mas não a estava a ver a funcionar. E no entanto tive que me render: é um livro fenomenal.

Dias de um Futuro Esquecido teve a sorte de ser praticamente uma história da minha infância, da qual sempre gostei, e que envelheceu muito bem. Mas nunca tinha ouvido falar de Triunfo e Tormento, e gostei. A capa deu-me logo a indicação de que aquilo era obra do Mignola, e que portanto havia de sair qualquer coisa interessante...

Depois tanto os Contos de Fadas Marvel e Mulheres da Marvel me agradaram, ainda que não como um todo. A ideia do primeiro é para lá de genial, e a execução da maior parte das histórias é perfeita, mas há outras que deixam a desejar. Com o segundo passa-se algo parecido, só que desta vez nenhuma das histórias me agradou por aí além: foi mesmo o facto de ver a arte de Milo Manara num contexto diferente (e ainda assim tão igual), bem a fantástica arte portuguesa que por lá anda, que me agradou.

O pico provavelmente chegou com Hulk: Cinzento, este sim uma verdadeira surpresa. Não sabia nada sobre o livro, a personagem de que estava à espera não me fascinava por aí além, e não vi nenhuma crítica relevante. Mas foi sem dúvida a melhor leitura desta colecção, uma autêntica obra-prima que consegue contar uma história altamente expressiva do Hulk, uma personagem normalmente representada com pouca expressividade. E o mais incrível é que a história ficou bem contada, cativante, e acompanhada de uma arte verdadeiramente impressionante.

Estes livros de que falei deixaram-me a pensar que a Marvel, quando se esforça, consegue produzir coisas muito, muito, mas muito boas. É uma pena que por cada Hulk: Cinzento existam uns dez Invasão Secreta, ou Vingadores para Sempre. Mas já não é mau.

Portanto, se tinha algum receio de me arrepender do dinheiro gasto, isso não aconteceu. Aliás, até me motivou a coleccionar os livros anteriores e próximos que possam surgir. São baratos (para BD de capa dura que até em inglês em capa mole fica bem mais cara), de boa qualidade, uma excelente forma de ficar a conhecer muitas coisas do Universo Marvel, e ainda por cima ficam bem nas estantes.

Raios vos partam Marvel. Raios vos partam Levoir. E obrigado.

Podem ver as opiniões todas aqui no blog:

quarta-feira, 25 de março de 2015

Agent Carter [T1]



Esta série tinha a tarefa ingrata de distrair os fãs de Agents of S.H.I.E.L.D. durante a sua pausa, mesmo depois de ter começado a ficar interessante. A sorte de Agent Carter foi a protagonista, há muito acarinhada pelos fãs.

Essa protagonista é Peggy Carter, a paixão do Capitão América durante o seu primeiro filme, e que aqui vemos a sofrer por essa mesma perda. Mas Carter não é simplesmente uma espécie de viúva, não, ela é uma excelente agente, melhor do que todos os seus colegas homens, e rapidamente se vê envolvida numa série de trapalhadas ao mesmo tempo perigosas, engraçadas e interessantes.

A maior parte dessas desventuras são culpa de Howard Stark, pai de Tony Stark/Iron Man, um engatatão de primeira, um génio de primeira, mas também um azarado/aselha de primeira. Parece que tudo o que inventa acaba por se transformar numa arma mortífera e altamente instável. Chega a tornar-se ridículo.


Logo no início da temporada (que é curta, com apenas oito episódios), Howard pede a Peggy para encontrar o que lhe roubaram do cofre: várias dessas experiências bem-intencionadas que deram para o torto. Nalguns casos, muito para o torto.

Peggy aceita, meio contrariada, mas tem que trabalhar às escondidas. É que Howard passa a ser procurado pela SSR (a agência de que Peggy faz parte). Felizmente tem alguma, Jarvis, o mordomo de Howard, mais uma personagem fantástica no meio desta série, sempre muito britânico, com uma mulher que nunca aparece no ecrã, capaz de safar o patrão de todas as situações possíveis e imaginárias, a maior parte delas... românticas.

Uma coisa que gostei muito nesta temporada foi ver tanta coisa comprimida em tão poucos episódios, de forma tão coerente. Muito pouco é apressado ou abordado da forma errada. Está tudo razoavelmente interligado, e acaba por ser explorado, de uma forma ou de outra, num episódio ou noutro, desde a aparição dos Howling Comandos às ligações ao passado da Black Widow.



Os episódios, esses, oscilaram um pouco entre fazer avançar a história e desenvolver as personagens. Não é um balanço fácil, e foi uma das maiores falhas da série, mas não correu demasiado mal. Apenas quebra um pouco o ritmo. Se em alguns episódios a velocidade é alucinante, com revelações (e desgraças) ao virar de cada esquina, outros são mais calmos e pausados, completamente focados numa personagem ou num conflito em específico.

De vez em quando também aconteceu durante os episódios. Momentos quase parados entre momentos extremamente movimentados. Mas isso nem me pareceu mal, permitiu avançar a história e também explicá-la com tempo. Ou seja, de forma individual, cada episódio conseguiu lidar bem com as duas coisas, só no geral, quando penso na temporada como um todo, é que vejo isso a falhar ligeiramente.

Algo extremamente positivo é a personagem principal, Peggy Carter, a justificar plenamente o apreço dos fãs do Universo Cinemático da Marvel. Peggy tem o ar típico de uma mulher dos anos 40, é tratada tal e qual como as mulheres eram tratadas - constantemente desprezada no seu trabalho, que é dominado por homens - mas tem uma personalidade extremamente atípica. É desenrascada, lutadora, confiante, e encara o clima de machismo com o maior desprezo possível.



A química entre Peggy e Jarvis? Sensacional! O duo funciona muito bem como equipa, e é sempre interessante vê-los a discutir um com o outro nos seus sotaques britânicos. Ou simplesmente ver Peggy a gozar forte e feio com o Jarvis, que se mantém sempre calmo e educado. Um verdadeiro gentleman.

Por outro lado, nem todas intrigas em que TODAS as personagens acabam por se ver envolvidas são interessantes. E algumas são secundárias o suficiente para me ter esquecido delas e não ter perdido nada com isso. Num programa com tão poucos episódios e com tanta coisa condensada, desperdiçar assim tempo de ecrã pareceu-me um desperdício.

No entanto, e depois de ter visto tudo, fiquei bastante satisfeito. Os colegas e o chefe de Peggy - todos eles boas personagens a vários níveis - acabam por lhe reconhecer o valor, com uma boa evolução ao longo dos episódios, e o enredo consegue desenvolver-se de forma suficientemente agradável para o meu gosto. Nem tudo foi perfeito, mas funcionou dentro daquele estilo da Marvel a que já me habituei. Foi bom ver as ligações com o resto do Universo Marvel.

Agora fico curioso para como será uma segunda temporada (se ela aparecer), e as portas que esta série abriu para outras séries e filmes... Eu sei que a Marvel já anunciou os próximos filmes, mas quem sabe se não decidem ter mais coisas sobre personagens sem poderes? Ou filmes inteiros como prequelas distantes que fazem sentido dentro da linha narrativa que estão a seguir?

Não sei! Mas tenho a certeza de que não foi a última vez que vimos a fantástica Peggy Carter, nem o fantástico Jarvis. E ainda bem!

sábado, 7 de março de 2015

Mais fácil do que uma crónica [4]



Vamos falar de novidades? Há coisas muito interessantes a acontecer um bocadinho por todo o lado (nem consigo falar de todas), e desta vez venho um bocadinho mais focado em filmes e séries.

No entanto, deixem-me começar pelas novidades aqui do cantinho. A tão prometida mudança de visual está demorada, e ainda é capaz de demorar um bocado, mas eu juro que me estou a esforçar para arranjar tempo! Também tenho mais algumas coisas planeadas, principalmente para aumentar a visibilidade do blog, mas tem que ser tudo com calma e paciência.

O que teve sucesso foram os meus pedidos desesperados por mais comentários, que andam em alta, alguns até por mail, e sempre muito interessantes. As minhas tentativas de socialização entre blogs também andam a ter resultados agradáveis, mas ainda é cedo e está-se a revelar mais complicado do que eu esperava.

Mas nada impede de já ter respondido ao desafio proposto pela minha namorada e ao (muito) estranho desafio proposto pela Alexandra Rolo. Espreitem que vale bem a pena!

No campo dos filmes, há algumas novidades importantes. De um lado tenho o Russel T. Davies a dizer que teria todo o interesse em escrever o argumento para um filme de Doctor Who, o que já me deixa excitadíssimo. Davies não só foi o responsável pelo regresso da série, quase vinte anos depois de ter sido cancelada, como esteve ao leme do programa durante umas fantásticas quatro séries que em muito contribuíram para a actual popularidade e qualidade de Doctor Who. Que o homem não se fique pela vontade!

Outra notícia que também me surpreendeu e que passou por todas as fases desde "estranhar" até "entranhar", foi a do novo filme sobre Sherlock Holmes, Mr. Holmes, com Ian McKellen no principal papel. A minha primeira reacção foi obviamente "deixem-no sossegado!", depois vi quem era o actor e "tão velho? mas o tipo é fantástico, por favor não me estraguem isto, deviam era ter ficado quietos, isto pode só pode dar asneira", e finalmente li a premissa e fiquei extremamente interessado.

Baseado em A Slight Trick of the Mind, de Mitch Cullin, o filme promete mostrar um Holmes envelhecido, já reformado, satisfeito a cuidar das suas abelhas, e a combater a velhice. O grande detective, em fim de vida, com problemas de memória? Se explorarem bem a angústia e a forma como o carácter frio e quase mecânico dele evoluiu durante os muitos anos que separam as suas histórias e a sua reforma, ainda por cima com Ian McKellen a fazer de Holmes... Vai ser um filme para me encher as medidas!

Por outro lado, esta era uma notícia de que eu já estava à espera. Era inevitável que a Marvel voltasse a ter alguns direitos sobre o Homem-Aranha, tendo em conta o sucesso dantesco dos seus filmes e a falta de sucesso dos filmes que a Sony fez com a personagem. Mas não deixa de ser interessante! Diria até que isto abre muitas possibilidades, e cada vez fico mais interessado na nova fase da Marvel, com as suas notícias de Black Panther, Ms. Marvel, Civil War, Ragnarok, Inhumans (que já estão a ser introduzidos na série Agents of S.H.I.E.L.D.!), Benedic Cumberbatch como Doctor Strange... Venham daí esses filmes!

Tirando filmes, estou a acompanhar várias séries, e uma em particular deixou-me muito viciado, muito rapidamente. Orphan Black. Clones atrás de clones, plot twist atrás de plot twist, momentos fantásticos atrás de momentos fantásticos... Uma autêntica montanha-russa que vale a pena acompanhar de perto. Podem ver o trailer da terceira temporada (estreia a 18 de Abril) ali em cima.

Para terminar, deixem-me só fazer um bocadinho de publicidade. É que uma das minhas colegas da Oficina de Escrita reuniu coragem para aprender a lidar com o Smashwords, publicou três contos e tornou-se oficialmente numa autora do Goodreads. É a Elsa Leal, também conhecida como Elsa "sou incapaz de escrever pouco" Leal. Leiam os contos que ela disponibiliza gratuitamente, que vale a pena!

Pelo caminho visitem também o Joel G. Gomes, também ele membro da Oficina, e também ele escritor de coisas muito interessantes, como podem ver aqui e também aqui. Além disso já o entrevistei. Acompanhem, leiam e comprem-lhe os livros, que vale a pena, também. Eu tenho ambos, assinados!

E para terminar em beleza, passem pelo meu perfil e gozem com a minha foto. Se ainda sobrar paciência, espreitem o meu conto na Antologia Fénix III. E mantenham-se atentos, que não há-de falar muito tempo para aparecer mais qualquer coisa!

Por hoje em tudo, espero que se sintam curiosos em relação a tudo o que vos mostrei. Daqui a uns tempos há mais.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #2: E então restou um (Universo Marvel #20)


Argumento: Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker
Arte: Olivier Coipel, Mark Morales, Laura Martin, Adam Kubert, John Dell, Larry Molinar, Justin Ponsor
Tradução: Paulo Moreira, Filipe Faria


Opinião: Tal como eu me lembrava, esta segunda parte é um bocadinho pior do que a primeira em muita coisa, principalmente por causa das tretas místicas. Não tenho muita paciência para a magia no universo Marvel, de tão mal explicadinha que é. O Dr. Strange é dos poucos heróis envolvidos nisso que suporto, porque ainda faz algum sentido, mas tirando isso...

E foi exactamente isso que apareceu nesta segunda parte. Até conseguiram obrigar o Iron Man a render-se à magia, como último recurso para derrotar a Fénix. Enfim.

Mas é nesta parte que há uma melhor evolução das personagens. O Iron Man sente-se mais culpado do que nunca, depois da sua tentativa de derrotar a Fénix ter resultado em fazer ainda pior, ao dividi-la por cinco mutantes que agora controlam, basicamente, o mundo. Esse sentimento é reforçado pela sua incapacidade em chegar a uma solução para resolver o assunto.

A forma como os cinco mutantes possuídos pela Fénix (Ciclope, Colossus, Namor, Emma Frost e Magik) evolui, caíndo cada vez mais rapidamente numa espécie de loucura e de alienamento de tudo o que os rodeia, também é muito interessante. São praticamente deuses, podem fazer o que muito bem lhes apetecer e modelar o mundo às suas vontades, portanto o que fazer mais? E como lidar com os Vingadores, agora pouco mais do que formigas para eles, que cada vez oferecem mais resistência?

Tudo piora quando estes cinco mutantes se começam a virar uns contra os outros, e as coisas descambam da pior forma possível. O final é interessante, e relativamente provocador. Deixa claramente em aberto o que vai acontecer a seguir, de tal forma este evento mudou a dinâmica das relações no universo Marvel, principalmente entre os X-Men e os Vingadores, e isso é bem visível nas histórias que se seguem (já li alguma coisa).

No geral, no entanto, este Vingadores vs X-Men fica um pouco aquém daquilo que eu esperava, por muito que a leitura me tenha entretido. Mas é também uma boa forma de terminar esta colecção, que me deixou com vontade de comprar as colecções anteriores a esta!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #1: O Dia da Fénix (Universo Marvel #19)


Argumento: Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction
Arte: John Romita Jr., Scott Hanna, Laura Martin, Olivier Coipel, Mark Morales
Tradução: Paulo Furtado, Paulo Moreira


Opinião: Já tinha lido esta história em inglês, e ficado fã. O plantel de argumentistas e de artistas é honestamente impressionante e mais do que razão suficiente para alguém se sentir minimamente curioso relativamente a este Vingadores vs X-Men. Ainda por cima com uma premissa com tanto potencial como ter as duas maiores equipas de super-heróis da Marvel a lutarem uma contra a outra, por causa da entidade cósmica conhecida como Fénix que já deu tantos problemas a tanta gente.

O início é exactamente esse. A Fénix vem aí. Os X-Men sabem-no e os Vingadores descobrem-no rapidamente, e não demora muito até estarem frente a frente, numa situação muito tensa que culmina no início das hostilidades entre o Capitão América e o Ciclope.

E o problema do livro começa aqui. Eu compreendo que é algo massivo que está aqui a acontecer, mas tudo se tinha resolvido se as personagens tivessem conversado como adultos para tentar resolver as coisas, em vez de se armarem em macho men e desatarem logo à porra. Além de que o papel da Fénix, como eu já tinha dito antes, é estranhamente acessório e secundário, para algo tão importante no Universo Marvel, especialmente quando se fala de mutantes.

Mas nada disto estraga as excelentes cenas de pancadaria, sem grandes rodeios. Claro que cai sempre naquela lógica estúpida de "vamos atacar, mas um de cada vez e contra alguém capaz de aguentar connosco" em vez de atirarem o Magneto para estraçalhar o Wolverine, ou algo parecido. Já o disse na opinião anterior e continuo a dizê-lo!

A arte, essa, oscila entre o bom e o mediano, portanto não me chateou muito. Sempre que a Fénix aparece, fizeram disso algo grandioso e espectacular, o que é bom, mas de vez em quando há uns momentos mais fracos que deixam muito a desejar.

Toda a evolução do enredo é feita a um bom ritmo, e este livro termina num ponto crucial, com o Ciclope, já depois de semi-possuído pela Fénix, a dizer "Chega de Vingadores.", ecoando o "No more mutants." da Scarlet Witch, no final do evento "Dinastia M". É um bom final e um óptimo ponto para parar e esperar pela leitura do livro seguinte. Se bem me lembro, há algumas coisas que pioram, com a introdução de umas balelas místicas e tal, mas vai continuar a ser interessante, isso sem dúvida!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Wolverine: Evolução (Universo Marvel #18)


Argumento: Jeph Loeb
Arte: Simone Bianchi, Andrea Silvestri, Paul Mounts, Simone Peruzzi, Morry Hollowell, Frank D'Armata
Tradução: José de Freitas


Opinião: A expressão "oportunidade falhada" é-vos familiar? Não? Então leiam este livro e aprendam o que significa! Isto tem o Wolverine, fala sobre o seu passado (mais ou menos), inclui um dos melhores antagonistas do herói com esqueleto de adamantium, Sabretooth, e tem um argumento escrito pelo mesmo tipo que escreveu um dos melhores livros que li nos últimos tempos, Jeph Loeb... E o resultado é bastante mediano.

Há uma narrativa demasiado complicada, relativamente óbvia, e não tão interessante quanto isso sobre uma raça humana diferente dos Homo Sapiens, dos quais o Wolverine e o Sabretooth e mais alguns heróis/vilões/mutantes lupinos são descendentes.

Bla, bla, bla. Explicação ranhosa, ritmo fraco... Os confrontos entre o Wolverine e o Sabretooth ainda se safam, mas mesmo assim... E qual é o problema? Bem, a arte, para começar. Não fiquei nada fã dos desenhos de Simone Bianchi, são demasiado artificiais, por assim dizer. Por vezes até parecem inacabados!

Depois, a história em si. Não é nada de especial, é rebuscada, mas ao fim e ao cabo é banal e óbvia. Não adiciona realmente nada de novo, e explica muito pouco. Dá visões ao Wolverine, cria uma ligação especial entre os vários seres lupinos, dá dicas de um vilão que tudo está a controlar, mas pouco acontece de facto.

Wolverine, sempre uma personagem badass por quaisquer padrões que usem para o avaliar, aqui parece meio perdido, mas de forma idiota. Há vários momentos em que esta personagem, normalmente, resolveria o problema de forma simples, rápida e eficaz, em vez de ficar atarantado e sem saber muito bem o que fazer, como acontece.

Enfim, uma oportunidade completamente perdida, e que ainda por cima tinha muito potencial. É uma pena que Loeb não me tenha convencido quanto aos Lupus Sapiens, porque é realmente uma boa ideia que apenas teve o azar de não ser bem executada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Hulk: Cinzento (Universo Marvel #17)


Argumento: Jeph Loeb
Arte: Tim Sale, Matt Hollingsworth
Tradução: João Miguel Lameiras


Opinião: Senhoras e senhores, meninos e meninas, vejam bem a capa deste livro. Decorem o nome. Os autores. Procurem por ele. Em português, em inglês, em francês, em romeno, em latim ou em klingon, não interessa, mas arranjem-no. Comprem-no, peçam-no emprestado, roubem-no, qualquer coisa!

É que este livro, simplesmente chamado Hulk: Cinzento, é das melhores coisas que já li e vai ser sem dúvida um dos destaques de 2015. E ainda só estamos em Janeiro!

Não, não estou a exagerar. Há aqui alguma contribuição de não ter grandes expectativas e elas terem sido facilmente (e fantasticamente) ultrapassadas, mas garanto-vos que vale a pena. Esta BD é dos livros mais bem pensados e mais bem executados que vi nos últimos tempos.

No fundo não é mais do que um recontar da história de origem do Hulk, ainda na sua versão cinzenta (não sabia que ele tinha realmente começado por ser cinzento!), através de um gigantesco flashback de Banner, a falar com o seu psiquiatra.

O resultado é uma história bonita, intensa e muito triste. Ouvir alguém a contar sobre como perdeu o controlo de forma abrupta e teve que aprender a viver com um monstro dentro de si, com quem se recusava a identificar, mas com quem não conseguia evitar identificar-se... Fantástico.

E a parte mais incrível? A expressividade que Tim Sale dá ao Hulk, uma personagem normalmente retratada como uma espécie de neandartal gigantesco, um brutamontes incapaz de ter um pensamento ou uma emoção mais complexa do que "ESMAGAAAAAR". É fascinante ver como Loeb conseguiu dar tanta profundidade a uma personagem assim, e ter Sale a acompanhar isso mesmo no desenho.

Outra coisa que funciona muito bem é o ritmo da história. Narrada pelo próprio Banner, com uma espécie de respostas/comentários do seu psiquiatra, tudo anda em uníssono: diálogos, narração, desenho, narrativa. É uma coreografia complexa, mas tornada simples pela fluidez de cada página.

Já mencionei as páginas duplas divinais? Digam o que disserem, Sale esmerou-se e conseguiu encaixar aqui autênticas obras-primas para as quais dá realmente gosto olhar. A sério. Parar e observar.

Também é incrível como a maior parte da emoção é transmitida pelo Hulk, como quando Betty, a amada de Banner, fica ferida, e é preciso curá-la. As tentativas do grande monstro cinzento são desastradas e o resultado final menos do que satisfatório, mas a preocupação é real. Ver a Betty a desprezar tudo isso tem um peso muito forte.

E já no final, a conclusão simultânea do Hulk no flashback e de Banner no presente, está muito bem construída. O primeiro percebe, e fica enraivecido por isso, que ele não é um monstro e só protege a Betty, mas ela ama é o pai, um tipo à beira da psicose e que só a magoa; o segundo apercebe-se de que ela só o amava porque ele era como o pai dela. Primeiro odeia o Hulk pelas razões erradas, e depois ama o Banner pelas razões erradas.


É muito doloroso, e é muito triste, e está muito bem feito. Fiquei seriamente impressionado, e vou sem dúvida procurar os outros livros desta trilogia: Demolidor: Amarelo e Homem-Aranha: Azul. A vocês digo-vos o que disse no início, arranjem este livro!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mulheres da Marvel (Universo Marvel #16)


Argumento: Christ Claremont, Marjorie Liu, Stuart Moore, Kelly Sue DeConnick
Arte: Milo Manara, Dave Stewart, Filipe Andrade, Nuno Plati, Jay Leisten, Sandu Florea, SotoColor, Mark Brooks, Walden Wong, Emily Warren, Ryan Stegman, Tom Palmer, Victor Olazaba, Juan Doe
Tradução: José de Freitas, João Miguel Lameiras, Paulo Furtado

Opinião: Este foi daqueles que antes da leitura era uma perfeita incógnita. A capa é apresentação suficiente do artista envolvido, Milo Manara, e não sou particularmente fã da sua obsessão com um ou dois tipos idealizados (e exagerados) de mulheres, que desenha até à exaustão, com mínimas variações.

Mas nem só de Manara se faz este volume, que conta com contribuições de artistas portugueses, Filipe Andrade e Nuno Plati, e ainda mais duas histórias, perfazendo assim um volume diversificado, tanto a nível de argumentos como de arte, apesar da "temática" central das mulheres como protagonistas.

É interessante, de um ponto de vista cultural, reparar como isto soa diferente até nos dias de hoje, em que supostamente somos tão progressivos e as personagens femininas ganham cada vez mais (ou menos) destaque qualquer que seja o meio.

Mas essas considerações não são relevantes. Aquilo de que quero falar é de como Manara me supreendeu, os portugueses me deixaram bastante satisfeitos, a arte da terceira história me apanhou desprevenido, e como a última história deixou muito a desejar a todos os níveis.

Primeiro, Manara. Com argumento fraco de Chris Claremont, um veteraníssimo destas andanças, Manara não se deixou intimidar e demonstra uma arte impecável. Continuo a ter um problema com as mulheres que ele desenha, assim como com as "acidentais" poses semi-eróticas e roupas curtas e justas que insiste fazer aparecer por todo o lado, mas o nível de detalhe é fantástico, e dá gozo olhar para estas páginas. É mesmo uma arte boa!

Claro que a história das super-heroínas que vão de férias e se vêem subitamente sem poderes e envolvidas em problemas não é completamente desinteressante, mas o facto de se reunirem meia dúzia das mutantes mais poderosas à face da Terra, e ainda assim precisarem de um homem para salvar o dia... Cai mal, e falha um bocado o objectivo.

A segunda história é a que conta com a contribuição de Andrade e Plati, com um a desenhar as sequências reais, e outro as sequências sonhadas. Foi sem dúvida a minha história favorita, e em grande parte graças à fantástica arte dos dois portugueses, tão diferentes e estranhamente complementares entre si. O argumento é algo confuso, porque é o meio de qualquer coisa e envolve um clone feminino do Wolverine com problemas de identidade, e bastante negro. Diria até surpreendentemente negro, tendo em conta o estilo mais leve e humorístico tão típico da Marvel.

Foi a história seguinte, sobre duas personagens relativamente obscuras, Cloak e Dagger, que me surpreendeu, com um estilo muito parecido a desenhos animados, luminoso e com uma espantosa sensação de movimento.

A história final é sobre Sif, uma asgardiana, e conta com a participação de Beta Ray Bill, um alien muito parecido com o Thor e que é das personagens mais peculiares que já encontrei. Infelizmente, desta vez nem a história nem a arte nem nada me cativou minimamente.

Avaliando o geral, acho que é um livro que vale a pena ler. Tem os seus problemas, a vários níveis, algumas das histórias mais do que outras, mas a arte das três primeiras histórias, especialmente a de Manara e a da dupla Andrade/Plati mais do que compensam. Um livro que foi uma pequena surpresa!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Contos de Fadas Marvel (Universo Marvel #15)


Argumento: C.B.Cebulski, Mindy Owens
Arte: Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, Mike Allred, Laura Allred, João Lemos, Christina Strain, Nuno Plati
Tradução: Filipe Faria, Paulo Furtado, João Miguel Lameiras, Paulo Moreira

Opinião: Sem dúvida um dos volumes mais interessantes desta colecção, inicialmente não me tinha chamado a atenção. É que há cerca de um ano li Marvel Fairy Tales, e achava que isto ia ser apenas uma repetição. E se tinha ficado a gostar da arte e das adaptações, os diálogos tinham deixado a desejar.

Felizmente este livro não só tem histórias que esse outro livro não tinha, como os diálogos são consideravelmente melhor, não sei se pela tradução ou se pela nova leitura.

A verdade é que desta vez gostei mesmo muito de ler estes contos de fadas super-heróificados, que são adaptações soberbas das histórias originais. Há pequenos pormenores espalhados por todo o lado que me deixaram de boca aberta, como a sombra do Capitão América/Peter Pan servir de escudo, ou inverter os papéis da Cinderela para que seja o Homem-Aranha o protagonista. Fantástico.

É uma pena que não venha aqui aquela fantástica fábula africana retratada como a amizade entre Magneto e o Professor X - sem dúvida a melhor parte de Marvel Fairy Tales - mas para compensar inclui outra fábula africana, desta vez com o Homem-Aranha como protagonista, com a melhor arte do conjunto e uma história mágica e simplesmente fantástica!

Este volume é também notável por incluir arte de muitos portugueses, pessoalmente convidados por Cebulski, um confesso admirador dos nossos artistas. É fácil ficar impressionado com estes desenhadores lusos, e também é fácil de perceber a dificuldade em entrar no mercado dos super-heróis, se bem que não me espantaria de os ver a fazer coisas como Sandman, só para dar um exemplo.

Bem vistas as coisas, este é um livro de que não me arrependo de ter comprado, apesar da minha hesitação inicial, e que inclusivamente aconselho a toda a gente: se o que querem são boas histórias, boas adaptações, boa arte, e ficar a conhecer bons artistas portugueses, este é um dos livros que devem, definitivamente, ler.