domingo, 7 de abril de 2013

The Crystal Crypt


Título: The Crystal Crypt
Autor: Philip K. Dick

Opinião: Os contos de Philip K. Dick foram-me aconselhados pelo João Campos, do Viagem a Andrómeda. Como já gostava do autor, não foi preciso mais que isso para ficar curioso. Bastante curioso.

Uns dias depois, encontro na net, arrumadinhos e prontos a sacar, uns poucos contos de Philip K. Dick, a maior parte em formato compatível com o meu Kobo. Maravilha!

Optei por começar por este apenas e só porque foi o que me apareceu primeiro na lista. Não sei nada sobre os seus contos além dos títulos, e de que, segundo o João, são muito bons. Foi portanto uma aventura, ler este conto, uma aventura com boas expectativas que felizmente foram cumpridas.

Não que tenha achado o conto genial, porque não achei. A história começa a bordo duma nave a sair de Marte, com os últimos terráqueos que ainda estavam no planeta. A nave é abordada por marcianos, que andam à procura dum grupo de terroristas que fizeram desaparecer uma cidade inteira. E é então que, ligeiro spoiler daqui para a frente, não encontram nada e se vão embora, ainda que os terroristas estejam na nave e acabem a contar a sua história a um gajo desconhecido, que insiste nisso, o que não é nada suspeito, não é verdade?

Mas pronto, não vos quero estragar a leitura, mas também não estou muito preocupado com isso, porque todo o conto é deveras previsível. Foi esse, aliás, o meu único problema com ele. A estrutura é óptima, a narrativa é excelente, a ideia muito boa, tudo corria às mil maravilhas até às linhas que permitiam prever o resto do conto. Aconteceu duas ou três vezes, e acabou por tirar algum do interesse ao conto.

Só que isso não faz dele um mau conto. The Crystal Crypt é um bom conto, com ideias e noções interessantes, principalmente aquilo que aconteceu à cidade, e que me aguçou a curiosidade para futuros contos do autor.

sábado, 6 de abril de 2013

An Authentic Narrative of a Haunted House


Título: An Authentic Narrative of a Haunted House
Autor: Sheridan le Fanu

Opinião: Desde que li o Carmilla, de Sheridan le Fanu, que fiquei com boa ideia do autor. Infelizmente as suas obras não abundam por aí, e não chegou nada assim tão espectacular que me fizesse andar activamente à procura. Foi preciso andar a pesquisar por e-books para descobrir uma série de obras do autor, entre as quais figurava este pequeno conto.

Um conto cujo título não podia ser mais explicativo. É uma história sobre uma casa assombrada, que passa por um relato verídico, à boa moda das histórias do estilo e da época em que foi escrito, algures pelo século XIX.

Já depois de o ler, vim a descobrir que o autor foi um dos mais importantes escritores escritores de histórias de fantasmas do século XIX, e embora este conto em particular não me tenha enchido as medidas, posso compreender porquê.

A escrita é detalhada e cuidada, como não podia deixar de ser, e o enredo está envolto em mistério, com figuras misteriosas a aparecerem e a desaparecerem, em horas e lugares impróprios, sem razão nem explicação aparente.

Pessoalmente achei que tudo se desenrola de forma algo lenta, apesar da brevidade do conto, mas acabei por apreciar bastante o final, em que tudo se interligou e fez sentido, numa história algo rebuscada e obtida demasiado facilmente, é verdade, mas pronto, isso é um detalhe. Só acabei por não gostar mais exactamente pelo ritmo lento e demasiado pausado, que nem o mistério e o suspense conseguiram intensificar, fazendo com que a narrativa perdesse alguma da força que podia ter tido.

Apesar disto, An Authentic Narrative of a Haunted House é um conto interessante, com uma escrita muito boa e um enredo com pontos positivos e pontos negativos mas que, de uma forma geral, dá predominância aos positivos.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Aquele Sacana Amarelo (Sin City #4)

Título: Sin City - Aquele Sacana Amarelo

Autor: Frank Miller
Tradutor: João Miguel Lameiras

Sinopse: John Hartigan, o último polícia honesto de Sin City, está a poucas horas da reforma, quando o perverso filho do Senador Roark, o homem mais poderoso de Sin City, rapta uma miúda de 11 anos, chamada Nancy Callahan, e muda a sua vida para sempre.

Opinião: Foi completamente rendido a Sin City que comecei a ler este livro, e foi completamente rendido a Sin City que acabei de o ler. Aquele Sacana Amarelo atinge níveis tão elevados como o primeiro volume, na minha opinião.

Frank Miller volta a provar que há poucas histórias com tanto potencial narrativo e emocional como as histórias de vingança. Desta vez é um polícia à beira da reforma, John Hartigan, que mesmo no último dia de trabalho se vê envolvido no rapto de uma rapariga de 11 anos por um pedófilo.

Essa rapariga é Nancy Callahan, que vemos nos anteriores volumes, normalmente com muito pouca roupa. E se o que vimos é prenúncio do que aqui vai suceder, já sabemos que Nancy é a rapariga mais protegida da cidade, o que se confirma, com John Hartigan a fazer o papel de cavaleiro andante.

Hartigan é tramado, mas não cede. Aguenta estoicamente o que tem que aguentar para manter Nancy a salvo. Mas como não podia deixar de ser, algo corre mal, e a partir daí é ver os enxertos atrás de enxertos de porrada e violência que se sucedem.

O sacana amarelo do título é literalmente um sacana amarelo. Pela primeira vez em quatro livros aparecem mais cores além de branco e preto: o amarelo do sacana, tão vívido e aberrante em comparação com o resto do desenho. Este toque de cor nada subtil acaba por se enquadrar bastante bem na narrativa, dando o devido destaque à personagem e ajudando a criar um sentimento de repugnância partilhado entre o leitor e as outras personagens.

Algo que me tenho esquecido de mencionar é as ligações que os livros têm uns com os outros. Não me lembro de grandes referências no terceiro, para além de se saber que acontece a seguir ao segundo, mas a história do segundo cruza-se com a do primeiro, e a deste vai inclusivamente atrás do primeiro e encontra Dwight, personagem do segundo e terceiro livro, a queixar-se da mulher que tantos problemas lhe vemos trazer depois. São pormenores que facilmente passam despercebidos mas que contribuem para a solidez da narrativa.

Em suma, posso dizer que gostei muito deste livro e que estou definitivamente rendido à mestria de Frank Miller enquanto contador de histórias sombrias e violentas e enquanto artista gráfico. O estilo que usa em Sin City, com os seus implacáveis jogos de sombras e, no caso deste livro, pequenos toques de cor bem planeados, transmite uma intensidade fora do comum às histórias e permite o tal envolvimento do leitor no ambiente de Sin City. Muito bom.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

At the Mountains of Madness


Título: At the Mountains of Madness
Autor: H.P.Lovecraft

Sinopse: Long acknowledged as a master of nightmarish visions, H. P. Lovecraft established the genuineness and dignity of his own pioneering fiction in 1931 with his quintessential work of supernatural horror, At the Mountains of Madness. The deliberately told and increasingly chilling recollection of an Antarctic expedition’s uncanny discoveries–and their encounter with untold menace in the ruins of a lost civilization–is a milestone of macabre literature.

Opinião: Ler Lovecraft é sempre uma experiência tremenda, digam o que disserem. A capacidade que o autor tem de nos fazer mergulhar na sua mitologia monstruosa, cósmica e assustadora é simplesmente fora do normal. At the Mountains of Madness não é excepção.

Usando temas e conceitos recorrentes na sua obra, como o medo do desconhecido, os Elder Things, os Shoggoth, alusões a Cthulhu e R'lyeh, bem como outros deuses e lugares da sua mitologia, Lovecraft tem aqui um pequeno livro com um estilo em tudo muito típico.

A longa introdução, as personagens que são académicos, as longas explorações e explicações do que se está a passar, uma tensão que aumenta lentamente de tom até se tornar quase insuportável e ameaçadora... Tudo isto é bastante típico de Lovecraft, e são coisas que o autor usa com uma mestria inigualável.

Poucas páginas depois de ter começado a ler, já estava a ler referências ao Necronomicon e coisas que tais, ainda tudo muito calmo e sereno. Haviam apenas alguns indícios iniciais das desgraças que iam suceder, pois o narrador conta a história na primeira pessoa e depois de tudo ter acontecido, com o intuito de impedir outros de fazerem a mesma viagem que ele (outra noção bastante comum nos escritos de Lovecraft).

Como já disse, a introdução é longa. A narrativa ambienta o leitor e deixa-o à vontade com o cenário e as personagens, cedendo apenas em pequenos detalhes e comentários do narrador, que vão criando um ambiente misterioso e de algum suspense, até que ocorre uma tragédia. A partir daí é sempre a andar. Sem dar por isso estava a acompanhar os protagonistas nas suas explorações quase como se estivesse ao lado deles, a beber, fascinado, os rios de informação sobre a mitologia de Lovecraft que estas iam revelando, sempre à espera de um ser ou maligno e inenarrável ao virar da esquina.

E Lovecraft não decepciona. Depois de uma longa viagem em que a expedição chega mesmo a ser esquecida em detrimento de verdadeiras avalanches de conhecimento mitológico lovecraftiano, a tensão chega a um máximo e tudo descamba nos momentos finais, acelerados e de pôr o coração aos pulos, com as devidas caídas na loucura, momentâneas ou não, das personagens.

Em suma, é o típico Lovecraft, numa extensão um bocado superior ao que estou habituado, mas que prova a mestria deste autor no género do terror.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mucha


Título: Mucha
Argumento: David Soares
Ilustração: Osvaldo Medina e Mário Freitas

Sinopse: 6 anos depois da A Última Grande Sala de Cinema, "Mucha" marca o tão aguardado regresso à BD do romancista David Soares (Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados), numa história de horror intimista, subversiva e inteligente, bem reveladora da voz autoral ímpar que define a obra do erudito autor.

Baseada na premissa da peça surrealista Rhinocéros, de Eugène Ionesco, "Mucha" é uma extravagância visceral sobre a ameaça da desumanização que pende sobre a cabeça de Rusalka, uma camponesa que se vê, de um dia para o outro, imergida num mundo que insiste em ser uniforme, perigoso e destituído de qualidades.

Ilustrado por Osvaldo Medina (A Fórmula da Felicidade) e Mário Freitas (Super Pig) num estilo negro e singular que recupera o expressionismo gótico das bandas desenhadas clássicas de horror, "Mucha" apresenta cenas de cortar a respiração, pautadas por um ritmo frenético que não deixará nenhum leitor indiferente; ou doravante tranquilo perante uma simples mosca.

Opinião: Depois de Cidade-Túmulo me ter deixado ainda mais curioso quanto às BD's de David Soares, eis que agarro em Mucha. Esta pequena BD tem claramente inspirações Kafkianas e aparentemente também de Eugène Ionesco, já que entra no campo do absurdo misturando 2 conceitos desses 2 autores: temos por um lado pessoas que se transformam em insectos, à là Kafka, na Metamorfose, e por outro uma vila inteira que se transforma num animal, e o caos que daí segue, à là Ionesco, em Rhinocéros, uma peça de teatro em que acontece isso mesmo, só que, adivinharam, com rinocerontes.

A história é bizarra, como não podia deixar de ser, inclui fenómenos inexplicáveis, sangue e tripas, e uma aura negra e de certa forma mística bem patente quer no argumento quer nos desenhos, da autoria de Osvaldo Medina e Mário Freitas.

O estilo a preto e branco, à semelhança do que acontece na Cidade-Túmulo, empresta uma força e uma intensidade muito próprias às palavras e ao enredo de David Soares. O efeito é obviamente diferente, já que quem desenhou o primeiro foi o próprio David Soares, o que não aconteceu aqui, mas em essência é a mesma coisa.

Notei foi que a história é demasiado curta, e talvez tivesse beneficiado de mais algumas páginas. O livro assim passa a correr, demasiado depressa para ser apreciado condignamente. Talvez seja propositado, pois há um forte contraste entre a serenidade do meio rural e a velocidade e precipitação dos acontecimentos, que acabam por envolver a aldeia, e Rusalka em particular, numa série de fenómenos e acontecimentos desgraçados, com poucas ou nenhumas explicações e sem grandes previsões de finais felizes.

Algo que ainda não sei se deva apoiar se deva censurar, é o facto de os soldados alemães que aparecem entretanto falaram de facto alemão, sem direito a tradução. Se por um lado obriga o leitor a identificar-se com a personagem e a sentir mais na pele aquilo que ela sente (à semelhança do que acontece com o filme The Shrine, só que com polaco), não me pareceu justificado obrigar o leitor a ficar assim tão perdido relativamente ao que os soldados diziam.

Por fim, acho que posso dizer que senti com este livro o que senti ao ler contos do autor pela segunda vez: gostei, mas esperava melhor, comparativamente, neste caso, à Cidade-Túmulo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Parque Jurássico

Título: Parque Jurássico
Autor: Michael Crichton
Tradutora: Fernanda Branco

Sinopse: Os dinossauros regressam à Terra, numa criação genial de Michael Crichton, um autor que sabe, como ninguém, combinar o interessa pelas modernas descobertas científicas com a aventura e o suspense. De atracções de um fantástico parque turístico situado numa ilha remota do Pacífico, os monstros do período Jurássico, recuperados pelas mais avançada tecnologia da engenharia genética, transformam-se numa ameaça de dimensões inimagináveis. Construído a um ritmo vertiginoso, num crescendo de tensão e mistério, Parque Jurássico é um romance para todas as idades. Didáctico, emocionante, arrebatador.

Opinião: Toda a gente conhece pelo menos um filme do Parque Jurássico. Mas poucos são os que sabem que os dois primeiros são baseados em livros de Michael Crichton, um autor que viu a maior parte dos seus livros serem adaptados para cinema.

Com a minha paixão por dinossauros, o fascínio pelos filmes sempre foi enorme. E assim que descobri que haviam livros... Oh, a loucura! E depois quase que explodi de excitação quando encontrei o primeiro, este mesmo sobre o qual opino, à venda por 1.95 euros!

Escusado será dizer que o comprei e que não demorei muito a lê-lo. Só é pena que qualquer efeito surpresa que pudesse existir se tenha perdido por completo, por já ter visto o filme, mas mesmo assim não posso deixar de acusar essa falta de mistério como uma das coisas que achei menos bem conseguidas.

É que a começar no título e na capa, e a acabar na sinopse e no próprio começo do livro, nunca se duvida que alguém anda a "fazer" dinossauros. Talvez ainda tenha sido mais óbvio e esperado por já ter visto o filme tanta vez, mas senti que se o autor tivesse mantido esse detalhe em segredo durante mais tempo, o livro tinha ganho mais intensidade.

Mas defeitos à parte, vamos focar-nos na história, que é só por si interessante, aliciante e uma verdadeira delícia para admiradores de dinossauros, mesmo com as pequenas falhas que vai apresentando.

As personagens são na sua maioria relativamente planas e não muito interessantes, embora me tenha sido impossível não gostar de Malcolm, o matemático especializado em Teoria do Caos que passa o livro todo a dizer que vai tudo correr e acabar mal, qual profeta dos tempos modernos.

No fundo, todo o livro acaba por ser uma grande demonstração da Teoria do Caos, com as várias partes em que se encontra dividido a serem ilustradas por passos sucessivos da curva de dragão, e citações do próprio Malcolm acerca da evolução de um sistema.

E tem dinossauros. Montes e montes de dinossauros, num habitat mais ou menos natural, a matarem-se uns aos outros, a matarem e a comerem pessoas, e até há crias de dinossauros. Com um forte ênfase na biotecnologia (a minha área, yay!) e explicações científicas minimamente aceitáveis, o que é que eu podia pedir mais?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A Grande Matança (Sin City #3)

Título: Sin City - A Grande Matança
Autor: Frank Miller
Tradutor: João Miguel Lameiras

Sinopse: Nas ruas de Sin City reina uma frágil trégua entre a polícia e as raparigas da Cidade Velha. Quando a morte de um polícia na Cidade Velha vem pôr em causa essas tréguas, Dwight vê-se obrigado a entrar em acção para defender as suas amigas. Mesmo que para isso tenha que morrer, ou matar montes de gente.

Opinião: Começo a acreditar que vai ser complicado encontrar uma personagem nestes livros que me agrade como Marv, ou uma história que me agrade tanto como a sua. Este livro ainda por cima continua a seguir Dwight McCarthy, protagonista de Mulher Fatal que não me fascinou por aí além.

O estilo continua a ser o mesmo, negro e depressivo, aquele arzinho noir que Miller tão bem consegue retratar, nos seus aspectos mais piedosos e mais brutais, normalmente ao mesmo tempo. O preto e o branco do jogo de sombras característico do autor continua a dar uma intensidade descomunal à história, que desta vez se foca mais num elemento bastante curioso dos livros anteriores: a Cidade Velha.

Em Sin City as prostitutas vivem todas na Cidade Velha, e ditam as suas próprias regras. Isso fica bem patente nos dois primeiros volumes de Sin City, com as aparições das prostitutas a serem dos momentos mais intrigantes dos vários enredos. Além de, bem, terem ar de prostitutas, têm todas um ar implacável, e é exactamente isso que acaba por ser explorado neste livro.

Isso e vertente emocional da praxe, que parece-me que Miller nem deve dormir bem se não enfiar uma história ou problema de amor no meio da história, que serve invariavelmente como motivação para os protagonistas matarem montes de pessoas. Oh sim, porque Miller também deve adorar ver bonequinhos a serem torturados e mortos das mais variadas e imaginativas maneiras, muitas delas devidas a Miho, a pequena e mortífera ninja protectora das prostitutas.

Sei que isto assim parece um pouco estranho, mas acreditem em mim, quando se está a ler um livro destes, que nos consegue deixar mergulhados na história da maneira que estes conseguem, isto faz tudo bastante sentido.

E tenho que dar destaque ao Jackie-boy, a personagem que despoleta grande parte dos acontecimentos deste livro, e que tem o seu momento alto enquanto alucinação, um papel que desempenha de forma perturbadora e ainda assim bastante natural.

Deixo-vos com esta ideia, bastante simples e fácil de seguir: Sin City é uma saga a ler. Ainda que o primeiro livro tenha sido o pico da espectacularidade, e estes 2 tenham sido só muito bons, esta é uma saga com qualidade do princípio ao fim (até ver) e que se torna obrigatória para qualquer fã de BD.