domingo, 19 de fevereiro de 2012

Contra o fanatismo

Título: Contra o fanatismo
Autor: Amos Oz
Tradutor: Henrique Tavares e Castro

Sinopse: Nascido na Jerusalém dilacerada pela guerra, Amos Oz observou em primeira mão as consequências nefastas do fanatismo. Neste livro, composto de três ensaios, o autor oferece-nos uma visão única sobre a verdadeira natureza do fanatismo e propõe uma abordagem racional que permita resolver o conflito israelo-palestiniano.

Opinião: Um pequeno livro que contém 3 ensaios, todos sobre o fanatismo e o que fazer para o combater, "Contra o fanatismo" é uma pequena e fascinante obra que além de me deixar a pensar me apresentou um autor que eu apenas conhecia de nome, e muito vagamente: Amos Oz.

Os ensaios são: "Da natureza do fanatismo", no qual o autor discorre sobre o que significa exactamente ser um fanático, além de apresentar uma "cura" para o fanatismo; "Da necessidade de chegar a um compromisso e da sua natureza", ensaio que versa sobre um tema recorrente nas obras e nas ideias de Amos Oz, a solução para o conflito israelo-palestiniano, que o autor acredita assentar num compromisso ligeiramente prejudicial a ambas as partes e não num entendimento mútuo e repentino que deixe toda a gente feliz e contente; e por fim, "Do prazer de escrever e do compromisso", em que o autor fala exactamente do prazer de escrever e do compromisso que isso significa.

E a verdade é que fiquei bastante curioso relativamente ao autor, que com uma escrita clara e bem direccionada apresenta os problemas que se propõe a discutir e de seguida os discute, por vezes num tom pessoal, por lhe ser algo muito próximo, mas sempre da forma mais objectiva e explicativa possível.

Fica a pergunta, já alguém leu alguma coisa dele? O que me aconselham?



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Homem do Castelo Alto

Título: O Homem do Castelo Alto
Autor: Philip K. Dick
Tradutor: António Porto

Sinopse: 1962. Estados Unidos. Quinze anos depois das Potências do Eixo terem derrotado os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos ficaram sob o controlo da Alemanha nazi e do Império do Japão. A obra de ficção científica mostra uns EUA incapazes de superar a Grande Depressão em 1929 depois do assassinato do presidente Franklin D. Roosevelt e uma URSS que rui em 1941. O Homem do Castelo Alto valeu um Prémio Hugo a Philip K. Dick, reconhecido em meios de ficção científica.

Opinião: A pior pergunta que alguém pode fazer sobre alguma situação é "E se...?". Não só por haver um número infinito de perguntas como esta, aplicadas à mesma situação, como cada uma dessas perguntas tem um número infinito de respostas. E ainda por cima o mais normal é as perguntas serem já por si exasperantes, quanto mais as respostas.

E no fundo foi exactamente isso que fez Philip K. Dick, reconhecido autor de ficção científica: questionou-se sobre como seria o mundo se a tentativa de assassínio de Franklin D. Roosevelt, presidente dos Estados Unidos na altura da Segunda Grande Guerra Mundial, tivesse tido sucesso, e a Alemanha tivesse ganho a guerra, juntamente com a Itália e o Japão.

O mundo que nos apresenta é diferente do nosso, mas não é assim tão diferente quanto se possa pensar, na minha opinião. O mundo está dividido entre as três potências vencedoras da guerra, que à falta de inimigos mais palpáveis, guerreiam internamente, um confronto frágil e constante que faz uso do melhor meio que a estupidez humana teve o dom de perverter: a política. Sem esquecer a ganância e a mesquinhez, pois claro. No fundo é um mundo como o nosso, só que fascista dum pólo ao outro. Relativamente a algumas coisas é até melhor, pois os avanços tecnológicos da Alemanha nazi não foram refreados e levaram o homem a Marte e a outros planetas...

A cultura nipónica é algo que neste mundo se encontra fortemente enraizado, de tal forma que a maior parte das personagens faz uso crónico e quase compulsivo do I Ching, antigo livro chinês do qual os japoneses se apropriaram. Usam-no para basicamente todas as decisões que têm de tomar. O próprio autor confessou ter usado esse mesmo livro para tomar decisões relativamente ao enredo e ao desenvolvimento da história d'O Homem do Castelo Alto.

Aquilo que é mais interessante, para além do final surpreendente, sobre o qual não posso de todo falar, é observar as lutas interiores e exteriores que os personagens, representativos de várias classes sociais, travam entre si e consigo próprios. A mestria do autor neste livro em particular, para mim, está nos contrastes e nos confrontos que conseguiu desenhar e desenvolver, por vezes de forma subtil, outras vezes de forma mais aberta, mas sempre de forma esclarecedora. Às vezes até de forma extremamente retorcida, como é o caso do livro que uma das personagens escreve, e que apresenta uma alternativa àquele mundo, que é uma alternativa ao nosso.

E se me perguntarem, digo-vos que este livro é essencialmente sobre mudança. Sobre aquilo que podia ter acontecido e sobre aquilo que ainda pode acontecer. É também um livro sobre o destino e sobre a fatalidade, de certa forma, sobre como todos estamos ligados de alguma forma, seja por um antigo livro chinês, como nesta obra, seja por outra coisa qualquer. E é ainda sobre como essa ligação que todos temos nos pode mudar a nós e ao mundo.

Ou seja, não sei do que é que estão à espera para ler este livro. Da minha parte já comecei a minha busca por mais coisas deste autor...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Neverwhere

Título: Neverwhere
Autor: Neil Gaiman
Tradutor: Alberto Gomes e Carlos Afonso Lobo

Sinopse: A ideia que deu origem a este romance é basicamente simples, como todas as ideias geniais. Gaiman representa a Londres não como uma cidade mas como duas, a Londres-de-Cima e a Londres-de-Baixo. São dois mundos que coexistem, e se ignoram, articulados por uma única estrutura ordenada: a rede do metropolitano. O protagonista, Richard Mayhew, um rapaz cândido que vem da província para trabalhar em Londres, reflecte na inquietante estranheza dos nomes das estações do Metro. Será que alguma vez existiu um circo em Oxford Circus? Knightsbridge, Earl's Court, Angel Islington ou Marble Arch são outros tantos nomes inspiradores. A um mundo de aparente racionalidade contrapõe-se um outro, insuspeitado, com as suas próprias leis, habitado por personagens bizarras, encerrando perigos e maravilhas. Esse mundo é constituído por tudo aquilo que Lá em Cima caiu por uma qualquer quebra de "lógica". Como acontecerá a Richard quando se cruzar com Door, uma fugitiva que ele acolherá em sua casa, por humana compaixão, quebrando assim o compromisso com a noive Jessica. De repente descobre que ninguém o vê, como se nunca tivesse existido. Resta-lhe então descer, ele que tanto sofre de vertigens, cada vez mais profundamente, no mundo da escuridão, dos túneis, dos esgotos, dos edifícios abandonados. Resta-lhe acompanhar Door na sua demanda através das trevas assustadoras. Perseguida e ameaçada, ela procura saber a razão por que toda a sua família foi morta, a mando de alguém sem nome. Sem o saber, Richard que só desejaria voltar para casa terá de chegar ao fundo de si mesmo para descobrir o Ser que verdadeiramente é. Esta fantasia urbana, thriller psicológico (será sempre algo mais) é Gaiman no seu melhor, brilhante, cheio de espírito, sublime de inspiração, resplandecente de humor e graça, mesmo quando é assustador.

Opinião: Vou ter que discordar da sinopse. Neverwhere não é, de forma alguma, um livro em que se encontra "Gaiman no seu melhor", cheio de brilhantismo e sei lá mais quantos adjectivos e expressões abonatórias. Neverwhere é, isto sim, um livro fraquinho.

E eu gosto bastante de Neil Gaiman, graças à minha anterior experiência com o seu Deuses Americanos, esse sim um livro verdadeiramente genial, o que não ajudou à minha experiência com este livro, já que em comparação, Neverwhere sai a perder. E de que maneira. Foi um bocado como ver o Benfica a arrebatar jogos à goleada, numa época, para na época a seguir o ver a ganhar de forma tangencial e até a perder. É passar de cavalo para burro. Enfim.

É que ainda por cima este livro não é mau de todo. Quer dizer, talvez seja. As personagens são ocas, a história é apressada e incoerente, com montes de passos mágicos espectaculares que só servem para desatar nós intrincados que o autor tinha dado ao enredo. Morreu? Ressuscita-se. É preciso fazer alguma coisa? Que curioso, esta pessoa aleatória por acaso é especialista nisso. Está tudo perdido? Nem pensar nisso, eu sei um truque novo que não me tinha ocorrido até agora e que salva o dia. E mais uma dúzia de coisas que infelizmente não posso contar, caso alguém ainda queira ler este livro. A juntar isso, só mesmo as cenas de luta, completamente anti-climáticas. Se bem que os diálogos nem eram maus de todo. Apenas ligeiramente tótós, já que, enfim, o enredo não era grande coisa.

Depois, não gostei do final. Nem do meio, nem fui particularmente fã do princípio... Digamos que me aborreceram as facilidades e os momentos de deus ex machina... Resumindo, um mau livro, apesar do excelente autor. Se querem conhecer Neil Gaiman, fujam deste e ataquem o Deuses Americanos. Por favor.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Os Passos Perdidos

Título: Os Passos Perdidos
Autor: Alejo Carpentier
Tradutor: António Santos

Sinopse: Um livro estimulante, quase mítico. Representativo daquilo a que o próprio Alejo Carpentier chamou "o real maravilhoso americano", este romance constitui uma busca das origens, a procura de uma Idade de Ouro perdida. A personagem central dispôe-se a subir Orenoco, na Venezuela, em busca de um tempo primordial, tentando assim alcançar as raizes da vida. Desfilam nesta obra os mineiros dos campos de petróleo, os padres missionários, os vaqueiros, os astrólogos, as prostitutas em busca do El Dorado, os índios dos lugares visitados, os espirítos, os rituais, as histórias e os mitos de um tempo em que um homem branco ainda não pisara o continente americano. Para Carpentier, a América é um repto de um "novo mundo" apressadamente entrevisto por viajantes e poetas, poucas vezes correctamente apreendido.

Opinião: Tanto tempo para ler este livro... Ainda por cima tempo mal aproveitado, pois não escrevi nada, nem me concentrei como deve ser neste livro. Com a época de testes e exames à perna, pode-se dizer que a leitura teve que perder pontos na lista de prioridades. O que é perfeitamente compreensível.

E talvez a atitude mais sensata fosse ter largado o livro e pegado num mais leve, ou não ter feito o esforço de ler, fazer uma pausa. Mas não sou capaz. Por idiota que pareça, mesmo que não esteja a apanhar quase nada da leitura, o simples prazer de tirar a mente do estudo para ler outra coisa qualquer, mesmo que durante uns breves 10 minutos... Ainda por cima quando o livro é este, de Carpentier, com características de realismo mágico. A verdade é que me lembro pouco da história, apenas tenho uma vaga ideia de um homem que é mandado para o meio da selva, à procura de instrumentos primitivos, e que acaba por lá ficar, numa espécie de colónia. Mas as descrições são absolutamente mágicas, no meio da prosa corrida, com poucos ou nenhuns parágrafos durante páginas e páginas cheias de reflexões e contemplações.

Não, não me ficou grande coisa da história, e duvido ter apanhado grande coisa da mensagem do livro, ou seja lá o que for. Mas apanhei na perfeição o ambiente disfarçadamente místico, bastante explícito nas divagações do narrador/protagonista.

O que é que isto significa? Que esta opinião tem praticamente nenhum valor enquanto opinião sobre este livro. Gostei de ler, maravilhei-me com as descrições, aborreci-me com algumas partes, mas não sei precisar bem do que mais gostei, de qual é a história exactamente, quais são os ideais em confronto, nem sequer se as personagens me pareceram muito vívidas ou não. Ficou um livro para ler noutra altura, definitivamente.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A Mãe

Título: A Mãe
Autor: Máximo Gorki
Tradutor: Egito Gonçalves

Sinopse: Depois da morte do seu marido, Pelágia Nilovna começa a observar o filho Pavel. Apesar de morarem juntos, eram praticamente desconhecidos. Um dia, Pavel diz-lhe que está a ler livros proibidos: “São proibidos porque dizem a verdade sobre as nossas vidas de operários”. A história passa-se num dos bairros fabris da Rússia em princípios do século XX. Já com alguma idade, a Mãe interessa-se pelos ideais pelos quais o filho de bate e quando Pavel é deportado, Pelágia toma o seu lugar.

Opinião: A Mãe é um livro a tender para o denso, ou melhor, intenso. Digo isto porque as ideias e os ideais não estão escondidos, antes pelo contrário, são gritados aos 7 ventos! Eu pessoalmente acho fascinante ler um clássico, ainda por cima de um autor russo, com uma mensagem tão clara e explícita, e tão ansiosa para saltar para fora das páginas. Não que eu conheça muito de literatura russa, mas do pouco que li, a ideia que tenho é a de que os autores russos são romancistas por excelência, capazes de gastarem um livro inteiro sobre algum ideal menor, quanto mais algo da magnitude desta contínua e efervescente revolução do proletariado russo, no princípio do século XX.

Mas Gorki, pelo menos neste livro em particular, não é adepto de grandes floreados, no que toca a diálogos e a imagens transmitidas pela narrativa, apesar de, como qualquer autor russo que se preze, ser bastante dado a floreados na narrativa em si e em tudo o que seja descrição. E a forma como o faz é óptima, se bem que aquilo que mais apreciei foram de facto os diálogos, muitas vezes mais monólogos que outra coisa, praticamente todos mais do que inflamados pelo mesmo espírito revolucionário.

O livro começa por contar o dia-a-dia de uma família, representativa de muitas famílias parecidas, na qual o patriarca morre, deixando Pelágia, a Mãe, e Pavel, o filho, sozinhos e livres da tirania de marido e pai. É então que Pavel conhece os ideais socialistas, e não tarda a ver-se bastante envolvido na luta secreta que se desenrolou ao longo de vários meses e anos, tornando-se inclusivamente um dos seus principais instigadores. No entanto, um dia as coisas correm mal e Pavel é preciso, deixando Pelágia sozinha. E não é que Pelágia, quando se vê sem o filho, cujos discursos tinha começado a ouvir e a interiorizar, se torna cada vez mais activa e interessada na luta que ele e os seus camaradas travam, e acaba por praticamente tomar o lugar dele nas fileiras revolucionárias?

É nessa altura que Pelágia se torna não só a mãe de Pavel, o homem, não só a mãe de Pavel, o revolucionário, mas literalmente a Mãe de uma revolução silenciosa com ocasionais e violentos surtos de barulho. E é sobre isso que o livro fala, sobre Pelágia, a Mãe, da sua força enquanto mãe e da sua força enquanto Mãe. Da sua vontade em dar a melhor vida possível a filho e da sua vontade em dar a melhor vida possível a todo o povo russo, fazendo tudo aquilo que está o seu alcance para ficar um bocadinho mais perto de ambos os objectivos. Pelágia não desaponta e mostra uma força quase inimaginável, ultrapassa contratempos e luta activamente contra a repressão.

Resumindo, posso dizer que gostei bastante. Demorei um bocado a ler, mas tudo graças à minha maravilhosa vida de estudante universitário. Garanto-vos que gostei mesmo, e que se tivesse estado de facto de férias, tinha começado a ler do princípio e tinha lido tudo em 3 dias. Portanto... Leiam!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano novo, vida nova, o mesmo cliché de sempre

Eu quis, quase à força, vir escrever este último texto do ano, para cumprir com o cliché. Algures nos últimos dias de cada ano, um blogger de respeito tem que escrever um texto qualquer a despedir-se do ano que passou, a fazer um balanço, e a preparar o ano que vem!

Mas isso este ano é complicado. Não que o ano não tenha sido óptimo em leituras, foi até dos melhores de que tenho memória, mas a verdade é que o grande acontecimento deste ano, na minha vida, foi a entrada na faculdade que eu queria, no curso que queria, o que foi óptimo e não me podia ter deixado mais feliz. No entanto, o facto de agora estar em Engenharia Biomédica, no Instituto Superior Técnico, não me trouxe só vantagens.

Para começar, estudo que nem um desalmado, coisa que nunca tinha feito durante mais do que 2 semanas, e que agora já vai em 3 meses. Mas eu gosto de estudar, por mais estranho que isso possa parecer a algumas pessoas, portanto, não é por aí. O problema é que a vida universitária me tirou algumas coisas, como por exemplo, tempo de leitura. Longe da minha glória de 100 e muitos livros lidos, este ano fiquei-me pelos 64. Em minha defesa, podia afirmar que também li livros maiores, ou mais densos, ou ambas as coisas, mas não gosto desse tipo de desculpas. Se bem que não tenho que pedir desculpas a ninguém, não leio por obrigação, e como tal, o único problema de ter lido menos livros é exactamente esse, ter lido menos livros.

E apesar de tudo isto, é mais do que óbvio que não me posso queixar. Li livros tão bons, mas tão bons... Iniciei-me em Saramago, fiz a minha temporada épica, revisitei todos os livros do Harry Potter, li uma das obras-primas de Gabriel García Márquez... Enfim, no meio de algumas leituras bastante ranhosas, tive umas boas duas dúzias de leituras absolutamente divinais. Como tal, não me posso queixar.

Mas sendo o resmungão que sou, preciso de resmungar com alguma coisa. Não pode ser com as leituras, refilo sobre aquilo que está mais perto. A passagem de ano. Vejo por aí pessoas todas felizes, a festejarem a passagem de ano, mas sejamos realistas, estão a celebrar exactamente o quê? A entrada num ano ainda mais miserável que este? Eu sei que isto é um discurso um bocado amargo, e passível de ser interpretado como derrotista ou coisa que o valha, mas estou apenas a ser realista. E possivelmente amargo e sarcástico, mas isso já não tem cura. 

O que é que o próximo ano vai trazer de bom? Eu sei que temos que ter esperança, e não baixar os braços e isso tudo, mas por favor... Deixemos de ser tótós. A esperança do que quer que seja não passa de um penso rápido que pomos sobre a ferida. Não faz nada, mas deixa-nos pensar que estamos bons e prontos para outra. É claro que não baixo os braços, é claro que quero que tudo melhore e que corra bem, mas também não tenho ilusões...

Por outro lado, sou apenas um rapazinho revoltado consigo mesmo, que não sabe bem o que diz, não é? Enfim, vou falar de outras coisas. Por exemplo, da edição de luxo que recebi do último livro das Crónicas de Allaryia, Oblívio, de Filipe Faria. Coisa mais linda. Vai ficar guardadinho até Fevereiro, para ler os 7 seguidos! E tenho que dizer que já acabei A Mãe, do Gorki, e que algures nos próximos dias publico a opinião, quando se acabar a preguiça de a escrever.

Pronto, é tudo. Já escrevi demasiado. Vou voltar ao meu covil, amargo como sempre, ligeiramente maniento como sempre. Se ainda forem capazes de acreditar nisso, tenham um bom ano!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Vollüspa (Parte 2 de 2)

Título: Vollüspa
Autor: Vários

Opinião: Perdoai-me, caros poucos leitores que ainda visitam o blog com frequência e com razão. Não tenho tido mesmo tempo nenhum. Nem devia ter tido tempo para vir aqui escrever esta segunda parte da opinião, mas enfim, já me estava a fartar de me preocupar com a universidade, e perdido por cem, perdido por mil... Já sabia que estes dias não ia conseguir estudar grande coisa, portanto...

Mas pronto, avancemos. A encerrar a secção de Terror, aparece um conto de José Manuel Morais, A Vida é Sonho, um conto que não me agradou muito. Começa com uma premissa interessante, ainda que não seja nada de super-original: sonhos e afins. Mas todo o conto parece que passa a correr, e de repente já estamos no fim, sem interesse nenhum...

Depois a abrir a última secção, de Fantasia, aparece A Máquina, de Álvaro de Sousa Holstein, que dispensa apresentações de maior e que apresenta aqui um conto que classifico como um dos mais interessantes desta antologia, sobre o poder das memórias. O autor homenageia alguns dos grandes vultos da literatura portuguesa, sem grande alarido, mas de forma sentida.

Já em A Queda, de Carla Ribeiro, não encontrei uma história que me prendesse por aí além. Em termos de escrita devo dizer que até gostei, apesar de ser fã de uma escrita mais directa e menos floreada. Mas a história não me convence minimamente... Soa a mais do mesmo, para dizer a verdade... Com todo o respeito pela autora, com quem já contactei em fóruns e afins, mas daquilo que lhe conheço (que não é muita coisa, confesso), penso que seria capaz de fazer bem melhor!

A seguir aparece Joel Puga, com O Último, do qual gostei. Bem escrito, bem estruturado, para um conto tão pequeno, e interessante, apesar de ser mais uma retrospectiva, ou umas memórias, o que preferirem... Passa muito bem a ideia de solidão e a de resignação forçada de quem sabe que não tem saída, mas que sabe uma coisa de certeza: vai sair a lutar. Muito bom.

De seguida temos A Sala, de Marcelina Gama Leandro, que não é mau de todo, mas que podia estar melhor escrito. As coisas parece que acontecessem muito rapidamente e os diálogos estão um bocado repetitivos e extremamente pouco naturais, se bem que eu sei perfeitamente a dificuldade que é escrever um diálogo decente...

Quase a acabar vem Uma Questão de Lugar, de Pedro Ventura, que no meio de tanto conto pequenino, parece apenas grande demais. E tem de facto alguma ronha. A história é moderadamente interessante, e a escrita é agradável, não haja dúvida, mas estendeu-se demais. Ainda por cima no meio de tantos contos tão mais pequenos, em contraste, ainda parece maior do que é. E depois no fim... Nada de especial. Mas pronto, não é o pior conto...

O pior talvez seja este último, Vermelho, de Regina Catarino. O recontar de um episódio bíblico pelos olhos de um observador aleatório não me convenceu mesmo nada, apesar de achar que Fantasia é a palavra certa para descrever tal episódio. E a escrita nem é má de todo, mas perde-se no meio da história sensaborona.

E pronto, cá ficam todos os contos opinados (finalmente!). O balanço geral é positivo, apesar de alguns defeitos e de uma secção de Fantasia relativamente fraquinha, quando comparada com a de Ficção Científica, já para não falar da quase ausência do Terror... Mas não se fica a perder nada, penso eu, são no geral bons autores, com bons contos, que demonstram que existe um forte sector Fantástico em Portugal por descobrir, e é esse o papel mais importante desta "Vollüspa", o de dar a descobrir autores e o de fazer as pessoas descobrirem o Fantástico. Como tal, e uma vez que foi uma leitura agradável, que só pude ter graças ao trabalho do Roberto Mendes, que lutou por este projecto, e que parece ter acertado. Esperemos que dê frutos!