quarta-feira, 31 de julho de 2013

Fire Above, Fire Below

Título: Fire Above, Fire Below
Autor: Garth Nix


Opinião: Baseado numa ideia interessante, este conto de Garth Nix agradou-me.

Logo para começar, envolve dragões, o que é sempre um ponto positivo, na minha não-tão-humilde-quanto-isso opinião.

Imaginem que os dragões são criaturas que vivem debaixo da terra, e que quando estão perto de morrer sobrem à superfície, para se escapulirem.

Agora imagem que um dos sítios preferidos para os dragões saírem das profundezas da Terra, fica numa cidadezinha pacata, e que andaram a construir coisas por cima desse local.

Como devem imaginar, acontece bodega. A fantástica ilustração de David Hunt que tenho ali em cima, para além de absolutamente fantástica, é bastante sugestiva. Acho que conseguem perceber...

Felizmente a cidade tem um pacto com os Dragonborn um estranho grupo de pessoas que são meio-dragão. Ou talvez um pouco mais de meio... Ylane é a mulher misteriosa (e badass, diga-se de passagem) que responde ao chamamento do Mayor e do Chefe dos Bombeiros, e que promete resolver a situação.

A forma como o faz é bastante curiosa, e só fiquei desapontado com o fim. Embora faça o seu sentido, e esteja bem escrito, foi demasiado repentino e pouco explicativo. Isto podia até nem ser mau, mas neste caso achei que a explicação final caiu ali um pouco de pára-quedas, sem necessidade nenhuma.

No entanto isso não me estragou a leitura, e posso afirmar que gostei deste conto. Tendo já lido uma trilogia de fantasia do autor, Fire Above, Fire Below (grande título, já agora) conseguiu despertar a minha curiosidade adormecida sobre as restantes obras de Garth Nix.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Lenda de S. Julião Hospitaleiro

Título: Lenda de S. Julião Hospitaleiro
Autor: Gustave Flaubert
Tradutora: Maria Franco

Opinião: Cá está um exemplo dum conto de que gostei bastante, mas que ainda podia ter gostado mais. Os ingredientes para o adorar incondicionalmente estão todos lá, mas o autor conseguiu estragar isso, já no fim.

A história está dividida em 3 partes, e são as duas primeiras que para mim fazem o conto sobressair, com a terceira a estragar tudo.

É que na primeira e na segunda parte, o narrador conta-nos a vida de Julião, predestinado a ser santo, mas que se revela uma criança eminentemente cruel e sádica.

Castigado por isso mesmo, já adulto, acaba por matar os pais, no meio de voltas e reviravoltas que me conseguiram surpreender e deixar agradado.

O final da segunda parte é a sua queda em desgraça, a espiral descendente de Julião enquanto enfrenta os remorsos e a culpa, olha de frente o homem mau que era, e anseia por obter redenção.

Até aqui o conto é negro e está muito bem construído. É então que chega a terceira parte, em que o narrador conta como é que Julião ascende da criatura miserável que se tinha tornado, até santo.

É uma parte cheia de luz e graça divina, aborrecida por isso e não só, e que não me pareceu acrescentar nada de relevante à história. O final da segunda parte era aberto o suficiente para criar especulação na mente de quem lê, e fechado o suficiente para parecer de facto o final de história, portanto não percebo esta terceira parte, para além do facto de ter que lá estar, pois este conto é, afinal de contos, uma lenda sobre um santo.

Mas apesar desse pequeno contratempo final, não deixa de ser um bom conto, que apreciei bastante, e que me deixou curioso para ler mais obras deste autor.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Lenda da Rosa

Título: A Lenda da Rosa
Autora: Selma Lagerlöf

Opinião: Com uma escrita agradável e uma história apenas vagamente interessante, são as descrições que se destacam neste conto. Todas, sem excepção, são excelentes, em particular a do desabrochar do jardim de Natal, no meio do mato selvagem.

Sem ser nada de especial, o conto é sobre um jardim escondido, um jardim maravilhoso e inigualável em beleza. Uma mulher conta ao monge sobre a existência desse jardim, que fica curioso, acabando eventualmente por ir até lá, ficando estupefacto.

A descrição do desabrochar desse jardim, como já disse, é excepcional. Tremenda! Só é pena, lá está, que o conto em si não me tenha conseguido despertar o interesse por aí além.

Fiquei maravilhado com as descrições, é certo, e a mensagem final de redenção está muito bem contextualizada, mas de uma forma geral o conto acaba por ser parado e ter pouca fluidez, o que faz dele um conto mediano. Mediano-alto, vá.

domingo, 28 de julho de 2013

O Segredo de Copérnico

Título: O Segredo de Copérnico
Autor: Jean-Pierre Luminet
Tradutor: Filipe Guerra

Sinopse: Sob a forma de uma biografia romanesca, O Segredo de Copérnico permite-nos descobrir aspectos da pessoa que se esconde por trás da figura deste extraordinário pensador e da sua vida, tal como sobre o início do século XVI, em Cracóvia. Copérnico, a quem o tio e tutor, o bispo de Ermelande, abrira as portas da Universidade, da Igreja e da própria política, vive numa época controversa, exercendo as suas múltiplas funções de astrólogo, médico e de homem da Igreja. Os Cavaleiros Teutónicos travavam os seus últimos combates, a reforma luterana ia criando cisões no seio da ortodoxia católica, enquanto em Itália os Farnese teciam as suas intrigas políticas. No meio dessa agitação, Copérnico prossegue as suas investigações sobre a organização do Cosmos, tal como a haviam estabelecido Ptolomeu e Aristóteles séculos antes, derrubando-a e colocando o Sol no centro do nosso Universo. Este romance pinta com forte colorido uma época de grandes mudanças, iluminando os debates teológicos e científicos de então. Uma leitura inspiradora, que nos permite aprofundar a compreensão do mundo em que vivemos.

Opinião: Tenho entre os meus vários interesses, a História da Ciência. E por causa disso, uma tristeza sempre presente algures no cantinho do meu cérebro, por não me dedicar mais a aprender sobre esse assunto.

Seja por falta de tempo, de paciência, ou de material, sinto que o consigo saber sobre o tema é insuficiente. Quando encontro algo, devoro-o avidamente, o problema é em encontrar esse algo.

Claro que na internet há mais informação do que aquela que eu posso esperar ler na minha vida inteira; mas há também muito lixo e muita informação errada. A filtragem é complicada, e mesmo assim, acreditem, já passei dias inteiros na Wikipédia, página atrás da página, a ler sobre este ou aquele matemático, físico, químico, biólogo, médico, cientista maluca, descoberta estranha, conhecimento arcaico e outras tantas coisas do género.

Portanto não é de estranhar que obras como esta consigam, volta e meia, entrar rapidamente para o topo da minha lista de leituras. É que sei que a não ser que o livro seja uma autêntica nódoa, eu irei ficar interessado o suficiente para valer a pena.

Pois bem, este livro não é uma nódoa. Também não é nenhuma obra-prima, nem um livro excepcional, qualquer que seja o ponto de vista, mas cumpre aquilo a que se propõe, e de forma bastante acima do mero aceitável.

Começando na adolescência de Copérnico, e acabando com a sua morte, Jean-Pierre Luminet (astrofísico!) conta a história de vida desse grande astrónomo através desta biografia romanceada.

O principal problema deste livro é exactamente esse formato de "biografia romanceada". Para cumprir o papel de biografia, é um relato algo exaustivo da vida de Copérnico; enquanto que para se inserir na categoria de romance, tem momentos de liberdade criativa que permeiam toda a obra.

O resultado é algo que não é tão rigoroso como uma biografia, nem tão literário quanto um romance. E por aí, é a obra que perde. As intrigas políticas acabam por ter tanto peso quanto as românticas, por vezes, e muitas das personagens não se livram de parecerem caricaturas de quem retratam, graças às acções e falas teatrais e exageradas.

Mas nem tudo é mau, e a história do cónego-astrónomo polaco que começou a revolução da forma como vemos o mundo, e o nosso papel nele, é bastante interessante. Digo que até fiquei admirado que o desgraçado tenha conseguido tempo e paciência para um trabalho tão árduo e rigoroso como o seu, no meio de tanta intriga e confusão amorosa, política e religiosa!

Este é então um livro de que gostei, mas não adorei. Podia ter ficado melhor, mas não ficou mau de todo. Fiquei foi curioso com o resto da obra de Luminet, que conta com obras como Le Bâton d'Euclide, e mais 3 livros do género de O Segredo de Copérnico, mas sobre Kepler e Tycho Brahe, Galileu, e Newton. Ficarei à espera que sejam vertidos para o português.

sábado, 27 de julho de 2013

$er um autor


O meu conhecimento do mundo editorial português é quase nulo. Não sei exactamente como funciona, nem qual o processo que vai da entrega de um manuscrito até à distribuição de um livro nas livrarias.

Mas sei que há cada vez mais coisas sinceramente deploráveis a acontecerem nesse campo. Não falo dos livros que vêm em saquinhos coloridos, ou que oferecem velas perfumadas e coisas afins.

Também não falo da vertente comercial glutona que alguns grandes grupos editoriais perseguem com cada vez mais ardor.

E muito menos do facto de existirem bons livros e bons autores que vão ficando fora das opções de publicação, tanto a nível nacional como internacional, por um motivo ou por outro.

Não, não é disso que falo, ainda que sejam 3 coisas que me fazem espécie, com a primeira a ser estúpida, a segunda preocupante, e a terceira perfeitamente normal.

Falo de editoras que publicam mediante pagamento. É complicado conseguir ser publicado, especialmente em Portugal, de certeza, e estas editoras aproveitam esse "nicho": os autores enviam os manuscritos juntamente com um pagamento, e as obras são publicadas.

O resultado é que qualquer macaco publica um livro, por mais terrível e objectivamente mal escrito que ele esteja.

Pode-se argumentar que as edições de autor são basicamente a mesma coisa, mas discordo. Não tenho qualquer problema com edições de autor. Seja por terem sido rejeitados ou pura e simplesmente por quererem o controlo total da sua obra, por despeito ou não ao mundo editorial, uma edição de autor é uma decisão que é tomada por alguém que quer ver o seu livro publicado e ponto final.

O princípio com as editoras de que falo pode ser o mesmo: os autores que aí publicam querem ver-se publicados e ponto final, e para isso estão dispostos a pagar. Tudo bem. A diferença é que nestes casos normalmente saem prejudicados por condições manhosas.

Às vezes não é preciso pagar, basta ceder a totalidade dos direitos de autor. Aceitar coisas destas é estar à beira do desespero e mais vale estar quieto.

E depois há o caso da antologia da Editorial Minerva. Podem ver o blog aqui, e o regulamento aqui. Reparem em como é suposto que este projecto seja "uma referência literária em Portugal e CPLP". E agora reparem em como participar: enviar os textos... e dinheiro.

Portanto temos aqui uma antologia cujo objectivo é ser uma referência literária e isso tudo, e depois tudo o que eu tenho de fazer é escrever algo que se pareça com uma tentativa séria de escrever poesia, juntar-lhe entre 50 a 150 euros, e já está?

Supostamente há uma selecção, mas mesmo que seleccionem os melhores, pelo critério que lhes apetecer, os autores continuarão a ter pago para participar. Pessoalmente acho isto aberrante e errado.

Não sei de mais casos específicos que ache tão absurdos quanto este, mas de certeza que eles andam aí. É uma pena que estas empresas que insistem em dizer que são editoras existam e propaguem estes métodos, mas suponho que seja um sinal dos tempos: uma saída fácil é sempre mais apetecível, por mais batota que envolva.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Já não sou a mesma



Título: Já não sou a mesma
Autora: Nancy Kilpatrick
Tradutora: Brigith Guimarães

Opinião: Narrado na primeira pessoa, este pequeno conto é interessante e ligeiramente arrepiante, mas acho que peca por ser demasiado curto.

Mas até envolve fantasmas índios! E sugestões de que há vampiros envolvidos, bem como crianças demoníacas.

O tom da narradora é frio, seco e distante, quase nunca mostrando nenhum ardor nem qualquer tipo de sentimentos, excepto mais perto do fim, quando se começa a exaltar. Esse tom desapaixonado pareceu-me estar de acordo com a ideia de que a narradora já não era a mesma.

No entanto, lá está, merecia mais páginas, mais desenvolvimento, mais pormenores. Acaba por ficar apressado e aquém daquilo que podia ter sido.

Mas pelo menos é mais um sinal da qualidade desta autora, que só conheci recentemente, quando comecei a ler os seus contos de vampiros. E não deixa de ser um conto bastante interessante.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O Regresso do Monstro #2


Título: O Regresso do Monstro #2

Argumento: Bruce Jones
Desenho: Lee Weeks
Arte-final: Tom Palmer
Tradutor: Paulo Moreira

Sinopse: Bruce Banner bem que tenta passar despercebido, mas os seus misteriosos perseguidores não desistem e o Hulk continua a ser acusado da morte do jovem Myers.

Os acontecimentos precipitam-se subitamente quando Banner se vê envolvido numa tomada de reféns - e onde ele próprio é um dos sequestrados! Como lidará o Hulk com esta situação explosiva?

Opinião: Se a minha opinião do primeiro já não foi propriamente favorável, esta segue a mesma linha.

Confuso e aparentemente aleatório, este segundo volume em português deixa muito a desejar, embora tenha mais Hulk e 1 ou 2 momentos muito bons.

A verdade é que isso não chega para salvar o livro, que não me conseguiu encher as medidas de forma alguma, tal como o primeiro.

O Banner continua a estar muito mal aproveitado, parecendo apenas chato e aborrecido, e sente-se a falta da raiva demolidora do Hulk.

Parte da culpa é de me faltar o resto da história, eu sei, mas estes livros não têm qualquer indicação de que falta alguma coisa, e portanto fiquei obviamente confuso, porque parece que caí dentro duma história um bocado de pára-quedas.

Resta-me esperar pela BD do Hulk que ache verdadeiramente boa, porque nem este livro nem o anterior andam lá perto.