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sábado, 5 de abril de 2014

A desgraça dos Contos Digitais do DN

Queria começar por louvar a iniciativa da Biblioteca Digital do DN. O jornal ofereceu um número bastante razoável de contos de autores portugueses, de diversas áreas e estilos, em formato digital relativamente bem editado (e incluindo um com ilustrações!). Todos os contos foram acompanhados por uma curta biografia do autor.

É de louvar não só o princípio da coisa, como a tentativa de apresentar um conjunto de autores de tal forma diversificado que até incluiu ficção-científica e fantástico, na forma de João Barreiros e David Soares, por exemplo!

No entanto é preciso pôr os pontos nos i's e deixar bem claro que foi um fracasso. Podem ler a minha opinião sobre todos os contos para perceberem o que quero dizer. E não estou sozinho. Já vi críticas por aí que acham mais ou menos a mesma coisa que eu para a maior parte dos contos,

A verdade é que a apreciação geral é má. Terrível. Não sei se os autores foram de alguma forma pressionados e escreveram tudo à pressa, ou se foi um momento de desinspiração colectiva ou de obrigação contratual, mas são poucos os que se aproveitam.

E se Barreiros não me desiludiu, o que dizer de David Soares, que escreveu um conto mediano, ou de João Tordo, que escreveu um conto mau? Já para não falar dos outros escritores todos, que na sua grande maioria conseguiram apenas aborrecer-me e revoltar-me ligeiramente com os seus contos.

Nem tudo foi mau, é verdade. O já mencionado Barreiros, sempre com o seu estilo característico, é o caso fulcral. Mas fiquei a saber que aprecio a escrita de Lídia Jorge, de Afonso Cruz, e até gostei dos contos de Onésimo Teotónio Almeida, David Soares, Rui Cardoso Martins, Possidónio Cachapa e David Machado. O do Nuno Markl também não foi mau de todo. Mas todos os outros? Entre o mediano-a-tender-para-desinteressante e o deplorável.

O que é uma pena! Havia tanto potencial nesta colecção. Autores relativamente conhecidos à mistura com autores desconhecidos, diversidade de estilos e gerações, uma boa edição e uma divulgação que não foi má de todo... Tinha tudo para ser fantástica e infelizmente ficou-se pelo medíocre!

Também já pensei se este resultado não estará relacionado com a pouca tradição e apetência dos escritores portugueses para o conto. Pelo menos não encaram esse formato como eu acho que ele merece, na sua maioria. Talvez isso já esteja de tal forma enraizado na nossa cultura literária que os escritores têm uma aversão natural e acontece isto...

Mas confesso que dá esperança. Esperança que de talvez apareçam mais iniciativas assim. E com mais destaque para o Fantástico, que também merece e tem muito boa gente capaz de o representar como deve ser junto do público geral. Quando é que volta a acontecer algo assim? Gostava de saber.

Até lá, é continuar a cascar nestes, para ver se este pessoal aprende!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um romance



Título: Um Romance
Autor: Rui Zink

Opinião: Já li este conto há algum tempo, e por acaso entretanto já li e comentei outra história do autor, da qual até gostei. Mas este conto não me agradou minimamente, e a ideia com que fiquei do autor foi a de que ele é um tipo parvo.

Não querendo ofender ninguém, sempre o achei um homem que se esforça demasiado para ser engraçado, e acaba por falhar redondamente, caindo mais facilmente na palermice do que no humor.

Enfim, não conheço o homem e não sei praticamente nada dele, portanto não quero aqui fazer juízos de valor, mas é esta a ideia que o conto me transmite. Não achei a escrita nada de especial, e a história não ata nem desata, chegando mesmo a ser uma parvoíce pegada.

"Não me convenceu minimamente, e se já tinha pouca curiosidade quanto aos seus livros, agora não tenho nenhuma.", foi o que eu anotei depois de ler isto, mas agora não sou tão radical, depois de ter lido A Espera. A ver vamos!

quarta-feira, 26 de março de 2014

A terrível criatura sanguinária


Título: A Terrível Criatura Sanguinária
Autor: Nuno Markl

Opinião: A história é confusa, mas curiosa. Até porque envolve um conceito bastante interessante: um mosquitomem! Porque é que não há dezenas de autores portugueses a pegarem neste tipo de conceitos? É genial!

Entre criaturas da noite, que são perfeitamente aceites como algo normal no mundo criado pelo autor, e pessoas que ora as evitam, ora se esforçam por se tornarem nelas, as personagens não são particularmente marcantes.

Acho que o autor podia ter pegado na história de outra forma, e tê-la tornado muito mais interessante, mas não foi dos piores contos que já li, nesta colecção, o que é dizer muito, se tiverem acompanhado as minhas críticas!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Cidade Líquida


Título: Cidade Líquida
Autor: João Tordo

Opinião: Sem ter propriamente uma história, confesso que este conto de Tordo me aborreceu.

Normalmente até sou bastante fã deste autor, mas achei que neste caso a metáfora que tenta criar se enamora de si própria, tornando o conto numa pequena confusão.

Entre filmes, realidades, percepções estranhas de ambas as coisas, e coincidências não tão aleatórias quanto isso, o personagem principal percorre um caminho algo tortuoso, perdido entre auto-comiseração e melancolia.

Tudo temas bastante típicos de Tordo, mas que me parecem mal aproveitados neste caso. A escrita, pelo menos, tem a qualidade do costume.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A balada da vala dos velhos


Título: A balada da vala dos velhos
Autor: J.P.Simões

Opinião: É com uma escrita mediana que JP Simões conta uma história que se revela algo banal.

O build-up é imenso, e o fim tão previsível que decepciona. A coisa não teria corrido tão mal se o autor não tivesse passado o conto todo a esconder o fim e a modos que a preparar essa grande conclusão, mas fá-lo de forma tão óbvia que o efeito se perde completamente.

Sem absolutamente nada que se destaque, este foi um conto que me passou um bocado ao lado. Gostava de ter visto uma escrita mais emocionante, ou um desenvolvimentos mais originais.

Não tendo essa sorte, fico com a ideia de ter lido um conto bastaaaaaante mediano.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Amo-te para sempre


Título: Amo-te para sempre
Autor: Fernando Alvim

Opinião: Achei este conto um pouco disperso. Até nem está mal escrito, mas os constantes parênteses são apenas palermas. A sério, o conto ficava melhor sem eles, não fazem qualquer tipo de sentido, e aborreceram-me.

É uma técnica que até pode ter alguma piada, mas que quando usada em exagero apenas consegue interromper desnecessariamente a leitura e assim dificultar a vida ao leitor.

No entanto a história não está má: o protagonista está bem caracterizado (que tipo freakazóide do caraças) e o final é, na realidade, um bocado assustador. Aquilo está-se mesmo a ver para onde caminha, mas é perturbador de qualquer maneira.

Em suma, um conto que não me enche as medidas, mas que não achei mau de todo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Acho que posso ajudar


Título: Acho que posso ajudar
Autor: David Machado
Ilustradora: Mafalda Milhões


Opinião: Este conto é uma história infantil que achei bastante competente. História simples e engraçada, contada de forma repetitiva com as fórmulas típicas deste tipo de contos, Acho que posso ajudar é algo que eu não teria problemas em ler a crianças.

A escrita é boa, ainda que me tenha parecido fraca em termos de imagens, com descrições pouco cativantes, o que provavelmente seria importante, pois sendo esta uma leitura para crianças, é preciso que se sintam facilmente cativadas e embrenhadas na história, e um dos melhores artifícios para conseguir isso é exactamente ter imagens fortes, ainda que com palavras simples.

Essa pequena falha é no entanto colmatada pelas ilustrações de Mafalda Milhões, que consigo apenas descrever como fofinhas, e que complementam muito bem a história e a escrita de David Machado.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O Homem que existia demais


Título: O Homem que existia demais
Autor: Possidónio Cachapa

Opinião: Tendo em conta a minha experiência com os contos desta colecção, devo dizer que fiquei bastante surpreendido com a qualidade deste. Não é excelente, mas é claramente superior à média dos outros que já li.

Em O Homem que existia demais, Possidónio Cachapa conta uma história com uma base nada original: um tipo semi-desleixado e nada preocupado, cujo objectivo de vida de ser feliz e livre se confunde frequentemente com as ânsias de quebrar as convenções sociais.

Mas a verdade é que o autor o faz bem. A personagem fica bem caracterizada, e a história toma contornos interessantes.

Há, no entanto, alguns pormenores mais estranhos e menos agradáveis, como o facto do protagonista, segundo a descrição dada, ter uns olhos tão espectaculares que faziam as senhoras fazerem chichi.

Isto é quase citado directamente do texto. Foi um momento estranho, garanto-vos. Mas felizmente isto não impede que o conto seja interessante.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O progresso da Humanidade


Título: O progresso da Humanidade
Autor: Rui Cardoso Martins

Opinião: Bastante razoável, O progresso da Humanidade é um conto engraçado.

A personagem principal não é particularmente carismática, é certo, mas pelo menos é um tipo louco dos cornos. O que é que se pode pedir mais de um protagonista?

Influenciável e inevitavelmente arrastado para níveis cada vez mais profundos de paranóia e ilusão, o protagonista procura o seu lugar no mundo.

Passando até por um grupo de nazis, é na caça ao lobo que encontra o seu objectivo, e o seu destino. Mas sem nunca deixar de ser completamente passado da cabeça, uma personagem interessante e moldada de forma curiosa, que só deixa a desejar por parecer demasiado "criação literária" e pouco "pessoa".

Narrado a partir de entradas do seu diário e de depoimentos de várias pessoas, o conto tem uma história bem contada e com um final algo irónico, mas sem dúvida violento. Relativamente violento, pronto, mas o suficiente para ser a (ainda que previsível) cereja em topo do bolo.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A Cerimónia


Título: A Cerimónia
Autor: João Bonifácio

Opinião: A pior parte deste pequeno conto é sem dúvida o narrador/protagonista. Arrogante, irritante e confuso, aborreceu-me mais do que me manteve interessado na história.

Recheado de momentos idiotas, parvas interpelações directas ao leitor, e parênteses completamente desnecessários, não posso dizer que este seja um conto de que tenha gostado.

Ainda por cima a escrita é apenas aceitável. A obsessão com a música podia ser um ponto interessante, mas perde-se no meio do ridículo.

Enfim, até prova em contrário, um autor a manter longe.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A mina do deus morto



Título: A mina do deus morto
Autor: João Barreiros

Opinião: Barreiros é um escritor que ainda não me desiludiu. Conto, livro, novela, ou calhamaço partilhado, de tudo tenho gostado.

E em A mina do Deus morto, o autor volta a repetir a gracinha. A sua capacidade em escrever algo que se situa num universo muito maior, complexo, detalhado e por ele criado, é fenomenal.

Consegue situar o leitor, não o deixando perder-se em referências, explicando apenas o suficiente para que sejamos capazes de apreender o resto.

A forma como o faz dá uma excelente caracterização ao espaço implacável e cru em que a história se situa.

Mas no meio disto tudo a história não fica para trás! O pó divino, restos mortais de um antigo Deus, que aumenta a capacidade cognitiva e chega mesmo a devolver vida, é uma ideia fascinante e bem explorada nesta história dominada pela electricidade.

Este é, resumindo, um conto que deixa água na boca, bem escrito, e recheado de ideias e pormenores fascinantes.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Mania


Título: Mania
Autora: Luísa Costa Gomes

Opinião: Confuso e sem qualquer espécie de fio condutor, neste conto nem a escrita se safou. De peripécia (acho eu) em peripécia, o protagonista, Sáurio, um escritor acabado e uma personagem muito pobrezinha, tenta fazer algum sentido da sua vida, ou algo do género. Nem percebi muito bem.

Na ânsia de filosofar um pouco, e de tentar criar uma narrativa profunda e complexa, a autora conseguiu apenas escrever um conto sem ponta por onde se lhe pegue, que começa com um telefonema enganado e acaba com um leitor enganado.

Afinal, a autora supostamente tem uma carreira já cimentada em torno da escrita, nomeadamente de contos. E este Mania é o que é. Possivelmente é por ter sido reescrito, já que é uma reciclagem de um outro conto, mas vou manter as minhas reservas.

Aquilo que encontrei foi uma escrita miserável e um conto deplorável. Um dos piores exemplos que esta colecção tem para oferecer, no meio de tanta coisa já de si bastante mediana.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Defensor do Vínculo


Título: Defensor do Vínculo
Autor: Pedro Mexia

Opinião: Este conto ainda conseguiu ser dos mais suportáveis, dentro dos que já li nesta colecção. Mas também já não espero grande coisa destes contos, portanto já não caio na desilusão que me atacou após ler os primeiros.

O conceito neste caso é engraçado, uma espécie de advogado cujo papel é defender o vínculo do casamento, não o marido, não a mulher, não os filhos, não os bens, mas o casamento em sim.

Mas o autor acaba por se perder numa pequena salganhada de termos e descrições meio desconexas, permeadas aqui e ali com leves avanços da história, que nunca se percebe muito bem qual é.

Pelo menos a escrita não está má, mas como tem vindo a ser hábito com esta colecção, muito aquém da qualidade que se poderia esperar de um autor conhecido e com algum currículo. Não só em termos de escrita, mas em termos de história. Talvez os autores tenham sido pressionados para escreverem estes pequenos textos, e o resultado ocasionalmente deplorável seja devido a isso?

Não sei, mas até agora quase nenhum dos contos me agradou como deve ser, e este não é excepção.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Moeda



Título: A Moeda
Autor: Gonçalo M. Tavares

Opinião: Este é um autor que tenho esperança que ainda me venha a convencer. Porque a escrita até é boa, e sempre que leio algo dele os meus bizarrómetros disparam. O que é bom.

Infelizmente fica sempre muito aquém. Gonçalo M. Tavares tem várias mensagens que quer fazer chegar a quem o lê, e não se poupa a esforços. Isso leva a que o que escreve esteja constantemente a tentar forçar uma determinada ideia.

E eu pessoalmente não suporto isso. É principalmente por essa razão que não fiquei particularmente fã deste conto, que para além de ser demasiado pequeno para ser capaz de apresentar de forma sólida o nonsense que tenta apresentar, não passa de um mero meio de transmitir a mensagem do autor, de forma pura e dura.

Não sei se me faço entender, mas não sou capaz de gostar de Gonçalo M. Tavares, se tudo o que ele escrever for assim.

Um rio chamado Angústia



Título: Um rio chamado Angústia
Autor: Eduardo Madeira

Opinião: Com piadas sem grande piada pelo meio e trocadilhos que, enfim, não foram grande coisa, Um rio chamado Angústia é mais um conto sem interesse nenhum.

A ideia é a de um rio ficcional que serve como metáfora mal disfarçada e bastante óbvia. A escrita também não é nada de especial.

Sei que isto está curto, mas não tenho mais nada a dizer... Nada se aproveita.

A Porrada


Título: A Porrada
Autor: Mário de Carvalho

Opinião: Achei este conto bastante fraquinho. É sobre um casal todo finório mas cheio de problemas, em que o marido frequenta um clube onde anda à porrada. É isto.


Bastante superficial, a história não chegou a mostrar-se-me interessante. Um casal discute, tratam-se por você e não dizem nada de jeito nem discutem por nada em concreto.

E depois o marido vai para um clube onde anda à porrada. Só porque sim. Chega a casa todo esmurrado e feliz da vida.

A sério, não percebi o propósito.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um velório alegre



Título: Um velório alegre
Autor: Mário Zambujal

Opinião: O que é que foi isto? Boa pergunta. Este conto é um bocado disperso sem ser propriamente abrangente, e acabou por não me convencer minimamente.

Nem a escrita me agradou. Por vezes chega a parecer português do Brasil, o que é normal se for um brasileiro a escrever, mas que quando é um português apenas soa a mau português.

E nem sequer se percebe muito bem a história. Um tipo discorre sobre a mulher que desejava mas que desejava outro, e depois pensa que o outro morre, mas afinal não morreu e... Não sei, não gostei mesmo nada.

A musa irrequieta



Título: A musa irrequieta
Autor: Pedro Paixão

Opinião: Este conto surpreendeu-me pela positiva, por ter uma escrita que achei acima da média destes contos do DN. Não lhe consegui encontrar grandes falhas em termos do que quer que seja, pareceu-me de facto bem escrito.

Mas como não podia correr tudo bem, a história não me fascinou. Ou melhor, não lhe achei particular piada. Começa por ter uma ideia interessante, a da aluna que é "eleita" como alvo das aulas do protagonista, para que este se consiga concentrar melhor ao imaginar que dá as aulas especificamente para essa pessoa.

Acho que a relação entre o professor e a(s) sua(s) musa(s) está bem explorada e isso tudo, mas depois descamba no romance barato de trazer a lagriminha ao canto do olho. Não ficou mal escrito, mas ficou uma história que achei desinteressante e da qual não teria gostado nada se não tivesse sido o início.

Notas soltas da corda e do carrasco



Título: Notas soltas da corda e do carrasco
Autor: Sérgio Godinho

Opinião: Com um começo algo confuso, este conto até que conseguiu manter-me moderadamente interessado. A perspectiva de um carrasco sobre a pena de morte e a morte em si conseguiu ser relativamente apelativa, ainda que a escrita não tenha acompanhado muito bem.

Porque o grande defeito é exactamente a escrita... O começou foi confuso, depois melhorou, mas andou sempre a oscilar entre razoável e pouco mais que razoável. A sensação que me deu foi que era atabalhoada.

E a ideia com que fiquei do conto foi que foi escrito de rajada, sem pensar muito no assunto. O autor simplesmente sentou-se, sem saber muito bem o que ia escrever, e escreveu até achar que já chegava.

Isso levou a uma premissa que não sendo propriamente original, poderia ter sido melhor aproveitado, mas a uma estrutura narrativa que não funcionou lá muito bem, em grande parte graças à escrita, que não me convenceu por aí além...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

As saudades que eu tenho de Inácia


Título: As saudades que eu tenho de Inácia
Autora: Manuel Jorge Marmelo

Opinião: Inácia é uma mulher muito feia. Isto é essencialmente o que eu retiro deste conto. A maior parte do texto está inteiramente dedicado a descrever Inácia em toda a sua fealdade, uma mulher de bigode, com absolutamente nada de agradável. Verdadeiramente nojenta.

Tirando uma coisa. Parece que Inácia era um autêntico poder divino na cama. Olhar para ela e tocar-lhe podia parecer uma tortura infernal da pior espécie, mas quando envolvidos em lençóis, Inácia era uma deusa capaz de fazer qualquer homem ascender aos céus.

Bem, isto é um bocado estranho. Curioso, mas estranho. O protagonista não se poupa a esforços no que toca a descrever o semblante e a pessoa de Inácia em toda a sua asquerosa majestade, e depois de repente diz que tem umas saudades tremendas de se perder por entre as pernas dela.

Não sei se já repararam, mas foi demasiado. O conto podia ter sido interessante, o contraste entre um exterior absolutamente horrível e um interior não muito melhor, e uns dotes carnais divinais tinha tudo para resultar em algo curioso. Bizarro, mas curioso. No entanto acabou por se perder demasiado na descrição de Inácia, e a única coisa que tenho realmente a dizer sobre o conto é que Inácia é uma mulher muito, muito feia.