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sábado, 13 de junho de 2015

Feira do Livro 2015 e os Impérios do Mal


Bem-vindos! Os mais distraídos ficam a saber que não só a Feira do Livro já começou, como está prestes a acabar! Há anos em que até costumo avisar e fazer publicidade e isso tudo, mas isto está cada vez mais complicado... Portanto ficam com este aviso para lá passarem entre hoje e amanhã, que já não é mau.

Vamos agora às queixas. Isto da Feira do Livro é uma coisa muito engraçada, com cada vez mais editoras (e a Chiado, também), e gosto de lá ir comprar livros e tudo, mas aquilo é uma desgraça autêntica. Um tipo olha para o mapa e fica com vontade de chorar: bastam três grupos editoriais para preencher quase metade da Feira. Porto Editora, Presença, e o Império do Mal por excelência, a Leya.

Análise de mercado não é propriamente uma das minhas especialidades, mas parece-me óbvio que isto não é bom. Ainda por cima quando é fácil de perceber a falta de escrúpulos destes grupos. São autênticos Golias empresariais que sugam pobres Davids para dentro da sua estrutura livreira e os reconvertem às suas práticas. Uma espécie de Romanos ao contrário.

"Bah, estás a exagerar!"

Ai estou? Digam-me onde anda a colecção azul de FC da Caminho? E os Saramagos sem capas ridículas? E os Argonautas? Onde? Nos alfarrabistas?

Pois é.

E estes são só os casos de que me lembro. E não serão os últimos. Acreditem em mim, isto só vai piorar. Os afluentes editoriais destes Impérios do Mal parecem continuar relativamente independentes, mas não se deixem enganar. Mais dia menos dia e tornam-se indistinguíveis uns dos outros.

(e vou ignorar completamente o facto da Chiado ter uma das maiores zonas da Feira, nem sequer ter na ideia que alguém considera aqui alguma coisa, eu não a deixava ir para lá, ainda para mais para ter aquela caixa ridícula de "deixe aqui o seu manuscrito")

Enfim. Vamos deixar estas coisas para outra altura e passar a falar de livros. Reparem outra vez na foto lá de cima e observem as minhas fantásticas compras. Quero que comecem por notar nos três volumes de História das Ciências que comprei por dois euros cada, e que validam o meu certificado de nerd até ao próximo ano. Depois reparem no King Kong, que me custou outros dois euros, e que valida o meu certificado de geek até ao próximo ano.

Agora o bicho que mais se destaca: A Voz do Fogo, de Alan Moore, que só me custou cinco euros e para o qual me ando a babar há anos. Nem vou comentar, venha ele!

O que sobra? Algo que me deixa muito orgulhoso: quatro livros de autores portugueses, sendo que dois são BD's! Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa vai-se tornar um clássico, não tenho dúvida alguma, e portanto não podia deixar de o ter nas minhas estantes. O Batalha, do David Soares, era olhado com expectativas altíssimas, e agora com umas expectativas mais baixas, mas ainda é um livro deste autor que sempre me deixou interessado. Fábula cuja protagonista é uma ratazana ateia? É que falamos bem.

Por fim, Cidade Suspensa, de Penim Loureiro, e O Baile, de Nuno Duarte e Joana Afonso. O primeiro livro tem um ar fantástico e promete recorrer ao imaginário Fantástico português de uma forma que me deixa muito curioso, e o segundo, enfim, vem das mãos de um dos meus argumentistas portugueses preferidos, e é ilustrado por uma das minhas artistas portuguesas preferidas. É que mal posso esperar!

E com isto tudo, não comprei um único livro que tenha custado mais de dez euros. O total nem chega aos cinquenta! Provavelmente ainda vou comprar mais qualquer coisa (Afonso Cruz, estou a olhar para ti), mas não gasto muito mais.

Da vossa parte, não se deixem intimidar pelas Impérios do Mal e ataquem. Passem na Feira do Livro e percam tempo a procurar e a folhear, que encontram-se coisas muito, muito boas.

sábado, 14 de junho de 2014

Balanço Feira do Livro 2014


Oficialmente a Feira do Livro só acaba amanhã, mas para mim já rendeu o que tinha a render. Fiz umas visitas bastante proveitosas, comprei, dei e recebi livros, sempre a preços estapafurdiamente baratos - só um dos livros que comprei para mim ultrapassou os 5.5€, o que, convenhamos, é ridículo.

Por entre calor (especialmente na última visita), montanhas de gente, farturas, algodão doce e gelados, as hostilidades foram iniciadas com o Forças do Mercado, de Richard Morgan, uma pechincha na banda da Saída da Emergência, sobre um mundo em que as disputas se resolvem com choques frontais de carros e que me foi aconselhado por nem mais nem menos do que o autor João Barreiros, durante o último Fórum Fantástico.

Depois encontrei dois volumes da colecção azul da Caminho, O futuro à janela do Luís Filipe Silva (que já fica a saber que lhe vou cravar um autógrafo) e Universal, limitada da Isabel Cristina Pires. Tenho boas expectativas para estes dois, especialmente para o do Luís Filipe Silva, que já lhe conheço a escrita, mas por agora vão ficar arrumados numa pilha especial cheia de autores tugas, para uma temporada temática de autores portugueses a decorrer... eventualmente.

Para minha surpresa ainda encontrei um livro que já nem me lembrava que queria: Grimpow - A última das bruxas. Comprei o primeiro volume desta saga espanhola, da autoria de Rafael Ábalos, quando era puto, e lembro-me que gostei... Tinha mistérios para o leitor resolver e tudo. É juvenil, sem dúvida, mas tem uma premissa interessante e um Ouroboros nas lombadas, portanto já cá canta.

Outra surpresa foi encontrar este Mitos e lendas da terra do dragão, de Wang Suoying e Ana Cristina Alves, um livro quase quadrado, fininho mas com boas ilustrações e repleto de mitos chineses. Quem conhecer o meu apreço por mitologia não vai ter dificuldade nenhuma em perceber esta compra.

A primeira prenda que recebi foi o massivo The decline and fall of the Roman Empire, de Edward Gibbon, um volume gigantesco e que ainda assim só contém 28 capítulos seleccionados dos 71 que compõem esta obra exaustiva, escrita no século XVIII. Gosto de história, gosto do Império Romano e gosto de livros dantescos. Dá nisto.

Um pouco como o segundo volume de Grimpow, Túneis - Mais perto da verdade, de Roderick Gordon e Brian Williams, é a continuação de uma saga que iniciei quando era mais nova, mas desta vez andei especificamente à procura dele. Tenho a perfeita noção de que esta saga é realmente boa, de tal forma que ainda me lembro de bastantes detalhes, embora já tenham passado anos e anos desde que peguei nela. Fica assim marcada para uma releitura breve!

Sobre A Mitologia dos Mouros, de Alexandre Parafita, também não tenho de dizer nada, pois não?

Aquele livro super fininho e super amarelo que está a seguir foi um prémio na roda da sorte da Presença, depois de lá comprar a saga Terramar, da Ursula K. LeGuin, para oferecer. É para aprender inglês com o Gerónimo Stilton... Traz um CD e tudo! *suspiro* Tenho que arranjar alguém a quem oferecer aquilo.

O Cantar do Cid foi uma prenda para mim próprio que simplesmente tinha de acontecer. É a epopeia espanhola mais antiga que se conhece! E só me custou 5€!! E pronto, foi a minha última compra. Ainda recebi três Argonautas (can't go wrong with those): As Linguagens de Pao, de Jack Vance; Bugs, de John Sladek e Mundo Adormecido de Gordon R. Dickson. Com estes últimos cartuchos fico com a bonita soma de 42 Argonautas, o que me deixa bastante satisfeito.

Pelo meio ainda tive tempo para duas coisas importantes e que correram muito bem. Uma foi arranjar uma prenda para o meu afilhado, aquele livro grande que está ao lado da pilha e que não é bem um livro. Quando se abre desdobra-se um castelo, cheio de pormenores, muito bem feito e ideal para brincadeiras. Havia um com um esqueleto, mas não tinha tantos pormenores, e infelizmente não havia nada com dragões nem dinossauros, mas fiquei bastante satisfeito.

A outra foi ir ter com o Filipe Faria, autor das Crónicas de Allaryia e da saga Felizes Viveram Uma Vez, e tradutor de uma data de BD's da Marvel e da DC, ter o meu O Fado da Sombra autografado:


Assim como um marcador (para o ano levo o meu d'O Fado da Sombra!!!):


E ainda deu para trocar dois dedos de conversa:


O Filipe Faria foi sempre muito simpático e acessível. Chegou inclusivamente a pedir que lhe enviasse o link da minha temporada temática com a saga dele, que já leu e comentou! É sempre fantástico ter um autor a ler as minhas críticas e os meus devaneios... No fundo a reconhecer o meu trabalho, as minhas muitas horas gastas a ler e a escrever sobre o que leio. Faço-o por gosto, é certo, mas vocês compreendem. Por isso um muito obrigado ao autor, com a promessa de que para o ano estou lá de certeza!

Como podem ver foi uma Feira e tanto. Digam o que disserem, é das minhas alturas favoritas, e continua a ser o evento para quem gosta de livros. Agora é só mentalizar-me que acabaram-se as compras durante uns tempos, e tenho é que ler!

sábado, 7 de junho de 2014

84ª Feira do Livro (2014)


E aí está ela, senhoras e senhores! O grande evento empobrecedor das massas leitoras! O antro de implacáveis negociantes sem misericórdia para com quem gosta de ler!

A Feira do Livro de Lisboa. Já lá passei e ainda lá vou mais alguma vezes. Já comprei umas coisas, incluindo um O futuro à janela do Luís Filipe Silva, ao preço da chuva, um livro bem bonito mitos, Mitos e Lendas da Terra do Dragão, e um massivo The Decline and Fall of the Roman Empire, com 28 capítulos em 71 do magnum opus de Edward Gibbon.

E como é óbvio tenho outras tantas coisas debaixo de olho. Fiquem a saber que vale a pena visitar os alfarrabistas. E que há rumores de que na banca da Saída de Emergência se pode aproveitar a promoção de pague 2 leve 3 comprando um "normal" e um da banca dos 8 e 5 euros.

A praça LeYa é que é um mimo, aquilo está bem recheado de livros interessantes e bem baratos, embora continue a esconder os clássicos de FC portuguesa e não dar destaque a volumes com a obra toda de Jorge Luís Borges ou de Italo Calvino. Tenho a certeza que devidamente publicitados vendiam que nem churros (que são muito bons, este ano).

As sessões de autógrafos também andam fortíssimos, e eu vou tentar apanhar Mia Couto (e talvez pedir-lhe para ser meu tio, ou assim), Filipe Faria (e fazer-lhe uma vénia por ter criado o Seltor) e Gonçalo M. Tavares (para lhe dar com os livros dele na cabeça). Ok, estou a brincar quanto ao último, embora gostasse realmente de ter oportunidade para conversar com o escritor. E com os outros também, mas enquanto que com Mia Couto ia ser um festival de "VOCÊ MERECE O NOBEL, EU VOU LIGAR À ACADEMIA SUECA!", e com o Filipe Faria ia ser mais "Epah, quando é que escreves mais sobre o Seltor? Talvez uma trilogia. Ou só isso para o resto da tua vida. Mas sim, faz isso.", com Gonçalo M. Tavares ia aproveitar para discutir a sério os livros dele, porque independentemente de ter gostado ou não do que li, e de ainda ter esperanças para o Uma Viagem à Índia, acho o homem fascinante.

Enfim, façam como eu e passeiem muito por lá, que aquilo vale a pena!

sábado, 24 de maio de 2014

Feira do Livro 2014

Dá gozo, passear no meio de livros. Mesmo para quem não leia muito, há qualquer coisa de muito interessante a passar-se nas livrarias e nas secções literárias da FNAC, por exemplo. Seguir um simples trajecto que nos obrigue a cruzar estantes e a ler lombadas de livros só para não nos aborrecermos diz-nos qualquer coisa.

Em especial a nós, leitores, claro,

Esta é uma das razões para a popularidade do evento que junta todos os anos uma quantidade enorme de livreiros e editoras, com a programação ainda salpicada com alguns autores.

Mas sabem o que é que eu gosto mesmo da na FL? O facto de ser possível, de forma bastante literal, duas horas a olhar para livros, a folhear e a mexer e a ler sinopses e primeiros parágrafos... Sem mais nada à minha volta, zero de problemas e zero de preocupações.

Mais ou menos como o hakuna matata.

Felizmente, para apimentar um pouco as coisas, tem havido uma certa polémica com esta edição da FL. Desde os pavilhões novos, supostamente comprados em tempos de crise profunda, até à sua realização no Porto. Já vi que não se ia fazer, e depois que afinal se ia fazer, que ia ser clandestina e tal... E agora sinceramente já não sei como é que isso anda.

Há ainda a questão do voluntariado, uma polémica mais discreta mas que está lá a fincar o pé. Parece que a organização gosta pouco de ter que pagar aos seus trabalhadores, então arranja voluntários para trabalharem basicamente de graça, vendendo-lhes o "cargo" como óptimo para o desenvolvimento pessoal e não sei quê.

Eu cá vejo isso como exploração. Cheguei a candidatar-me (sem sucesso) o ano passado, mas este ano aquilo não me entrou muito bem na cabeça. Voluntariado é para ajudar em catástrofes, ou questões sociais. Não para estar na feira do livro a... Nem sei muito bem.

Mas pronto, felizmente nada disto é problema comigo, desde que aquilo continue a abrir dia 29 deste mês e a estar aberto pelo menos duas semanas... Se bem que é uma pena aquelas confusões que já quase são tradição, no Porto.

Por agora nada ma resta a não ser esperar e desesperar ligeiramente, enquanto não chega a altura de chafurdar em livros!