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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Vingadores: Para Sempre #2 (Universo Marvel #11)


Argumento: Kurt Busiek e Roger Stern
Arte: Carlos Pacheco, Jesús Merino, Steve Oliff
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Tenho alguma pena deste livro. Estava condenado à partida. Depois do primeiro volume, poucas eram as hipóteses que iam fazer subir a minha opinião desta história. E como é óbvio, nenhuma delas se concretizou.

Em vez disso tive direito, enquanto leitor já francamente desiludido, a um dos livros mais fracos que já li da Marvel, sem qualquer ponta por onde se lhe pegue. Um desfilar de personagens só porque sim, acções completamente fora do carácter de várias das personagens, por algum motivo desconhecido, e um ritmo mais do que inconstante.

E, novamente, é uma pena. O potencial está lá: uma série de personagens relacionadas umas com as outras, mas só mais ou menos, com excesso ou falta de problemas para resolver entre eles, e uma série de combates emocionais que o argumenta tenta mostrar a serem travados... e falha redondamente.

Todos os momentos que poderiam servir para desenvolvimento desta ou daquela personagem acabavam por ser demasiado artificiais e forçados, como se os autores tivessem que incluir esses momentos, mas não o quisessem fazer. Enfim.

O resultado é esta desgraça, em que, muito sinceramente, não se percebe pevas. Há uma personagem em particular que serve de vilões e heróis (sim, opostos, sim, plural) e que tinha tudo para ser o elo de ligação entre as várias linhas narrativas, mas que se revela simplesmente como uma personagem fraca e sensaborona, a tomar decisões ao ritmo a que a narrativa exigia para não morrer de vez.

Desilusão e alguma pena, é tudo o que sobra desta leitura. Definitivamente a não repetir.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vingadores: Para Sempre #1 (Universo Marvel #10)


Argumento: Kurt Busiek e Roger Stern
Arte: Carlos Pacheco, Jesús Merino, Steve Oliff
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Quando a Marvel decide brincar com viagens no tempo, há potencial. Pelo menos há bons precedentes. Mas como este livro prova, também pode dar barraca.

Um dos motivos é o excesso de esforço. Este livro tem tantas personagens, tantas linhas narrativas, tantos conflitos, tantos mistérios... e é só a primeira parte! Isto podia ser bom, mas o argumento não lida da melhor forma com tanta coisa e acaba por tornar este livro um dos mais fracos desta colecção, ainda que dê para entreter.

Outro motivo é algo que até considero um conceito genial, mas que é bastante mal aproveitado. Além do mais-ou-menos-vilão também ser o mais-ou-menos-herói, apenas em pontos diferentes da sua linha temporal, também a equipa de Vingadores foi reunida de várias épocas, todos escolhidos a dedo: um Capitão América desapontado, dois Hank Pym em fases opostas da sua vida, um Hawkeye ligeiramente selvagem... Enfim, estão a perceber a ideia.

O objectivo é bom, e a equipa até foi bem reunida, mas a coisa acaba por não funcionar. Ou melhor, até funciona, mas a ideia com que fiquei foi a de que teria funcionado com praticamente qualquer outro conjunto de personagens, de qualquer outra época. O livro não vinca o suficiente a necessidade de serem estas personagens em específico.

E depois toda a história é uma grande confusão. Demora-se muito a perceber quem é quem e quem é que está a fazer o quê, e depois há várias iterações da mesma pessoa e uma grande confusão. Dá para entreter, como já disse, e a arte é competente e agradável, embora me tenha parecido banal, mas não passa disso.

A quantidade imensa de texto e de explicações literais também prejudicou bastante a obra. Digamos que só avancei para o próximo por uma questão de ficar a saber a conclusão...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Marvels (Universo Marvel #7)


Argumento: Steve Darnall, Alex Ross, Kurt Busiek
Arte: Alex Ross
Tradução: José de Freitas


Opinião: Marvels foi dos títulos que mais curiosidade me despertou, na lista inicial desta colecção (que está a ser fantástica, não me arrependo nem um bocadinho de a estar a fazer). A descrição de "momentos chaves do Universo Marvel pelos olhos de um homem comum" é das mais curtas e intrigantes que vi nos últimos tempos.

E o livro oferece isso mesmo: vários momentos importantes, a maior parte deles facilmente reconhecíveis (mas também alguns mais obscuros ou discretos), pelo ponto de vista de um jornalista cujo único poder que tem é o da observação.

Há uma lista no final a detalhar tudo o que aparece, mas é possível ver Galactus a fazer o costume, assim como Namor e o Tocha Humana a lutarem entre si e contra os nazis. Tanta coisa!

A forma como isto é feito ainda é o melhor. A arte é simplesmente fantástica e atípica dos comics, pelo menos dos norte-americanos, com um estilo realista, como se fossem fotografias pintadas, e para as quais Alex Ross teve que andar a incendiar coisas e a usar amigos como cobaias de poses, para conseguir desenhar tudo da melhor forma.

Este aspecto realista dá um toque de verdade às imagens: quando os protagonistas são os heróis, tudo tem um ar de comic, quase de cartoon, por vezes, com expressões faciais exageradas e movimentos impossíveis, mas aqui o ponto de vista é o de um simples jornalista, portanto não soa a falso, antes pelo contrário!

O complemente entre arte e argumento é muito bom, especialmente porque o argumento não se deixa ficar atrás e conta uma das melhores histórias de super-heróis que já li, sem ter qualquer super-herói como protagonista mas sim como personagens mais secundárias que personagens secundárias: fazem parte do background, não do enredo.

E claro que desfolhar Marvels é visitar a versão mais próxima da realidade daquele universo que é o dos super-heróis (da Marvel). Não consegui evitar pensar "isto parece mesmo real... será?", depois de estar imerso na história, e isso é o maior testemunho da força e da qualidade deste livro.