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sábado, 4 de abril de 2015

Colecção "Universo Marvel"


As minhas expectativas para esta colecção eram medianas. Era a primeira vez que ia fazer uma colecção de BD deste género do princípio ao fim, o que me deixou ansioso. Muitos dos títulos agradavam-me bastante, o que me deixou mais ansioso. Mas conheço bem a tendência da Marvel para, digamos, exagerar e publicar algumas coisas com um padrão de qualidade bem reduzido.

Mas achei que valia a pena. Capa dura, com a qualidade da Levoir, que nos últimos anos tem apresentado colecção atrás de colecção de forma impecável, e pelo menos algumas histórias que já sabia que não me iam desapontar.

O que aconteceu foi curioso. Se por um lado aconteceu aquilo que eu esperava - dar de caras com livros francamente abaixo de medianos - por outro também tive algumas surpresas bastante agradáveis.

Por exemplo, gostei bastante dos dois primeiros livros, com a história do Soldado do Inverno, que originou o mais recente filme do Capitão América. Não sendo fã da personagem (aquele patriotismo e virtuosismo todo faz-me comichões), fiquei honestamente surpreendido com a qualidade da história e da forma como está construída.

A Última Caçada de Kraven também se revelou um dos melhores, embora eu esse já esperasse, que só via muito boas críticas por todo o lado. O Marvels, por outro lado, tinha-me deixado ligeiramente mais duvidoso, apesar de também ter visto críticas fantásticas. A premissa interessava-me, mas não a estava a ver a funcionar. E no entanto tive que me render: é um livro fenomenal.

Dias de um Futuro Esquecido teve a sorte de ser praticamente uma história da minha infância, da qual sempre gostei, e que envelheceu muito bem. Mas nunca tinha ouvido falar de Triunfo e Tormento, e gostei. A capa deu-me logo a indicação de que aquilo era obra do Mignola, e que portanto havia de sair qualquer coisa interessante...

Depois tanto os Contos de Fadas Marvel e Mulheres da Marvel me agradaram, ainda que não como um todo. A ideia do primeiro é para lá de genial, e a execução da maior parte das histórias é perfeita, mas há outras que deixam a desejar. Com o segundo passa-se algo parecido, só que desta vez nenhuma das histórias me agradou por aí além: foi mesmo o facto de ver a arte de Milo Manara num contexto diferente (e ainda assim tão igual), bem a fantástica arte portuguesa que por lá anda, que me agradou.

O pico provavelmente chegou com Hulk: Cinzento, este sim uma verdadeira surpresa. Não sabia nada sobre o livro, a personagem de que estava à espera não me fascinava por aí além, e não vi nenhuma crítica relevante. Mas foi sem dúvida a melhor leitura desta colecção, uma autêntica obra-prima que consegue contar uma história altamente expressiva do Hulk, uma personagem normalmente representada com pouca expressividade. E o mais incrível é que a história ficou bem contada, cativante, e acompanhada de uma arte verdadeiramente impressionante.

Estes livros de que falei deixaram-me a pensar que a Marvel, quando se esforça, consegue produzir coisas muito, muito, mas muito boas. É uma pena que por cada Hulk: Cinzento existam uns dez Invasão Secreta, ou Vingadores para Sempre. Mas já não é mau.

Portanto, se tinha algum receio de me arrepender do dinheiro gasto, isso não aconteceu. Aliás, até me motivou a coleccionar os livros anteriores e próximos que possam surgir. São baratos (para BD de capa dura que até em inglês em capa mole fica bem mais cara), de boa qualidade, uma excelente forma de ficar a conhecer muitas coisas do Universo Marvel, e ainda por cima ficam bem nas estantes.

Raios vos partam Marvel. Raios vos partam Levoir. E obrigado.

Podem ver as opiniões todas aqui no blog:

sexta-feira, 6 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #2: E então restou um (Universo Marvel #20)


Argumento: Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker
Arte: Olivier Coipel, Mark Morales, Laura Martin, Adam Kubert, John Dell, Larry Molinar, Justin Ponsor
Tradução: Paulo Moreira, Filipe Faria


Opinião: Tal como eu me lembrava, esta segunda parte é um bocadinho pior do que a primeira em muita coisa, principalmente por causa das tretas místicas. Não tenho muita paciência para a magia no universo Marvel, de tão mal explicadinha que é. O Dr. Strange é dos poucos heróis envolvidos nisso que suporto, porque ainda faz algum sentido, mas tirando isso...

E foi exactamente isso que apareceu nesta segunda parte. Até conseguiram obrigar o Iron Man a render-se à magia, como último recurso para derrotar a Fénix. Enfim.

Mas é nesta parte que há uma melhor evolução das personagens. O Iron Man sente-se mais culpado do que nunca, depois da sua tentativa de derrotar a Fénix ter resultado em fazer ainda pior, ao dividi-la por cinco mutantes que agora controlam, basicamente, o mundo. Esse sentimento é reforçado pela sua incapacidade em chegar a uma solução para resolver o assunto.

A forma como os cinco mutantes possuídos pela Fénix (Ciclope, Colossus, Namor, Emma Frost e Magik) evolui, caíndo cada vez mais rapidamente numa espécie de loucura e de alienamento de tudo o que os rodeia, também é muito interessante. São praticamente deuses, podem fazer o que muito bem lhes apetecer e modelar o mundo às suas vontades, portanto o que fazer mais? E como lidar com os Vingadores, agora pouco mais do que formigas para eles, que cada vez oferecem mais resistência?

Tudo piora quando estes cinco mutantes se começam a virar uns contra os outros, e as coisas descambam da pior forma possível. O final é interessante, e relativamente provocador. Deixa claramente em aberto o que vai acontecer a seguir, de tal forma este evento mudou a dinâmica das relações no universo Marvel, principalmente entre os X-Men e os Vingadores, e isso é bem visível nas histórias que se seguem (já li alguma coisa).

No geral, no entanto, este Vingadores vs X-Men fica um pouco aquém daquilo que eu esperava, por muito que a leitura me tenha entretido. Mas é também uma boa forma de terminar esta colecção, que me deixou com vontade de comprar as colecções anteriores a esta!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #1: O Dia da Fénix (Universo Marvel #19)


Argumento: Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction
Arte: John Romita Jr., Scott Hanna, Laura Martin, Olivier Coipel, Mark Morales
Tradução: Paulo Furtado, Paulo Moreira


Opinião: Já tinha lido esta história em inglês, e ficado fã. O plantel de argumentistas e de artistas é honestamente impressionante e mais do que razão suficiente para alguém se sentir minimamente curioso relativamente a este Vingadores vs X-Men. Ainda por cima com uma premissa com tanto potencial como ter as duas maiores equipas de super-heróis da Marvel a lutarem uma contra a outra, por causa da entidade cósmica conhecida como Fénix que já deu tantos problemas a tanta gente.

O início é exactamente esse. A Fénix vem aí. Os X-Men sabem-no e os Vingadores descobrem-no rapidamente, e não demora muito até estarem frente a frente, numa situação muito tensa que culmina no início das hostilidades entre o Capitão América e o Ciclope.

E o problema do livro começa aqui. Eu compreendo que é algo massivo que está aqui a acontecer, mas tudo se tinha resolvido se as personagens tivessem conversado como adultos para tentar resolver as coisas, em vez de se armarem em macho men e desatarem logo à porra. Além de que o papel da Fénix, como eu já tinha dito antes, é estranhamente acessório e secundário, para algo tão importante no Universo Marvel, especialmente quando se fala de mutantes.

Mas nada disto estraga as excelentes cenas de pancadaria, sem grandes rodeios. Claro que cai sempre naquela lógica estúpida de "vamos atacar, mas um de cada vez e contra alguém capaz de aguentar connosco" em vez de atirarem o Magneto para estraçalhar o Wolverine, ou algo parecido. Já o disse na opinião anterior e continuo a dizê-lo!

A arte, essa, oscila entre o bom e o mediano, portanto não me chateou muito. Sempre que a Fénix aparece, fizeram disso algo grandioso e espectacular, o que é bom, mas de vez em quando há uns momentos mais fracos que deixam muito a desejar.

Toda a evolução do enredo é feita a um bom ritmo, e este livro termina num ponto crucial, com o Ciclope, já depois de semi-possuído pela Fénix, a dizer "Chega de Vingadores.", ecoando o "No more mutants." da Scarlet Witch, no final do evento "Dinastia M". É um bom final e um óptimo ponto para parar e esperar pela leitura do livro seguinte. Se bem me lembro, há algumas coisas que pioram, com a introdução de umas balelas místicas e tal, mas vai continuar a ser interessante, isso sem dúvida!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Wolverine: Evolução (Universo Marvel #18)


Argumento: Jeph Loeb
Arte: Simone Bianchi, Andrea Silvestri, Paul Mounts, Simone Peruzzi, Morry Hollowell, Frank D'Armata
Tradução: José de Freitas


Opinião: A expressão "oportunidade falhada" é-vos familiar? Não? Então leiam este livro e aprendam o que significa! Isto tem o Wolverine, fala sobre o seu passado (mais ou menos), inclui um dos melhores antagonistas do herói com esqueleto de adamantium, Sabretooth, e tem um argumento escrito pelo mesmo tipo que escreveu um dos melhores livros que li nos últimos tempos, Jeph Loeb... E o resultado é bastante mediano.

Há uma narrativa demasiado complicada, relativamente óbvia, e não tão interessante quanto isso sobre uma raça humana diferente dos Homo Sapiens, dos quais o Wolverine e o Sabretooth e mais alguns heróis/vilões/mutantes lupinos são descendentes.

Bla, bla, bla. Explicação ranhosa, ritmo fraco... Os confrontos entre o Wolverine e o Sabretooth ainda se safam, mas mesmo assim... E qual é o problema? Bem, a arte, para começar. Não fiquei nada fã dos desenhos de Simone Bianchi, são demasiado artificiais, por assim dizer. Por vezes até parecem inacabados!

Depois, a história em si. Não é nada de especial, é rebuscada, mas ao fim e ao cabo é banal e óbvia. Não adiciona realmente nada de novo, e explica muito pouco. Dá visões ao Wolverine, cria uma ligação especial entre os vários seres lupinos, dá dicas de um vilão que tudo está a controlar, mas pouco acontece de facto.

Wolverine, sempre uma personagem badass por quaisquer padrões que usem para o avaliar, aqui parece meio perdido, mas de forma idiota. Há vários momentos em que esta personagem, normalmente, resolveria o problema de forma simples, rápida e eficaz, em vez de ficar atarantado e sem saber muito bem o que fazer, como acontece.

Enfim, uma oportunidade completamente perdida, e que ainda por cima tinha muito potencial. É uma pena que Loeb não me tenha convencido quanto aos Lupus Sapiens, porque é realmente uma boa ideia que apenas teve o azar de não ser bem executada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Hulk: Cinzento (Universo Marvel #17)


Argumento: Jeph Loeb
Arte: Tim Sale, Matt Hollingsworth
Tradução: João Miguel Lameiras


Opinião: Senhoras e senhores, meninos e meninas, vejam bem a capa deste livro. Decorem o nome. Os autores. Procurem por ele. Em português, em inglês, em francês, em romeno, em latim ou em klingon, não interessa, mas arranjem-no. Comprem-no, peçam-no emprestado, roubem-no, qualquer coisa!

É que este livro, simplesmente chamado Hulk: Cinzento, é das melhores coisas que já li e vai ser sem dúvida um dos destaques de 2015. E ainda só estamos em Janeiro!

Não, não estou a exagerar. Há aqui alguma contribuição de não ter grandes expectativas e elas terem sido facilmente (e fantasticamente) ultrapassadas, mas garanto-vos que vale a pena. Esta BD é dos livros mais bem pensados e mais bem executados que vi nos últimos tempos.

No fundo não é mais do que um recontar da história de origem do Hulk, ainda na sua versão cinzenta (não sabia que ele tinha realmente começado por ser cinzento!), através de um gigantesco flashback de Banner, a falar com o seu psiquiatra.

O resultado é uma história bonita, intensa e muito triste. Ouvir alguém a contar sobre como perdeu o controlo de forma abrupta e teve que aprender a viver com um monstro dentro de si, com quem se recusava a identificar, mas com quem não conseguia evitar identificar-se... Fantástico.

E a parte mais incrível? A expressividade que Tim Sale dá ao Hulk, uma personagem normalmente retratada como uma espécie de neandartal gigantesco, um brutamontes incapaz de ter um pensamento ou uma emoção mais complexa do que "ESMAGAAAAAR". É fascinante ver como Loeb conseguiu dar tanta profundidade a uma personagem assim, e ter Sale a acompanhar isso mesmo no desenho.

Outra coisa que funciona muito bem é o ritmo da história. Narrada pelo próprio Banner, com uma espécie de respostas/comentários do seu psiquiatra, tudo anda em uníssono: diálogos, narração, desenho, narrativa. É uma coreografia complexa, mas tornada simples pela fluidez de cada página.

Já mencionei as páginas duplas divinais? Digam o que disserem, Sale esmerou-se e conseguiu encaixar aqui autênticas obras-primas para as quais dá realmente gosto olhar. A sério. Parar e observar.

Também é incrível como a maior parte da emoção é transmitida pelo Hulk, como quando Betty, a amada de Banner, fica ferida, e é preciso curá-la. As tentativas do grande monstro cinzento são desastradas e o resultado final menos do que satisfatório, mas a preocupação é real. Ver a Betty a desprezar tudo isso tem um peso muito forte.

E já no final, a conclusão simultânea do Hulk no flashback e de Banner no presente, está muito bem construída. O primeiro percebe, e fica enraivecido por isso, que ele não é um monstro e só protege a Betty, mas ela ama é o pai, um tipo à beira da psicose e que só a magoa; o segundo apercebe-se de que ela só o amava porque ele era como o pai dela. Primeiro odeia o Hulk pelas razões erradas, e depois ama o Banner pelas razões erradas.


É muito doloroso, e é muito triste, e está muito bem feito. Fiquei seriamente impressionado, e vou sem dúvida procurar os outros livros desta trilogia: Demolidor: Amarelo e Homem-Aranha: Azul. A vocês digo-vos o que disse no início, arranjem este livro!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mulheres da Marvel (Universo Marvel #16)


Argumento: Christ Claremont, Marjorie Liu, Stuart Moore, Kelly Sue DeConnick
Arte: Milo Manara, Dave Stewart, Filipe Andrade, Nuno Plati, Jay Leisten, Sandu Florea, SotoColor, Mark Brooks, Walden Wong, Emily Warren, Ryan Stegman, Tom Palmer, Victor Olazaba, Juan Doe
Tradução: José de Freitas, João Miguel Lameiras, Paulo Furtado

Opinião: Este foi daqueles que antes da leitura era uma perfeita incógnita. A capa é apresentação suficiente do artista envolvido, Milo Manara, e não sou particularmente fã da sua obsessão com um ou dois tipos idealizados (e exagerados) de mulheres, que desenha até à exaustão, com mínimas variações.

Mas nem só de Manara se faz este volume, que conta com contribuições de artistas portugueses, Filipe Andrade e Nuno Plati, e ainda mais duas histórias, perfazendo assim um volume diversificado, tanto a nível de argumentos como de arte, apesar da "temática" central das mulheres como protagonistas.

É interessante, de um ponto de vista cultural, reparar como isto soa diferente até nos dias de hoje, em que supostamente somos tão progressivos e as personagens femininas ganham cada vez mais (ou menos) destaque qualquer que seja o meio.

Mas essas considerações não são relevantes. Aquilo de que quero falar é de como Manara me supreendeu, os portugueses me deixaram bastante satisfeitos, a arte da terceira história me apanhou desprevenido, e como a última história deixou muito a desejar a todos os níveis.

Primeiro, Manara. Com argumento fraco de Chris Claremont, um veteraníssimo destas andanças, Manara não se deixou intimidar e demonstra uma arte impecável. Continuo a ter um problema com as mulheres que ele desenha, assim como com as "acidentais" poses semi-eróticas e roupas curtas e justas que insiste fazer aparecer por todo o lado, mas o nível de detalhe é fantástico, e dá gozo olhar para estas páginas. É mesmo uma arte boa!

Claro que a história das super-heroínas que vão de férias e se vêem subitamente sem poderes e envolvidas em problemas não é completamente desinteressante, mas o facto de se reunirem meia dúzia das mutantes mais poderosas à face da Terra, e ainda assim precisarem de um homem para salvar o dia... Cai mal, e falha um bocado o objectivo.

A segunda história é a que conta com a contribuição de Andrade e Plati, com um a desenhar as sequências reais, e outro as sequências sonhadas. Foi sem dúvida a minha história favorita, e em grande parte graças à fantástica arte dos dois portugueses, tão diferentes e estranhamente complementares entre si. O argumento é algo confuso, porque é o meio de qualquer coisa e envolve um clone feminino do Wolverine com problemas de identidade, e bastante negro. Diria até surpreendentemente negro, tendo em conta o estilo mais leve e humorístico tão típico da Marvel.

Foi a história seguinte, sobre duas personagens relativamente obscuras, Cloak e Dagger, que me surpreendeu, com um estilo muito parecido a desenhos animados, luminoso e com uma espantosa sensação de movimento.

A história final é sobre Sif, uma asgardiana, e conta com a participação de Beta Ray Bill, um alien muito parecido com o Thor e que é das personagens mais peculiares que já encontrei. Infelizmente, desta vez nem a história nem a arte nem nada me cativou minimamente.

Avaliando o geral, acho que é um livro que vale a pena ler. Tem os seus problemas, a vários níveis, algumas das histórias mais do que outras, mas a arte das três primeiras histórias, especialmente a de Manara e a da dupla Andrade/Plati mais do que compensam. Um livro que foi uma pequena surpresa!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Contos de Fadas Marvel (Universo Marvel #15)


Argumento: C.B.Cebulski, Mindy Owens
Arte: Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, Mike Allred, Laura Allred, João Lemos, Christina Strain, Nuno Plati
Tradução: Filipe Faria, Paulo Furtado, João Miguel Lameiras, Paulo Moreira

Opinião: Sem dúvida um dos volumes mais interessantes desta colecção, inicialmente não me tinha chamado a atenção. É que há cerca de um ano li Marvel Fairy Tales, e achava que isto ia ser apenas uma repetição. E se tinha ficado a gostar da arte e das adaptações, os diálogos tinham deixado a desejar.

Felizmente este livro não só tem histórias que esse outro livro não tinha, como os diálogos são consideravelmente melhor, não sei se pela tradução ou se pela nova leitura.

A verdade é que desta vez gostei mesmo muito de ler estes contos de fadas super-heróificados, que são adaptações soberbas das histórias originais. Há pequenos pormenores espalhados por todo o lado que me deixaram de boca aberta, como a sombra do Capitão América/Peter Pan servir de escudo, ou inverter os papéis da Cinderela para que seja o Homem-Aranha o protagonista. Fantástico.

É uma pena que não venha aqui aquela fantástica fábula africana retratada como a amizade entre Magneto e o Professor X - sem dúvida a melhor parte de Marvel Fairy Tales - mas para compensar inclui outra fábula africana, desta vez com o Homem-Aranha como protagonista, com a melhor arte do conjunto e uma história mágica e simplesmente fantástica!

Este volume é também notável por incluir arte de muitos portugueses, pessoalmente convidados por Cebulski, um confesso admirador dos nossos artistas. É fácil ficar impressionado com estes desenhadores lusos, e também é fácil de perceber a dificuldade em entrar no mercado dos super-heróis, se bem que não me espantaria de os ver a fazer coisas como Sandman, só para dar um exemplo.

Bem vistas as coisas, este é um livro de que não me arrependo de ter comprado, apesar da minha hesitação inicial, e que inclusivamente aconselho a toda a gente: se o que querem são boas histórias, boas adaptações, boa arte, e ficar a conhecer bons artistas portugueses, este é um dos livros que devem, definitivamente, ler.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Essência do Medo (Universo Marvel #14)


Argumento: Matt Fraction
Arte: Stuart Immonen, Laura Martín, Wade von Grawbadger, Larry Molinar, Matt Milla, Dexter Vines, Justin Ponsor
Tradução: Filipe Faria

Opinião: Comecei a ler este livro sem grande confiança. A contracapa diz que é o seguimento de Cerco, que diz na contracapa que é o seguimento de Invasão Secreta, que diz na contracapa que é o seguimento de Dinastia M e Civil War.

O primeiro é fraco, o segundo é fraquíssimo, o terceira fica aquém, e o quarto tem fama de ser um dos piores eventos da história da Marvel. Este A Essência do Medo é o culminar das histórias que se desenvolveram ao longo desses eventos todos, portanto... Bem, não esperava grande coisa.

E é por isso que vou já dizer que fiquei surpreendido. Pela positiva! Estão a ver Marvel? Um bocadinho de mitologia só vos faz é bem! Neste caso a nórdica, com uma presença ainda mais acentuada do que anteriormente, da melhor forma possível!

Em vez de andarem à porrada, os heróis decidem ajudar-se uns aos outros, e tudo prometia correr bem, com Tony Stark a prometer ajudar na reconstrução de Asgard. Mas a filha do Red Skull, estranhamente chamada Sin, tem outros planos e desperta um antigo deus nórdico, a Serpente, irmão de Odin e que o quer destronar.

No processo converte uma série de heróis e vilões com uns martelos super poderosos - não, não é à marretada, os martelos dão poderes - nos seus arautos, e toca a causar caos e destruição.

Há heróis a morrer e a sacrificarem-se, e o Homem de Ferro a fazer uma das poucas coisas razoáveis que o vi fazer, tendo em conta o génio que é: aliar a sua tecnologia à magia de Odin para criar armas, e uma armadura para si, super-poderosas, com as quais os vilões foram derrotadíssimos, ainda que para isso alguns heróis se tenham sacrificado.

A verdade é que estas armas são espectaculares, e quem me dera que houvesse um comic dedicado a estes heróis, com estas armas. Infelizmente todos as devolvem, excepto a Red She-Hulk, claramente a pessoa mais esperta do grupo.

No meio disto tudo há de facto uma boa história, com bons diálogos, uma boa arte, e um desenrolar que não é demasiado precipitado nem demasiado lento. Não é, de todo, uma história perfeita, mas é pelo menos uma história muito boa!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Cerco (Universo Marvel #13)


Argumento: Brian Michael Bendis, Fred Van Lente
Arte: Michael Lark, Stefano Gaudiano, Matt Hollingsworth, Lucio Parrillo, Mark Morales, Laura Martin, Steve Epting, Salvador Larroca, Esad Ribic, Mike Perkins, John Romita Jr., Mike Deodato, Giuseppe Camuncoli, Trevor Hairsine, Mike Choi, Sonia Oback, Dale Eaglesham, Travel Foreman, Kyle Hotz, Klaus Janson, Frank D'Armata, Rain Beredo, Dave McCraig, June Chung, Dan Brown
Tradução: Filipe Faria


Opinião: Desconexo. Épico, sem dúvida, mas desconexo. Nada faz uma boa história como uma cidade mitológica a flutuar por cima dum descampado americano, com os seus habitantes a serem postos em tribunal por estarem em propriedade privada. Um clássico.

A inversão de posições, vilões <-> heróis, é peculiar e tem ecos que ainda reverberam nos eventos de hoje em dia, em que acontece exactamente isso, mas de forma mais radical. O twist de que as coisas não são bem assim é que já é mais prevísvel, mas pronto.

E a arte... Tirando o capítulo esquizofrénico que funciona muito bem, com várias histórias de origem condensadas em meia dúzia de vinhetas com artistas sempre diferentes, achei os desenhos e as cores bastante banais. Não se destacam, vá.

Mas isso não é importante quando enredo avança tão devagar. Nem todas as personagens que acompanha são propriamente relevantes, e as que acompanha, insiste em fazê-lo várias vezes em momentos que não interessam para nada.

No fim, é uma leitura que dá para entreter, mas é muito fraquita...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Triunfo e Tormento (Universo Marvel #12)


Argumento: Roger Stern, Gerry Conway, Bill Mantlo
Arte: Mike Mignola, Mark Badger, Kevin Nowlan, Terry Austin, Bob Sharen, Gene Colan, Tom Palmer, Ben Sean, P. Craig Russel, Peter Scotese
Tradução: José de Freitas, Filipe Faria


Opinião: É impossível não reparar no traço de Mignola. O autor de Hellboy tem um estilo tão característico que salta à vista mesmo numa capa relativamente simples como esta. A história que dá título é livro ainda é de um Mignola a construir o seu estilo, no entanto, mais suave e detalhado do que aquilo que se torna habitual mais tarde.

Não deixa de ser um traço interessante, mas quase completamente ofuscado pelo fantástico argumento! Esta foi, sem sombra de dúvida, uma das melhores histórias que li nos últimos tempos: Dr. Strange e Dr. Doom unidos numa aliança insegura para resgatar a alma da mãe de Doom!

E isto porque o Dr. Doom é também um feiticeiro - não fazia a mais pálida ideia - dos mais fortes que andam por esse mundo fora e consegue combater frente a uma série de feiticeiros poderosíssimos, sendo apenas parado pelo próprio Dr. Strange, que tem então de lhe conceder um desejo (burocracia de feiticeiros, nem vale a pena tentar perceber).

Juntos, treinam e descem ao Inferno para enfrentarem as hostes demoníacas e resgatarem uma alma inocente do tormento eterno, companheiros contrariados juntos por um lado, pela necessidade e, por outro, pelo sentido de honra que ambos possuem.

Só que Doom tem também um orgulho inabalável, e uma imensa falta de escrúpulos com a qual Strange não estava propriamente a contar... E resto é o habitual, as coisas não correm como deviam, mas o herói ganha na mesma. Mais ou menos.

O resto do livro tem histórias aleatórias, que chegam a incluir o Namor e que não são nada de especial. O essencial é esta história maior, Triunfo e Tormento, verdadeiramente épica, trágica, intensa e, acima de tudo, emocional. É interessante ver o Dr. Doom por outro prisma, e também o Dr. Strange numa posição que não lhe é habitual. Ambas as personagens estão bastante bem modeladas, e os desenvolvimentos têm o ritmo certo para prender o leitor a tudo o que se está a passar. Sem dúvida uma leitura a fazer!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Vingadores: Para Sempre #2 (Universo Marvel #11)


Argumento: Kurt Busiek e Roger Stern
Arte: Carlos Pacheco, Jesús Merino, Steve Oliff
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Tenho alguma pena deste livro. Estava condenado à partida. Depois do primeiro volume, poucas eram as hipóteses que iam fazer subir a minha opinião desta história. E como é óbvio, nenhuma delas se concretizou.

Em vez disso tive direito, enquanto leitor já francamente desiludido, a um dos livros mais fracos que já li da Marvel, sem qualquer ponta por onde se lhe pegue. Um desfilar de personagens só porque sim, acções completamente fora do carácter de várias das personagens, por algum motivo desconhecido, e um ritmo mais do que inconstante.

E, novamente, é uma pena. O potencial está lá: uma série de personagens relacionadas umas com as outras, mas só mais ou menos, com excesso ou falta de problemas para resolver entre eles, e uma série de combates emocionais que o argumenta tenta mostrar a serem travados... e falha redondamente.

Todos os momentos que poderiam servir para desenvolvimento desta ou daquela personagem acabavam por ser demasiado artificiais e forçados, como se os autores tivessem que incluir esses momentos, mas não o quisessem fazer. Enfim.

O resultado é esta desgraça, em que, muito sinceramente, não se percebe pevas. Há uma personagem em particular que serve de vilões e heróis (sim, opostos, sim, plural) e que tinha tudo para ser o elo de ligação entre as várias linhas narrativas, mas que se revela simplesmente como uma personagem fraca e sensaborona, a tomar decisões ao ritmo a que a narrativa exigia para não morrer de vez.

Desilusão e alguma pena, é tudo o que sobra desta leitura. Definitivamente a não repetir.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vingadores: Para Sempre #1 (Universo Marvel #10)


Argumento: Kurt Busiek e Roger Stern
Arte: Carlos Pacheco, Jesús Merino, Steve Oliff
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Quando a Marvel decide brincar com viagens no tempo, há potencial. Pelo menos há bons precedentes. Mas como este livro prova, também pode dar barraca.

Um dos motivos é o excesso de esforço. Este livro tem tantas personagens, tantas linhas narrativas, tantos conflitos, tantos mistérios... e é só a primeira parte! Isto podia ser bom, mas o argumento não lida da melhor forma com tanta coisa e acaba por tornar este livro um dos mais fracos desta colecção, ainda que dê para entreter.

Outro motivo é algo que até considero um conceito genial, mas que é bastante mal aproveitado. Além do mais-ou-menos-vilão também ser o mais-ou-menos-herói, apenas em pontos diferentes da sua linha temporal, também a equipa de Vingadores foi reunida de várias épocas, todos escolhidos a dedo: um Capitão América desapontado, dois Hank Pym em fases opostas da sua vida, um Hawkeye ligeiramente selvagem... Enfim, estão a perceber a ideia.

O objectivo é bom, e a equipa até foi bem reunida, mas a coisa acaba por não funcionar. Ou melhor, até funciona, mas a ideia com que fiquei foi a de que teria funcionado com praticamente qualquer outro conjunto de personagens, de qualquer outra época. O livro não vinca o suficiente a necessidade de serem estas personagens em específico.

E depois toda a história é uma grande confusão. Demora-se muito a perceber quem é quem e quem é que está a fazer o quê, e depois há várias iterações da mesma pessoa e uma grande confusão. Dá para entreter, como já disse, e a arte é competente e agradável, embora me tenha parecido banal, mas não passa disso.

A quantidade imensa de texto e de explicações literais também prejudicou bastante a obra. Digamos que só avancei para o próximo por uma questão de ficar a saber a conclusão...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dias de um Futuro Esquecido (Universo Marvel #9)


Argumento: Chris Claremont, John Byrne
Arte: John Byrne, Terry Austin, Glynis Wein, John Romita Jr., Bob McLeod
Tradutor: Paulo Furtado


Opinião: Tenho a história principal deste volume, a titular Dias de um Futuro Esquecido, numa outra colecção de BD, mais antiga, de quando eu era mais novo. Essa colecção foi essencialmente o que me deu a conhecer muita banda desenhada, e a própria existência de banda desenhada de qualidade.

Não será surpresa, portanto, que tenha gostado bastante de ler isto. A nostalgia é um grande ponto a favor, e juntar X-Men com viagens no tempo e um mundo distópico é, confesso, mais de meio caminho andado.

A primeira coisa que fiz foi ver o índice, porque eu lembrava-me perfeitamente que Dias de um Futuro Esquecido não ocupava a média de 180 páginas que esta colecção costuma ter, e confirma-se: apenas ocupa dois capítulos em sete!

Isso apenas realça a eficácia da história, que nem tem cinquenta páginas e ainda assim é das histórias com um maior impacto de sempre dos X-Men. E já tem mais de trinta anos!

As outras histórias no volume são interessantes, e não fiquei chateado por "ter" que as ler para chegar ao mais importante, o que é bom sinal. O facto de a maior parte dar alguma relevância ao Nightcrawler ajudou, que é dos meus mutantes favoritos.

Mas do que quero falar é de Dias de um Futuro Esquecido, uma história curta quando comparada com os mega-eventos de hoje em dia, mas que foi mais do que suficiente para servir de base ao mais recente filme dos X-Men com o mesmo nome, e que infelizmente é bastante medíocre.

Nesta história podemos ver um futuro distópico em que os mutantes são perseguidos e oprimidos, mas o grupo do costume (menos alguns, que morreram, para dar alguma emoção à coisa logo à partida) não se contenta e decide enviar Kitty Pryde ao passado para tentar resolver a situação antes de ela começar.

A partir daí a história oscila entre o presente e o futuro, com as partes no presente a serem o elo fraco numa narrativa coesa e bastante cativante. A pobreza dos desenvolvimentos é um problema, mas tudo é compensado com as fantásticas e emocionais cenas no futuro, que deixam qualquer fã dos X-Men com o coração nas mãos.

O fim é suficientemente ambíguo para ficarmos sem saber se os X-Men realmente alteraram o futuro, simplesmente seguirem outro caminho que levará ao mesmo fim, ou se criaram simplesmente uma linha temporal divergente e os X-Men do futuro que conhecemos aqui continuaram condenados. É um dilema interessante e um bom tratamento deste tipo de paradoxos temporais.

Já perceberam que gostei, e embora tenha reconhecido algumas falhas, não me queixo muito. Aconselho que leiam, especialmente se já viram o filme, porque isto é tão, mas tão melhor...

P.S.: para ajudar à confusão, o futuro e o presente desta história já estão ambos no nosso passado!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Thor: Renascido (Universo Marvel #8)


Argumento: J. Michael Straczynski
Arte: Olivier Coipel, Mark Morales, Laura Martin, Paul Mounts
Tradução: Filipe Faria


Opinião: Thor e as personagens a ele associadas são das que mais gosto de ver no Universo Marvel. Directamente recortados da mitologia nórdica, acabam sempre por ser personagens um pouco atípicas, se os compararmos com os "comuns" heróis.

E sem esquecer que o Thor é dos heróis mais poderosos de sempre, sendo tecnicamente um deus e oficialmente uma espécie de alien, mas também um dos mais engraçados. A sua forma de falar shakespeariana e a permanente incompreensão das coisas simples que o rodeiam geram momentos muito engraçados, capturados na perfeição nos filmes em que aparece.

Um livro com o Thor sobe logo na minha consideração. Pode até ser uma grande desilusão, mas as expectativas já vão positivas. Dito isto, parti para a leitura sem conhecer o argumentista, algo que é bastante frequente quando pego numa BD, especialmente se for da Marvel ou da DC (são tantos!).

Não fiquei desiludido. Depois de ter acontecido qualquer coisa épica e dramática em histórias anteriores, que envolveram o Thor a sacrificar-se para interromper o ciclo a que os deuses nórdicos estavam sujeitos e que culminava no Ragnarok, o herói encontra-se preso numa espécie de limbo, de onde é de alguma forma resgatado.

Até foi bom ter lido esta história, pois relembrou-me de algo fulcral à identidade deste herói e que, infelizmente, passou ao lado dos recentes filmes da Marvel: o facto de Thor ser um alter-ego ligado a um humano. Bem, é mais complicado do que isto, mas acreditem que é interessante.

O livro tem alguns momentos verdadeiramente impressionantes, como quando Thor reclama um pedaço de terreno para re-erguer Asgard, e lhe dizem que não pode estar nesse terreno, que é propriedade privada: limita-se a pôr toda a cidadela a levitar acima do terreno. Ah! E depois passa a fazer parte da comunidade e é convidado, juntamente com o resto dos asgardianos, para as reuniões de condomínio. Duplo ah!

E sim, o resto dos asgardianos. Parece que o Ragnarok não foi assim tão final quanto isso, pois os asgardianos estão (quase) todos vivos, só que escondidos dentro de humanos que não fazem a mais pálida ideia. O que Thor faz é partir numa demanda emotiva e intensa em busca dos seus amigos.

O reencontro com o Iron Man, já depois da Guerra Civil entre heróis, e deste ter criado um clone do Thor, é dos melhores momentos. Confiante de si próprio, Tony Stark não hesita em enfrentar o seu amigo, que lhe mostra, à marretada, que já não está para brincadeiras. Que se tinha andado a conter, mas que esses dias acabaram. Relâmpagos, marteladas e enxertos de porrada sem dó nem piedade, é isso que Thor promete. E é por isso que Stark se vai embora, com o rabinho entre as pernas.

Durante todos estes acontecimentos, fica ainda bem vincada a luta que Thor tem consigo próprio, em busca da sua identidade. Dialoga com a sua parte humana e consigo próprio, tentando perceber o seu novo papel, agora que está livre das amarras do destino cíclico há tanto tempo traçado para si e para os seus.

Resumindo, é um livro interessante. A arte não me fascinou, mas reconheço que é boa. Tem detalhe, ainda que talvez lhe falte alguma expressividade. Mas é um livro que vale a pena.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Marvels (Universo Marvel #7)


Argumento: Steve Darnall, Alex Ross, Kurt Busiek
Arte: Alex Ross
Tradução: José de Freitas


Opinião: Marvels foi dos títulos que mais curiosidade me despertou, na lista inicial desta colecção (que está a ser fantástica, não me arrependo nem um bocadinho de a estar a fazer). A descrição de "momentos chaves do Universo Marvel pelos olhos de um homem comum" é das mais curtas e intrigantes que vi nos últimos tempos.

E o livro oferece isso mesmo: vários momentos importantes, a maior parte deles facilmente reconhecíveis (mas também alguns mais obscuros ou discretos), pelo ponto de vista de um jornalista cujo único poder que tem é o da observação.

Há uma lista no final a detalhar tudo o que aparece, mas é possível ver Galactus a fazer o costume, assim como Namor e o Tocha Humana a lutarem entre si e contra os nazis. Tanta coisa!

A forma como isto é feito ainda é o melhor. A arte é simplesmente fantástica e atípica dos comics, pelo menos dos norte-americanos, com um estilo realista, como se fossem fotografias pintadas, e para as quais Alex Ross teve que andar a incendiar coisas e a usar amigos como cobaias de poses, para conseguir desenhar tudo da melhor forma.

Este aspecto realista dá um toque de verdade às imagens: quando os protagonistas são os heróis, tudo tem um ar de comic, quase de cartoon, por vezes, com expressões faciais exageradas e movimentos impossíveis, mas aqui o ponto de vista é o de um simples jornalista, portanto não soa a falso, antes pelo contrário!

O complemente entre arte e argumento é muito bom, especialmente porque o argumento não se deixa ficar atrás e conta uma das melhores histórias de super-heróis que já li, sem ter qualquer super-herói como protagonista mas sim como personagens mais secundárias que personagens secundárias: fazem parte do background, não do enredo.

E claro que desfolhar Marvels é visitar a versão mais próxima da realidade daquele universo que é o dos super-heróis (da Marvel). Não consegui evitar pensar "isto parece mesmo real... será?", depois de estar imerso na história, e isso é o maior testemunho da força e da qualidade deste livro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Demónios (Universo Marvel #6)


Argumento: David Michelinie, Bob Layton
Arte: John Romita Jr., Bob Layton, Ben Sean, Carl Gafford, Carmine Infantino, Bob Sharen, Bob McLeod, Bob Wiacek
Tradução: Filipe Faria


Opinião: É bom, mas não é assim tão bom. Muitas das críticas que encontrei, incluindo a que vem na contracapa, elevam esta história a uma das melhores histórias do Iron Man de todos os tempos, e embora eu não tenha lido histórias suficientes dele para confirmar ou negar essa afirmação, posso sem dúvida dizer que esta história não me pareceu nada de especial.

Mesmo descontando a ingenuidade das histórias mais antigas, e a arte muito típica da altura, o que sobra é uma narrativa que quer confrontar Tony Stark com o que é suposto ser o seu pior inimigo, o alcoolismo, mas que entre tantos vilões e tantos esquemas secundários, a única coisa que consegue é passar a ideia de que o protagonista é completamente incorrigível e só fazia bem em emprestar a armadura a outra pessoa.

A autêntica batalha que trava com Namor é impressionante, e mais à frente consegue mesmo ver-se o desespero do homem quando se começa a aperceber o mal que a bebida lhe faz, especialmente quando isso começa a interferir com as suas intervenções heróicas, mas para uma história chamada Demon in a Bottle, estava à espera de algo muito mais agressivo e cru.

Queria ver o Iron Man completamente destruído pela bebida, um Tony Stark furioso e exaltado e um Iron Man completamente perdido. Queria ver um super-herói com um problema real e sério de alcoolismo. Mas não é isso que é retratado.

Não é que a leitura tenha sido má, porque não foi. Mas deixou um sabor amargo. É uma história com potencial para enfrentar problemas reais, o que até fez, de certa forma, mas que se ficou por uma intervenção demasiado superficial, na minha opinião.

Aliás, o grande momento de luta contra a bebida surge nas últimas cinco páginas. De um livro com praticamente duzentas páginas. É o que eu digo: nada mau, mas podia ter sido bem, mas bem melhor!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Invasão Secreta (Universo Marvel #5)


Argumento: Brian Michael Bendis
Arte: Leinil Francis Yu, Mark Morales, Laura Martin, Emily Warren, Christina Strain
Tradução: José de Freitas


Opinião: Bem, acho que encontrei o pior livro da colecção. Não, não preciso de ler os próximos, tenho a certeza que será muito difícil aparecer algo pior que isto.

Não achem que estou a exagerar, a história é interessante e tem potencial, mas a forma como está escrita é muito desagradável.

Para terem uma ideia do potencial desperdiçado, fiquem a saber que o inimigo aqui são os Skrulls, uma raça de aliens metamorfos que conseguirem infiltrar-se no mundo dos super-heróis, ao longo de vários anos. Estiveram por trás de alguns eventos massivos e importantes, como a Guerra Civil, e a descoberta da sua infiltração conseguiu destabilizar por completo todas as super-facções, incluindo vilões.

A certa altura aparece um exército Skrull em que cada soldado é uma mistura de vários dos nossos heróis. Se a primeira palavra que vos vem à cabeça não é "imparável", sois loucos. E o Bendis é claramente louco.

A forma como ele guia a história, para além de extremamente confusa por nem ele nem o desenhador conseguirem lidar com heróis e cópias Skrull ao mesmo tempo, não leva a lado nenhum. Criam-se uma série de situações interessantes e potencialmente fatais/interessantes, que nunca se concretizam realmente.

Ou seja, este livro tem apenas páginas e páginas de história desperdiçada. É que podia ser tão, tão bom, e saiu, na minha opinião, miserável. Depois de Legado me ter desapontado, veio isto, portanto espero bem que o próximo seja bom!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Legado (Universo Marvel #4)


Argumento: Dan Abnett e Andy Lanning
Arte: Paul Pelletier, Rick Magyar, Nathan Fairbairn, Guru eFX
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: O início atribulado deixou-me interessado, mas ligeiramente de pé atrás. Os Guardiões da Galáxia são um grupo tão interessante que ia ter imensa pena se fossem reduzidos a mais um grupo de heróis de acção inconsequente.

Felizmente não é bem assim. Não achei o livro nada de especial, entenda-se, mas gostei bastante de alguns pormenores do enredo e das personagens. Adam Warlock é fascinante, assim como Mantis - se ignorarmos os problemas das suas capacidades pré-cognitivas, que não parecem ter regras muito bem delineadas - e Cosmo é hilariante, de tão idiota que é a ideia.

A equipa é constituída pelo pessoal do filme, mais umas pequenas adições e menos o Groot, que infelizmente aparece pouco. Mas a parte mais interessante, para além dos vilões ultra-religiosos e ultra-militarizados, é a descoberta do Major Vitória, à là Capitão América, com o escudo dele e tudo. Infinitamente mais interessante que o dono original do escudo, esta personagem é uma completa incógnita durante grande parte da narrativa. Pelo menos para mim, que conheço pouco da história do grupo.

A sua caracterização e toda a história a ele associada está bem feita e é das partes mais interessantes do livro, especialmente por causa das aparições repentinas do/da Águia Estelar, que infelizmente ficaram por explicar. Aliás, este livro é claramente só uma parte da história, e tem praticamente zero respostas. E isso é mau.

Quer dizer, é fixe ver estas personagens, especialmente a interagirem umas com as outras e tal, mas o enredo fica no ar. A conclusão desta parte é interessante e achei que estava bem explorada, mas sem saber mais nada fico com a impressão de um livro altamente incompleto.

Acho que tenho é de ler a saga Annihilation, como já me aconselharam...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A Última Caçada de Kraven (Universo Marvel #3)


Argumento: J.M.DeMatteis
Arte: Mike Zeck, Bob McLeod, Janet Jackson, Bob Sharen
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: O que dizer? Acho que mais dia menos dia tenho que repensar a minha posição relativamente ao Homem-Aranha. Nunca foi dos meus super-heróis favoritos, mas ultimamente tenho lido coisas muito interessantes dele, incluindo este A Última Caçada de Kraven, que é muito bom.

O principal antagonista nem sequer me era conhecido. Kraven, o Caçador. À primeira vista parece um ricalhaço meio doido, que quando se fartou de, enfim, ser rico, decidiu pôr uma tanga à là Tarzan e causar problemas na cidade.

Sinceramente, não duvido que até esta história tenha sido exactamente essa a sua caracterização. Os comics mais antigos não são propriamente conhecidos pela densidade das suas personagens. Mas este arco narrativo ainda se torna mais interessante por isso mesmo: pega num vilão mais do que secundário (dois, até!) e dá-lhe um excelente tratamento e uma excelente história.

O enredo, esse, é bastante parecido com a temporada mais recente do Homem-Aranha. E isso é o único motivo para não me render por completo a esta personagem: as histórias que li que me deram uma visão diferente são essencialmente a mesma. Esta é bastante superior, no entanto!

Os temas mais pesados são aqui retratados com cuidado, mas sem medos. Suicídio, culpa, loucura, tudo compete nas páginas deste livro. O próprio Homem-Aranha, ainda que tecnicamente ausente durante a maior parte do livro, passa uns dias complicados em termos mentais, e o argumento leva-nos numa viagem fascinante ao interior da sua mente e aos seus - pesadelos? - sonhos.

Kraven, por outro lado, é glorioso do princípio ao fim. A personagem carrega uma gravidade e um carisma que se vê em falta em muitos vilões modernos um pouco por todo o lado. Os seus monólogos são das passagens mais interessantes do livro, e no fim o seu plano revela-se tão fantástico quanto triste.

É preciso destacar ainda Rattus, outro vilão menor e com todo o potencial para ser bastante ridículo, mas que é bem explorado e acaba por ter um papel muito relevante em toda a história.

Além de tudo isto, é preciso ainda dizer que há uma sensação algo... perturbadora ao longo de toda a história. A cena em que Kraven se deixa cobrir de aranhas e desata a comê-las, por exemplo, é dos momentos mais perturbadores que já vi numa BD, e eu já li muito Alan Moore e David Soares.

A arte ajuda, com aquele toquezinho clássico misturado com disposições peculiares das vinhetas e algumas sequências mais longas sem diálogos e até sem narração. Tudo junto faz deste um livro muito, muito bom.