quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Xadrez do Tempo

Título: O Xadrez do Tempo
Autor: James Blish
Tradutor: António Porto

Sinopse: James Blish é um dos autores de Ficção Científica mais originais e subtis, tanto nos temas como no estilo, e prova-o bem nesta sua obra. Imagine-se que, na busca de um meio capaz de assegurar instantaneamente, ou quase, as ligações com os outros mundos - que mesmo com as naves mais rápidas demoravam largos meses a chegar ao seu destino -, se descobria um transmissor que permitia comunicar não só através do espaço, mas também do tempo! Tendo diante de si um império interestelar em plena expansão, o Capitão Robin Weinbaum supôs que o transmissor Dirac seria a solução dos seus problemas. O pior foi quando o transmissor começou a receber mensagens ainda antes de elas serem emitidas.

Opinião: Este livro é bastante curioso. Para ser sincero, não sei bem o que dizer sobre ele. Isto volta e meia acontece-me, leio um livro e não sei bem o que escrever na opinião.

Sei dizer que não é um livro mau, de todo. Mas sei também que não posso afirmar que é um livro absolutamente fenomenal. E isso talvez esteja relacionado com o facto desta história ter começado como um conto, que foi depois expandido nesta novela (sim, é bastante pequeno, o livro). Essas coisas raramente correm bem.

Mas bem, o livro é interessante, e pelo que percebi tem vários conceitos que James Blish usa como universais ao longo de alguns dos seus livros: o cientista Haertel e as suas invenções, e o transmissor Dirac, por exemplo. É exactamente este último que toma um papel principal no enredo de O Xadrez do Tempo.

A ideia do transmissor Dirac é bastante simples, não passa de um transmissor de mensagens instantâneas. Muita gente agora pensa "mas isso é fácil, internet e não sei quê", mas desenganem-se. Não há nenhum tipo de transmissão de informação que se possa considerar  instantânea. Há apenas alguns que são tão rápidos, para os nossos padrões, que nos parecem instantâneas. Mas esses conceitos, como quase tudo, diluem-se e desvanecem-se quando estamos a falar do espaço. É que nada pode viajar mais depressa que a luz, e o Universo é bastante grande. Se algo está tão longe que a própria luz demora alguns anos a lá chegar, acho que é compreensível que a transmissão de informação para esse sítio é tudo menos instantânea.

Pois bem, o transmissor Dirac é um aparelho que faz uso de uma coisa qualquer bastante rebuscada e impossível (acho eu, física teórica a esse nível não é o meu forte) para transmitir mensagens de forma literalmente instantânea. A magia... Talvez seja melhor não falar de magia num livro de FC. A parte interessante é quando este transmissor Dirac começa a ser usado para fazer premonições. Não só dá para transmitir mensagens de forma instantânea, como recebe mensagens do futuro.

A parte curiosa é quando acaba por não acontecer absolutamente nada. Isto é descoberto, descobre-se também quem está por trás, uma pessoa que eu não estava nada à espera, depois há muito paleio e tudo acaba. Acho que podia ter sido um livro muito mais interessante se tivesse sido mais desenvolvido, se tivesse sido de facto um livro e não um conto maior que o normal.

De qualquer forma, a qualidade do autor, James Blish, é notória. Não que a escrita seja divinal, é até bastante mundana, mas pareceu-me consistente. Além de que o autor mostra uma boa imaginação, que além disso ainda é estranha. Fiquei bastante curioso para ler outras coisas, mas espero que este não seja o expoente máximo da sua qualidade literária...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Que as citações nos caiam em cima [20]


O ponto forte deste conto de Edmond Hamilton é a perspectiva pouco habitual sobre as viagens espaciais e sobre ser um astronauta. E achei que este excerto em particular transmitia essa mensagem de forma particularmente eficaz...

"Astronauta - era o que eu era. Os jornais tinham começado a chamar-nos isso porque, segundo pensei, era uma palavra curta, boa para os títulos. Toda a gente nos chamava isso agora. Tínhamos passado o tempo a voar dentro de celas como as das prisões - mas agora chamavam-nos 'astronautas'."

Como é aquilo por lá?
Edmond Hamilton

sábado, 24 de novembro de 2012

Mensagens do Futuro [2]


Título: Mensagens do Futuro
Autores: Arthur C. Clarke, Brian Aldiss, Edmond Hamilton, Isaac Asimov, James Tiptree Jr., Kate Wilhelm, Mark Clifton, Robert Sheckley, Robert Silverberg, Ron Goulart
Tradutor: Eurico Fonseca

Opinião: Continuando onde acabei ontem: em Porquê?, de Robert Silverberg, a questão é tão simples quanto essa. Porquê? Porque é que insistimos em explorar, em sair da nossa zona de conforto e corremos riscos? Já morreram pessoas por causa das nossas ilusões de grandeza, o planeta inteiro tem actualmente problemas graves por sermos como somos. Mas não deixamos de ser curiosos, teimosos, de querer explorar tudo e conhecer tudo. Construímos as nossas naves e os nossos telescópios e tentamos perscrutar o Universo que nos rodeia, tentamos explorá-lo com objectivas potentes e naves massivas. E no fim do dia, fica a pergunta... Porquê? A resposta a que Silverberg chega é simples, e parece-me demasiado simples e óbvia para estar errada: porque podemos.


No conto seguinte, Ron Goulart mistura ficção científica e policial numa história que não achei nada de especial nem particularmente original. Que aconteceu ao Rosca-Moída? não passou, para mim, de um conto banal que tenta contar uma história bonita com características típicas da ficção científica.

Houston, Houston, estão a ouvir-me?, de James Tiptree Jr., que é afinal Alice Sheldon, desenvolve uma história sólida e algo assustadora, e é a prova escrita, como se tal ainda fosse preciso, de que a ficção científica e o terror são dois géneros quase siameses, tão facilmente se consegue oscilar entre um e outro, ou simplesmente misturar os dois numa história coerente. Eu pessoalmente já acreditava nisso, desde que li João Barreiros, mas este conto é mais uma evidência disso mesmo. E uma das que tem qualidade.

Essa sensação de quase simbiose entre FC e terror é continuada nesta penúltima história, Onde estiveste, Billy Boy, Billy Boy?, de Kate Wilhelm, um conto que o próprio Asimov descreve como "uma das histórias mais calmamente assustadoras que alguma vez foram lidas.". Eu compreendo o que ele quis dizer, há um certo tom de ameaça e de medo permanente ao virar de cada página, mas não me conseguiu convencer. Achei demasiado confuso e desconexo, especialmente tendo em conta o tamanho que tem. Talvez seja uma ideia que tivesse resultado melhor se tivesse sido contada num livro inteiro, mas falha o seu propósito ao apresentar-se como uma história tão curta.

E por fim, um conto do mestre em pessoa. Asimov presenteia-nos com A Pergunta Final, o único conto que não tem uma pergunta como título e que acaba por ser o mais alegórico de todos. No fundo não é bem um conto, li-o mais como um ensaio, parece um exercício literário e filosófico, que começa com uma premissa bastante simples de um mega computador que sabe responder a tudo, e que é desenvolvida passo a passo, à medida que o conto foi sendo escrito. Um conto/ensaio muito bom, a dar por terminada uma antologia muito boa de um género literário muitas vezes desprezado, e que aqui prova que consegue ser tão literário e filosoficamente activo como qualquer outro.

Fórum Fantástico 2012


Arrancou ontem mais uma edição do Fórum Fantástico, na Biblioteca Orlando Ribeiro, um excelente evento e que é cada vez mais um dos pontos altos do panorama literário português. Deixo-vos o programa, não se inibam em visitar! Mais logo lá estarei, para o Workshop de Escrita Criativa Fantástica. Aproveitem este evento!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mensagens do Futuro [1]


Título: Mensagens do Futuro
Autores: Arthur C. Clarke, Brian Aldiss, Edmond Hamilton, Isaac Asimov, James Tiptree Jr., Kate Wilhelm, Mark Clifton, Robert Sheckley, Robert Silverberg, Ron Goulart
Tradutor: Eurico Fonseca

Opinião: Antes de me debruçar sobre qualquer um dos contos reunidos neste antologia, quero mencionar 2 coisas. Não se deixem enganar pelo nome do autor que vem escarrapachado na capa. Mensagens do Futuro não é um livro de Isaac Asimov, ainda que contribua com um conto, mas sim uma colectânea de contos editada por ele, Martin Greenberg e Joseph Oladner, e que inclui contos de Arthur C. Clarke, Brian Aldiss, Robert Silverberg e todos os outros nomes sonantes mencionados ali em cima.

A segunda coisa é a genialidade e a criatividade por detrás deste livro. Como Asimov explica na introdução, o conceito é bastante simples: os contos aqui reunidos têm todos em comum a particularidade de terem uma pergunta como título e de serem, no fundo, a ilustração dessa pergunta, com a ficção científica a servir de pano de fundo perfeito para questões que atormentam a Humanidade há bastante tempo.

O primeiro conto Como é aquilo por lá?, é de Edmond Hamilton, um pioneiro da ficção científica norte americana, como diz Asimov na introdução que o antecede. Não sei se é de facto o melhor de Hamilton, como Asimov também menciona, mas é sem dúvida um óptimo conto e um dos melhores que já li dentro deste género. É acima de tudo um conto desiludido e que tenta mostrar o peso que é tomar consciência da imensidão do Cosmos e de quão fúteis e superficiais são as nossas tentativas de exploração do Universo.

Já em Quem poderá substituir o Homem?, de Brian Aldiss, a interrogação é mais directa e óbvia. Num mundo maioritariamente tecnologicamente avançado acabado de dizimar, quem é que manda? Como é que funciona a sociedade? Os robôs podem-se organizar, mas conseguirão sobreviver? Curto mas incisivo, este conto mostra que o Homem tem um papel importante no mundo, mas que não é, de todo, essencial à sua continuidade. E depois no fim há mais umas implicações, que deixarei incógnitas para não estragar a leitura, perdoem-me.

De seguida vem Que foi que eu fiz?, de Mark Clifton, um conto ao mesmo tempo optimista e negativista. O protagonista começa por combater uma ameaça à Humanidade, e acaba a perguntar-se se a verdadeira ameaça não é, afinal, a própria Humanidade. Uma das interrogações mais actuais que encontrei nesta colectânea, a pergunta que dá o título ao conto é apenas a ponta de um gigantesco iceberg das mais variadas considerações, acompanhadas lentamente, passo a passo. Primeiro a ameaça e a luta desesperada para proteger aquilo que o protagonista julga ter que sobreviver a todos os custos, a Humanidade. Depois uma lenta tomada de consciência, por contraste com a alegada ameaça, de que a Humanidade é uma ameaça por direito próprio. Muito bom.

O quarto conto é daquele que é para mim um dos maiores génios da literatura e que simboliza um dos expoentes máximos da ficção científica: Arthur C. Clarke. Já há muito rendido a este escritor, Quem está aí? apenas cimentou a minha opinião sobre ele, a de que Clarke é genial, genial, genial. Não há grandes interrogação filosóficas ou metafísicas, há, isso sim, uma situação bem contada e descrita, uma muito boa historieta contida em meia dúzia de páginas.

Você sente alguma coisa quando eu faço isto?, de Robert Sheckley, foi provavelmente o conto que achei mais fraco nesta antologia. Não passa de uma metáfora pouco subtil para a a evolução acelerada da tecnologia e dos choques que inevitavelmente vão existir entre pessoas e máquinas. Ou do uso exagerado de tudo o que seja maquinetas. Acho que só falha, em grande parte, porque isso não é o futuro, é o agora e é já algo aceite e ao qual oferecemos pouca resistência, enquanto espécie.

Até agora falei-vos de 5 dos 10 contos de Mensagens do Futuro, e tive apenas uma desilusão, o que me parece uma contagem final bastante positiva. Amanhã falo-vos dos 5 contos que faltam desta que se tornou numa das minhas antologias favoritas, não só pelos contos nela presente, mas pelo conceito que os reuniu a todos no mesmo livro.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mostra-me a tua espinha

Título: Mostra-me a tua espinha
Autor: David Soares

Sinopse: Um premiado fotógrafo profissional vai descobrir a verdade que existe por trás de um segredo centenário; um escritor vai confrontar-se com as suas origens e descobrir que é feito do mesmo material com que foi construída a sua cidade; através dos anos, numa europa envelhecida pela guerra, duas criaturas nómadas têm como desporto cruel a destruição da vida de um homem mudo; e, finalmente, uma mulher irá pactuar com o mal para obter o filho que o seu útero árido é incapaz de incubar.

Opinião: Ter encontrado este livro à venda foi uma sorte descomunal. Praticamente fora de circulação, Mostra-me a tua espinha foi dos primeiros livros publicados por David Soares e contém já os traços característicos do seu estilo, sem que os contos nele contidos atinjam a qualidade literária de trabalhos posteriores.

Com isto quero dizer que os seus 4 contos são viscerais e gráficos, têm descrições sangrentas e aterrorizadoras extremamente detalhadas e são bastante mais literários que as comuns histórias de terror. São histórias de horror quase poéticas, um estilo muito próprio que já predominava visivelmente neste que é um dos seus primeiros trabalhos e que apenas se foi apurando, com o tempo.

No entanto, e apesar de serem 4 contos bastante interessantes, ficam muito aquém da qualidade dos contos presentes em Os Ossos do Arco-Íris, por exemplo. E apesar de ser uma comparação algo injusta, muito, mas muito distantes da mestria e quase perfeição de A Conspiração dos Antepassados.

Não quero com isto dizer que sejam maus, ou que o livro em si não tenha qualidade, como é óbvio. Estou apenas a tentar transmitir que após ter lido trabalhos mais recentes, este livro não fascina por aí além. Já têm o factor "eugh literário", mas falta-lhe o factor "wow!, David Soares!".

Mas falando do livro em termos mais concretos, a introdução escrita pelo autor demonstra toda a sua genuína paixão pelo horror e em particular pela literatura de horror. No primeiro conto, A Mãe, aparecem os primeiros indícios de uma mente bastante doente, dizem alguns. Eu cá prefiro mente bastante genial, sabendo à priori quem é o autor. Este conto só peca por ser curto e pelo desenvolvimento algo apressado, pois a ideia é interessante.

O segundo, Cidade-Túmulo, é ligeiramente confuso e desconexo, mas tem uma atmosfera pesada bastante coerente. Esta frase não parece fazer muito sentido, mas espero que me percebam. A história em si avança aos solavancos, sem se perceber muito bem o que está a acontecer, mas o ambiente é sempre igualmente negro, há sempre uma ténue ameaça em cada página.

O Homem Oco, que se segue, é um conto deveras curioso. Eu pessoalmente acabei por não perceber muito bem a história, fiquei demasiado entretido com o Ameixa e o Costeleta, duas personagens estranhas, verdadeiramente nasty, em bom inglês, com a sua pitada de sangue e vísceras. Personagens bastante à là David Soares, portanto.

Por fim, A Concepção Repulsiva foi, para mim, a melhor destas 4 histórias. É a que tem o enredo mais "banal", se é que tal palavra se pode aplicar a algo que veio da mente deste escritor, mas foi a que me pareceu melhor escrita, melhor desenvolvida e com o final mais espectacular. E tem uma personagem bastante... curiosa.

Resumindo, 4 bons contos, mas abaixo do esperado para David Soares, o que não é assim tão estranho, tendo em conta que esta foi uma das suas primeiras obras. Não posso é deixar passar todo o simbolismo presente em cada história, muito do qual me passou de certeza ao lado, tal é a densidade.

Um destaque ainda para a edição, que mesmo ligeiramente mal tratada, tem bom aspecto, e a capa é perturbadora por si só. E volto a dizer algo que já disse umas poucas vezes sobre David Soares: não é um escritor para toda a gente. É preciso um certo estômago para se conseguir apreciar as suas obras, e esta não é excepção, apesar de talvez ser um bom livro para alguém iniciar as suas leituras deste escritor, provavelmente por ser menos perturbador que obras posteriores. Ou talvez não.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aventuras de João Sem Medo

Título: Aventuras de João Sem Medo
Autor: José Gomes Ferreira

Sinopse: História fantástica que recorre ao imaginário mágico, por vezes de inspiração surrealista, este romance é um prodígio de efabulação e engenho narrativo.

Opinião: As Aventuras de João Sem Medo são surreais, são metafóricas, são sátiras antigas mas actuais, são tudo e mais alguma coisa.

A escrita em si não é nada do outro mundo, e nem sequer é realmente importante. Este livro vale pela sua história, pelas situações que aqui são descritas que criticam certos aspectos da sociedade e companhia limitada. E tudo sempre bastante surreal, a condizer com a surrealidade das condições em que vivemos hoje em dia.

Basta começar por dizer que o protagonista é oriundo de uma povoação chamada Chora-que-logo-bebes, ou, como eu pessoalmente gosto de lhe chamar, Portugal. Este Portugal é uma localidade de gente conformada, remetida para sempre à tristeza e aos prantos intermináveis de um fado irremediável. O protagonista, este João Sem Medo, que qual Vasco da Gama na magna obra que são os Lusíadas, é muito mais do que uma personagem individual, representa um conjunto de pessoas bastante interessante, os inconformados, que se atrevem a saltar o Muro e a penetrar na Floresta Branca, cheia de mistérios e afins.

Este Muro é que é das coisas mais curiosas de toda a obra, pela sua quantidade absurda de conotações. Pode ser feito de panhonhice e apatia, ou ter sido construído com o suor misturado com extracto de rosas e sais de ouro de sucessivos governos retrógrados... Se quiserem podem até pensar que este Muro tem uma consistência mais etérea, de tijolos esbranquiçados sobre tijolos esbranquiçados da mais fina essência limitada e tacanha do povo português. Este Muro é o que quiserem. Tal como a Floresta Branca, passível de ser entendida como uma míriade de coisas, e que vou deixar ao vosso critério. Para mim, esta Floresta Branca é exactamente aquilo que o autor descreve: é o desconhecido, um mistério densificado repleto de coisas por descobrir. É tudo aquilo que eu não conheço e tudo aquilo que eu não percebo. O que João Sem Medo fez foi enfrentar esse desconhecido. Não necessariamente percebê-lo, mas encará-lo, olhá-lo de frente e mostrar-lhe quem é que manda.

É isso que fascina, neste livro. João Sem Medo viaja de metafórica história absurda em metafórica história absurda, sempre corajoso, como o seu próprio nome indica, sempre confiante e sempre irredutível na sua capacidade de ser feliz, quaisquer que sejam as condições que o rodeiam e em que se encontra. A Floresta Branca atira-lhe com tudo o que tem, e ele limita-se a aproveitar da melhor forma cada situação, a rir-se das adversidades e a enfrentar os problemas de cabeça erguida, sem nunca desistir nem desanimar. João Sem Medo é o que todos devíamos ser: persistente, inconformado, crítico e feliz.

É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.