Mostrar mensagens com a etiqueta Isaac Asimov. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Isaac Asimov. Mostrar todas as mensagens

sábado, 13 de dezembro de 2014

Estantes Emprestadas [12] - Ciência/Literatura e outras dicotomias


Estou orgulhoso. Aliás, estou bastante orgulhoso. Não só consegui manter esta rubrica durante um ano inteiro, como consegui realmente convencer doze pessoas a participar. Incrível!
Mas avancemos para o texto deste mês, o último deste ano. A autora é a Sandra Martins Pinto, mais uma colega da Oficina de Escrita que se tornou numa boa amiga. Se ainda não perceberam, fica aqui mais uma prova de como este grupo foi das melhores coisas que me aconteceu nos últimos anos.
Bem, logo no primeiro parágrafo a Sandra descreve a crónica que lhe pedi, portanto não me vou alongar. Fiquem a saber que ela escreve bem, é advogada e está a tirar um curso de Informática (nem me vou atrever a dizer o nome certo do curso, tem computadores e envolve programar => Informática!). Por outro lado, a sua escrita cai frequentemente na Ficção Científica, não propriamente dura, mas agressiva, digamos. Ideias fortes, principalmente.
Deixo-vos agora com o texto da Sandra, que tem uma mensagem no final com a qual me identifico bastante. Espero que gostem tanto como eu. Da minha parte, obrigado Sandra!

Habituei-me a seguir religiosamente o Que a Estante nos Caia em Cima quase desde que conheci o Rui, na Oficina de Escrita da Trëma (agora metamorfoseada em Polícia Bom, Polícia Mau), pelo que fiquei muito contente com o convite para escrever esta crónica. Mas confesso que o tema me deixou um pouco preocupada, por não saber ao certo como o havia de abordar: pedia-me ele que falasse da minha “posição privilegiada enquanto estudante de letras e agora de ciências, relativamente à leitura/escrita, talvez com foco na FC, mas não só”.
Ora bem, e por partes: posição privilegiada? Talvez, mas confesso que não é bem essa a sensação do lado de cá. E nem sequer estou a falar da insanidade que representa a tentativa, depois de muitos anos de Direito, de medir novamente forças com a Matemática (que deixara lá para trás há quase quinze anos), ou de tentar espremer o meu cérebro nas máquinas de tortura da Ciência de Computadores. Refiro-me antes à sensação de indefinição que é não pertencer verdadeiramente a nenhum dos lados, pairar entre as letras e os números, saltar entre umas e outros assim como quem saltasse de um marido para um amante sem sequer saber, a cada momento, qual é o legítimo e qual é o emprestado...
Passei uns dias a pensar nisto, e concluí que o binómio Letras-Ciências (que não é tão bonito como o de Newton, mas anda lá perto) espelha outras dicotomias a que me foi habituando na minha vida, e que me foram definindo nesta coisa algo híbrida em que acabei por me tornar. Letras/Ciências. Forma/Conteúdo. Estilo/enredo. Mainstream/género. Feminino/Masculino. 
Binómio de Newton: a nossa noção de bonito
Quando era ainda muito pequena, a minha mãe apresentou-me aos textos, aos poemas, a dezenas de lengalengas que ainda hoje sei recitar de cor e que conseguiram que nunca ficasse pouco à vontade à frente de uma folha de papel e com uma caneta na mão. Aprendi a ler com os gibis da Turma da Mônica, alguns no português adocicado de Vera Cruz, e a partir de então sempre me senti confortável com as palavras; dominava as suas regras, sabia exactamente o que encaixava onde, o que jogava com o quê. Era a minha língua, era a minha praia. Ia pela rua fora e inventava histórias que ia dizendo alto, ou canções, ou recitava os versos – do António Aleixo, da Florbela Espanca - que tinha lido no dia anterior, no livro da estante que estava mais à mão. Ainda hoje essa sensação de facilidade me acompanha, e talvez por isso escolhi uma profissão em que tenho de escrever. Muito.
Mas  depois havia o outro mundo. A razão de ser das coisas, de o sol se erguer de manhã nas montanhas e se ir deitar ao mar. O porquê de o dia se seguir à noite. De haver estações. De o Cola Cao se dissolver no leite. De se ver o raio, e só depois se ouvir o trovão. Havia o meu pai debruçado sobre a mesa a desmontar as rodas dentadas e as resistências e tudo o mais que existia nas entranhas dos meus brinquedos, nos aquecedores e nos ferros eléctricos, comigo a espreitar-lhe por cima do ombro. Houve o primeiro computador, quando eu tinha aí uns doze anos.  Havia os jogos de lógica, os puzzles de Mastermind surripiados à Nova Gente (?!). A beleza fria, perene e elegante de uma prova dos nove, de uma regra de três simples.
Lindo!
Para mim, as letras sempre foram a inspiração, e os números a transpiração. Um 18 a matemática tomava-me dez vezes mais tempo e trabalho do que a mesma nota a Português, mas sempre insisti apesar disso. Talvez mesmo por causa disso. Sou filha de um engenheiro, e companheira de outro há mais de uma década; era inevitável que a forma de pensar deles me acabasse por contagiar.
Cada um é p’ró que nasce, mas às vezes podemos nascer várias vezes na mesma vida. E foi um pouco o que aconteceu quando me vi outra vez nos bancos da Faculdade, em frente a um computador a tentar o primeiro [primeiro meu, que não certamente dele] Hello World!;  por essa altura costumava comentar que quase conseguia ouvir as rodas dentadas a realinhar-se no andar de cima, e era mesmo assim. A forma mentis de um programador não é a mesma de um jurista, ainda que eu tenha constatado, muitas vezes, que também não andam assim tão distantes quanto se possa pensar. 
Foi equipada com esta mente - casada com as letras mas tentada a infidelidades com os números - que fui crescendo como leitora e como escritora, ou arremedo disso. E nos textos (lidos ou escritos) sempre encontrei uma outra dicotomia que, pelo menos na minha cabeça, sempre associei àquela: a que opõe a forma ao conteúdo, o estilo ao enredo.  E, por arrasto, ainda um outro binómio, o que contrapõe o mainstream – aquilo que se costuma designar, de forma algo elitista, por ficção literária – ao género, onde cabem a ficção científica, a fantasia ou o terror.
Apesar de ter a casa recheada das colecções da era dourada da Ficção Científica em Portugal (cortesia do meu pai), o primeiro livro de FC que me recordo de ter lido foi o The Gods Themselves, do Asimov (O Crepúsculo dos Deuses, na tradução em português do Brasil), já devia andar pelos 19 anos. Tinha ido para a praia sem nada para ler, e qualquer leitor sabe que isso fica pouco aquém da definição de inferno.

Antes disso tinha havido fantasia, claro. Desde logo, claro, havia os filmes. Haverá sempre o Neverending Story, por mais kitsch que pareça hoje (Falcor forever!). Além disso, num certo sentido, grande parte da literatura infantil é fantasia.  E havia as Aventuras Fantásticas da dupla Steve Jackson/Ian Livingstone, que me permitiam escolher a minha própria aventura na companhia diária de esqueletos, mandrágoras, basiliscos e feiticeiros de moralidade duvidosa. Em todo o caso, por essa altura, a minha bagagem mainstream era bem maior. Eu lia tudo o que apanhava, desde livros de educação católica aos clássicos.
No meio dessas leituras erráticas, surgiam algumas vezes livros de divulgação científica. Recordo uma tarde passada no Palácio de Cristal a tentar digerir a Breve História do Tempo, do Stephen Hawking, e a atitude desconfiada dos meus pais quando lhes pedi, como prenda de Natal, o Gödel, Escher e Bach do Hofstadter. Às vezes, era areia demais para a minha camioneta. Mas valia sempre a pena pelo gozo da viagem. E, claro – e julgo que com isto me aproximo finalmente do que penso ter sido a ideia original do Rui para este texto -, fui também mergulhando mais e mais na ficção especulativa em geral e na FC em particular. Ainda assim, se bem que já tenha lido hard science fiction e gostado (estou a lembrar-me, por exemplo, do Permutation City do Greg Egan), sempre preferi os autores que dedicavam mais tempo aos aspectos sociológicos e psicológicos dos futuros imaginados do que à ciência pura e dura. 
Curioso também é que, à medida que fui tomando contacto com a ficção especulativa – e nos últimos anos, 80% do que tenho lido (e escrito) enquadra-se nessa categoria  – fui-me deslocando progressivamente no tal eixo forma/conteúdo. Numa história de ficção científica (como literatura das ideias que alguém já lhe chamou, e que efectivamente é), ou mesmo numa história de fantasia, dificilmente a forma vale só por si. Claro, uma estrutura original pode ser uma mais-valia (estou a recordar-me do Flowers for Algernon, mas há outros exemplos mais recentes, e bem mais extremos), mas ainda está ao serviço da história, não se esgota nunca num exercício de estilo.

De qualquer forma, hoje tendo a pensar que essa questão fundamental para qualquer leitor e para qualquer escritor – O que é mais importante numa obra literária: a forma ou conteúdo? – merece uma resposta geral, independente do género.  Parece-me que uma tal resposta se aproximará muito da que vi dada pelo Salman Rushdie, quando o José Rodrigues dos Santos lhe colocou exactamente aquela pergunta a meio de uma entrevista. O escritor respondeu simplesmente, e estou a citar de cor: o que importa é o como (o how, no original inglês). Importa como se conta uma história: não apenas a história em si (que a ninguém encantará se truncada por uma estrutura obtusa ou por uma linguagem atroz), nem tão-pouco a roupagem que se lhe dê (que pode ser bela e original, mas não esconderá o vácuo de uma história desprovida de interesse). Importa a conjunção das duas coisas num storytelling competente. Isto é verdade para os clássicos, como é verdade para o fantástico. Como em quase tudo na vida, é na síntese que reside o encanto e a magia, nos raros momentos em que se consegue o milagre de um todo maior que a mera soma das partes. Com as letras e as ciências, afinal, sucede exactamente o mesmo. O homem do Renascimento sabia-o. Oxalá nós, civilizados e sofisticados, cidadãos do futuro, não o esqueçamos.

domingo, 14 de abril de 2013

Youth


Título: Youth
Autor: Isaac Asimov

Opinião: Asimov foi um dos grandes, digam o que disserem, e olhem para a sua obra da perspectiva que olharem. Eu pessoalmente ainda lhe li pouca coisa e já tenho a certeza que tenho aqui um autor que me enche as medidas.

Este conto é mais uma acha para essa fogueira em particular. Especialmente porque conseguiu manter-me interessado ao longo da história, e depois na última meia dúzia de linhas deixou-me literalmente de boca aberta.

Sem querer dar muitos pormenores sobre o que é assim tão surpreendente, a história é sobre duas crianças que descobrem uns animais estranhos e ficam com eles, para irem para o circo. Os pais das crianças são um astrónomo e um industrialista, sempre chamados de Astronomer e Industrialist. Os dois animais estranhos são na realidade aliens (isso percebe-se logo, não se preocupem) e embora incapazes de comunicar com os jovens, a narrativa passa pelas suas perspectivas e ficamos a saber que são o Merchant e o Explorer.

A história desenvolve-se de forma bastante banal, com os miúdos a tentarem alimentar os animais e a fazerem planos, e os adultos a debaterem as suas coisas, e quer desses debates quer das interacções entre gerações, aquilo que se nota é uma grande diferença entre ser criança e ser adulto. Asimov provavelmente quis realçar isso mesmo, não se chamasse o conto Youth, e tal é a forma como acentua o gap, à falta de melhor palavra em português, entre gerações.

Com uma escrita sempre impecável e um fim surpreendente e imprevisível, este é um bom conto de um grande autor, do qual espero ler mais coisas num futuro próximo.

sábado, 24 de novembro de 2012

Mensagens do Futuro [2]


Título: Mensagens do Futuro
Autores: Arthur C. Clarke, Brian Aldiss, Edmond Hamilton, Isaac Asimov, James Tiptree Jr., Kate Wilhelm, Mark Clifton, Robert Sheckley, Robert Silverberg, Ron Goulart
Tradutor: Eurico Fonseca

Opinião: Continuando onde acabei ontem: em Porquê?, de Robert Silverberg, a questão é tão simples quanto essa. Porquê? Porque é que insistimos em explorar, em sair da nossa zona de conforto e corremos riscos? Já morreram pessoas por causa das nossas ilusões de grandeza, o planeta inteiro tem actualmente problemas graves por sermos como somos. Mas não deixamos de ser curiosos, teimosos, de querer explorar tudo e conhecer tudo. Construímos as nossas naves e os nossos telescópios e tentamos perscrutar o Universo que nos rodeia, tentamos explorá-lo com objectivas potentes e naves massivas. E no fim do dia, fica a pergunta... Porquê? A resposta a que Silverberg chega é simples, e parece-me demasiado simples e óbvia para estar errada: porque podemos.


No conto seguinte, Ron Goulart mistura ficção científica e policial numa história que não achei nada de especial nem particularmente original. Que aconteceu ao Rosca-Moída? não passou, para mim, de um conto banal que tenta contar uma história bonita com características típicas da ficção científica.

Já Houston, Houston, estão a ouvir-me?, de James Tiptree Jr., que é afinal Alice Sheldon, desenvolve uma história sólida e algo assustadora, e é a prova escrita, como se tal ainda fosse preciso, de que a ficção científica e o terror são dois géneros quase siameses, tão facilmente se consegue oscilar entre um e outro, ou simplesmente misturar os dois numa história coerente. Eu pessoalmente já acreditava nisso, desde que li João Barreiros, mas este conto é mais uma evidência disso mesmo. E uma das que tem qualidade.

Essa sensação de quase simbiose entre FC e terror é continuada nesta penúltima história, Onde estiveste, Billy Boy, Billy Boy?, de Kate Wilhelm, um conto que o próprio Asimov descreve como "uma das histórias mais calmamente assustadoras que alguma vez foram lidas.". Eu compreendo o que ele quis dizer, há um certo tom de ameaça e de medo permanente ao virar de cada página, mas não me conseguiu convencer. Achei demasiado confuso e desconexo, especialmente tendo em conta o tamanho que tem. Talvez seja uma ideia que tivesse resultado melhor se tivesse sido contada num livro inteiro, mas falha o seu propósito ao apresentar-se como uma história tão curta.

E por fim, um conto do mestre em pessoa. Asimov presenteia-nos com A Pergunta Final, o único conto que não tem uma pergunta como título e que acaba por ser o mais alegórico de todos. No fundo não é bem um conto, li-o mais como um ensaio, parece um exercício literário e filosófico, que começa com uma premissa bastante simples de um mega computador que sabe responder a tudo, e que é desenvolvida passo a passo, à medida que o conto foi sendo escrito. Um conto/ensaio muito bom, a dar por terminada uma antologia muito boa de um género literário muitas vezes desprezado, e que aqui prova que consegue ser tão literário e filosoficamente activo como qualquer outro.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mensagens do Futuro [1]


Título: Mensagens do Futuro
Autores: Arthur C. Clarke, Brian Aldiss, Edmond Hamilton, Isaac Asimov, James Tiptree Jr., Kate Wilhelm, Mark Clifton, Robert Sheckley, Robert Silverberg, Ron Goulart
Tradutor: Eurico Fonseca

Opinião: Antes de me debruçar sobre qualquer um dos contos reunidos neste antologia, quero mencionar 2 coisas. Não se deixem enganar pelo nome do autor que vem escarrapachado na capa. Mensagens do Futuro não é um livro de Isaac Asimov, ainda que contribua com um conto, mas sim uma colectânea de contos editada por ele, Martin Greenberg e Joseph Oladner, e que inclui contos de Arthur C. Clarke, Brian Aldiss, Robert Silverberg e todos os outros nomes sonantes mencionados ali em cima.

A segunda coisa é a genialidade e a criatividade por detrás deste livro. Como Asimov explica na introdução, o conceito é bastante simples: os contos aqui reunidos têm todos em comum a particularidade de terem uma pergunta como título e de serem, no fundo, a ilustração dessa pergunta, com a ficção científica a servir de pano de fundo perfeito para questões que atormentam a Humanidade há bastante tempo.

O primeiro conto Como é aquilo por lá?, é de Edmond Hamilton, um pioneiro da ficção científica norte americana, como diz Asimov na introdução que o antecede. Não sei se é de facto o melhor de Hamilton, como Asimov também menciona, mas é sem dúvida um óptimo conto e um dos melhores que já li dentro deste género. É acima de tudo um conto desiludido e que tenta mostrar o peso que é tomar consciência da imensidão do Cosmos e de quão fúteis e superficiais são as nossas tentativas de exploração do Universo.

Já em Quem poderá substituir o Homem?, de Brian Aldiss, a interrogação é mais directa e óbvia. Num mundo maioritariamente tecnologicamente avançado acabado de dizimar, quem é que manda? Como é que funciona a sociedade? Os robôs podem-se organizar, mas conseguirão sobreviver? Curto mas incisivo, este conto mostra que o Homem tem um papel importante no mundo, mas que não é, de todo, essencial à sua continuidade. E depois no fim há mais umas implicações, que deixarei incógnitas para não estragar a leitura, perdoem-me.

De seguida vem Que foi que eu fiz?, de Mark Clifton, um conto ao mesmo tempo optimista e negativista. O protagonista começa por combater uma ameaça à Humanidade, e acaba a perguntar-se se a verdadeira ameaça não é, afinal, a própria Humanidade. Uma das interrogações mais actuais que encontrei nesta colectânea, a pergunta que dá o título ao conto é apenas a ponta de um gigantesco iceberg das mais variadas considerações, acompanhadas lentamente, passo a passo. Primeiro a ameaça e a luta desesperada para proteger aquilo que o protagonista julga ter que sobreviver a todos os custos, a Humanidade. Depois uma lenta tomada de consciência, por contraste com a alegada ameaça, de que a Humanidade é uma ameaça por direito próprio. Muito bom.

O quarto conto é daquele que é para mim um dos maiores génios da literatura e que simboliza um dos expoentes máximos da ficção científica: Arthur C. Clarke. Já há muito rendido a este escritor, Quem está aí? apenas cimentou a minha opinião sobre ele, a de que Clarke é genial, genial, genial. Não há grandes interrogação filosóficas ou metafísicas, há, isso sim, uma situação bem contada e descrita, uma muito boa historieta contida em meia dúzia de páginas.

Você sente alguma coisa quando eu faço isto?, de Robert Sheckley, foi provavelmente o conto que achei mais fraco nesta antologia. Não passa de uma metáfora pouco subtil para a a evolução acelerada da tecnologia e dos choques que inevitavelmente vão existir entre pessoas e máquinas. Ou do uso exagerado de tudo o que seja maquinetas. Acho que só falha, em grande parte, porque isso não é o futuro, é o agora e é já algo aceite e ao qual oferecemos pouca resistência, enquanto espécie.

Até agora falei-vos de 5 dos 10 contos de Mensagens do Futuro, e tive apenas uma desilusão, o que me parece uma contagem final bastante positiva. Amanhã falo-vos dos 5 contos que faltam desta que se tornou numa das minhas antologias favoritas, não só pelos contos nela presente, mas pelo conceito que os reuniu a todos no mesmo livro.

domingo, 1 de julho de 2012

Terrortório

Título: Terrortório
Autor: Vários

Opinião: Esta colectânea de contos prometia, com nomes como Poe, Asimov, Kafka e Lovecraft, por exemplo, ainda que apresentasse ali pelo meio uns nomes portugueses, a maior parte deles completamente desconhecidos para mim.

Ainda por cima começa bem, com um conto de Poe, simples e obviamente bem escrito, mas a partir daí, tirando os grandes nomes e algumas (poucas) surpresas nacionais, pouco se aproveitava.

Para começar, nem todos os contos são propriamente de terror, com o de Asimov e Creach a tender para o humorístico, enquanto que o de Luísa Costa Gomes é apenas uma nódoa, completamente banal e sem ponta por onde se lhe pegue.

Tirando esses defeitos e essas falhas na construção deste elenco que, volto a frisar, tem nomes excelentes que produziram contos excelentes, como seria de esperar. Imagino que o objectivo fosse como que lançar este género com tão pouca visibilidade em Portugal, e aproveitando para mostrar que a produção nacional se recomenda.

Bem, aquilo que posso dizer é que ainda bem que a sobrevivência deste género por terras lusas não dependeu deste livrito, já relativamente antigo. Se assim fosse, acho que eu ia ter muito mais dificuldades em ler Stephen King, Lovecraft, Bram Stoker, bem como em assistir à crescente popularidade de autores como David Soares.

Se isto era uma mostra do talento nacional num campo relativamente renegado da literatura, falhou redondamente. Lá está, tem contos interessantes, mas falha no geral.

Ou seja, se o tiverem por causa, não perdem nada em ler, mas não se preocupem muito em andar à procura dele.