sábado, 11 de janeiro de 2014

Estantes Emprestadas: Finalmente!


Depois de muito anunciar e prometer, declaro que vão finalmente poder ler as crónicas convidadas escritas por amigos meus. A rubrica começa daqui a uma semana com uma crónica bastante interessante cujo tema não vou revelar. Gosto de manter o suspense.

O nome Estantes Emprestadas é bastante sugestivo e explicativo do que é a minha ideia para esta série de crónicas. O objectivo não é ter simples textos sem vida sobre assuntos que já estão vistos e repisados, mas sim crónicas interessantes, com temas originais, e que dêem tanto gozo a ler como a escrever.

Quero que as pessoas que convido nos emprestem por um bocado as suas estantes mentais e nos falem de algo de forma a aguçar-nos a curiosidade. Quero que depois de lerem uma destas crónicas, tenham que ir acrescentar livros à vossa lista de leitura, ou conhecer mais qualquer coisa sobre este ou aquele autor.

Das que já recebi, acho que a coisa está a ser um sucesso, mas só depois de publicadas é que saberei. Por enquanto fiquem a pensar no assunto e a tremer de ansiedade (se não ficarem, deviam!), e daqui a uma semana vão ver a espera recompensada.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A Pocket Full of Rye

Título: A Pocket Full of Rye
Autora: Agatha Christie


Opinião: Este pequeno livro, comprado com um mega desconto qualquer que o deixou a menos de três euros, pareceu ser a obra ideal para desanuviar um pouco. Em época de exames não me apetece propriamente ler o Guerra e Paz, ou algo parecido, e acho sempre os livros de Agatha Christie tão agradáveis e leves, que pronto.

Como se pode ver ali, em vez de Poirot contamos com Miss Marple, que também é fixe. É uma personagem curiosa, obviamente, uma típica senhora inglesa que transmite uma certa sensação de frieza, principalmente de raciocínio, que me espanta sempre.

E esta história tem uma das particularidades que eu mais aprecio nas histórias da rainha dos policiais: a sua personagem, a Miss Marple, pouco aparece. A sério, só surge a meio do livro, em não mais do que três ou quatro capítulos a partir, e é só.

Já nos dois melhores livros que li de Agatha Christie, As Dez Figuras Negras, e O Assassinato de Roger Ackroyd, se passa o mesmo. Aliás, no primeiro nem sequer aparece o Poirot! Mas é algo que a autora costuma fazer, dá muita informação e muita história antes de começarem a acontecer os crimes, permitindo uma maior envolvência na trama. Sempre achei isso fenomenal, especialmente tendo em conta a mestria com que Agatha Christie o faz.

É que mesmo com este "atraso" na resolução do mistério, os seus detectives conseguem criar um impacto enorme. A Pocket Full of Rye não é excepção, com Miss Marple a resolver o mistério de forma peculiar e muito astuta, baseada apenas em alguns dedos de conversa, maioritariamente com as mulheres, e fazendo a ligação com uma rima infantil.

Impressionante e moderadamente interessante, ainda assim o livro ficou aquém. O mistério era muito, e as personagens interessantes, mas o desenvolvimento foi bastante mediano. O verdadeiro culpado foi (mais ou menos) surpreendente, mas disso até nem me queixo. Acho é que o livro é demasiado pequeno, e com a autora a ter enredo antes do trabalho de detective, não lhe fazia mal nenhum ter mais umas poucas páginas a expandir a história.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Antologia Fénix III [2/2]

Título: Antologia Fénix III
Autores: João Rogaciano, Joel Lima, Luís Corujo, Manuel Mendonça, Marcelina Leandro, Nuno Almeida, Ricardo Dias, Rui Bastos (eheh), Rui Ramos, Samir Karimo, Vítor Frazão


Opinião: Podem ler a primeira parte aqui (ou ali em baixo). Vou novamente apresentar na forma de lista, não só por ser mais fácil, mas também porque gosto de listas, de uma forma geral.

  • O primeiro natal ao vivo e a cores, de João Rogaciano, conta com uma boa escrita e uma história curiosa, mas acho que, muito provavelmente pela restrição de palavras, ficou a faltar desenvolvimento. Quer dizer, acho que merecia mais desenvolvimento, porque fiquei realmente interessado!
  • Diálogo no Pólo Norte, de Joel Lima, tem uma ideia minimamente engraçada, mas acaba por ser um conto tão, mas tão mediana, a fazer convergir dois mitos (de classes diferentes, mas pronto)
  • Pinheirinho, de Luís Corujo, é um conto com uma interessante, e inclui algo que raramente falha em qualquer história que apareça: VIKINGS! Apesar disso o autor conseguiu estragar a história com um final absolutamente terrível.
  • Filhós e Azevinho, de Manuel Mendonça, foi um dos contos de que menos gostei. Não fiquei a perceber grande, só que há um demónio a ser ordenhado, que dá sangue, ou sei lá... Nem sei, nem sei.
  • Missão de colonização, de Marcelina Leandro, nem sequer tem uma ideia muito má, mas o conto é terrível. Há uma Imediato Eva, um Comandante Adão, uma escrita mediana e uma conclusão que não conclui grande coisa. Não gostei.
  • Noite de Surpresas, por Nuno Almeida, não está nada mal, mas acho é que o início não está coerente com o final, nem sei bem como explicar, mas o conto parece-me desfasado, de certa forma.
  • Os Três Fantasmas, de Ricardo Dias, é um caso muito particular em que uma ideia excelente (a sério, tremenda) origina um conto fraco por causa da forma como a história é contada. Em vez de contar a coisa de forma cativante, o autor optou por ter as personagens a conversar e a explicar tudo, numa mera exposição que não se torna minimamente interessante.
  • O Julgamento de Natal, não vou comentar, porque foi o conto que eu escrevi. Eu sei que já toda  gente deve estar farta de me ouvir mencionar isso, mas eu quero lá saber, é o meu primeiro conto a ser publicado, sou um tipo mais feliz por causa disto! De qualquer forma, já lá topei uma vírgula mal posta...
  • Conto de Natal, de Rui Ramos, é outro dos contos de que menos gostei, nesta antologia. Uma escrita que achei fraca, diálogos maus, uma história confusa e pouco interessante e, pior de tudo, um Deus e um Lúcifer muito pouco credíveis...
  • Santa Claus Sideral y la Gota de Oro Navideña, de Samir Karimo, é outro conto em espanhol (galego?), mas deste não percebi pevas, portanto abstenho-me.
  • O Último Natal, de Vítor Frazão, é um conto bonito, muito bem escrito, mas acho que a ficção científica não lhe faz falta. É mais uma história de amor passada num cenário de FC para a qual a FC não tem qualquer relevância. Não perde a qualidade por isso, atenção, mas perde alguns pontos, vá...

E pronto, está tudo dito acerca dos contos. Esta segunda parte foi mais fraquinha, e desceu o nível da antologia para mediana, com algumas pérolas tremendas lá pelo meio.

Em termos de considerações gerais, a formatação do ebook não é a melhor, mas o que mais me fez confusão foi o ter contos não traduzidos para português e ainda o facto de incluir contos dos próprios organizadores. É claro que cada pessoa é livre de fazer como muito bem lhe apetecer, longe de mim querer dizer como é que se faz uma antologia, mas acho que os organizadores se deviam abster de participar.

Já para não falar dos contos não traduzidos. Por exemplo, naquele que não percebi pevas, do Samir Karimo, posso estar a perder um conto fantástico. Enfim.

No geral é uma antologia razoável, com contos fantásticos e 2 ou 3 que achei maus, mas com a maioria a cair no mediano. Em termos de experiência, foi bastante agradável ver-me incluído entre tantos nomes que já conheço destas andanças e mal posso esperar por repetir!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Antologia Fénix III [1/2]

Título: Antologia Fénix III
Autores: Alexandra Rolo, Álvaro de Sousa Holstein, Ana Luiz, Anton Stark, Carina Portugal, Carlos Alberto Espergueiro, Carlos Silva, Carol Louve, Daniel Libonati Gomes, Francesc Barrio, Gabriel Martins, Inês Montenegro


Opinião: Decidi dividir esta opinião ao meio porque quero falar um pouco de cada conto sem a alongar demasiado. Cá vai. Para ajudar à festa são tantos, que vou fazer uma lista e tudo.

  • Biscoitos de Natal, por Alexandra Rolo, minha colega da Oficina de Escrita da Trëma, é um conto interessante e ligeiramente sanguinário, como não podia deixar de ser para quem a conhece. Gostei da escrita e do twist arrepiante.
  • Um conto de Natal, por Álvaro de Sousa Holstein, é um conto de que não gostei. É demasiado confuso e dá a sensação de ficar incompleto, enfim, um conto mediano cujas inspirações lovecraftianas não conseguiram salvar. Ainda por cima tem uma utilização de vírgulas excessiva e dolorosa, que quebra completamente o ritmo da leitura.
  • Uma Questão de Nervos, por Ana Luiz, um conto que achei confuso, não propriamente cativante nem interessante. Há um duende que quer dar uma poção transformadora a outro, mas o Pai Natal impede-o, e ele depois fica a pensar numa poção aniquiladora... Não percebi muito bem, confesso.
  • Um Último Presente, por Anton Stark, agradou-me bastante. Tem um final bastante satisfatório e uma escrita cuidada e cativante, além de que a ideia em si, da qual não posso revelar muito, mas que envolve uma Mãe Natal algo pecaminosa, é bastante porreira!
  • Frio, cada vez mais Frio, de Carina Portugal, também me agradou, embora não me tenha satisfeito completamente. A ideia é boa, e o conto é emotivo, mas o tom não é consistente em toda a sua extensão, o que estragou um bocadinho a coisa. Mas foi dos que mais gostei, ainda assim, e teve um final tão, mas tão triste...
  • Tomar a nuvem por Juno, de Carlos Alberto Espergueiro, tem uma ideia bem porreira, mas uma execução fraquinha, não fiquei nada fã da escrita e isso não me permitiu apreciar o conto como deve ser.
  • Natal no abrigo, de Carlos Silva, é outro de cuja escrita não fiquei fã, mas este achei muito bom. A ideia e a forma como está explorada é bem porreira, e fiquei com vontade que o conto tivesse mais umas poucas palavras, para ficar a saber mais qualquer coisa.
  • O Presépio, de Carol Louve, é simplesmente creepy. O que abona claramente a seu favor! Sacanas dos bonecos... Enfim, gostei!
  • A Revolução Polonórtica, de Daniel Libonati Gomes, não tem uma escrita que me tenha agradado muito, mas tem uma história bastante engraçada.
  • Disfraces, de Francesc Barrio, é o primeiro conto em espanhol (ou galego, ou sei lá) da antologia, e ainda consegui ler mais ou menos, embora tenha demorado um bocado a perceber o twist, do qual acabei por gostar embora não faça grande sentido. Quanto à escrita não me pronuncio, por motivos óbvios.
  • Noite de Sonho, de Gabriel Martins, é um conto bem porreiro e, vá, bonito. A ideia do Sonho vs Destino, com o ligeiro twist no fim é muito boa e passa uma mensagem poderosa. É o meu favorito até aqui, e ainda por cima lembra-me um pouco o Sandman, do Gaiman...
  • O Anjo, de Inês Montenegro, não é nada mau, mas nem liguei muito a história. A escrita é que é fenomenal! Fiquei fã.
A opinião do resto dos contos aparece na quarta feira, assim como algumas considerações gerais, mas até agora posso dizer que foi uma leitura agradável, sem ser nada de extraordinário. Há algumas coisas que me fazem espécie, mas falo disso para a próxima.

sábado, 4 de janeiro de 2014

A senhora da Mbooks da Alameda

E eu também não.
No início da semana fui passear com a minha namorada. E como acontece sempre, acabámos a ver livros em vários sítios. Um desses sítios foi numa daquelas feiras da Mbooks que nascem que nem cogumelos nas estações de metro, mais concretamente na do metro da Alameda.

Passo por lá muitas vezes, deve ser o poiso deste estilo que mais frequento, e já lá tive algumas surpresas agradáveis, e sempre me deparei com uma enorme simpatia da parte de quem quer que seja que lá tenha estado a vender. Não tive essa sorte, desta vez.

Como sempre fazemos, demos a nossa volta, vimos os livros, e até abrimos uns para crianças super engraçados com versões infantis das personagens da Disney, algo que, e isto é importante para o que vou contar a seguir, não costumamos fazer de todo. Normalmente limitamo-nos a olhar, talvez espreitemos uma sinopse ou outra, mas raramente abrimos um livro.

Mas foi enquanto nos ríamos de um Pateta bebé, que a senhora a vender livros naquele dia se aproxima disfarçadamente, como quem não quer a coisa, e diz que aquilo não pode ser, que vamos ali muita vez e olhamos e mexemos e nunca compramos nada e que assim não pode ser. E não disse isto da forma mais agradável possível.

Ora, eu compreendo muito bem a frustração que deve ser para quem vende, ver pessoas a entrar várias vezes e a raramente comprar alguma coisa. Ainda para mais se essas pessoas andarem para lá a escaranfunchar nos livros todos. Uma ou duas pessoas de vez em quando, nem faz mal. Mas se forem cinquenta, todos os dias, estragam-se os livros.

Portanto percebo a preocupação, a sério que sim. Mas acho que chegar ao pé de clientes e basicamente dizer-lhes "ou compram alguma coisa ou estão quietinhos, olha agora, sempre aqui a cirandar!", com maus modos, não é a melhor forma de lidar com isso.

A única coisa que conseguiu foi muito provavelmente perder dois clientes.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Marvel Fairy Tales

Título: Marvel Fairy Tales

Argumento: C.B. Cebulski
Arte: Claire Wendling, João M.P. Lemos, Nuno Plati, Takeshi Miyazawa, Ricardo Tércio Vinagre Guimarães, Kyle Baker


Opinião: Já tinha ouvido falar deste livro, mas a única opinião que conhecia era uma não muito favorável. No entanto o conceito sempre me fascinou, e decidi trazê-lo da biblioteca um dia destes.

A premissa é simples: recontar fairy tales utilizando super-heróis da Marvel como personagens. Há um Vision a fazer de Pinóquio, um Capitão América como Peter Pan, enfim, vocês percebem a ideia.

O resultado é bastante satisfatório! Ainda há mais volumes, mas as histórias recolhidas neste são bastante agradáveis: Pinóquio, Capuchinho Vermelho, O Feiticeiro de Oz, Alice no País das Maravilhas, Peter Pan, e uma fábula africana deliciosamente adaptada.

O conceito funciona porque as histórias de super heróis são uma espécie de contos de fadas ultramodernos. O Capitão América encaixa bem no papel de galante Príncipe Encantado, por exemplo, e quantas histórias não conhecem vocês de super heróis a salvar as suas donzelas?

Mas Cebulski conseguiu tornar o livro muito mais interessante graças a pequenos twists neste tipo de pensamento. Usar o Capitão América para fazer de Peter Pan, o eterno rapazinho, irresponsável, ainda que leal, e infantil por escolha própria, por exemplo. Ou ter o Thor, na adaptação de O Feiticeiro de Oz, a ser o espantalho, mas em busca de força e não de inteligência.

São pequenos detalhes que aproveitam muito bem as características específicas destes heróis, permitindo uma junção ao universo dos contos de fadas que funciona bastante bem.

E no meio destas histórias, a que achei melhor foi a última, a tal adaptação de uma fábula africana, com Magneto no papel de águia e Professor X no papel de tartaruga. A forma como a história está contada é absolutamente soberba, recriando com exactidão a complexa relação entre estas duas personagens mais que conhecidas, com o formato de fábula a assentar que nem uma luva.

Os diálogos de uma forma geral podiam ser melhores, mas a arte é boa, e nada prejudica o maravilhoso conceito que faz deste um óptimo livro.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Gardens of the Moon (Malazan Book of the Fallen #1)

Título: Gardens of the Moon
Autor: Steven Erikson


Opinião: Nada melhor para começar o novo ano do que cascar num livro. Foi pura coincidência esta opinião ter calhado para este dia, mas não fica nada mal.

Afinal, mais do que entrar com o pé direito, gosto mesmo é de refilar. E se já aproveitei toda uma crónica, de forma não muito subtil para dar início às hostilidades, neste primeiro texto de 2014 vou ter que me queixar mais um bocadinho.

Mas antes de partir para a porrada gosto sempre de salientar os pontos fortes, para não me acharem demasiado agressivo.

E este livro tem alguns. Uma história cativante, quando se consegue perceber minimamente, e uma mão cheia de personagens interessantes, incluindo o Kruppe, o misterioso homem anafado e aluado que anda a cirandar pelo livro, em contacto com montes de outras personagens e claramente envolvido em montes de acontecimentos, sem parecer mais do que um wandering fool.

O resto das personagens não me chamou muito a atenção, embora tenha gostado de mais algumas. A verdade é que Kruppe é de tal forma carismático que consegue roubar completamente qualquer cena em que apareça, eclipsando quase na totalidade todas as outras personagens. Durante a leitura, este homenzinho estranho serviu-me de âncora e de ponto de foco no meio do marasmo intricado e incompreensível que é Gardens of the Moon.

Além das personagens, concedo que o worldbuilding é bom. Não é excelente, e muito menos fácil de apreender, mas ele está lá, e o mundo criado por Erikson é de facto interessante. Entre cidades flutuantes, deuses, feiticeiros, monstros variados, mais raças do que é humanamente possível decorar, e intrigas palacianas demasiado complicadas, o mundo acaba por até nem ficar muito mal caracterizado.

Fica é mal explorado. Mas se vamos partir para a fase de dar nas orelhas, vamos fazer isto como deve ser: plot twists ridículos, magia como solução para todos os problemas, inconsistências na forma de actuar das personagens, motivações fracas ou inexistentes para muitas delas, um início absolutamente terrível e demasiado confuso, um fim execrável, uma completa ausência de closure... Digamos que não fiquei fã do livro.

Entre outras coisas, o livro pareceu-me mais o meio de uma saga do que o começo. Não há grande contexto, o ritmo é brutalmente contrastante (de 100 e tal páginas sem acontecer nada de especial, passa a 20 páginas completamente recheadas de acontecimentos que mudam tudo), e não há propriamente um fim, mas sim um momento a partir do qual tudo acontece a uma velocidade estonteante, para logo se imobilizar por completo.

As críticas que tenho visto dizem que Erikson é uma espécie de nível avançado de Fantasia. A ideia é que depois de se ler George R.R. Martin, Robert Jordan, Robb Hobb e outros autores que tais, mais "fáceis" de digerir, se pode passar à saga de Erikson, mais densa e complexa.

Eu cá digo para terem juízo. Normalmente chamo a livros como este "tão maus que só podem ser brilhantes". O que se passa é que ninguém acredita que uma saga planeada para 10 volumes, com outras obras à volta, e bla bla bla, contenha livros tão maus como este. Então só pode ser brilhante, nós é que ainda não chegámos lá!

Querem provas? Li algures que um tipo leu isto, não percebeu nada, mas gostou bastante, e que então leu outra vez, e já percebeu mais um pouco, mas que depois da terceira leitura já percebia mais ou menos a história e decidiu avançar para o segundo livro. Caríssimos, isto é parvo. A mim aconteceu-me o mesmo, depois de ler estas 700 páginas, não percebi grande coisa do que se passou, mas mesmo que tivesse gostado da escrita (não gostei, não) e conseguisse encontrar qualquer coisa para me prender a sério (uma personagem como o Kruppe, fixíssima e que fala de si própria na terceira pessoa, não chega), não ia gostar.

E de facto não gostei mesmo nada deste livro. Logo no início há um exército que é dizimado por um deus que vive numa cidade flutuante, e uma das personagens é cortada ao meio e fica obviamente para morrer. Duas páginas depois a sua alma foi transferida para uma marioneta de madeira, e o tipo enlouquece e nem sei. Depois o sistema de magia é estranhíssimo, nunca é minimamente explicado, e serve para resolver todos os problemas... E nisso o Sanderson é que tinha razão (1, 2, 3).

Os deuses aqui também têm uma intervenção bastante directa, sendo convocados e até usados e ameaçados por meros mortais, por dá cá aquela palha. E não há nada que salve uma linha narrativa que leva a um beco sem saída, sobre um tipo que é o Coin Bearer, uma ferramente do deus duplo da sorte, Oponn. Esta história está em build-up durante dezenas e dezenas de páginas ao longo de todo o livro e depois... não tem relevância nenhuma.

Enfim, uma série de coisas que me chatearam e que não são de forma alguma compensadas pelas coisas boas que mencionei ali em cima. A brilhante ideia do Rafa está-se a revelar um suplício, e não pego no segundo livro tão cedo. É até provável que não lhe pegue de todo!