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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Conversas Imaginárias 2015


Devido às obras na Biblioteca de Telheiras, este ano não foi possível haver Fórum Fantástico. Mas o Rogério Ribeiro e o João Campos, incapazes de estarem quietos, lá se esforçarem para trazer um mini-evento em substituição. Estas Conversas Imaginárias, que pelo que percebi, já se tinham feito noutros anos.

O resultado foi positivo. O espaço partilhado entre a livraria Fyodor e o Café Ideal foi pequeno para tanta gente que lá apareceu de início e que lá esteve durante boa parte da tarde, mas chegou. O único defeito foram mesmo os problemas de som, já que sem microfones, com barulho de pessoas aleatórias a comprar livros na Fyodor, tornou-se difícil ouvir certas partes das conversas.

No entanto foi bom ver António de Macedo a falar bem como sempre, e a anunciar livros e filmes como se fosse um jovem, apesar da saúde fragilizada. Só por isso valeu a pena!

As três conversas, Universos Partilhados, O Fantástico e o Real, e Iniciativas em Comunidade foram todos muito interessantes, com convidados como Luís Filipe Silva, João Barreiros, o já mencionado António de Macedo, David Soares, Carlos Silva pela Imaginauta, o responsável da H-Alt, a Liga Steampunk, Ricardo Lourenço pelo Projecto Adamastor, e João Campos, Artur Coelhos e Cristina Alves a juntarem-se a João Barreiros para a já habitual sessão de recomendações que dura mais do que devia.

Pelo meio houve ainda tempo de se venderem os primeiros exemplares da Colecção Barbante, que inclui um conto meu, muito convívio e muitas conversas entre partes de uma comunidade que gosta de se chatear consigo própria, mas que não resiste a estes momentos de autêntica confraternidade.

Pela minha parte comprei livros recomendados pelo Luís Filipe Silva e editados pelo João Barreiros (A Pegada, de Larry Niven e Jerry Pournelle, ambos os volumes) e um livro aprovado por Rogério Ribeiro (Under Heaven, de Guy Gavriel Kay), recebi uns marcadores impressos em 3D pelo professoris excepcionalis Artur Coelho (duas Enterprise e um Dalek, para partilhar com a namorada) e conheci amigos virtuais (Luiz, foi um prazer).

Uma tarde bem passada, e a prova de que basta esta malta juntar-se que acontecem coisas porreiras.

sábado, 30 de maio de 2015

Estantes Emprestadas [17] - "Comunicado"


A crónica deste mês é especial. Talvez seja melhor descrevê-la como peculiar, já que desafiei, nem mais nem menos, do que a malta da Imaginauta, chefiada pelo Carlos Silva e o Vítor Frazão. Por entre várias iniciativas, o objectivo deles é estimular a escrita e a leitura de ficção especulativa. Por cá tenho tentado ajudar, com divulgação em primeira mão de sinopses do livro que depois comprei e li, Comandante Serralves: Despojos de Guerra, que tem contos muito bons e cria um universo partilhado muito interessante; e com a participação na iniciativa natalícia Operação Livros no Sapatinho, que teve direito não a uma, não a duas, mas a três respostas! Isto para além da divulgação que vou fazendo das suas várias iniciativas. Eu bem tento, que se há projecto que merece, é este!

Por agora fiquem com a minha parte do desafio, que esforcei-me. A resposta há-de surgir nas proximidades.



*início de gravação*

Está a gravar? Isto está... Raios parta a gerigonça, está ou não? Onde é que eu meti as instruções... Hum... Aqui... Deixa ver. Carregar aqui, ali, já está, se estiver a luz acesa, está a gravar. Ah!

Desculpe lá isto, mas ainda não me entendo com o hologravador Bem, não interessa. Estou-lhe a enviar esta mensagem porque hoje apareceu um sujeito na minha banca a vender-me uns livros que achei muito estranhos. Aliás, o sujeito também era bastante estranho, e nunca sequer o tinha visto por estas bandas.

Comprei os livros para os manter debaixo de olho, mas ele ainda me disse que depois me arranjava mais. Antes de lhe conseguir perguntar alguma, desapareceu. Esteve o tempo todo com um capacete que não deixava ver-lhe a cara e que devia ter um modulador de voz.

Mas pronto, vamos ao que interessa. Já enviei os livros para o seu gabinete pelo comutador quântico que mandou instalar aqui no meu armazém. De qualquer forma, são os seguintes. "Intermitências da Morte", de um José Saramago, tem um aspecto muito estranho, muito simples, sem grandes desenhos, e pelo que folheei, parece ter texto muito denso.

Há também um muito, muito estranho, um "Terrarium", de João Barreiros e Luís Filipe Silva. Nem sequer percebo como podem duas pessoas escrever o mesmo livro, na altura em que isto foi publicado ainda não existiam osciladores de matéria... Mesmo agora, para fazer alguma coisa assim era preciso ser-se um génio!

O último é o mais chocante. "V de Vingança", de Alan Moore, quase não tem texto. Está é recheado de imagens. Para lhe ser sincero, este assustou-me mais do que os outros. Ainda se as folhas fossem ecrãs orgânicos ultra-finos, mas não, são só imagens estáticas. Nem lhe mexi mais.

Aquilo que acho mais estranho é estarem imaculados, apesar de terem séculos de idade. Por favor diga-me como proceder.

E agora onde é que se desliga isto? Hum... Deve ser aq...


*fim de gravação*

http://imaginauta.net/

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Insonho, Durma Bem


Autores: Carlos Silva, Valentina Silva Ferreira, Vítor Frazão, André Pereira, Francisco J.V. Fernandes, Ana Luiz, Miguel Raimundo, Inês Montenegro, João Rogaciano


Opinião: Desde que esta antologia foi anunciada que andava curioso. A apresentação, no Fórum Fantástico do ano passado, foi um (bom) bocado demorada demais, mas a conversa aguçou-me o apetite. Lá comprei e fiquei bastante satisfeito a vários níveis.

A qualidade de cada conto, de forma individual, varia entre o medíocre e o muito bom. É normal. A qualidade geral da antologia é boa. Podia estar melhor, mas já ficou algo bastante impressionante. Em termos da edição física, então, upa upa. Uma capa excepcional, um cuidado extremo na apresentação interior, uma página preta com biografia e foto deturpada (isto era escusado) do autor antes de cada conto, seguida pela primeira página do conto, também ela preta.

Por aí, impecável. A premissa, essa, também é fantástica, embora eu ache um pouco estranho que seja preciso uma editora brasileira para publicar um livro com autores portugueses sobre folclore português. Mas falemos dos contos!

O primeiro é Ao Meio Dia, de Carlos Silva e ensinou-me o que é um carago. Não, não vou revelar, leiam. O conto é bem porreiro, esepcialmente tendo em conta a forma como conta uma boa história, com uma escrita tão boa, sendo tão curto

De seguida aparece Duelo de Lendas, de Valentina Silva Ferreira, que foi também a organizadora da antologia (parabéns!), e que teve a gentileza de me assinar o conto dela (obrigado!). Infelizmente não gostei muito do conto, que retrata um duelo de cavalheiros entre três seres lendários cuja tarefa é induzir/controlar o sono. A ideia é razoável, a escrita é boa, a execução é meh. E o final? O final é terrível, já para não falar do quão desnecessárias são as notas de rodapé que foram incluídas, que apenas conseguem distrair o leitor.

Em Na Escuridão, de Vítor Frazão, encontrei mais um conto de que não gostei, mas neste caso ainda pior. A escrita é razoável, mas a linguagem oscila muito para começar. A história é fraca, quase não existe, e tenta retratar a vida amaldiçoada de uma rapariga que, enquanto personagem, é incoerente: ora quer matar pessoas ora as quer salvar.

A Voz de Lisboa, de André Pereira, pega na figura do Adamastor e dispara por ali fora, o que lhe deu logo pontos bónus. O ambiente também é dos melhores do livro, a escrita é bom, e o único defeito que tenho a apontar é que a voz do protagonista não é grande coisa, talvez um pouco demasiado mecânica para o meu gosto.

O conto que aparece é seguir é estranho como o caraças. A noite em que o bicho-papão encontrou Kafka no cimo de um telhado, escrito por Francisco J.V. Fernandes. É um conto com um título enorme, que revelou uma boa escrita e um tom mais reflexivo de que não costumo gostar, mas aqui me pareceu funcionar bem. Infelizmente, há uns momentos de monólogo que são um completo desperdício de "tempo de antena", e a história que começa bem, desenvolve mal e acaba muito, mas muito meh.

Sant'Iroto, de Ana Luiz foi uma das surpresas, pois revelou-se como o conto com a melhor escrita e com a melhor história, na minha opinião, como é óbvio. As personagens estão bem construídas, assim como tudo nesta história, que funciona às mil maravilhas.

Para compensar essas coisas, existem coisas como Por sete encruzilhadas, por sete vilas acasteladas, de Miguel Raimundo, com a escrita a oscilar entre excelente e muito fraco. A inconsistência do conto estraga por completo algum interesse que pudesse existir na história, que é razoavelmente interessante.

Depois vem Ao Sexto Dia, Inês Montenegro, que é um bocado estranho, mas interessante, com uma das histórias mais bem construídas, ou pelo menos mais bem assente, com fundações mais sólidas.

Mesmo a terminar aparece o infeliz Sangue, Suor e... Unhas, de João Rogaciano, que até costuma escreve umas coisas porreiras, mas que aqui se espalhou ao comprido. A escrita não é má, mas a história é francamente idiota, especialmente depois das doses massivas de tell que há mais para o fim. É que a premissa em si nem é má de todo, mas a forma como isso é explicado... Huuum...

Para terem uma noção, fiquem aqui com um pedaço de diálogo deste último conto: "Ouviu aquilo, padre?! Provinha da torre! Abrigue-se, pois desconheço se o atirador nos tinha como alvo.". Sim, diálogo real entre as personagens. Enfim, torna-se triste. e este conto em particular tinha potencial, eu tinha expectativas, e nem uma coisa nem outra.... Enfim.

Ou seja, no fim disto tudo parece que refilei demasiado para considerar isto um livro bom, mas a verdade não é essa. Isso sou eu a ser o picuinhas do costume. O que se passa é que o livro tem falhas, podia ser melhor, mas já é bastante bom, sem grandes problemas! Os meus parabéns a todos os envolvidos!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Comandante Serralves - Despojos de Guerra


Autores: Carlos Silva, Vítor Frazão, Inês Montenegro, Joel Puga, Rui Leite, Ana Filipa Ferreira


Opinião: Vamos lá falar de coisas importantes, nomeadamente sobre este livro, o primeiro resultado palpável do projecto Imaginauta. Desde que foi anunciado que fiquei bastante interessado no projecto, e tive direito a sinopses em primeira mão e tudo (já agora, acertei em quase tudo, eheh).

A primeira coisa a dizer é que a capa é fantástica. A sério, fantástica. Não só uma das melhores capas que já vi no panorama nacional, mas de uma forma geral. É lindíssima, e ficam aqui os meus sinceros parabéns à artista, Ana da Silva Monteiro!

Senti foi falta de um prefácio, uma introdução ao projecto, qualquer coisa. Da forma como está, embora possa com alguma facilidade apelar a um público maior, acaba por parecer direccionado a quem conhecer o projecto - porque quem não conhecer, não o vai conseguir fazer só por pegar no livro. O que para um projecto novo desta natureza, talvez fosse o ideal!

Na parte de trás do livro, há um pequeno problema com a espécie de sinopse: gralhas. Em bom português, frases mal enjorcadas! Mas nada muito grave, só é chato porque é normalmente o segundo contacto que um leitor tem com o livro, depois de passar pela capa...

Avancemos para os contos. A qualidade geral é acima da média e, espantem-se, acho que foi um dos poucos livros que li que conseguiu ir ao encontro das minhas expectativas. Não as superou, mas também não ficou aquém, e não por por eu as ter demasiado baixas.

O primeiro é do Carlos Silva e chama-se Métodos de Evasão. Pouco depois de o começar já tirei as medidas ao Comandante Serralves: é só juntar um bocadinho de Star-Lord (Guardians of the Galaxy) ou um bocadinho de Jack Sparrow (Pirates of the Caribbean) e já temos o essencial. Felizmente a personagem revela-se bem mais do que isso, com o passar das páginas e dos contos, mas seu carisma transborda para fora do livro, o que é bom.

É um conto curto, porreiro e que serve bem como ponto de partida para ficarmos a conhecer o resto do Universo criado por este grupo de autores. O mistério e a acção também estão bem trabalhados, e foi bom ver como o Serralves não era propriamente o foco principal da história, que conseguiu ser bem interessante.

Depois vem Sinais, de Vítor Frazão, que tem um bom começo e explora bem o Serralves e o seu grupo de rebeldes, tem óptimas cenas de acção e boas pistas sobre o passado e o carácter do Comandante, mas, e isto é um grande mas, tem diálogos com "Ah! Ah" de pessoas a rirem-se. O meu problema com essa escolha estilística está bem documentado e não dou hipótese. Fazer isto, para mim, é pecado. A vontade com que fico é a de fechar o livro!

E como cereja no topo do bolo, há uma personagem cuja relação com Serralves é metida a martelo, e o conto acaba com um final muito pouco satisfatório. Ou seja, acabei por não gostar tanto quanto poderia ter gostado, tendo em conta os pontos (bastante) positivos que mencionei. Uma pena.

Felizmente a seguir vem Dogson, de Inês Montenegro, um conto muito interessante e que explica de forma bastante explícita e ligeiramente perturbadora como raio é que funciona a aparente imortalidade de Serralves. De vez em quando aparece uma frase com uma sintaxe um bocado esquisita ("Mas no que lhe dizia respeito, já não mais seria um deles.") que só conseguiram distanciar-me da leitura, e eu queria mesmo era que o conto fosse maior, mas gostei, particularmente das descrições da luta mental que Serralves acaba por (obviamente) ganhar.

O segundo conto de Carlos Silva, Despojos de Guerra, mostra-me que o livro está muito bem equilibrado em termos da extensão dos contos e da forma como revela informação sobre Serralves e o resto do universo criado. E bem, tem piratas espaciais! Eu tinha razão, o que é que há para não gostar?

A história até é porreira, e aparece a nave do Serralves, chamada Maria (pormenor delicioso) mas tudo começa a descambar quando duas pessoas que sabem perfeitamente como algo funciona sentem necessidade de explicar um ao outro o funcionamento dessa coisa com algum detalhe. É um bocado como ver os tipos do CSI a explicarem tudo uns aos outros, como se não tivessem todos os mesmos conhecimentos básicos.

E é então que aparece um "Ahahahahah!". Nope nope nope. O fim não ajuda, fraquinho e a deixar claro que não havia propriamente uma história relevante para o que quer que fosse.

O conto seguinte, Das Eigentum, da Ana Ferreira, não ajuda à causa, com um começo interessante mas a descambar rapidamente (também é pequeno, vá). Por muito interessante que seja seguir o ponto de vista de um alien, a personagem do Serralves não bate certo com o que já se conhece, e o final é abrupto e difícil de acreditar. Boa escrita, no entanto!

Guerra Esquecida, de Joel Puga, foi o conto que menos gostei. Podia ser bastante interessante, mas fica claramente aquém, além de precisar de uma boa dose de revisão. E epah, o pessoal que me desculpe o spoiler, mas atlantes? A sério? A mim o que mais me espanta é um arqueólogo chegar a essa conclusão em cerca de vinte minutos, sem indicações especiais. "Vamos lá ver que ruínas são estas, tão estranhas... Ah, claro, atlantes, aquela civilização que, tanto quanto sei, nunca existiu." Enfim! O que ainda se aproveita mais é o facto do Serralves ir parar a um corpo um pouco... diferente do do que estava habituado, mas até isso é completamente desperdiçado.

Tudo melhora, no entanto, com Static Falls, de Rui Leite, o meu conto favorito deste livro, que acho que só peca pela facilidade em derrotar o vilão, e pela demasiado súbita mudança de ideias (de toda a gente). A verdade é que todo o ambiente e o desenrolar da história estão muito bem feitos. A forma como explora a personagem do Serralves, pondo-o ao lado de uma Emily de cinquenta anos (que conhecemos anteriormente bem mais nova), é muito boa, e embora não tenha ficado nada mau, ficou a faltar um final mais assertivo para ainda melhorar mais o conto.

No fim, posso dizer que gostei e irei certamente seguir o projecto. Não se deixem enganar pela minha picuinhice mais virulenta do que é normal, não consigo evitar ser mais rígido com projectos novos que me interessam. Na realidade, tirando talvez Guerra Esquecida, não posso dizer que tenha de facto desgostado dos contos. E como disse no início, é um livro claramente acima da média. Os meus parabéns e venham mais!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Antologia Fénix III [1/2]

Título: Antologia Fénix III
Autores: Alexandra Rolo, Álvaro de Sousa Holstein, Ana Luiz, Anton Stark, Carina Portugal, Carlos Alberto Espergueiro, Carlos Silva, Carol Louve, Daniel Libonati Gomes, Francesc Barrio, Gabriel Martins, Inês Montenegro


Opinião: Decidi dividir esta opinião ao meio porque quero falar um pouco de cada conto sem a alongar demasiado. Cá vai. Para ajudar à festa são tantos, que vou fazer uma lista e tudo.

  • Biscoitos de Natal, por Alexandra Rolo, minha colega da Oficina de Escrita da Trëma, é um conto interessante e ligeiramente sanguinário, como não podia deixar de ser para quem a conhece. Gostei da escrita e do twist arrepiante.
  • Um conto de Natal, por Álvaro de Sousa Holstein, é um conto de que não gostei. É demasiado confuso e dá a sensação de ficar incompleto, enfim, um conto mediano cujas inspirações lovecraftianas não conseguiram salvar. Ainda por cima tem uma utilização de vírgulas excessiva e dolorosa, que quebra completamente o ritmo da leitura.
  • Uma Questão de Nervos, por Ana Luiz, um conto que achei confuso, não propriamente cativante nem interessante. Há um duende que quer dar uma poção transformadora a outro, mas o Pai Natal impede-o, e ele depois fica a pensar numa poção aniquiladora... Não percebi muito bem, confesso.
  • Um Último Presente, por Anton Stark, agradou-me bastante. Tem um final bastante satisfatório e uma escrita cuidada e cativante, além de que a ideia em si, da qual não posso revelar muito, mas que envolve uma Mãe Natal algo pecaminosa, é bastante porreira!
  • Frio, cada vez mais Frio, de Carina Portugal, também me agradou, embora não me tenha satisfeito completamente. A ideia é boa, e o conto é emotivo, mas o tom não é consistente em toda a sua extensão, o que estragou um bocadinho a coisa. Mas foi dos que mais gostei, ainda assim, e teve um final tão, mas tão triste...
  • Tomar a nuvem por Juno, de Carlos Alberto Espergueiro, tem uma ideia bem porreira, mas uma execução fraquinha, não fiquei nada fã da escrita e isso não me permitiu apreciar o conto como deve ser.
  • Natal no abrigo, de Carlos Silva, é outro de cuja escrita não fiquei fã, mas este achei muito bom. A ideia e a forma como está explorada é bem porreira, e fiquei com vontade que o conto tivesse mais umas poucas palavras, para ficar a saber mais qualquer coisa.
  • O Presépio, de Carol Louve, é simplesmente creepy. O que abona claramente a seu favor! Sacanas dos bonecos... Enfim, gostei!
  • A Revolução Polonórtica, de Daniel Libonati Gomes, não tem uma escrita que me tenha agradado muito, mas tem uma história bastante engraçada.
  • Disfraces, de Francesc Barrio, é o primeiro conto em espanhol (ou galego, ou sei lá) da antologia, e ainda consegui ler mais ou menos, embora tenha demorado um bocado a perceber o twist, do qual acabei por gostar embora não faça grande sentido. Quanto à escrita não me pronuncio, por motivos óbvios.
  • Noite de Sonho, de Gabriel Martins, é um conto bem porreiro e, vá, bonito. A ideia do Sonho vs Destino, com o ligeiro twist no fim é muito boa e passa uma mensagem poderosa. É o meu favorito até aqui, e ainda por cima lembra-me um pouco o Sandman, do Gaiman...
  • O Anjo, de Inês Montenegro, não é nada mau, mas nem liguei muito a história. A escrita é que é fenomenal! Fiquei fã.
A opinião do resto dos contos aparece na quarta feira, assim como algumas considerações gerais, mas até agora posso dizer que foi uma leitura agradável, sem ser nada de extraordinário. Há algumas coisas que me fazem espécie, mas falo disso para a próxima.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Vollüspa (Parte 1 de 2)

Título: Vollüspa
Autor: Vários

Opinião: Vamos lá começar a falar dos contos. Da capa não falo mais, apesar de ser, repito, uma das capas mais espectaculares que já vi. Mas bem, adiante.

A Vollüspa está divida em 3 partes, por géneros. Primeiro vem a Ficção Científica, o Terror e por fim a Fantasia.

A iniciar a primeira secção, aparece o conto de Afonso Cruz, O Pequeno Guia do Céu, de Tristan de Sapincourt, um pequeno conto delicioso, que me despertou o interesse para este autor. As constantes referências a personalidades famosas e a eventos importantes da história da Humanidade deixaram-me com água na boca, bem como a pequena narrativa, que termina numa crítica à visão excessivamente científica, e que apela, bem como todo o conto, à visão fantasiosa das nossas mentes.

De seguida vem Natal®, de Carlos Silva, uma história que satiriza um hipotético Natal futuro, provavelmente não tão distante da realidade como todos gostaríamos que estivesse. O Natal apresentado é artificial, de uma ponta à outra, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E quando a coisa começa a correr mal... Bem, a solução até é fácil!

Depois, Eternidade, de João Ventura, que me agradou bastante. É a história de uma Presença, de certa forma eterna, tanto a história como a Presença, que guarda algo que pode mudar o futuro da Humanidade, e da forma como ela evita que isso venha a acontecer, de forma algo fria e desligada, de acordo com a presença da Presença narradora, passe a repetição. Lembro-me que ao acabar este conto, pensei que já tinha valido a pena ler isto. E mais não digo.

Agora vem A Queda de Roma, antes da Telenovela, de Luís Filipe Silva, mais uma sátira bastante óbvia, ainda que talvez seja, de certa forma, algo subtil. Eu sei que isto parece parvo, e possivelmente algo pretensioso, mas acreditem, depois do primeiro impacto há toda uma série de impactos mais subliminares, vá, que dão uma nova dimensão a este conto.

O quinto conto é Génesis - Apocalipse, de Roberto Mendes, o organizador deste volume, conto em que o autor, como o próprio o diz, homenageia dois grandes da ficção científica, Isaac Asimov e Robert Silverberg, nomeadamente o livro que os dois escreveram juntos, The Positronic Man. Aquilo que o Robert fez foi ir além daquilo que leu, na juventude, pensar e imaginar para além das fronteiras de um livro que só por si já merece todo o respeito, e criou esta pequena história em que evoca essas suas memórias (mais uma vez, como o próprio refere, na nota de editor), de forma interessante e bem escrita.

Já e entrar na secção de Terror, mais curta que as outras duas, o conto inicial não me agradou por aí além. É O Acorde das Almas, de Carina Portugal, e que apesar da boa escrita, não me conseguiu prender por aí além, talvez por não ser o tipo de terror que mais me agrada.

Depois aparece Enquanto Dormias, de Nuno Gonçalo Poças, que é exactamente um dos tipos de terror que mais aprecio: perturbador, algo bizarro e brutalmente directo. Uma história que gostei de ler, com muita loucura envolvida (ou não?), com uma linha narrativa algo obscura e difusa. Tal como eu gosto.

E pronto, fica por aqui a primeira parte, até agora a crítica geral é favorável, diga-se de passagem. Falta só ver quando é que arranjo tempo para escrever a segunda metade!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

4nj05

Título: 4nj05
Autor: Carlos Silva

Sinopse: Num universo, não muito diferente do actual, nada nem ninguém pode passar pelo crivo informático. Com os conhecimentos certos pode-se saber o que se quiser sobre quem se quiser.

Felizmente existem aqueles acima da rede. Dão-se pelo nome de Anjos e a sua função é serem mensageiros dos segredos dos outros.
Mas nem estes estão completamente a salvo quando a mensagem a transmitir é um documento que pode mudar o mundo.


Opinião: Para a leitura desta noveleta, como o próprio autor lhe chama, fui contactado directamente pelo próprio, Carlos Silva, uma vez que que o texto não se encontra editado nem publicado por nenhuma editora. Pediu-me para ler e para opinar, pedido a que acedi de boa vontade.

E tenho coisas boas e coisas más a dizer. A apresentação está óptima, eu cá compraria um livro com este aspecto e esta capa. O título é curioso. E a história é interessante, após as primeiras páginas fiquei com curiosidade para saber o que ia acontecer.

No entanto, há também vários defeitos. Não vou contar com os erros e as trapalhadas gramaticais (afinal, é um livro não editado...), mas a história acaba por ser mal desenvolvida, com bastantes partes algo confusas e com as personagens a precisarem, no geral, de um melhor desenvolvimento. A sensação com que fiquei foi a de que faltavam capítulos atrás e capítulos à frente, como se estas 66 páginas tivessem sido retiradas ao calhas do meio do livro original.

Resumindo, é uma ideia interessante, mas que não chega para dizer que é um bom livro. Na minha opinião pessoal, a história devia ser revista, deviam ser adicionadas coisas, mais explicações, mais desenvolvimento e um melhor aproveitamento dos momentos de acção, que são sempre de curta duração e fraquinhos. Esperava mais, depois das primeiras páginas, mas é uma história que tem um certo potencial, se o autor a desenvolver melhor.