Mostrar mensagens com a etiqueta Ed Brubaker. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ed Brubaker. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O Negócio do Diabo (Fatale #2)


Argumento: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips, Dave Stewart
Tradução: José Hartvig de Freitas


Opinião: Arte fantástica e história interessante. Bons diálogos, bons monstros, boa continuação do livro anterior. Bom ritmo, enfim, um livro cativante, no geral. E no entanto, sinto que lhe falta qualquer coisa.

Já foi o que senti com o volume anterior: é bom, sim senhor, mas ainda não me convenceu, por algum motivo. E não só é bom como é melhor do que aquilo que eu esperava. Mas!, falta qualquer coisa.

O quê exactamente, não sei. Acompanhar uma femme fatale ao longo dos anos é uma premissa interessante o suficiente, mas mantê-la misteriosa e com ligações estranhas a monstros lovecraftianos é agarrar nas pessoas e mantê-las presas à espera de saber o que aconteceu e o que ainda vai acontecer.

Só que durante a leitura, por mais cativado e interessado que me tenha sentido, especialmente por alguns momentos que são mesmo muito bons, nunca fiquei completamente rendido. Acabei o livro e pensei "epah, sim senhor, um bom livro, uma boa saga, mas...".

E não consigo muito bem ver qual é o problema. Talvez as personagens, já que apenas uma ou duas têm um verdadeiro desenvolvimento e profundidade suficiente para serem interessantes, com todas as outras a serem relativamente superficiais, ou talvez a história dê demasiadas pistas sobre coisas que não explica (especialmente o passado da femme fatale).

Sinceramente não sei. Mas tirando essa estranha sensação, isto é de facto um bom livro, e uma saga que vou continuar a acompanhar. O ambiente noir misturado com os horrores lovecraftianos é uma mistura curiosa e que funciona muito bem, e a narrativa que Brubaker vai traçando é consistente e caminha a passos curtos para algo em grande. Fica a curiosidade para ver como tudo se vai desenvolver, e a esperança de que o próximo livro já me consiga deixar rendido.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #2: E então restou um (Universo Marvel #20)


Argumento: Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker
Arte: Olivier Coipel, Mark Morales, Laura Martin, Adam Kubert, John Dell, Larry Molinar, Justin Ponsor
Tradução: Paulo Moreira, Filipe Faria


Opinião: Tal como eu me lembrava, esta segunda parte é um bocadinho pior do que a primeira em muita coisa, principalmente por causa das tretas místicas. Não tenho muita paciência para a magia no universo Marvel, de tão mal explicadinha que é. O Dr. Strange é dos poucos heróis envolvidos nisso que suporto, porque ainda faz algum sentido, mas tirando isso...

E foi exactamente isso que apareceu nesta segunda parte. Até conseguiram obrigar o Iron Man a render-se à magia, como último recurso para derrotar a Fénix. Enfim.

Mas é nesta parte que há uma melhor evolução das personagens. O Iron Man sente-se mais culpado do que nunca, depois da sua tentativa de derrotar a Fénix ter resultado em fazer ainda pior, ao dividi-la por cinco mutantes que agora controlam, basicamente, o mundo. Esse sentimento é reforçado pela sua incapacidade em chegar a uma solução para resolver o assunto.

A forma como os cinco mutantes possuídos pela Fénix (Ciclope, Colossus, Namor, Emma Frost e Magik) evolui, caíndo cada vez mais rapidamente numa espécie de loucura e de alienamento de tudo o que os rodeia, também é muito interessante. São praticamente deuses, podem fazer o que muito bem lhes apetecer e modelar o mundo às suas vontades, portanto o que fazer mais? E como lidar com os Vingadores, agora pouco mais do que formigas para eles, que cada vez oferecem mais resistência?

Tudo piora quando estes cinco mutantes se começam a virar uns contra os outros, e as coisas descambam da pior forma possível. O final é interessante, e relativamente provocador. Deixa claramente em aberto o que vai acontecer a seguir, de tal forma este evento mudou a dinâmica das relações no universo Marvel, principalmente entre os X-Men e os Vingadores, e isso é bem visível nas histórias que se seguem (já li alguma coisa).

No geral, no entanto, este Vingadores vs X-Men fica um pouco aquém daquilo que eu esperava, por muito que a leitura me tenha entretido. Mas é também uma boa forma de terminar esta colecção, que me deixou com vontade de comprar as colecções anteriores a esta!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #1: O Dia da Fénix (Universo Marvel #19)


Argumento: Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction
Arte: John Romita Jr., Scott Hanna, Laura Martin, Olivier Coipel, Mark Morales
Tradução: Paulo Furtado, Paulo Moreira


Opinião: Já tinha lido esta história em inglês, e ficado fã. O plantel de argumentistas e de artistas é honestamente impressionante e mais do que razão suficiente para alguém se sentir minimamente curioso relativamente a este Vingadores vs X-Men. Ainda por cima com uma premissa com tanto potencial como ter as duas maiores equipas de super-heróis da Marvel a lutarem uma contra a outra, por causa da entidade cósmica conhecida como Fénix que já deu tantos problemas a tanta gente.

O início é exactamente esse. A Fénix vem aí. Os X-Men sabem-no e os Vingadores descobrem-no rapidamente, e não demora muito até estarem frente a frente, numa situação muito tensa que culmina no início das hostilidades entre o Capitão América e o Ciclope.

E o problema do livro começa aqui. Eu compreendo que é algo massivo que está aqui a acontecer, mas tudo se tinha resolvido se as personagens tivessem conversado como adultos para tentar resolver as coisas, em vez de se armarem em macho men e desatarem logo à porra. Além de que o papel da Fénix, como eu já tinha dito antes, é estranhamente acessório e secundário, para algo tão importante no Universo Marvel, especialmente quando se fala de mutantes.

Mas nada disto estraga as excelentes cenas de pancadaria, sem grandes rodeios. Claro que cai sempre naquela lógica estúpida de "vamos atacar, mas um de cada vez e contra alguém capaz de aguentar connosco" em vez de atirarem o Magneto para estraçalhar o Wolverine, ou algo parecido. Já o disse na opinião anterior e continuo a dizê-lo!

A arte, essa, oscila entre o bom e o mediano, portanto não me chateou muito. Sempre que a Fénix aparece, fizeram disso algo grandioso e espectacular, o que é bom, mas de vez em quando há uns momentos mais fracos que deixam muito a desejar.

Toda a evolução do enredo é feita a um bom ritmo, e este livro termina num ponto crucial, com o Ciclope, já depois de semi-possuído pela Fénix, a dizer "Chega de Vingadores.", ecoando o "No more mutants." da Scarlet Witch, no final do evento "Dinastia M". É um bom final e um óptimo ponto para parar e esperar pela leitura do livro seguinte. Se bem me lembro, há algumas coisas que pioram, com a introdução de umas balelas místicas e tal, mas vai continuar a ser interessante, isso sem dúvida!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Que as citações nos caiam em cima [59]


"Tinham passado dias a juntar os esquisitóides mais malucos de São Francisco. Uma cidade em que eles não faltavam. Freaks que ululavam enquanto gravavam símbolos nas costas de crianças perdidas... Homens que arrancavam as pálpebras para nunca pararem de ver o Sol..."

A Morte Persegue-me (Fatale #1)
Ed Brubaker

A Morte Persegue-me (Fatale #1)


Argumento: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips, Dave Stewart
Tradução: José Hartvig de Freitas


Opinião: Vi este livro no Fórum Fantástico do ano passado, e ainda pensei em comprá-lo juntamente com o primeiro Tony Chu, mas folheei e as ilustrações, por algum motivo, não me atraíram. Passado algum tempo deixei-me convencer pela fantástica edição da GFloy deste policial noir lovecraftiano, e não me arrependo.

É muito interessante a forma como Brubaker não tem, propriamente, um protagonista, mas sim uma história para contar, mais importante e maior do que qualquer personagem e qualquer acontecimento do livro. Tudo o que acontece são desenvolvimentos de partes dessa história maior, que acaba por ser contada com mestria, de forma muito subtil.

A arte, que ao início não me tinha convencido, é bastante apropriada ao tom do livro. Continuo a não ser o maior fã, mas revelou-se mais agradável do que estava à espera.

A subtileza da narrativa nota-se a vários níveis, e um deles é a femme fatale que serve como olho da tempestade ao longo destas páginas. Misteriosa, com vários segredos e relações peculiares, desde o início que mostra ser uma personagem com muito mais para dizer do que aquilo que aparenta. O seu encanto vai-se estendendo a várias personagens, que se vão deixando embasbacar, umas atrás das outras.

O mais impressionante é que ela parece realmente interessada nos homens que vai usando. Mesmo aqueles de que está activamente a tentar fugir. É como se a certo ponto tenha de facto estado interessada neles, ou se tenha habituado de tal forma que é quase a mesma coisa. E isso parte-lhe o coração, tanto como aos seus apaixonados. Um autêntico segundo gume escondido da faca que é ser uma verdadeira femme fatale.

Mas no meio do ambiente noir aparece um tema que encaixa como uma luva: terror lovecraftiano. Nada demasiado chocante, pelo menos por agora, mas com uma utilização muito eficaz. Não que não existam alguns momentos chocantes, com muito sangue e muitas tripas bastante explícitas, mas raramente estão relacionadas com os monstros. Esses actuam mais em segundo plano, pela calada, e ficamos a saber dos horrores perpetrados mais pelas consequências e por descrições, do que por visualização directa.

Isto é um pormenor interessante e muito provavelmente deliberado, que não só está perfeitamente de acordo com o estilo original de Lovecraft, como dá uma nova dimensão ao medo do desconhecido, aqui transposto para BD.

O final deixa água na boca e muitas pontas por atar, de tal forma que me deixou imensamente curioso e com vontade de pegar imediatamente no volume seguinte (o que infelizmente só acontece pela Primavera, a acreditar no que diz na última página do livro), o que é de louvar, tendo em conta que estou a falar de um livro que inicialmente não me chamou a atenção.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Soldado do Inverno #2 (Universo Marvel #2)


Argumento: Ed Brubaker
Arte: Steve Epting, Mike Perkins, Frank D'Armata, Michael Lark, Lee Weeks, Stefano Guaudiano, Rick Hoberg, Matt Milla
Tradução: João Miguel Lameiras

Sinopse

Opinião: O primeiro volume foi bom, mas este desce a fasquia. E não é muito justo, porque é aqui que tudo se descobre realmente, e que a personagem do título, o Soldado do Inverno, tem o seu merecido destaque. Mas a estrutura narrativa, principalmente no início, deixa muito a desejar.

No primeiro livro havia um equilíbrio entre a história agora e as duas épocas presentes nos flashbacks. Este volume introduz um vaivém temporal que em nada beneficia a história.

Imaginem a história a começar com uma situação que não vos diz nada, em que as personagens fazem referências a coisas que vocês não conhecem, como se fossem evidentes. E que depois de algumas páginas, aparece um "três dias antes" a explicar esses acontecimentos. Agora imaginem que isso acontece durante mais de metade do livro, de forma confusa e repetitiva.

Pois é. Não fiquei muito agradado. Mas depois de digerir esse truque narrativo, a história desenrola-se a um ritmo que não é completamente desagradável, e a arte mantém a qualidade do livro anterior. O que é relevante neste livro são os desenvolvimentos do enredo e a caracterização das personagens.

Nestes campos é que se pode ver como Brubaker construiu uma história de espionagem interessante, que não é demasiado complicada, ou retorcida, mas que cativa. O ritmo algo lento, tendo em conta que se trata de uma história de super-heróis, assenta bem, e não é todos os dias que se vê um Capitão América próximo de ser moralmente ambíguo.

Além disso podemos vê-lo a lutar contra algo que não percebe e que, à partida, não são realmente vilões: a sua memória e a sua mente. É que no meio de tudo isto, Brubaker consegue fazer com que o Capitão sinta as consequências da sua história conturbada, desde a sua utilização como arma de guerra até ao facto de ter perdido algumas décadas, congelado.

Pela primeira vez desde que me lembro, vejo um Capitão América verdadeiramente assustado e, acima de tudo, velho. Tudo isso pesa na forma como ele lida com tudo o que se passa à sua volta, e isso é algo que nem sempre se vê nestes universos.

Por fim, o Falcão e o Homem de Ferro aparecem, mas têm papéis bastante insignificantes. Não posso deixar de reparar que o Soldado do Inverno parece ser uma personagem demasiado interessante para se perder por aqui, e a Marvel parece concordar, já que aparece como pertencendo à próxima geração dos Vingadores, nas imagens divulgadas.

Resumindo tudo, este livro não é tão bom como o anterior, mas conclui a narrativa de forma satisfatória e leva a uma avaliação bastante positiva da história como um todo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O Soldado do Inverno #1 (Universo Marvel #1)


Argumento: Ed Brubaker
Arte: Steve Epting, Michael Lark, John Paul Leon, Frank D'Armata, Tom Palmer
Tradução: João Miguel Lameiras

Sinopse

Opinião: Sem repetir a minha opinião sobre a personagem do Capitão América, faz sentido começar este texto por dizer que nunca fui muito à bola com ele. Isto é importante porque eu gostei bastante deste livro.

É que tirando toda a fama e visibilidade que os super-heróis andam a ter, em grande parte graças à super-franchise cinematográfica da Marvel, eu sempre gostei de ler BD e especialmente BD's de super-heróis.

A sensação de continuidade e de universo partilhado tem um grande peso em mim, e a Marvel e a DC há muito tempo que oferecem exactamente isso, de forma completamente massiva. Ou seja, poucas foram as coisas que me deixaram mais satisfeito do que descobrir que a Marvel ia passar isso para filme, seguida pela DC alguns anos depois.

No meio disto tudo, nunca consegui aturar muito bem o Capitão América. Mas esta história de espionagem está tão bem contada que tive que me render. A verdade é que a parte mais ampla (e cósmica) do universo Marvel é aqui metida um pouco a martelo, porque não faz falta absolutamente nenhuma.

A decisão de matar um dos principais e mais icónicos vilões de sempre do Capitão América é arriscada, mas acertada. O que raio pode andar por aí que seja pior que isto? Quem é tem poder suficiente para ter eliminado esta ameaça com tanta facilidade?

Interessante, não é? Digo-vos que a coisa só melhora, ao longo de uma narrativa não muito complicada, mas com pistas para algo mais, em que passado e presente se misturam para dar ao leitor a compreensão total da história.

A forma como isto é feito, com flashbacks em tons diferentes, conforme a época, está muito boa. Brubaker consegue assim contar uma história muito consistente, apoiado por uma arte muito sóbria e competente, ainda que longe de brilhante.

O meu maior problema nem é com a história, é com o livro, que tem uma estrutura que me tem vindo a aborrecer noutros do mesmo género: no início vem uma introdução que conta a história toda. Eu não sei quem foi o génio que pensou nisto, mas os comics da Marvel NOW! que andam a sair (X-Men, Vingadores, Homem-Aranha) têm textos do mesmo estilo no fim de cada revista. Porquê? Porque se é para falar da história, com detalhes, faz-se depois da história estar lida. Não antes.

É que assim sinto-me enganado. "Olha, uma introdução, vai explicar como é que isto se insere na continuidade, vai dar algumas dicas para perceber alguma coisa fácil de passar despercebida a olhos pouco treinados!" e depois é um texto que, por muito interessante que seja, acaba por contar a história toda.

Para compensar, este livro traz uma história no fim, um interlúdio, que é absolutamente fantástico, sobre um quase-pormenor do enredo que tem um papel relativamente secundário e pouco tempo de antena, mas que brilha aqui naquilo que é a melhor parte de todo o volume!

Sem dúvida uma história que aconselho, especialmente se tiverem curiosidade relativamente ao filme que tem o mesmo nome. Eu já o vi, e é igualmente bom! Agora toca a ler.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Avengers vs X-Men


Argumento: Brian Michael Bendis, Matt Fraction, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman
Ilustração: John Romita Jr., Olivier Coipel, Adam Kubert




Opinião: Avengers vs X-Men foi um dos eventos mais publicitados de sempre, e por bons motivos. Não é todos os dias que um dos grandes nomes da BD norte-americana confronta os seus dois maiores universos, neste caso o dos Vingadores e o dos X-Men.

A premissa mais básica é excelente: os mutantes foram devastados por uma Scarlet Witch enlouquecida, no evento House of M, e têm agora uma oportunidade de fazer renascer a sua raça, mas a forma como o querem fazer não é propriamente bem vista, de tal forma que os Vingadores se erguem e se declaram activamente contra os X-Men.

O facto de usarem a força Fénix... Bem, isso soa mais a jogada desesperada para aproveitar a (ouvi dizer) excelente saga da Dark Phoenix e atraírem novos leitores, naquele que foi um evento que antecedeu um novo mais-ou-menos-reset.

Tirando isso, no entanto, esta saga tinha tudo para funcionar. A hipótese de por uma vez assistirmos a heróis contra heróis, depois de um evento que também teve algum sucesso, a Civil War. Era interessante e prometia! Mas no entanto...

Bem, para começar, o problema aqui é a força Fénix. Ela sente-se atraída à Terra, aparentemente direccionada a uma mutante nova, a única nascida depois da matança da Scarlet Witch, convenientemente chamada Hope. Porquê? Bem, por causa de... coisas. Nunca se percebe muito bem. O papel da força Fénix acaba por ser quase acessório, embora tenha uma importância central a toda a história, e é pena, porque é uma força cósmica que a Marvel teria todo o interesse em desenvolver como deve ser.

Mas quer dizer, se ignorarmos o enredo ligeiramente aleatório e nos focamos nas cenas de pancadaria... Ok, e se ignorarmos o facto de lutarem à vez, tipo videojogo, e de não atirarem logo um Magneto para torcer o Wolverine todo, e coisas assim, óbvias, é muito porreiro de ver! E não há cá mariquices diplomáticas: "viemos fazer isto", "nós não deixamos", "Vingadores, porrada neles". Assim é que é bom!

A arte varia um pouco, entre o bom e o medíocre, mas uma coisa tenho de conceder, é que todas as cenas que envolvam a Fénix ou algum tipo de fogo estão simplesmente impecáveis, o que é uma grande mais valia. E depois há intrigas e conversas de bastidores e, como não podia deixar de ser, o Capitão América a ser um grandessíssimo atrasado mental.

Diga-se o que se disser, esta história nunca teria existido se o Capitão América e o Ciclope tivessem falado como dois adultos e tivessem tentado resolver tudo a bem para os dois lados. Mas não. Tem que ser à força, e não há hipótese de conciliação: ou fazes como eu quero, ou partimos para a violência.

Felizmente existe o Wolverine. Para além de dar sempre jeito ter um desses à mão de semear, quando se fala de violência, é uma personagem e pêras. Tem aqueles instintos animalescos mas nunca deixa de ouvir a voz da razão. Tem motivos reais, problemas reais e dúvidas humanas. É o mais animalesco dos X-Men, mas também o mais próximo de nós.

Pelo meio tudo se tornou muito mais interessante, quando a Fénix foi despedaçada e se dividiu por cinco mutantes (embora porquê aqueles cinco exactamente...). Foi surpreendente e mudou um pouco as regras do jogo. Começou-se foi a notar uma certa repetição na pancadaria, e sim, eu sei que só é possível inovar nas formas de dar porrada até um certo ponto, mas especialmente num evento tão focado nisso mesmo, e com tantos heróis por onde pegarem, podiam ter feito umas lutas bem mais interessantes.

A partir da metade as coisas avançam a um bom ritmo, há um bom desenvolvimento das personagens (go Namor!), a Fénix começa a ter intrigas contra si própria, os seus poderes só parecem aumentar e tudo parece condenado. Os Vingadores são verdadeiros ratos encurralados, e há um volume maioritariamente do ponto de vista do Homem-Aranha que é muito interessante, está uma personagem impecável, bem desenvolvida e bem trabalhada, tem um percurso bastante satisfatório, é muito engraçado e pronto, salva o dia!

Era escusado era a quantidade de, como eu carinhosamente lhes chamo, tretas místicas. Quais é que são as regras da magia neste universo? Entre o Doctor Strange, a Magik, a Scarlet Witch, o Iron Fist e companhia, a terra mística onde todos se escondem, o dragão (essa parte foi fixe) e tudo o mais, o que raio se passa aqui? Gostava de perceber, mas a verdade é que esta fase final está porreira, bem mais do que o começo.

Mesmo a chegar ao fim, a história fica muito intensa, e os argumentistas tomam umas decisões muito corajosas e que acho que funcionam muito bem, tudo a caminhar para um fim bastante satisfatório.

A opinião geral, no entanto, não é assim tão boa. Eu gostava muito de avaliar isto pela sua fase final, mas aquele começo lento e algo atabalhoado, já para não falar dos problemas de enredo e as personagens unidimensionais, impedem-me de ter gostado assim tanto. Foi uma boa leitura, é verdade, mas esperava mais, muito mais.