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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Wolverine: Origem #2



Argumento: Kieron Gillen
Arte: Adam Kubert
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Não é péssimo... mas anda lá perto. Já estava de pé atrás, graças ao primeiro volume, mas ainda tinha alguma esperança. O principal problema tinha sido um Wolverine completamento desprovido dos traços característicos da personagem. Aqui já não era suposto existir esse problema, portanto havia a possibilidade de as coisas correrem bem.

Mas pelo menos em termos de história. não correu. As personagens até são interessantes, assim como a luta de Logan com o seu eu bestial não tão interior quanto isso, mas o enredo é demasiado óbvio e a introdução dos Creed é feita a martelo e força o engano dos olhos dos leitores, de forma tão óbvia que dói (embora já me tenham dito que isso é só problema de eu já conhecer relativamente o Wolverine enquanto personagem).

Enfim. Safa-se a arte, que é verdadeiramente espectacular, principalmente nos momentos iniciais, quando ainda temos um Logan/Wolverine selvagem, a viver com lobos e a matar ursos. Mas de resto, digamos que não me fica na memória...

sábado, 2 de janeiro de 2016

Enfarda Brutos (Tony Chu - Detective Canibal #3)


Argumento: John Layman
Arte: Rob Guillory
Tradução: Filipe Faria


Opinião: Há coisas na vida que valem a pena. Entre as minhas favoritas estão aquelas coisas tão parvas que se tornam geniais. Como certos filmes de série B que já nascem praticamente como paródias de si próprios, mas que se revelam autênticos rasgos de génio.

Tony Chu não é bem assim, mas anda lá perto. O espírito é exactamente o mesmo que o desses filmes de série B: nem sequer há a mínima preocupação com fazer sentido, as coisas são assim e pronto, e é tudo tão absurdo e exagerado que dói.

No entanto tudo acontece de forma tão convicente e segura, que é impossível não levar a sério. Não tenho dúvidas que se vos explicar minimamente a história - que inclui canibais psíquicos, um implacável galo assassino, fruta alienígena que sabe a frango, híbridos de rãs e frangos, um polícia com meia cara cibernética e muito, muito mais - a primeira coisa que vocês vão dizer é “isso é ridículo, estúpido e não faz qualquer sentido”.

E sabem que mais? Não vão estar errados. Nenhum dos elementos individuais desta saga faz o mais pequeno sentido. Quando se começam a juntar, as coisas começam a ficar ridículas muito depressa. Eu próprio, ao ler a sinopse, pensei “que estupidez”.

O que acontece é que o conjunto, neste caso, é realmente maior do que a soma das partes. Eu não sei bem como, mas John Layman consegue criar um argumento coeso e consistente, com um enredo cativante e um ritmo fantástico. De tal forma que pela terceira vez acabo um livro da saga e tenho vontade de simplesmente virar a página e descobrir o que acontece.

A arte do cliffhanger está quase perdida, mas este tipo domina-a na perfeição. Ainda para mais apoiado na arte de Rob Guillory, entre o cartoon e o realista, com liberdade para expressar muito bem todas as emoções e pensamentos das personagens ao mesmo tempo que mostra momentos verdadeiramente tocantes e/ou sangrentos de forma credível.

Uma das melhores coisas nos desenhos é que são de extremos, ora extremamente limpos e relativamente vazios, com poucas fontes de distracção, ou estão populados de tantos detalhes e pormenores, muitas vezes em segundo plano, que é preciso fazer uma pausa na leitura para absorver tudo.

As revelações feitas neste volume em particular são difíceis de digerir - perceberam, perceberam? - especialmente a final, que ainda por cima é acompanhada de um momento emocional muito forte, ainda que discreto, e que muito me agradou. E mais uma vez, como já disse, fica quase tudo em aberto até ao próximo volume, que vou esperar com alguma ansiedade. Era tão fácil simplesmente perguntar ao Tio Google o que raio se vai passar…

Mas tenho de ser forte. São poucos os Universos ficcionais que merecem este tipo de auto-controlo da minha parte, por isso se querem uma atestado de qualidade, aqui o têm!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Wolverine: Origem #1


Argumento: Paul Jenkins
Arte: Andy Kubert, Richard Isanove
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Wolverine é um dos meus super heróis favoritos. Se não mesmo o favorito. O seu tipo de humor, bem como o seu típico mau-humor, são características mais do que suficientes, mas o passado misterioso, a personalidade complexa, e o estatuto de badass ainda melhoram a situação.

Por isso este livro é ao mesmo tempo algo que sempre quis ler, e algo que nunca quis ler. Se por um lado sou fascinado por histórias de origem, revelar a origem do Wolverine sempre foi, para mim, como revelar a origem do Joker: algo que estraga a personagem, uma vez que parte do interesse vem exactamente da ignorância em que somos mantidos quanto aos detalhes.

Será que é mesmo preciso haver razão para a loucura do Joker? Um motivo, que o tenha tornado louco? Porque é que não o consideramos simplesmente um psicopata fã de caos, intrinsecamente maléfico? Não será isso mais interessante do que vermos que ele era uma pessoa normal a quem foram dados motivos para se tornar naquilo que é?

E o mesmo se passa com Wolverine. Grande parte das suas histórias dependem exactamente de não só o leitor, como o próprio Wolverine desconhecer o seu passado. Dá-lhe uma certa liberdade, torna-o mais intenso enquanto personagem, e adiciona-lhe camadas mentais de complexidade que seriam impossíveis de outra forma.

Mas a curiosidade sempre foi o meu ponto fraco, portanto peguei no livro e não desgostei tanto quanto estava à espera, mas não fiquei muito agradado. Embora interessante, há pormenores da história que são tão óbvios que metem dó. E a origem de Wolverine é menos do que... digna. A evolução da narrativa não é má, e compensa em parte o que acontece (ao mesmo tempo que explica, desnecessariamente, a sua futura fixação com ruivas), mas esta não é uma história que me vá ficar na memória.

É que esta é uma história do Wolverine em que falta aquilo que é essencial às suas histórias: o Wolverine tal como o conhecemos hoje.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sabor Internacional (Tony Chu - Detective Canibal #2)


Argumento: John Layman
Arte: Rob Guillory
Tradução: José Hartvig de Freitas


Opinião: Há tanta coisa incrível a acontecer neste livro que nem sei por onde começar. As habilidades especiais relacionadas com comida continuam a aparecer - e são geniais. Uma personagem regressa com melhoramentos cibernéticos e faz algo inesperado e chocante que nunca ninguém vai adivinhar até ver o que é. E as dicas de arcos narrativos e personagens ainda por descobrir continuam a empilhar-se umas nas outras.

Vejamos. Tony Chu, o detective canibal que tem visões do passado daquilo que come, continua na sua heróica demanda de, simplesmente, viver sossegado. Mas um trabalho árduo, e frequentemente nojento, um parceiro esgrouviado, um chefe impossível de aturar, um irmão irresponsável e montes de peripécias que insistem em cair-lhe no colo, o homem não tem a vida fácil.

E é incível a quantidade de manigâncias em que é possível ele envolver-se por casa de frango. Seja um fruto que sabe a frango ou um galo de luta desaparecido, tudo é possível. Já mencionei o vampiro e o cozinheiro que fala através da comida que cozinha?

Pois é. Caríssimos, isto é uma leitura leve, engraçada, silly até, mas não é de todo uma má leitura. Antes pelo contrário. O argumento desenvolve-se bem, a arte integra-se bem, e ambas as coisas conseguem ter um delicado equilíbrio entre o humor mais visceral e as cenas mais negras e dramáticas. Um regalo para os olhos e para a imaginação.

A mim fascina-me particularmente que alguém tenha conseguido criar um mundo tão parecido com o nosso, e ainda assim tão diferente, com ideias tão simples e originais. Pode não ser a primeira coisa em que se repara, mas há aqui verdadeira genialidade imaginativa. Só por isso já vale a pena acompanhar, mas a história é genuinamente interessante, e as várias pontas já deixadas soltas apenas cativam mais e mais. Ou seja: mal posso esperar pelo próximo volume!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O Negócio do Diabo (Fatale #2)


Argumento: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips, Dave Stewart
Tradução: José Hartvig de Freitas


Opinião: Arte fantástica e história interessante. Bons diálogos, bons monstros, boa continuação do livro anterior. Bom ritmo, enfim, um livro cativante, no geral. E no entanto, sinto que lhe falta qualquer coisa.

Já foi o que senti com o volume anterior: é bom, sim senhor, mas ainda não me convenceu, por algum motivo. E não só é bom como é melhor do que aquilo que eu esperava. Mas!, falta qualquer coisa.

O quê exactamente, não sei. Acompanhar uma femme fatale ao longo dos anos é uma premissa interessante o suficiente, mas mantê-la misteriosa e com ligações estranhas a monstros lovecraftianos é agarrar nas pessoas e mantê-las presas à espera de saber o que aconteceu e o que ainda vai acontecer.

Só que durante a leitura, por mais cativado e interessado que me tenha sentido, especialmente por alguns momentos que são mesmo muito bons, nunca fiquei completamente rendido. Acabei o livro e pensei "epah, sim senhor, um bom livro, uma boa saga, mas...".

E não consigo muito bem ver qual é o problema. Talvez as personagens, já que apenas uma ou duas têm um verdadeiro desenvolvimento e profundidade suficiente para serem interessantes, com todas as outras a serem relativamente superficiais, ou talvez a história dê demasiadas pistas sobre coisas que não explica (especialmente o passado da femme fatale).

Sinceramente não sei. Mas tirando essa estranha sensação, isto é de facto um bom livro, e uma saga que vou continuar a acompanhar. O ambiente noir misturado com os horrores lovecraftianos é uma mistura curiosa e que funciona muito bem, e a narrativa que Brubaker vai traçando é consistente e caminha a passos curtos para algo em grande. Fica a curiosidade para ver como tudo se vai desenvolver, e a esperança de que o próximo livro já me consiga deixar rendido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Que as citações nos caiam em cima [59]


"Tinham passado dias a juntar os esquisitóides mais malucos de São Francisco. Uma cidade em que eles não faltavam. Freaks que ululavam enquanto gravavam símbolos nas costas de crianças perdidas... Homens que arrancavam as pálpebras para nunca pararem de ver o Sol..."

A Morte Persegue-me (Fatale #1)
Ed Brubaker

A Morte Persegue-me (Fatale #1)


Argumento: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips, Dave Stewart
Tradução: José Hartvig de Freitas


Opinião: Vi este livro no Fórum Fantástico do ano passado, e ainda pensei em comprá-lo juntamente com o primeiro Tony Chu, mas folheei e as ilustrações, por algum motivo, não me atraíram. Passado algum tempo deixei-me convencer pela fantástica edição da GFloy deste policial noir lovecraftiano, e não me arrependo.

É muito interessante a forma como Brubaker não tem, propriamente, um protagonista, mas sim uma história para contar, mais importante e maior do que qualquer personagem e qualquer acontecimento do livro. Tudo o que acontece são desenvolvimentos de partes dessa história maior, que acaba por ser contada com mestria, de forma muito subtil.

A arte, que ao início não me tinha convencido, é bastante apropriada ao tom do livro. Continuo a não ser o maior fã, mas revelou-se mais agradável do que estava à espera.

A subtileza da narrativa nota-se a vários níveis, e um deles é a femme fatale que serve como olho da tempestade ao longo destas páginas. Misteriosa, com vários segredos e relações peculiares, desde o início que mostra ser uma personagem com muito mais para dizer do que aquilo que aparenta. O seu encanto vai-se estendendo a várias personagens, que se vão deixando embasbacar, umas atrás das outras.

O mais impressionante é que ela parece realmente interessada nos homens que vai usando. Mesmo aqueles de que está activamente a tentar fugir. É como se a certo ponto tenha de facto estado interessada neles, ou se tenha habituado de tal forma que é quase a mesma coisa. E isso parte-lhe o coração, tanto como aos seus apaixonados. Um autêntico segundo gume escondido da faca que é ser uma verdadeira femme fatale.

Mas no meio do ambiente noir aparece um tema que encaixa como uma luva: terror lovecraftiano. Nada demasiado chocante, pelo menos por agora, mas com uma utilização muito eficaz. Não que não existam alguns momentos chocantes, com muito sangue e muitas tripas bastante explícitas, mas raramente estão relacionadas com os monstros. Esses actuam mais em segundo plano, pela calada, e ficamos a saber dos horrores perpetrados mais pelas consequências e por descrições, do que por visualização directa.

Isto é um pormenor interessante e muito provavelmente deliberado, que não só está perfeitamente de acordo com o estilo original de Lovecraft, como dá uma nova dimensão ao medo do desconhecido, aqui transposto para BD.

O final deixa água na boca e muitas pontas por atar, de tal forma que me deixou imensamente curioso e com vontade de pegar imediatamente no volume seguinte (o que infelizmente só acontece pela Primavera, a acreditar no que diz na última página do livro), o que é de louvar, tendo em conta que estou a falar de um livro que inicialmente não me chamou a atenção.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ao Gosto do Freguês (Tony Chu - Detective Canibal #1)


Argumento: John Layman
Arte: Rob Guillory
Tradução: José Hartvig de Freitas


Opinião: Divertidíssimo até ao tutano, este primeiro volume de Tony Chu é uma boa revelação. Comprado quase por impulso, durante o Fórum Fantástico, valeu completamente a pena!

Vejamos: detective canibal num mundo em que a gripe das aves teve um impacto ainda maior do que no nosso, e o departamento policial de controlo da comida se torna no mais agressivo e badass que existe. Vamos lá.

Os (apenas) nove euros para a edição fantástica que é, de capa dura e com qualidade, ajudaram bastante à compra, mas pareceu-me genuinamente engraçado. Os desenhos são meio cartoonescos, o que chama logo a atenção, e basta passar os olhos por meia dúzia de páginas para ver como está recheado de sillyness. O que é bom, bastante bom!

Há alguns problemas de tradução, como querer dizer o mais recente, de the latest one, e dizer o último. Até dói. Mas nada demasiado grave, pelo menos... A nível de enredo, só há duas coisas que, vá, me fizeram espécie: uma das personagens a mencionar a determinação do protagonista em encontrar o irmão, quando isso nunca acontece nem sequer é mencionado como possível história paralela. O tipo parece pura e simplesmente não se importar, durante a maior do tempo.

E depois há o planeta alien. Muito estranho. Nem sei o que dizer.

Mas tirando isso, sim senhor, um humor cinco estrelas, uma ideia original, esta da cibopatia, de ter impressões psíquicas de tudo o que se come - excepto, obviamente, de beterrabas - e um detective que aproveita essa capacidade para resolver crimes, tendo frequentemente que dar umas trincas em coisas mortas, invariavelmente em estados avançados de decomposição, com o ar mais nojento de sempre. Ah, e ocasionalmente são coisas humanas.

Nada como um vilão relativamente estereotipado para animar a festa, no entanto. Ou melhor, nem é bem um vilão, é mais um justiceiro de meia tigela com a mania que pode fazer o que muito bem lhe apetece em nome da sua própria versão do bem e do mal. Não deixa de ser interessante, até porque é uma personagem enorme, extremamente ágil e hábil com armas, sempre impecavelmente vestido e com uma forma de falar peculiar.

Em tudo contrastante com Chu, um desmazelado que só quer sossego e paz para as vítimas. É interessante ver a evolução da forma como esta personagem lida com as suas capacidades e com o potencial que elas têm para aquilo que faz, combater o crime.

No fim, o humor, muitas vezes puramente visual, é muito recompensador... Além de que se trata de um detective canibal. O que é que pode correr mal com isto?