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quarta-feira, 4 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #1: O Dia da Fénix (Universo Marvel #19)


Argumento: Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction
Arte: John Romita Jr., Scott Hanna, Laura Martin, Olivier Coipel, Mark Morales
Tradução: Paulo Furtado, Paulo Moreira


Opinião: Já tinha lido esta história em inglês, e ficado fã. O plantel de argumentistas e de artistas é honestamente impressionante e mais do que razão suficiente para alguém se sentir minimamente curioso relativamente a este Vingadores vs X-Men. Ainda por cima com uma premissa com tanto potencial como ter as duas maiores equipas de super-heróis da Marvel a lutarem uma contra a outra, por causa da entidade cósmica conhecida como Fénix que já deu tantos problemas a tanta gente.

O início é exactamente esse. A Fénix vem aí. Os X-Men sabem-no e os Vingadores descobrem-no rapidamente, e não demora muito até estarem frente a frente, numa situação muito tensa que culmina no início das hostilidades entre o Capitão América e o Ciclope.

E o problema do livro começa aqui. Eu compreendo que é algo massivo que está aqui a acontecer, mas tudo se tinha resolvido se as personagens tivessem conversado como adultos para tentar resolver as coisas, em vez de se armarem em macho men e desatarem logo à porra. Além de que o papel da Fénix, como eu já tinha dito antes, é estranhamente acessório e secundário, para algo tão importante no Universo Marvel, especialmente quando se fala de mutantes.

Mas nada disto estraga as excelentes cenas de pancadaria, sem grandes rodeios. Claro que cai sempre naquela lógica estúpida de "vamos atacar, mas um de cada vez e contra alguém capaz de aguentar connosco" em vez de atirarem o Magneto para estraçalhar o Wolverine, ou algo parecido. Já o disse na opinião anterior e continuo a dizê-lo!

A arte, essa, oscila entre o bom e o mediano, portanto não me chateou muito. Sempre que a Fénix aparece, fizeram disso algo grandioso e espectacular, o que é bom, mas de vez em quando há uns momentos mais fracos que deixam muito a desejar.

Toda a evolução do enredo é feita a um bom ritmo, e este livro termina num ponto crucial, com o Ciclope, já depois de semi-possuído pela Fénix, a dizer "Chega de Vingadores.", ecoando o "No more mutants." da Scarlet Witch, no final do evento "Dinastia M". É um bom final e um óptimo ponto para parar e esperar pela leitura do livro seguinte. Se bem me lembro, há algumas coisas que pioram, com a introdução de umas balelas místicas e tal, mas vai continuar a ser interessante, isso sem dúvida!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os Vingadores #10


Argumento: Jonathan Hickman
Arte: Mike Deodato, Frank Martin, Leinil Francis Yu, Gerry Alanguilan, Sunny Gho, Jerome Opeña, Dustin Weaver, Justin Ponsor
Tradução: Filipe Faria

Opinião: E assim se conclui, por cá, esta saga épica que é Infinity, e o fracasso da revista em si. Com menos texto, mas não menos confuso por isso, este número acaba por ser agradável. A sério, lê-se ben, dá perfeitamente para entreter e tudo isso...

Só que acho mesmo que tem demasiada coisa. Hickman deu um passo maior do que a perna, e tem pura e simplesmente demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo, demasiadas linhas narrativas a evoluírem, demasiadas personagens, enfim, tudo.

É um risco que se corre, quando se fala de histórias dos Vingadores, mas nestas histórias não foi nada bem gerida. Nenhuma personagem se destaca minimamente, nenhum arco narrativo soa interessante o suficiente... Enfim, o próprio argumento parece indeciso quanto à história que quer efectivamente contar!

A arte, para não variar, não é nada má, mas não é particularmente marcante. Eu sei que ando mal habituado, nesse campo, que as minhas últimas leituras de BD têm sido particularmente agradáveis, mas esperava mais, por muito comercial que este título seja.

Por agora, tenho que me resignar a ir à Wikipédia ver o que acontece a seguir, e virar-me para outras fontes de BD, que esta secou, apesar do muito potencial que ainda tinha...

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Os Vingadores #9


Argumento: Jonathan Hickman
Arte: Mike Deodato, Frank Martin, Jim Cheung, Mark Morales, John Livesay, David Meikis, Justin Ponsor
Tradução: Filipe Faria

Opinião: Jonathan Hickman deve ter dado ouvidos aos leitores, porque nos últimos números havia cada vez mais texto, e esse problema foi aqui resolvido. Começa bem!

A primeira parte, a final do Prelúdio a Infinito, é boa, explora ainda mais o conflito entre Namor e o Pantera Negra e deixa tudo em aberto para a grande e épica saga que se avizinha, Infinito e que começa na segunda e última parte desta revista.

O que tenho a dizer é que fiquei bastante satisfeito. A arte continua sóbria e detalhada como esta saga nos tem habituado, e o argumento parece que se resolveu finalmente a acalmar e a explicar as coisas como deve ser, sem exagerar nos info dumps nem em formas convoluídas de revelar acontecimentos.

Um dos grandes problemas destes Vingadores tem sido exactamente esse: a vontade de contar as várias histórias é tanta, a ansiedade para chegar ao Infinito é tanta, que a narrativa perde coerência em favor de mais momentos chocantes e inexplicáveis, retirados de meia dúzia de linhas narrativas diferentes com ligações ténues e escondidas entre si.

Felizmente, tudo isso acaba aqui, com Hickman a conseguir manter-se fiel à história, sem esconder nem revelar demasiado. Abre o apetite para o que aí vem, deixa a pensa o que já passou, e deixa quase toda a informação a descoberto, para que o leitor possa realmente apreciar e especular sobre o que aí vem.

E há-de algo extraordinário. Pelo menos eu assim espero. O hype por trás desta saga é grande, e a utilização de Thanos a espelhar a que tem sido feito no universo cinemático da Marvel é mais do que intencionalmente óbvio, mas não se perde nada com isso. A verdade é que este vilão é bastante carismático e consegue impôr a sua presença, mesmo com uma utilização tão resguardada. O que é bom!

Tudo o resto começa a fazer sentido, e é bom de ver como o foco não está inteiramente nos heróis, mas sim nos vários conflitos existentes que vão de certeza culminar em algo grandioso (ou que deviam, pelo menos). Entre bons e maus, entre maus e maus, e entre bons e maus. Ninguém está propriamente relaxado, e a única entidade minimamente satisfeita é o próprio Thanos, confiante como nunca.

Devo dizer que tenho de lhe dar razão. Os Vingadores estão a começar a unir-se, mas estão presos por fios, as tensões entre eles são demasiado grandes e a desconfiança é uma constante. Será que conseguem pôr esses problemas de lado durante tempo suficiente para salvarem o Universo? Será que valerá a pena, ou Thanos já ganhou e nós é que ainda não sabemos? E o que raio quer o vilão com a Terra? Resta-me esperar pelo próximo número, para o qual tenho boas expectativas, após um que, finalmente, me encheu as medidas!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os Vingadores #8


Argumento: Jonatham Hickman, Nick Spencer
Arte: Mike Deodato, Frank Martin, Rain Beredo, Stefano Caselli, Marco Rudy, Marco Checchetto
Tradução: Filipe Faria

Opinião: Tanto... Texto... Os meus olhos... Não aguentam... Tanto... Texto...

A sério, isto quando um gajo vai ler banda desenhada e os desenhos só servem para sabermos o sítio onde as personagens estão e o aspecto dessas mesmas personagens, fico triste. E em parte foi o que aconteceu aqui, especialmente no primeiro terço, correspondente a um número dos Illuminati.

É que assim até perdi um bocado o interesse em seguir a história. Sim, são um grupo super secreto, mais orientados para as politiquices e isso tudo, mas tem personagens tão boas e tão expressivas, que a tentativa de ser mais sério apenas faz com que a narrativa fique mais pesada e tudo fique mais... Genérico.

Por exemplo, as desavenças entre o Namor e o Pantera Negra são fantásticas de acompanhar, assim como o facto de o grupo ter expulsado o Capitão América, por ser demasiado bonzinho, mas tudo isso acaba por ser pouco explorado.

Felizmente esses aspecto melhoram nas duas partes seguintes, correspondentes ao fim do prelúdio para a saga Infinito. A história é mais interessante, embora mais confusa, e o problema do excesso de texto desaparece em grande parte. O factor "confusão", no entanto, ainda pesa um pouco, e tenho a sensação de que me está sempre a escapar alguma coisa.

Pior, continuam a ser introduzidos pormenores novos que não avançam propriamente o enredo, sem se explicar grande coisa, o que não abona nada a favor da história. Resta-me esperar pelo começo de Infinito, para ver como é que a coisa evolui.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Os Vingadores #7


Argumento: Jonathan Hickman, Nick Spencer
Arte: Mike Deodato, Frank Martin, Stefano Caselli
Tradução: José H. de Freitas, Filipe Faria

Opinião: Mas qual é que é o problema da Marvel? Os X-men andam confusos e dedicados ao engonhanço, e parece que os Vingadores decidiram ir pelo mesmo caminho.

É verdade que no segundo capítulo desta revista se inicia o prelúdio à saga Infinito, mas mesmo assim a história recusa-se a avançar grande coisa. Em vez disso Hickman tem-nos servido número atrás de número de personagens com um grande impacto e que simplesmente desaparecem de cena, longos e cansativos momentos de exposição, súbitas batalhas que correm demasiado bem, e novos vilões ao virar de cada esquina.

Ah, e não esquecer o facto de que o pouco que a história vai avançado, é completamente incompreensível. Já me queixei disto antes, mas o argumento parece mais preocupado em introduzir pormenores novos relativamente à ameaça, do que a explicar de facto qual é a ameaça.

O resultado? Pfft, qual ameaça? Aquilo que eu tenho visto é que acontece uma coisa estranha e os Vingadores tratam mais ou menos dela, sem perceberem muito bem o que se passa. Depois acontece outra coisa estranha, e os Vingadores tratam mais ou menos dela, sem perceberem muito bem o que se passa. E todas essas coisas estranhas têm um aspecto ominoso e parecem ser um presságio de algo grande e poderoso... Presságio esse rapidamente ignorado pelos Vingadores, porque já há outra ameaça completamente-diferente-mas-completamente-relacionada-com-todas-as-outras.

Não há paciência. É que embora seja divertidíssimo ler as falas medievais do Thor, ou explorar a personagem do Hyperion, a história não está a passar disso. O que é uma pena pois, como eu já disse várias vezes, estas personagens têm um potencial imenso, e a história no início até prometia. Só que Hickman começou a perder-se em palhaçadas e já parece enamorado pelo próprio enredo.

Nada de bom, portanto. A arte parece-me banal, competente, mas banal e genérica. E nem vou falar das "explicações" no fim, que ainda são mais confusas que a BD. Venha daí o próximo número e logo conversamos...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Os Vingadores #6


Argumento: Jonathan Hickman
Arte: Mike Deodato, Frank Martin, Dustin Weaver, Justin Ponsor
Tradução: José H. de Freitas e Filipe Faria

Opinião: Não sei que dizer quanto a esta BD. Não gostei da arte e não fiquei grande fã do argumento. O problema é que, ao contrário do que se passa em X-Men, este comic segue vários arcos narrativos diferentes, de temas muito abrangentes, e ao tentar prestar atenção a todos, perde coerência.

O resultado são estas BD's, incoerentes e com um ar semi-aleatório, em que a história avança a passo de caracol, em nome da diversidade e da complexidade.

Estas duas últimas coisas não são más, apenas não são as melhores para incluir aqui, e especialmente em vez de ritmo.

O início, confesso, é bom.Tem pelo menos um momento muito gráfico e arrepiante que lhe dá uma dimensão muito interessante, mas depois esmorece. Os Vingadores não sabem muito bem o que fazer, e ora estão a cumprir os seus papéis de polícias globais, como estão a cumprir o seu papel de espiões, como estão a cumprir o seu papel de... professores?

Depois o grande problema: mais personagens novas e misteriosas. Eu compreendo que seja um artifício que funciona bem para atrair novos leitores e para deixar os antigos mais agarrados, mas a complexidade desta BD, que até agora era apenas agradável, já começa a causar o seu próprio colapso.

Complexo, tudo bem, exagerado, calma lá.

Tirando isto, não há nada de particularmente positivo de que me lembre assim de repente. A história não fica na memória, os super-heróis passam demasiado tempo a dialogar e pouco tempo a tentarem matar-se uns aos outros com os seus super-poderes.

Espero bem que esteja a chegar algo grandioso, porque esta saga está a precisar...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Os Vingadores #5

Argumento: Jonathan Hickman
Arte: Dustin Weaver e Justin Ponsor
Tradução: José H. de Freitas e Filipe Faria

Opinião: A vertente de ficção científica cósmica do Universo Marvel continua a predominar nesta BD. O que não é mau de todo, aliás, é até bastante interessante... a maior parte do tempo.

Acho que o argumento não está a conseguir aproveitar completamente o potencial da premissa, perdendo-se em sequências como a que abre este número, meia dúzia de páginas de uma personagem nova, num cenário novo, com uma data de nomes novos e sem que nada pareça ter relação com a história central.

Pior ainda tendo em conta que esta versão portuguesa da revista alberga duas continuidades diferentes, a dos Vingadores e a dos Novos Vingadores, ou Illuminati. Sim, são paralelas e bastante interdependentes, mas não deixam de ser, ao fim e ao cabo, duas histórias diferentes.

No meio disso tudo, uma sequência de abertura como a deste número cai mal. A sensação que tenho é a de estar a ver uma imagem e a diminuir o zoom com cada número. No primeiro estava com o máximo de zoom possível, no segundo diminuiu, no terceiro mudou de sítio, no quarto diminui o zoom e no quinto mudou novamente para o sítio original, mas ainda diminui o zoom.

A história cresce e cresce e cresce, camada atrás de camada, sem se firmar definitivamente numa linha de acção que o leitor possa seguir com calma e atenção. Em vez disso há personagens a ser introduzidas em todos os números, novos cenários, novas situações sem que as anteriores estejam resolvidas... E a história a avançar a passo de caracol.

Agora, descontando isso, e tendo em conta que sou um leitor bastante habituado a ficção científica e enredos relativamente complexos, estou a gostar do caminho que a história está (acho eu) a seguir. As forças cósmicas em combate são definitivamente mais poderosas do que que aquelas com que os Vingadores estão habituados a lidar. Afinal, não é todos os dias que vemos o Hulk a ser atirado para a estratosfera.

Este factor, só por si, muda completamente a dinâmica do grupo. Por mais que tentem, precisam de estar à defesa e depender uns dos outros mais do que em qualquer outra situação, trazendo assim ao de cima a razão de ser deste grupo: enfrentar ameaças demasiado poderosas para qualquer um deles sozinho.

E a verdade é que acabam por ter uma dinâmica que funciona muito bem. É preciso dar valor ao argumento (e à arte, também!) neste ponto. Ver o Hulk a ser atirado da estratosfera por uma tipa que lhe lança exactamente o mesmo sorriso ligeiramente maníaco que ele tem é qualquer coisa de especial.

No fim acabou por ser um número interessante, ainda que recheada daquelas pequenas falhas que já mencionei. Tenho alguma esperança que Hickman consiga ainda pegar na história como deve ser e guiá-la por caminhos cada vez mais interessantes, explorando bem as premissas que já tem lançadas, em vez de criar e apresentar novas em cada passo. Vamos ver se é isso que acontece!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Avengers vs X-Men


Argumento: Brian Michael Bendis, Matt Fraction, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman
Ilustração: John Romita Jr., Olivier Coipel, Adam Kubert




Opinião: Avengers vs X-Men foi um dos eventos mais publicitados de sempre, e por bons motivos. Não é todos os dias que um dos grandes nomes da BD norte-americana confronta os seus dois maiores universos, neste caso o dos Vingadores e o dos X-Men.

A premissa mais básica é excelente: os mutantes foram devastados por uma Scarlet Witch enlouquecida, no evento House of M, e têm agora uma oportunidade de fazer renascer a sua raça, mas a forma como o querem fazer não é propriamente bem vista, de tal forma que os Vingadores se erguem e se declaram activamente contra os X-Men.

O facto de usarem a força Fénix... Bem, isso soa mais a jogada desesperada para aproveitar a (ouvi dizer) excelente saga da Dark Phoenix e atraírem novos leitores, naquele que foi um evento que antecedeu um novo mais-ou-menos-reset.

Tirando isso, no entanto, esta saga tinha tudo para funcionar. A hipótese de por uma vez assistirmos a heróis contra heróis, depois de um evento que também teve algum sucesso, a Civil War. Era interessante e prometia! Mas no entanto...

Bem, para começar, o problema aqui é a força Fénix. Ela sente-se atraída à Terra, aparentemente direccionada a uma mutante nova, a única nascida depois da matança da Scarlet Witch, convenientemente chamada Hope. Porquê? Bem, por causa de... coisas. Nunca se percebe muito bem. O papel da força Fénix acaba por ser quase acessório, embora tenha uma importância central a toda a história, e é pena, porque é uma força cósmica que a Marvel teria todo o interesse em desenvolver como deve ser.

Mas quer dizer, se ignorarmos o enredo ligeiramente aleatório e nos focamos nas cenas de pancadaria... Ok, e se ignorarmos o facto de lutarem à vez, tipo videojogo, e de não atirarem logo um Magneto para torcer o Wolverine todo, e coisas assim, óbvias, é muito porreiro de ver! E não há cá mariquices diplomáticas: "viemos fazer isto", "nós não deixamos", "Vingadores, porrada neles". Assim é que é bom!

A arte varia um pouco, entre o bom e o medíocre, mas uma coisa tenho de conceder, é que todas as cenas que envolvam a Fénix ou algum tipo de fogo estão simplesmente impecáveis, o que é uma grande mais valia. E depois há intrigas e conversas de bastidores e, como não podia deixar de ser, o Capitão América a ser um grandessíssimo atrasado mental.

Diga-se o que se disser, esta história nunca teria existido se o Capitão América e o Ciclope tivessem falado como dois adultos e tivessem tentado resolver tudo a bem para os dois lados. Mas não. Tem que ser à força, e não há hipótese de conciliação: ou fazes como eu quero, ou partimos para a violência.

Felizmente existe o Wolverine. Para além de dar sempre jeito ter um desses à mão de semear, quando se fala de violência, é uma personagem e pêras. Tem aqueles instintos animalescos mas nunca deixa de ouvir a voz da razão. Tem motivos reais, problemas reais e dúvidas humanas. É o mais animalesco dos X-Men, mas também o mais próximo de nós.

Pelo meio tudo se tornou muito mais interessante, quando a Fénix foi despedaçada e se dividiu por cinco mutantes (embora porquê aqueles cinco exactamente...). Foi surpreendente e mudou um pouco as regras do jogo. Começou-se foi a notar uma certa repetição na pancadaria, e sim, eu sei que só é possível inovar nas formas de dar porrada até um certo ponto, mas especialmente num evento tão focado nisso mesmo, e com tantos heróis por onde pegarem, podiam ter feito umas lutas bem mais interessantes.

A partir da metade as coisas avançam a um bom ritmo, há um bom desenvolvimento das personagens (go Namor!), a Fénix começa a ter intrigas contra si própria, os seus poderes só parecem aumentar e tudo parece condenado. Os Vingadores são verdadeiros ratos encurralados, e há um volume maioritariamente do ponto de vista do Homem-Aranha que é muito interessante, está uma personagem impecável, bem desenvolvida e bem trabalhada, tem um percurso bastante satisfatório, é muito engraçado e pronto, salva o dia!

Era escusado era a quantidade de, como eu carinhosamente lhes chamo, tretas místicas. Quais é que são as regras da magia neste universo? Entre o Doctor Strange, a Magik, a Scarlet Witch, o Iron Fist e companhia, a terra mística onde todos se escondem, o dragão (essa parte foi fixe) e tudo o mais, o que raio se passa aqui? Gostava de perceber, mas a verdade é que esta fase final está porreira, bem mais do que o começo.

Mesmo a chegar ao fim, a história fica muito intensa, e os argumentistas tomam umas decisões muito corajosas e que acho que funcionam muito bem, tudo a caminhar para um fim bastante satisfatório.

A opinião geral, no entanto, não é assim tão boa. Eu gostava muito de avaliar isto pela sua fase final, mas aquele começo lento e algo atabalhoado, já para não falar dos problemas de enredo e as personagens unidimensionais, impedem-me de ter gostado assim tanto. Foi uma boa leitura, é verdade, mas esperava mais, muito mais.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Os Vingadores #4


Argumento: Jonathan Hickman
Arte: Steve Epting
Tradução: José H. de Freitas

Opinião: Eu não me quero queixar da direcção cósmica e épica que este comic está a tomar, mas... A coisa não está a funcionar como devia.

Neste número em particular, que tem a conclusão do primeiro arco narrativo dos Novos Vingadores, um dos maiores problemas é mesmo que toda esta ideia dos Illuminati, uma equipa secreta de elite composta por membros de uma série de outras equipas (mais ou menos) secretas de elite, é um bocado idiota.

Mas ignorando isso, há outros problemas por aqui. Por exemplo, o Capitão América simplesmente deixa de aparecer, por alguma razão. A sua ausência não é propriamente um defeito, mas a sua ausência inexplicável é.

Depois, e embora basicamente todas as personagens sejam muito, mas muito interessantes, a sensação é a de uma história demasiado grandiosa, tão incapaz de deixar os heróis brilhar como de se fazer perceber na totalidade.

E porque é que isso acontece? Por causa da mitologia. Ou melhor, da quantidade da mitologia e do ritmo a que ela é introduzida. É que lá está, eu não me vou queixar de a certa altura aparecer uma espécie de deusa com cara de Cthulhu, mas a verdade é que ela, juntamente com outras duas e tantos outros conceitos, aparece um bocado do nada.

Não é possível assimilar tudo e ficar situado na história. Logo, não é possível perceber completamente a história. As personagens estão tranquilas, que já estão todas fartas de saber estas coisas, mas o leitor perde-se completamente, especialmente, parece-me, se não tiver acompanhado o Universo Marvel até aqui.

Estou curioso para ver o que acontece no próximo número, que já regressa aos Vingadores normais, pois fiquei desiludido com esta equipa, apesar de, como já disse, achar estas personagens muito mais interessantes e dignas de tempo de antena.

Não posso é deixar de notar em algo bastante... interessante. Os membros desta equipa são os seguintes: Namor, Doctor Strange, Black Panther, Iron Man, Reed Richards, Raio Negro, Fera e Capitão América. Dois deles têm franchises cinematográficas lançadas e incorporadas na continuidade do universo de filmes da Marvel, outro tem aí um reboot a aparecer, outros dois são mais ou menos o centro de vários rumores relativamente a serem os próximos heróis a passarem a filme, outro ainda anda a aparecer em filmes, também, e só sobram Namor e Raio Negro, sendo que já vi a probabilidade do segundo a aparecer algures mais pequena...

Esperar para ver!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Os Vingadores #3


Argumento: Jonathan Hickman
Desenhos: Steve Epting
Tradução: José H. de Freitas

Opinião: Fiquei bastante curioso ao ver esta capa. O Black Panther desperta-me a curiosidade desde sempre, o Iron Man nunca falha, o Doctor Strange é outro que me fascina, o Reed Richards é engraçado, vá, e o Raio Negro é uma boa personagem. Porque raio estariam a aparecer associados, e no seguimento das histórias anteriores?

Pois bem, uma das coisas explicou-se logo: não é bem no seguimento das histórias anteriores, e não sei se gosto muito dessa opção. Ou melhor, tenho sentimentos conflituosos. Se por um lado acho que é bom juntarem numa única revista a história relevante, que é tão normal perder-se nas entrelinhas e em títulos laterais ao "principal", por outro acho que é enganar o público.

Mas confesso que vou perdoar e inclinar-me mais para a primeira opção, porque acho que até fizeram bem a coisa. É um desvio à narração principal que faz sentido e que explica algumas coisas, conseguindo sempre ser interessante. É claro que ter um conjunto de personagens muito boas e fascinantes (juntem o Namor e o Capitão América àquela lista lá em cima) é um bónus que permite alicerçar a história no carisma colectivo, mas mesmo assim, acho que foi um bom trabalho.

Já os detalhes... Enfim, passo a explicar: estas personagens, juntamente com o falecido Charles Xavier, formam os Illuminati, um grupo secreto de super-heróis que de alguma forma coordenada os outros e age nos bastidores dos acontecimentos, garantido que tudo corre bem.

Não sei se já perceberam, mas isto é um grupo de elite com elementos de elite em relação aos seus próprios grupos de elite. E se percebo a inclusão de personagens extremamente poderosas como Doctor Strange, Raio Negro e Charles Xavier, assim como de crânios, como o Iron Man, o Black Panther e Reed Richards, a inclusão de Namor e do Capitão América deixa-me um pouco confuso.

Mas talvez isso tenha a ver com o facto de terem as Infinity Gems, um conceito que felizmente é conhecido o suficiente para eu não me ter perdido. Porque isto é um problema, este reset mal amanhado da Marvel, em que não há realmente nada novo, apenas se mata muita gente, ressuscitam-se algumas, arranjam-se desculpas para se ignorarem outras tantas, muda-se a numeração e pronto. Há uma continuidade muito forte que acaba perdida.

De qualquer forma fiquei agradado com este número. Tive pena de não se dar mais tempo de antena ao Doctor Strange, uma personagem que me tem fascinado bastante e da qual ainda sei e li pouco. Por outro lado a história é bastante focada, diria quase centrada, no Black Panther, uma personagem que me interessava mas que não conhecia muito bem, e que me surpreendeu pela positiva e de que maneira!

Inteligente, com poderes marados, fortes morais e uma personalidade grave de quem está habituado a carregar responsabilidades aos ombros, Black Panther além de herói, é um rei. Mas não é um rei distante, como Raio Negro, ou arrogante, como Namor, é um rei que só se distingue dos seus súbditos pela forma como se veste e pelas suas acções. Verdadeiramente fascinante e uma personagem que fiquei com vontade de explorar.

A história propriamente dita não é nada de especial, e consegue dar tempo de antena à inutilidade do Capitão América, que consegue, em cerca de vinte segundos, inutilizar a arma mais poderosa de todos os Universos. Juro que não sei como é que ainda o deixam usar o escudo.

Por agora é esperar pelo próximo comic, que pelo que percebi ainda vai seguir este grupo super-hiper-mega-ri-secreto. Eu estou curioso, e se não inventarem muito ainda conseguem melhorar isto.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os Vingadores #2


Argumento:  Jonathan Hickman
Arte: Jerome Opeña

Opinião: Se o primeiro número foi uma boa introdução ao Universo Marvel, nomeadamente ao canto dos Vingadores, este número desenvolve-se demasiado rapidamente, com demasiadas coisas ao barulho.

O suficientes para conseguirem perder um leitor novo, por exemplo. Acho que o argumento tenta, de certa forma, evitar isso mesmo, com cada comic a começar com uma pequena introdução (que nunca aborrece) à personagem em torno da qual a acção vai rodar.

Pode fazê-lo sob a forma de flashback, narrativa em paralelo ou usando o facto da própria personagem não se lembrar de grande coisa, mas esforça-se sempre para que as coisas não andem a cair do céu.

(esta última frase tem muito mais piada se já tiverem lido isto e souberem o que acontece quando se brinca com coisas que caem do céu)

No entanto acho que foi uma passagem demasiado brusca. É claro que o principal público-alvo destas coisas é o pessoal que tem acompanhado e que conhece isto como deve ser, mas para quem estiver a começar agora a acompanhar a história, aproveitando o reset, pode ser mais complicado.

Tirando isso, não tenho grande coisa a apontar para além de que gostava de ter visto um desenvolvimento da história de forma mais focada, em vez de andar já a espalhar a narrativa por vários pontos de vista (por mais interessantes que sejam). Eu compreendo que sendo esta uma revista sobre os Vingadores, uma equipa composta por dezenas de membros, e a maior parte adorada pela generalidade das pessoas, não se pode dar ao luxo de ignorar algumas das suas personagens fulcrais durante demasiado tempo, mas pronto.

Por outro lado foi bom ter um vislumbre da vida cósmica destes heróis. Pessoalmente fiquei bastante satisfeito por ver a história a espalhar-se facilmente por um campo de acção alargado, propício a eventos inesperados por estar tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo. Só pensando na coisa de forma objectiva é que fico um bocado reticente, por causa da confusão que pode criar a leitores que não estejam tão habituados a lidar com este Universo.

As personagens, como já disse, são muitas, e tirando duas ou três mais secundárias e até agora irrelevantes, são todas personagens bastante fortes e com um grande carisma. Os autores têm conseguido lidar bem com isso, pelo menos, não há personagens a roubar espaço a outras, quer a nível de argumento, diálogos, e de arte. Todas têm os seus momentos.

O problema destas coisas é mesmo que me deixa curioso para ver o que acontece a seguir, embora não tenha uma continuidade tão forte como os X-Men, muito menos a propensão destes últimos para os cliffhangers. Venha o próximo!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os Vingadores #1


Título: Os Vingadores #1
Argumento: Jonathan Hickman
Ilustrações: Jerome Opeña

Opinião: Quando vi no Leituras de BD que a Marvel e a Panini iam lançar estas revistas por cá, a preços acessíveis, delirei! Ainda por cima são as linhas narrativas mais recentes, com sensivelmente um ano de atraso em relação aos Estados Unidos, o que é relativamente pouco.

A primeira conta com os Vingadores, e tem esta gloriosa capa (e contracapa e extra), que quer se goste ou não do estilo, chama a atenção!

Estava bastante curioso para ver como andavam este super-heróis, depois de mais uma crise e um reset ao seu universo. Não fiquei decepcionado. A revista é interessante e parece-me que faz na perfeição aquilo que é suposto: atrair novos leitores.

Sem esquecer os fãs mais antigos, a história junta os heróis do costume com mais-ou-menos-vilões novos, num cenário após o reset da última linha narrativa terminada, dando início a Marvel NOW!.

Estes vilões novos, Ex Nihilo, Abismo e Aleph, são intrigantes, especialmente Ex Nihilo, o criador de vida que quer transformar a Terra num novo paraíso, a partir de Marte. É claro que os Vingadores não ficam muito felizes com isso e tratam de o parar. Esta história é intercalada com o novo dilema do grupo: precisam de mais membros.

Assim, acompanhamos também o Capitão América e o Homem de Ferro a debaterem isso mesmo e a prepararem-se para iniciar uma campanha de recruta de novos Vingadores para a equipa.

A estrutura acaba por ser um pouco confusa, e a arte é "demasiado séria" para o tom humorístico a que os filmes me habituaram. Eu sei, eu sei, são coisas diferentes, mas as expectativas são uma coisa lixada.

De resto estou moderadamente excitado para ler as outras revistas, e tenho a certeza absoluta de que vou pelo menos acompanhar um dos títulos e comprar de certeza alguns dos números especiais (Guardians of the Galaxy? Marvel + space opera? CLARO QUE QUERO). Pela amostra, estou bastante satisfeito.