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sábado, 30 de janeiro de 2016

Uma Nova Era (Marvel Salvat #3)


Argumento: John Ney Rieber
Arte: John Cassaday
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Capitão América. Outra vez. Parece espantoso que com todos os problemas que tenho com a personagem, me cheguem às mãos tantos livros dele. Aparentemente, é um dos favoritos por esse mundo fora, provavelmente por causa do enorme favoritismo que tem nos EUA, quase exclusivamente derivado do seu valor patriótico.

Esse ausência de valor enquanto personagem sempre me chateou. Para além de ser um símbolo e uma personagem basicamente perfeita, há ali pouco sumo, digamos assim. Só que tem sorte, pois com tanta visibilidade acaba por ter uma quantidade de histórias e de equipas criativas enorme, o que significa que só com muito azar e/ou incompetência é que não se arranjavam algumas coisas decentes!

Felizmente este livro consegue ser um desses casos felizes. Calma, continua a não ser nada de extraordinário, mas tendo em conta que é um livro do Capitão América... Estou impressionado.

Ah, e melhor ainda. Este podia muito perfeitamente ser o pior livro do Capitão América de sempre, já que começa com a personagem a lidar com as consequências do atentado de 11 de Setembro de 2001. Sim, a personagem mais patriótica de sempre num dos momentos mais emocionais de sempre da nação que representa. Sabem que cheiro é este? É patriotismo. Este livro exala disso.

Mas John Ney Rieber, o argumentista, consegue fugir, em grande parte, a essa faceta, e escreve uma história que serve de homenagem às vítimas e mensagem de esperança para toda a gente. Não é uma história perfeita, longe disso, mas mostra o Capitão América a ser uma pessoa real, como apenas raramente acontece. E só por isso, até vale a pena espreitar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Wolverine: Origem #2



Argumento: Kieron Gillen
Arte: Adam Kubert
Tradução: Paulo Moreira


Opinião: Não é péssimo... mas anda lá perto. Já estava de pé atrás, graças ao primeiro volume, mas ainda tinha alguma esperança. O principal problema tinha sido um Wolverine completamento desprovido dos traços característicos da personagem. Aqui já não era suposto existir esse problema, portanto havia a possibilidade de as coisas correrem bem.

Mas pelo menos em termos de história. não correu. As personagens até são interessantes, assim como a luta de Logan com o seu eu bestial não tão interior quanto isso, mas o enredo é demasiado óbvio e a introdução dos Creed é feita a martelo e força o engano dos olhos dos leitores, de forma tão óbvia que dói (embora já me tenham dito que isso é só problema de eu já conhecer relativamente o Wolverine enquanto personagem).

Enfim. Safa-se a arte, que é verdadeiramente espectacular, principalmente nos momentos iniciais, quando ainda temos um Logan/Wolverine selvagem, a viver com lobos e a matar ursos. Mas de resto, digamos que não me fica na memória...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

The Faust Act (The Wicked + The Divine #1)



Argumento: Kieron Gillen
Arte: Jamie McKelvie, Matt Wilson, Clayton Cowles


Opinião: É fácil esquecermo-nos que existem editoras americanas de BD para lá da Marvel e da DC. Quais colossos açambarcadores, ficam com tudo, inundam o meio de publicidade, e torna-se complicado divulgar outras coisas, por muita qualidade que tenham.

E no entanto é exactamente duma terceira editora (que tem um tamanho considerável, tendo em conta o sufoco da BD por aqueles lados), a Image, que surgem alguns dos títulos que mais me atraem. De Saga a Tony Chu, passando por Fatale e Walking Dead, bem como alguns dos títulos que mais curiosidade me despertam, como The Mice Templar, The Manhattan Projects, Spawn e mais uns poucos.

De tal forma que basta o selo de qualidade desta editora para eu dar uma hipótese. Este livro não foi excepção e, pouco depois de me vir parar às mãos, devorei-o, como se deve fazer com BD. Fiquei impressionado, mas tenho algumas coisa a apontar.

Para começar a arte é boa. Faz lembrar Saga, embora vários degraus abaixo (todos a fazer vénias à Fiona Staples, se faz favor), e a história é certamente interessante e conta com personagens fascinantes, mas falta qualquer coisa. A premissa é, sem ponta de dúvida, o tipo de coisa bizarra que gosto de ler: a cada noventa anos há doze deuses (de um enorme panteão) que surgem no mundo, no corpo de adolescentes, e que graças aos seus poderes rapidamente se tornam autênticas celebridades. A contra partida é que morrem após dois anos.

Fixe? Fixe. Depois claro que há intrigas e porrada entre deuses, para isto ser interessante, e o ritmo é completamente alucinante... Mas no meio de tanta coisa é fácil perder o rumo da leitura. As coisas acontecem em catadupa, e há sempre tanta coisa diferente a acontecer que é mesmo difícil de acompanhar. Fica a sensação de que mesmo com atenção, não se apanha tudo, e que apanhar tudo é essencial para apreciar verdadeiramente o livro.

Mas fiquei impressionado o suficiente para que esse pormenor não me assuste. Vou sem dúvida acompanhar!

sábado, 16 de janeiro de 2016

A Louca do Sacré-Coeur (Novela Gráfica #2)


Argumento: Alejandro Jodorowsky
Arte: Moebius
Tradução: José de Freitas e Pedro Cleto


Opinião: Quando um livro não nos agrada, não há muito a fazer. Por mais expectativas e desculpas que tentemos arranjar, a coisa não pega. Foi o que me aconteceu com este livro, que até tinha tudo para ser porreiro: os autores prometem, especialmente com Moebius a tratar da arte.

Infelizmente achei o livro péssimo. Péssimo, a sério. Nem arte nem aquilo que passa por enredo se safa. Nada, nadinha faz sentido. A história de um professor de Filosofia que começa a encontrar um propósito para a sua vida miserável não convence. A sexualidade exagerada também não. O humor escatológico (aprendi esta com o David Soares, é o meu momento culto do dia) muito menos.

Já para não falar do ritmo desregrado, das aventuras delirantes sem qualquer nexo, e da quantidade enorme de coisas que tentam ser simbólicas e ter significados profundos… Mas que falham miseravelmente.

A sério, não tenho nada agradável a dizer sobre o livro. Nem sequer me conseguiu entreter. Os diálogos são banais, quando não são fracos, as várias histórias - parte de uma narrativa maior - são idiotas, as personagens são coerentes mas igualmente idiotas, e tudo acontece ao calhas.

Este, senhoras e senhores, é um mau livro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

The Arrival


Autor: Shaun Tan


Opinião: Não desgostei. Mas dizer que gostei é demasiado forte. A arte é espectacular, magnífica mesmo, sem a menor dúvida... Mas tirando isso, não houve muito para convencer.

No que toca a BD's até sou um tipo relativamente fácil de satisfazer: a arte tremenda e o Universo peculiar, cheio de pormenores fantásticos, são dois factores que já me deixam mais do que meio encaminhado para ficar fã.

Mas a este em particular, faltou-lhe a história. Ou melhor, faltou-lhe uma forma de me fazer perceber melhor a história. Porque a história está lá, e eu até a percebo, em traços gerais, e dou-lhe mérito. Todo o sofrimento relacionado com a imigração, não exactamente a que se dá hoje em dia, que é demasiado fácil - no sentido em que não significa assim tanto estar longe da família, por exemplo - mas a imigração que se dava há umas décadas atrás, quando era preciso largar mesmo tudo na esperança de conseguir algo melhor, partindo do nada, só por se estar num país diferente.

E como a maior parte dos imigrantes, os do livro, e o protagonista em particular, são pessoas esforçadas e trabalhadoras, que muito suam e pouco se queixam, na esperança de conseguirem ajudar a família, que está longe, e com sorte talvez até a consigam para perto.

Essa parte, especialmente do ponto de vista emocional, está perfeita. Só que o livro não tem narração, nem diálogos, nem nada. É só imagens. E embora isso até costume encaixar bem aqui nas minhas engrenagens, e com artes piores e menos expressivas, desta vez simplesmente ficou aquém.

Quando terminei fiquei a pensar "mas que raio se passou?". Não fiquei com nada em concreto. Apenas algumas imagens geniais e as ideias gerais que atravessam a história de uma ponta à outra. Talvez se possa usar o argumento de que esse é um bocado o objectivo, pois o protagonista não é um emigrante qualquer, mas representa todos os imigrantes, e não discordo completamente disso.

Só que não funciona. Ou não funcionou inteiramente para mim. E nem sequer vos consigo explicar exactamente porquê. Acreditem que fiquei tão fascinado como qualquer pessoa com algumas das imagens que aparecem neste livro, mas a história em si passou-me ao lado, de uma forma geral. O que é estranho, porque uma arte com esta qualidade costuma dar-me ainda mais vontade de acompanhar a história, quer ela venha explicitamente escrita ou não, só que neste caso eu olhava, olhava, olhava e, de certa forma, não via nada. Consegui acompanhar, de forma grosseira, e ficar com as tais ideias gerais, fáceis e óbvias de apanhar, mas foi só.

Fico com pena, porque acho que o livro é realmente bom, e até o aconselho vivamente a toda e qualquer pessoa, porque até dá gosto só de olhar para ele... mas pronto.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Anya's Ghost


Autora: Vera Brosgol


Opinião: Ficam já a saber que por mim não tinha pegado neste. Não só não parece ser o meu tipo de leitura, como nunca tinha ouvido falar deste livro. Felizmente a minha cara-metade tem entre os dons dela uma capacidade quase sobrenatural de descobrir livros peculiares e, invariavelmente, interessantes.

É o caso deste. "Lê, é giro.", diz ela. E lá vou eu. Nem sempre funciona às mil maravilhas (daqui a uns dias já descobrem um falhanço), mas costuma dar bom resultado... Assim foi. Anya's Ghost nunca na vida estaria no meu radar, mas após a leitura tenho pena disso. Se quase perdi isto, o que mais ando a perder? Não bastavam já aqueles que conheço, ainda tenho que desesperar por aqueles que não conheço?!

"Calma Rui, estás a ser parcial por ter sido a tua namorada a mostrar-te isto. Parece ser só uma história de fantasmas para adolescentes e ainda por cima com um traço infantil."

Vamos ignorar o Sr. Burro da Silva. Claramente não sabe o que diz. O traço é estilizado, sim, mas agradável e cartoony o suficiente para a fantasma parecer tão real e credível como qualquer outra personagem, e isso é um ponto de bónus, pelas minhas contas.

A história de fantasmas é tudo menos tradicional, e apesar dos protagonistas serem adolescentes, os temas abordados dificilmente o serão. O início é calmo e interessante, sofre uma fantástica viragem de rumo, e consegue terminar da melhor forma possível.

Estamos a falar de uma adolescente, Anya, uma miúda de uma família russa, e que só quer ser parte dos fixes e ter o namorado ideal. É uma rapariga esperta, mas uma aluna medíocre, e com tendência para se meter em problemas na escola e em casa. Até ao dia em que encontra uma fantasma, também ela uma miúda, morta há vários anos e esquecida no fundo de um poço. A amizade improvável tem resultados positivos... Até ao momento em que deixa de ter.

No final ficam a faltar algumas pontas por atar que mereciam ter sido abordadas, como a relação de Anya com as pessoas da sua escola (especialmente aquele miúdo meio esquisito), ou o ritmo bipartido entre os dilemas pessoais de Anya e o mistério que é a rapariga fantasma. De resto, impecável.

O resultado é um livro agradável, que se lê com gosto, e que embora merecesse algumas diferenças em certas abordagens (o sentimento de inadequação de Anya fica quase completamente por explorar), não se lê pior por isso.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Enfarda Brutos (Tony Chu - Detective Canibal #3)


Argumento: John Layman
Arte: Rob Guillory
Tradução: Filipe Faria


Opinião: Há coisas na vida que valem a pena. Entre as minhas favoritas estão aquelas coisas tão parvas que se tornam geniais. Como certos filmes de série B que já nascem praticamente como paródias de si próprios, mas que se revelam autênticos rasgos de génio.

Tony Chu não é bem assim, mas anda lá perto. O espírito é exactamente o mesmo que o desses filmes de série B: nem sequer há a mínima preocupação com fazer sentido, as coisas são assim e pronto, e é tudo tão absurdo e exagerado que dói.

No entanto tudo acontece de forma tão convicente e segura, que é impossível não levar a sério. Não tenho dúvidas que se vos explicar minimamente a história - que inclui canibais psíquicos, um implacável galo assassino, fruta alienígena que sabe a frango, híbridos de rãs e frangos, um polícia com meia cara cibernética e muito, muito mais - a primeira coisa que vocês vão dizer é “isso é ridículo, estúpido e não faz qualquer sentido”.

E sabem que mais? Não vão estar errados. Nenhum dos elementos individuais desta saga faz o mais pequeno sentido. Quando se começam a juntar, as coisas começam a ficar ridículas muito depressa. Eu próprio, ao ler a sinopse, pensei “que estupidez”.

O que acontece é que o conjunto, neste caso, é realmente maior do que a soma das partes. Eu não sei bem como, mas John Layman consegue criar um argumento coeso e consistente, com um enredo cativante e um ritmo fantástico. De tal forma que pela terceira vez acabo um livro da saga e tenho vontade de simplesmente virar a página e descobrir o que acontece.

A arte do cliffhanger está quase perdida, mas este tipo domina-a na perfeição. Ainda para mais apoiado na arte de Rob Guillory, entre o cartoon e o realista, com liberdade para expressar muito bem todas as emoções e pensamentos das personagens ao mesmo tempo que mostra momentos verdadeiramente tocantes e/ou sangrentos de forma credível.

Uma das melhores coisas nos desenhos é que são de extremos, ora extremamente limpos e relativamente vazios, com poucas fontes de distracção, ou estão populados de tantos detalhes e pormenores, muitas vezes em segundo plano, que é preciso fazer uma pausa na leitura para absorver tudo.

As revelações feitas neste volume em particular são difíceis de digerir - perceberam, perceberam? - especialmente a final, que ainda por cima é acompanhada de um momento emocional muito forte, ainda que discreto, e que muito me agradou. E mais uma vez, como já disse, fica quase tudo em aberto até ao próximo volume, que vou esperar com alguma ansiedade. Era tão fácil simplesmente perguntar ao Tio Google o que raio se vai passar…

Mas tenho de ser forte. São poucos os Universos ficcionais que merecem este tipo de auto-controlo da minha parte, por isso se querem uma atestado de qualidade, aqui o têm!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Sharaz-De


Autor: Sergio Toppi
Tradutor: João Miguel Lameiras


Opinião: Mas que livro excepcional. E nem é preciso ir muito longe: olhem-me para aquela capa. As ilustrações são todas assim, completas, cheias, em páginas enormes sempre preenchidas. Não é difícil uma pessoa esquecer-se da história que está a ser contada, para se perder nos desenhos.

O que é contado também vale bem a pena, atenção... A estrutura repetitiva pode cansar muita gente, mas a mim não me desagradou, porque é uma estrutura que até aprecio. Especialmente quando o tom dado a cada história é o mesmo que se dá aos mitos: aquela sensação de serem histórias "maiores do que a vida", suficientemente específicas para soarem verdadeiras mas suficientemente gerais para soarem como lendas.

Só que as ilustrações são verdadeiramente impressionantes, seja a preto e branco, seja a cores, e deslumbram completamente qualquer pessoa que pegue no livro. A forma como tudo encaixa nos diálogos e na história é extraordinária. A fluidez da narrativa escrita e da narrativa desenhada tem uma qualidade como acho que nunca vi em mais lado nenhum.

As histórias em si são diferentes daquilo a que estou habituado, já que são histórias baseadas em histórias baseadas em histórias (...ad eternum) passados no Médio Oriente, e que nasceram, exactamente, nas tradições, mitos e fábulas do Médio Oriente. A roupagem talvez seja algo diferente, por estarem a ser recontadas por um italiano, mas a diferença é marcante o suficiente para ser genuína.

Este é, como já deu para perceber, um livro excelente, que me encheu as medidas, especialmente por causa das ilustrações. Não o aconselho facilmente a qualquer pessoa, que a estrutura repetitiva da escrava que é salva mais um dia, para contar mais uma história, rapidamente pode aborrecer algumas pessoas, mas a quem não tiver problemas com isso, digo para não hesitar! E quem tiver problemas, que experimente, ou que pelo menos veja os desenhos. Valem bem a pena.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Vingadores: O Último Acto (Marvel Salvat #2)


Argumento: Brian Michael Bendis
Arte: David Finch, Danny Miki, Frank D'Armata
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: Começo a achar que as histórias dos Vingadores não têm muito para me dizer. Para além de sofrerem de um óbvio problema de chefia (o verdadeiro super-poder do Capitão América é, na realidade, a liderança), não me conseguem cativar de uma forma geral.

Grande parte vem do facto de não fazerem sentido. São a maior e mais poderosa equipa de super-heróis de sempre, e deixam-se enganar, vez após vez, por coisinhas menores.

Neste caso há uma personagem que volta a fazer das suas e que já não me surpreende (a sério, quantas vezes é que vão ter de morrer quase todos, antes de perceberem?

Enfim, o livro não é completamente desinteressante e tem uma boa premissa: as desgraças começam a acontecer em catadupa, tudo em cima dos Vingadores, sem que alguém faça a mínima ideia do que se passa realmente.

Até morrem alguns dos Vingadores, incluindo personagens mais ou menos não-secundárias. É um ponto positivo, dar consequências reais e palpáveis aos acontecimentos do passado. Digamos que é daquelas coisas que eu procuro sempre em qualquer história que veja/leia/oiça/o-que-quer-que-seja. Densidade narrativa, logo a seguir à coerência narrativa.

Este livro falha um pouco em ambos os campos e nunca deixa de ser um livro razoável. Tenho sempre pena destas coisas, pois até costumam ser histórias com bastante potencial, como este.

Ainda por cima o fim deixa mais do que um pouco a desejar. Há tantas personagens envolvidas em cada página, que não é fácil seguir e acompanhar toda a gente, o que não é bom. Pelo menos o úlimo capítulo está bem feito, graças à arte original de cada uma das histórias mencionadas, numa iniciativa que merece ser louvada!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Batman: Presa (Batman #6)


Argumento: Doug Mench
Arte: Paul Gulacy, Terry Austin, Steve Oliff
Tradução: José de Freitas, Filipe Faria


Opinião: Nada mau. A capa, excepcional, prometia. Mas ao abrir tive que refrear um pouco as minhas expectativas. A arte tinha aquele aspecto clássico relativamente banal que não me motiva por aí além. Mas ainda havia esperança para a história, como é óbvio.

Passadas algumas páginas tive que me considerar impressionado com a abordagem adulta e o vilão, Hugo Strange, um homenzinho estranho e peculiar que consegue entrar na mente do Batman de uma forma que poucos vilões alguma vez o conseguiram fazer.

Toda a história acaba por girar em torno disso: existe alguém que subverte os papéis e manipula várias pessoas, incluindo o próprio Batman, de forma a torná-lo, não pela primeira vez, na presa em vez de no predador.

Resulta bem pela eficácia. Strange descobre a identidade secreta de Batman, e percebe aquilo que o atormenta, trunfos que usa até à exaustão, e de forma aterradora. Torna-se interessante por inutilizar todo o arsenal psicológico do Batman, bem como pela forma como evidencia o jogo de poder entre Batman, Gordon, a polícia e os criminosos de Gotham.

No entanto não é um livro que me vá ficar na memória. E para essa parte a arte ajuda, ao não ser particularmente memorável. Mas o livro serviu para uma coisa: o Gordon é que devia ser o protagonista. História atrás de história vejo-me a gostar cada vez mais desta personagem, e a apreciar cada vez mais o seu papel em cada enredo. Isso sim, é impressionante.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Scott Pilgrim no seu melhor (Scott Pilgrim #6)


Autor: Bryan Lee O'Malley
Tradutor: Renato Carreira


Opinião: Uma boa forma de encerrar a saga! Um livro maior do que os outros cinco, em que tudo descamba da melhor forma possível. A personagem de Scott continua a irritar-me, foi um choninhas até ao fim, de sorte em sorte, sempre completamente incapaz de fazer o que quer que fosse. Deram-lhe tudo e fizeram tudo por ele. Enfim.

Mas a melhor personagem revelou-se a Kim, que brilha a todos os níveis possíveis neste volume. É a demonstração final de que o Scott Pilgrim é o protagonista porque sim, já que Kim é uma personagem infinitamente mais interessante.

No entanto é de louvar que depois dos últimos livros me terem desiludido ligeiramente, este eleva novamente a fasquia, e até nem me chateava se a saga continuasse. O humor continua parvo, e o surrealismo continua aparentemente aleatório, como bom surrealismo que é, mas a caracterização das personagens ganha um novo fôlego. Esse facto é impressionante por si só, já que muitas delas tinham perdido grande parte do interesse.

Scott Pilgrim no seu melhor é assim uma boa forma de terminar a saga, e que de certa forma consegue compensar a menor qualidade de alguns dos livros ali pelo meio.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Regresso às Origens (Marvel Salvat #1)


Argumento: J. Michael Straczynski
Arte: John Romita Jr.
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: A minha primeira leitura nesta fantástica colecção da Salvat! E logo a começar com uma boa história do Homem-Aranha, que altera a sua origem de forma retroactiva, ainda que introduzindo alguns elementos que não me agradaram por aí além. 

Pelo menos estão pensados e a coisa foi bem feita. Os diálogos estão bons, especialmente as constantes piadas do próprio homem aranha, igual a ele próprio e uma das personagens com uma representação mais consistente nos comics. Acho que nunca vi ninguém a falhar a essência da sua personalidade. Falharem o Peter Parker é o pão nosso de cada dia, mas o Homem-Aranha? Sempre impecável!

O vilão, Morlun, é intenso e consegue ser assustador, e a introdução de Ezekiel, mais um tipo com poderes de aranhiço, levanta mais questões do que respostas, e embora um dos elementos de que eu não tenha gostado muito tenha sido, exactamente, a história que este conta (e que explica a perseguição que Morlun faz aos heróis aranha), a verdade é que toda a conversa dos totems me deixou muito, mas muito curioso.

Por outro lado, é de destacar o próprio Ezekiel, que merecia as suas próprias histórias... tanto potencial num herói que se recusa a ser herói!

No final, a tia May descobre que o sobrinho querido é o homem aranha, e só acho mal que eu vá ter de esperar tanto para descobrir as consequências. Mas é um óptimo começo para a colecção!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Scott Pilgrim Contra o Universo (Scott Pilgrim #5)


Autor: Bryan Lee O'Malley
Tradutor: Renato Carreira


Opinião: Sem dúvida um dos melhores volumes da saga, se não mesmo o melhor. E porquê? Porque tudo corre mal! Sem Ramona, sem Kim, já sem viver com o Wallace, e fechado fora de casa sem chaves, Scott perde praticamente tudo! Até o baixo! O drama desenrola-se sempre de forma divertida, mas inexorável, e é impossível não sentir alguma pena dele.

Finalmente algo que faz sentido neste mundo quasi-surreal: o inepto do Scott, que não é bom a nada, e que passa os livros todos a evitar fazer alguma coisa e a ser um banana de forma geral, vê-se a braços com uma tragédia. De repente as coisas funcionam como nós estamos à espera no mundo real, e ele perde basicamente tudo.

Já era altura. E assim consegue-se a proeza de tornar a personagem interessante, ao mostrar como é que ele se safa (ou não) da enorme embrulhada em que se meteu. Tudo isto ao mesmo tempo que os namorados maléficos da Ramona continuam a intrometer-se entre os dois, dando origem, como não podia deixar de ser, a algumas cenas de luta verdadeiramente espectaculares.

Algum do melhor humor também está aqui presente, o que faz deste volume, definitivamente, uma boa leitura.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Diabo e Eu


Autor: Alcimar Frazão


Opinião: Sabem o que se faz quando se encontra um livro excelente? Aquela vontade de pular e de reler e de folhear e de contar a toda a gente o quão espectacular é o livro, e tudo isso? Sabem o que é que eu fiz quando acabei este livro?

Nenhuma dessas coisas.

Tinha alguma esperança, pois a arte é muito boa, e a história é uma daquelas que faz parte da nossa mitologia moderna: um acordo faustiano entre o Diabo e um músico, para que este último tenha talento e sucesso para dar e vender.

Todas as dicas, do título ao prefácio, indicam que é exactamente essa a história que vai ser contada. Mas nem por isso. Em vez disso acompanhamos o protagonista durante a sua infeliz, em que vê a sua mãe ser forçada a prostituir-se, ganha um alcoólico abusador como padrasto, e é miserável de uma forma geral.

Não que não seja uma história interessada e carregada com os seus próprios simbolismos: também há uma espécie de acordo feito com uma espécie de Diabo. Mas este livro é basicamente um pecado capital das personagens interessantes: uma história de origem desnecessária.

Da mesma forma que explicar de onde vem o Joker, e o porquê de ele ser como é, lhe tira força enquanto vilão e enquanto personagem, por nos tentarem fazer sentir empatia por uma personagem que é suposto deixar-nos perturbados, também esta história de origem nos vai obrigar a ver o protagonista sobre outro ponto de vista completamente diferente. O que não é bom, neste caso.

Safa-se a arte, que é realmente impecável, e é uma pena que o autor tenha escolhido uma via tão banal, com uma arte tão excepcional e um argumento com algum potencial.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Scott Pilgrim Agora é a Sério (Scott Pilgrim #4)


Autor: Brian Lee O'Malley
Tradutor: Renato Carreira


Opinião: Tan tan tan! A Ramona é bissexual. Ou teve uma fase lésbica. O que preferirem. Então o namorado maléfico que Scott tem de derrotar é uma rapariga. E ele não consegue lutar com raparigas. Então tem que ser a Ramona a andar à porrada, o que até é uma evolução positiva.

No entanto este livro vem anunciado como o melhor da colecção, o que não acredito muito. É porreiro, sim, e até agora é aquele que tem mais desenvolvimento, tanto da história como das personagens, mas deixa algo a desejar.

O surrealismo, que até agora era apenas hilariante e estranhamente ao estilo do humor britânico, passa a aproximar-se da ligeira parvoíce, e isso não é bom. A relação entre o Scott e a Ramona é estranha e fica mais estranha. Mas foi uma boa leitura, e agora tudo depende dos últimos dois livros, a conclusão desta saga!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Em Busca de Peter Pan


Autor: Cosey
Tradutor: Pedro Cleto


Opinião: A arte deste livro convenceu-me logo na capa. Volta e meia ainda aparecia uma página com este estilo, grandiosa, com vastas paisagens cheias de neve. O detalhe é apenas o suficiente para passar uma ideia do tamanho e da beleza daquilo que nos está a ser mostrado.

O que Cosey faz depois, sinceramente, nem me interessa muito. É uma história relativamente banal de um escritor inglês, um dandy ligeiro que se refugia nas montanhas para tentar ultrapassar o seu bloqueio de escritor. Tem uma história de vida com pormenores trágicos, mas é uma pessoa normal.

Faz várias amizades com gente peculiar (e um porquito) e até arranja uma paixoneta. Mas pouco mais.

A outra coisa que vale a pena ver é como Cosey consegue incluir tantas personagens que estão à procura de alguma coisa, como se isso fosse um objectivo por si só. Origina bons momentos de reflexão!

E até a história me consegue cativar, a certa altura, ao ter um final completamente inesperado e surpreendentemente brutal. Fiquei em choque com o que acontece, ainda por cima por ser algo que adiciona carga emotiva à história e a torna muito mais do que uma simples história sobre um dandy!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Scott Pilgrim e a Tristeza Infinita (Scott Pilgrim #3)


Autor: Brian Lee O'Malley
Tradutor: Renato Carreira


Opinião: Scott continua a ser um ignóbil que não compreendo que seja o protagonista. Mas suponho que as suas fraquezas apenas lhe dêem uma camada de realismo, enquanto personagem.

Por outro lado, o 3º ex-namorado maléfico da Ramona é Todd, baixista na mesma banda em que a ex-namorada de Scott, Envy, é vocalista. E é vegan. O que quer dizer que tem super poderes psíquicos. Que lhe são retirados pela polícia vegan depois de ele comer um gelato, que tem leite e ovos.

Há que adorar isto. No entanto é mais um combate que o Scott ganha por ser um tipo sortudo e mais nada. Mas nota-se a qualidade a aumentar, com as histórias cada vez mais reais e cada vez mais fortes, e desenvolvimento real das personagens!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim #2)


Autor: Brian Lee O'Malley
Tradutor: Renato Carreira


Opinião: Continua divertido, exagerado e meta, mas sofre ligeiramente de ser mais do mesmo. As personagens não evoluem grande coisa, e tudo acontece simplesmente porque sim, de forma aparentemente aleatória, incluindo as decisões e acções das personagens.

Desenvolvem-se algumas histórias secundárias deveras interessantes, para compensar. Adensam-se as relações amorosas, com praticamente toda a gente a já ter sido namorada/namorado de toda a gente.

E os namorados maléficos continuam a aparecer. Scott continua a vencer na vida ao ser ao mesmo tempo um tipo sortudo, estranhamente competente, e uma enorme besta no que toca a raparigas: começa a namorar com Knives, apaixona-se por Ramona, namora as duas ao mesmo tempo, acaba com a primeira e depois deixa-se afectar, e de que maneira, pela ex-namorada Envy Adams. Ridículo. Se fosse eu, batia-lhe.

Aliás, a personagem de Scott é o chamado panhonha, um tipo inútil e ligeiramente morto por dentro, incapaz de fazer alguma coisa para além de se queixar, mas tem todas as raparigas atrás dele. E consegue sempre o que quer. Isto faz dele uma personagem no mínimo peculiar, com a qual é difícil de simpatizar.

Mas há pormenores interessantes que prometem, portanto apesar de ter sido uma pequena desilusão, tenho alguma confiança no que vai sair daqui. A ver vamos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Scott Pilgrim na Boa Vida (Scott Pilgrim #1)


Autor: Brian Lee O'Malley
Tradutor: Renato Carreira


Opinião: Divertido até ao tutano, exagerado e bueda meta. É assim o primeiro volume. A história de Scott Pilgrim, um rapaz estranho que só quer é ter uma vida calma. Vive com um amigo gay, dormem na mesma cama, mas não se envolvem. Scott começa a namorar com Knives Chau, uma rapariga de 17 anos que se torna rapidamente a maior fã da sua banda, os Sex Bob Ombs, juntamente com o vocalista (que deve ter um nome mas não é uma personagem particularmente memorável) e Kim, a baterista mais badass de sempre.

Mas tudo muda quando Scott começa a sonhar com Ramona Flowers, uma misteriosa rapariga com vários ex-namorados maléficos.

Só que as coisas ficam muito rapidamente muito estranhas com a Ramona a dizer, do nada, que ela lhe aparece em sonhos porque há uma autoestrada subespacial que passa pela cabeça dele. Foi assim que percebi que não estava apenas a ler uma BD, mas uma BD hiperactiva.

Com a vantagem de também ser bueda meta, graças a uma discreta self-awareness das personagens de que estão dentro de um livro.

Infelizmente, no meio disto tudo, o autor até tem um mundo (relativamente) consistente e convincente, só que decide que, do nada, o Scott é o melhor lutador das redondezas, depois de se demonstrar completamente inepto a praticamente tudo. Soa estranho.

Enfim, tirando essas coisas, é um livro porreiro, com um storytelling muito ao meu estilo, e um humor delicioso. Depois de ler este livro fiquei com a ideia de que os seguintes iam precisar de uma pequena volta na estrutura e na forma de contar as coisas, para não cometerem os mesmos erros que este volume.

Mas a esperança ficou, pois Scott Pilgrim na Boa Vida é um bom começo de saga.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Batman: Gótico (Batman #5)


Argumento: Grant Morrison
Arte: Klaus Janson, Steve Buccellato
Tradução: José de Freitas, Filipe Faria


Opinião: A minha impressão deste livro é que não ia ser grande coisa. A capa parecia-me banal, o título pouco chamativo, e a sinopse pouco avançava que me cativasse por aí além. Mas assim que comecei a ler, mudei de opinião. Isto é interessante!

Grant Morrison é um bom contador de histórias, e claramente muito bom a representar o Batman. A personalidade do Cavaleiro das Trevas, embora não seja o ponto alto, é sem dúvida uma das coisas mais bem feitas nesta BD.

O ponto alto é fácil de apontar, e dá-me uma nova opinião da capa: o ambiente. O gótico, que assenta tão bem neste super-herói, é o foco não só da arquitectura mas de praticamente todos os panéis, muito escuros, mas muito detalhados, ominosos e grandiosos.

A falha vem na história em si, que é deveras interessante, mas não para o Batman. Nem sequer para a DC, que sempre foi mais virada para a ficção científica mais dura. É que esta é uma história que envolve um oculto muito estranho e que fica muito por explicar. Não me agradou, essa parte. Especialmente o facto do Batman aceitar tão bem essa versão dos factos.

De resto só tenho a apontar a enorme coincidência que é o vilão ser quem é, e isso estar ligado de forma tão íntima à infância de Bruce Wayne e à origem do Batman. Eu não teria feito essas ligações, mas eu também não teria contado uma história do Batman que envolve ele aceitar que o vilão é um tipo que fez um pacto com o Diabo para ser imortal durante três séculos.

No fim não é uma má leitura, e a arte realmente ganha muitos pontos a seu favor, portanto não liguem demasiado aos defeitos que apontei, e pelo menos experimentem!