sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os Vingadores #1


Título: Os Vingadores #1
Argumento: Jonathan Hickman
Ilustrações: Jerome Opeña

Opinião: Quando vi no Leituras de BD que a Marvel e a Panini iam lançar estas revistas por cá, a preços acessíveis, delirei! Ainda por cima são as linhas narrativas mais recentes, com sensivelmente um ano de atraso em relação aos Estados Unidos, o que é relativamente pouco.

A primeira conta com os Vingadores, e tem esta gloriosa capa (e contracapa e extra), que quer se goste ou não do estilo, chama a atenção!

Estava bastante curioso para ver como andavam este super-heróis, depois de mais uma crise e um reset ao seu universo. Não fiquei decepcionado. A revista é interessante e parece-me que faz na perfeição aquilo que é suposto: atrair novos leitores.

Sem esquecer os fãs mais antigos, a história junta os heróis do costume com mais-ou-menos-vilões novos, num cenário após o reset da última linha narrativa terminada, dando início a Marvel NOW!.

Estes vilões novos, Ex Nihilo, Abismo e Aleph, são intrigantes, especialmente Ex Nihilo, o criador de vida que quer transformar a Terra num novo paraíso, a partir de Marte. É claro que os Vingadores não ficam muito felizes com isso e tratam de o parar. Esta história é intercalada com o novo dilema do grupo: precisam de mais membros.

Assim, acompanhamos também o Capitão América e o Homem de Ferro a debaterem isso mesmo e a prepararem-se para iniciar uma campanha de recruta de novos Vingadores para a equipa.

A estrutura acaba por ser um pouco confusa, e a arte é "demasiado séria" para o tom humorístico a que os filmes me habituaram. Eu sei, eu sei, são coisas diferentes, mas as expectativas são uma coisa lixada.

De resto estou moderadamente excitado para ler as outras revistas, e tenho a certeza absoluta de que vou pelo menos acompanhar um dos títulos e comprar de certeza alguns dos números especiais (Guardians of the Galaxy? Marvel + space opera? CLARO QUE QUERO). Pela amostra, estou bastante satisfeito.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Que as citações nos caiam em cima [46]


"Um livro serve para nos protegermos do mundo."


A Espera
Rui Zink

A Espera


Título: A Espera
Autor: Rui Zink

Opinião: As minhas expectativas para este conto não era muito elevadas. A ideia que tenho de Rui Zink é a de um pseudo-intelectual com a mania que tem piada. É a imagem que tenho do pouco que sei do homem, e acredito que não corresponda de todo à verdade, mas já lhe li algumas crónicas e nunca vi nada de interesse.

Felizmente A Espera conseguiu surpreender-me. As personagens são cativantes e, no caso de Tom, seriamente enigmáticas. A estrutura é curioso, com vários momentos intercalados, contando em paralelo a visão que Paulo, o jornalista, tem da caça à baleia nos Açores e a sua relação e de Ana, a fotógrafa, com Tom e Sharon, os estrangeiros misteriosos com um pequeno barco chamado Nicole.

O ponto de vista da caça à baleia do ponto de vista do caçador é certamente interessante e diferente do normal, e Rui Zink consegue retratar os caçadores não como vilões, mas como homens a fazerem o que melhor sabem: caçar baleias. Esperar.

Ao longo da narrativa há momentos de um humor bastante particular, que apreciei. A escrita tem alguns vícios, como usar "olfactar" e "cônscio" e palavras menos comuns de uma forma que não me agradou por aí além, mas aceito que seja o estilo do homem e até nem estraga muito a leitura (para além de ser uma questão meramente subjectiva).

O conto consegue ser assim uma boa surpresa, que me deixa curioso para ler um livro do autor. Se conseguirem encontrar este livrinho, experimentem.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

The Final Empire (Mistborn #1)

Título: The Final Empire
Autor: Brandon Sanderson


Opinião: Depois de muito me azucrinarem a cabeça, lá comecei a ler a trilogia Mistborn. Terminado o primeiro livro, The Final Empire, admito que tinham razão: isto é fenomenal!

O mundo criado por Sanderson é bastante intrigante, e a forma fragmentada como ele o apresenta, deixando sempre mais um segredo escondido, está muito bem construída.

No mundo de Mistborn há nevoeiros ameaçadores, chuva quase constante de cinzas, "pessoas normais" e os skaa, trabalhadores/escravos de tal forma oprimidos, e durante tanto tempo, que não têm qualquer tipo de motivação. Uma raça inteira vencida, enfraquecida e rigorosamente controlada.

A governar este mundo está o Lord Ruler, uma criatura poderosa, imortal, o herói que salvou o mundo e o tirano que o controla com mão de ferro.

E por falar em ferro, já ouviram falar do sistema de magia que Sanderson criou? Chama-se Allomancy, e é honestamente badass. Os allomancers engolem metal e conseguem "queimá-lo" para terem certos poderes, como aumentar as capacidades físicas, melhorar os cinco sentidos, atrair ou empurrar metal, e outras coisas que tais, dependendo do metal que for usado. Este sistema de magia tem regras e um funcionamento bem definido, que Sanderson consegue explicar ao leitor de forma simples e sem soar a forçado, ao pôr Kelsier (uma personagem fantástica), um Mistborn, capaz de usar todos os metais possíveis, a ensinar Vin, uma Mistborn recém-descoberta, a usar os seus poderes.

A premissa da história em si é bastante simples: o Lord Ruler é um tirano, Kelsier é um tipo revoltado com o que sofreu, e com as desgraças pessoais que o atingiram, e decide revoltar-se e acabar com o longa ditadura que perdura no mundo. Reúne um bando de poderosos allomancers, todos mais ou menos fora da lei, e juntos põem um plano em marcha.

O truque está nas reviravoltas e nos conceitos que Sanderson inventa. O autor não só não tem medo de tirar o tapete debaixo dos pés do leitor, como ainda tem o descaramento de o enrolar no tapete e o atirar pelas escadas. E o pior é que o faz de forma dissimulada: corre tudo bem, não há assim nada muito imprevisível nem muito repentino, e de repente... BAM!

Já os conceitos, como se a Allomancy não fosse exemplo suficiente, há ainda os Inquisitors, homens com espigões metálicos enfiados nos olhos com as pontas a saírem na parte de trás das suas cabeças, que são demasiado poderosos para o bem de toda a gente. E podia continuar e mencionar os mistwraith, a Feruchemy, os kandra, e o plano secreto do Kelsier...

Ups. Eu disse plano secreto do Kelsier? Queria dizer... Hum... E os Terrisman, claro, os Terrisman.

Mas não pensem que só o Kelsier é que merece as honras da casa, apesar de ser uma personagem interessante, bem construída e extremamente carismática; há ainda que contar com a já mencionada Vin, com Ham, com Breeze, com Sazed (um Terrisman), com Dockson, com Marsh, com Lestibournes/Spook, com Clubs e até com Elend, o mais aborrecido deles todos (mas um leitor revolucionário! I feel you brother!).

Estão a ver de quantos nomes ainda me lembro? Se queriam mais provas de que as personagens são boas... Se mesmo assim isto não vos convence, aviso-vos que mesmo a escrita não sendo nenhum portento, é boa e terrivelmente viciante. O único defeito grande o suficiente para me fazer torcer o nariz é o ritmo da narrativa. A escrita vicia, a história também, mas vi as minhas expectativas a serem constantemente deitadas abaixo, em momentos em que tudo parecia indicar um grande desenvolvimento ou alguma brutal cena de acção, para depois ter mais um momento do grupo a conversar.

Não que não sejam momentos interessantes, mas isso frustrou-me um pouco, ainda que não me tenha impedido de viciar! E levou também a que o autor tenha passado centenas e centenas de páginas a desenvolver, para depois escrever um fim que achei algo abrupto e demasiado simples.

Tirando isso, fiquei bastante agradado que este Sanderson não se tenha revelado um Malazan, mas sim um livro muito bom por si só e como introdução para uma trilogia que promete e que ainda tem muita coisa para contar!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Escrita e leitura


Acho que o que esta imagem diz é bastante óbvio. Trivial, como diria qualquer professor do IST. Um leitor pode ler toda a vida e nunca escrever mais do que o nome e listas de compras, que não se perde nada, mas um escritor tem obrigatoriamente que ter uma enorme bagagem de leituras.

É através da leitura que um escritor aprende muito do seu ofício. É a ler que um escritor arranja muita da sua inspiração. Só conhecendo muitos tipos de escrita e muitas formas de contar uma história, é que um escritor consegue criar algo interessante, cativante e realmente bom.

Já para não falar de que ler nos torna activamente mais inteligentes e cultos, o que é sempre uma vantagem.

Também é sabido que criticar o que se lê afecta a forma como se lê. Quando nos habituamos a olhar para um texto ou um livro de forma mais objectiva, para ultrapassar o simples "gosto/não gosto" e avaliar a qualidade de uma obra, acabamos por o fazer mesmo quando não queremos.

É inevitável notar que aquele autor usou um truque narrativo para prender o leitor, ou que escreveu aquilo assim para permitir o que vinha a seguir. Já dava conta disso por causa das opiniões que escrevia para o blog, mas desde que participo na Oficina de Escrita da Trëma que isso ainda é mais gritante.

Não é que essas coisas me passassem ao lado, mas agora dou por mim a ler a fazer pausas inconscientes na "leitura por prazer" e a pensar "se ele tivesse feito assim, tinha evitado esta explicação e isto lia-se melhor". Sem ser necessariamente aquela sensação de "eu fazia melhor" (já la vou), é ainda assim uma sensação difícil de afastar e de explicar.

Mas eu, sendo o tipo violentamente opinativo que sou, tenho uma opinião: eu acho que a escrita afecta a leitura. Imaginem que vão ver um espectáculo de magia depois de aprenderem a fazer os truques. Não é assim tão impressionante, pois não?

É claro que há maus mágicos, há mágicos medíocres, há mágicos excelentes, e toda uma série de categorias pelo meio, mas o efeito é sempre o mesmo. Eu já sei que aquela carta veio da manga, ou dum bolso dissimulado, e que ele a tirou de lá quando eu estava distraído a olhar para a outra mão dele. Posso apreciar a rapidez com que o faz ou insultar a fraca distracção, mas sei qual é o truque.

Imaginem truques mais complexos, e é isso que quem lê arrisca, quando começa a escrever. Eu cá não me considero um escritor, sou um tipo que escreve há muito tempo, mais por desafio próprio, e que já teve a sorte de ter um mini-conto publicado numa mini-antologia (nunca ninguém me vai calar), mas sinto um bocado isso.

Parecendo que não, eu já escrevo qualquer coisa desde a primária, da qual já saí há coisa de dez anos. Isto quer dizer que passei metade da minha vida com alguma coisa entre mãos a ser escrita. Pequenas histórias mal amanhadas em inúmeros bloquinhos, ou contos de dez mil palavras com reviravoltas atrás de reviravoltas, já tenho alguma experiência de escrita.

Bem, talvez "experiência de escrita" seja uma expressão demasiado forte. Chamemos-lhe "treino em juntar palavras". Pelo menos já consigo expressar ideias e contar histórias, com uma escrita que algumas pessoas acham boa o suficiente para a lerem. Não é mau.

Isto para dizer que sinto o que estava a mencionar ali em cima, especialmente desde que me juntei à Oficina e escrevo com mais regularidade e deixei de encarar o acto de escrever como um mero acto de inspiração e jeitinho para a coisa.

Por exemplo, acabei anteontem de ler o The Final Empire, do Brandon Sanderson, e não vi imediatamente a relação entre as duas personagens principais como sendo uma de pai e filha, como o autor tenta passar; aquilo que vi primeiro foi uma junção perfeita para explicar o mundo criado ao leitor. Uma personagem muito experiente que toma a personagem inexperiente como protegida. Não podia haver melhor forma de familiarizar o leitor com o mundo e o seu funcionamento.

Estão a perceber? É curioso. Eu pelo menos acho, desde que me apercebi. Nem sequer é algo tão óbvio quanto isso, mas sente-se claramente, e convido qualquer leitor a sentar-se e a escrever uma história. Qualquer coisa. Não prometo que sintam a diferença com três páginas de escrita, mas escrevam qualquer coisa e logo dão por ela.

A minha reacção quando me apercebi foi um rotundo "Quem diria?". E é uma sensação boa, confesso. Espero que consigam sentir o mesmo.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Eu, Wolverine

Título: Eu, Wolverine
Argumento: Chris Claremont
Arte: Frank Miller


Opinião: Raramente digo que não a ler qualquer coisa com o Wolverine. É dos meus super-heróis favoritos: para terem noção do quanto gosto dele, vi todos os filmes dos X-Men e ambos os Wolverine. Foi preciso um certo nível de devoção, garanto-vos...

Felizmente, no que a banda desenhada diz respeito, acho que é complicado um autor estragar uma personagem como esta. Eu sei que as más histórias (e as terríveis) dele devem andar por aí, mas até agora nunca me vi muito mal servido.

Este livro não foge à excepção, e eu nem sequer sabia que era a base para o filme mais recente, ou muito provavelmente teria adiado a sua leitura. Não o fiz e não fiquei desapontado.

O retrato de Wolverine enquanto um "samurai falhado" é fantástico. Faz sentido com representações anteriores da personagem, e é pareceu-me ser uma evolução natural na compreensão que o público tem da personagem. Pelo menos eu não estranhei.

As outras personagens já não me fascinaram tanto, mas este Wolverine com problemas, com dificuldades e a debater-se não só com o mundo e os vilões, mas consigo próprio, agradou-me. Não me deu propriamente uma visão nova da personagem, embora talvez o tenha feito aos leitores da altura, mas é impressionante a forma como Claremont e Miller conseguem fazer com que a personagem contraste tão fortemente com o cenário da história, o Japão, ao mesmo tempo que se integra na perfeição.

O equilíbrio é delicado, e só mostra o quão complexa é esta personagem, e o porquê de ser tão popular. Para além das gloriosas patilhas, obviamente.

Uma boa leitura, que aconselho não só a fãs da personagem, mas a toda a gente com o mínimo de interesse, ou até a quem tenha vontade de descobrir o mundo das BD's.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Amo-te para sempre


Título: Amo-te para sempre
Autor: Fernando Alvim

Opinião: Achei este conto um pouco disperso. Até nem está mal escrito, mas os constantes parênteses são apenas palermas. A sério, o conto ficava melhor sem eles, não fazem qualquer tipo de sentido, e aborreceram-me.

É uma técnica que até pode ter alguma piada, mas que quando usada em exagero apenas consegue interromper desnecessariamente a leitura e assim dificultar a vida ao leitor.

No entanto a história não está má: o protagonista está bem caracterizado (que tipo freakazóide do caraças) e o final é, na realidade, um bocado assustador. Aquilo está-se mesmo a ver para onde caminha, mas é perturbador de qualquer maneira.

Em suma, um conto que não me enche as medidas, mas que não achei mau de todo.