segunda-feira, 9 de março de 2015

The Sign of Four


Autor: Arthur Conan Doyle


Opinião: Embora este livro tenha claramente a qualidade que se espera de Conan Doyle, não me encheu as medidas. Até já o tinha lido em português, e gostado bastante, mas desta vez não chegou.

Não sei se será de já conhecer demasiado bem as histórias, e portanto já saber com o que contar, mas a verdade é que não gostei tanto como estava à espera. Gostei, claro, Conan Doyle a escrever Sherlock Holmes é sempre qualquer coisa digna de se ver, mas pronto.

A história até é interessante e misteriosa, como sempre, com intrigas que remontam às ocupações britânicas da Índia, um tesouro misterioso e uma jovem mulher que deixa o Dr. Watson completamente encantado.

Mas até as deduções de Holmes me soaram demasiado secas. O crime parecia impossível de cometer, mas estava-se mesmo a ver o que se passava, e de certa forma até foi demasiado fácil. Eu sei que são as capacidades de Sherlock que fazem tudo parecer demasiado fácil, mas confiem em mim.

A forma de resolução é bastante típica do detective, e até recorre aos seus Baker Street Irregulars, a rede de miúdos vagabundos que tem Londres inteira debaixo de olho, de uma forma praticamente invisível. A estrutura do livro é a mesma da de A Study in Scarlet: depois de apanhado o criminoso, dá-se-lhe oportunidade para se alongar a contar a sua história, num não tão pequeno quando isso desvio do policial que se estava a ler antes.

Enfim, já perceberam a minha opinião. Sinceramente, esperava mais. Não sei o que se passou, eu lembro-me perfeitamente de gostar desta história! Mas pronto, mesmo assim, não achei nada má, e foi uma boa leitura, de qualquer forma.

sábado, 7 de março de 2015

Mais fácil do que uma crónica [4]



Vamos falar de novidades? Há coisas muito interessantes a acontecer um bocadinho por todo o lado (nem consigo falar de todas), e desta vez venho um bocadinho mais focado em filmes e séries.

No entanto, deixem-me começar pelas novidades aqui do cantinho. A tão prometida mudança de visual está demorada, e ainda é capaz de demorar um bocado, mas eu juro que me estou a esforçar para arranjar tempo! Também tenho mais algumas coisas planeadas, principalmente para aumentar a visibilidade do blog, mas tem que ser tudo com calma e paciência.

O que teve sucesso foram os meus pedidos desesperados por mais comentários, que andam em alta, alguns até por mail, e sempre muito interessantes. As minhas tentativas de socialização entre blogs também andam a ter resultados agradáveis, mas ainda é cedo e está-se a revelar mais complicado do que eu esperava.

Mas nada impede de já ter respondido ao desafio proposto pela minha namorada e ao (muito) estranho desafio proposto pela Alexandra Rolo. Espreitem que vale bem a pena!

No campo dos filmes, há algumas novidades importantes. De um lado tenho o Russel T. Davies a dizer que teria todo o interesse em escrever o argumento para um filme de Doctor Who, o que já me deixa excitadíssimo. Davies não só foi o responsável pelo regresso da série, quase vinte anos depois de ter sido cancelada, como esteve ao leme do programa durante umas fantásticas quatro séries que em muito contribuíram para a actual popularidade e qualidade de Doctor Who. Que o homem não se fique pela vontade!

Outra notícia que também me surpreendeu e que passou por todas as fases desde "estranhar" até "entranhar", foi a do novo filme sobre Sherlock Holmes, Mr. Holmes, com Ian McKellen no principal papel. A minha primeira reacção foi obviamente "deixem-no sossegado!", depois vi quem era o actor e "tão velho? mas o tipo é fantástico, por favor não me estraguem isto, deviam era ter ficado quietos, isto pode só pode dar asneira", e finalmente li a premissa e fiquei extremamente interessado.

Baseado em A Slight Trick of the Mind, de Mitch Cullin, o filme promete mostrar um Holmes envelhecido, já reformado, satisfeito a cuidar das suas abelhas, e a combater a velhice. O grande detective, em fim de vida, com problemas de memória? Se explorarem bem a angústia e a forma como o carácter frio e quase mecânico dele evoluiu durante os muitos anos que separam as suas histórias e a sua reforma, ainda por cima com Ian McKellen a fazer de Holmes... Vai ser um filme para me encher as medidas!

Por outro lado, esta era uma notícia de que eu já estava à espera. Era inevitável que a Marvel voltasse a ter alguns direitos sobre o Homem-Aranha, tendo em conta o sucesso dantesco dos seus filmes e a falta de sucesso dos filmes que a Sony fez com a personagem. Mas não deixa de ser interessante! Diria até que isto abre muitas possibilidades, e cada vez fico mais interessado na nova fase da Marvel, com as suas notícias de Black Panther, Ms. Marvel, Civil War, Ragnarok, Inhumans (que já estão a ser introduzidos na série Agents of S.H.I.E.L.D.!), Benedic Cumberbatch como Doctor Strange... Venham daí esses filmes!

Tirando filmes, estou a acompanhar várias séries, e uma em particular deixou-me muito viciado, muito rapidamente. Orphan Black. Clones atrás de clones, plot twist atrás de plot twist, momentos fantásticos atrás de momentos fantásticos... Uma autêntica montanha-russa que vale a pena acompanhar de perto. Podem ver o trailer da terceira temporada (estreia a 18 de Abril) ali em cima.

Para terminar, deixem-me só fazer um bocadinho de publicidade. É que uma das minhas colegas da Oficina de Escrita reuniu coragem para aprender a lidar com o Smashwords, publicou três contos e tornou-se oficialmente numa autora do Goodreads. É a Elsa Leal, também conhecida como Elsa "sou incapaz de escrever pouco" Leal. Leiam os contos que ela disponibiliza gratuitamente, que vale a pena!

Pelo caminho visitem também o Joel G. Gomes, também ele membro da Oficina, e também ele escritor de coisas muito interessantes, como podem ver aqui e também aqui. Além disso já o entrevistei. Acompanhem, leiam e comprem-lhe os livros, que vale a pena, também. Eu tenho ambos, assinados!

E para terminar em beleza, passem pelo meu perfil e gozem com a minha foto. Se ainda sobrar paciência, espreitem o meu conto na Antologia Fénix III. E mantenham-se atentos, que não há-de falar muito tempo para aparecer mais qualquer coisa!

Por hoje em tudo, espero que se sintam curiosos em relação a tudo o que vos mostrei. Daqui a uns tempos há mais.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #2: E então restou um (Universo Marvel #20)


Argumento: Matt Fraction, Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker
Arte: Olivier Coipel, Mark Morales, Laura Martin, Adam Kubert, John Dell, Larry Molinar, Justin Ponsor
Tradução: Paulo Moreira, Filipe Faria


Opinião: Tal como eu me lembrava, esta segunda parte é um bocadinho pior do que a primeira em muita coisa, principalmente por causa das tretas místicas. Não tenho muita paciência para a magia no universo Marvel, de tão mal explicadinha que é. O Dr. Strange é dos poucos heróis envolvidos nisso que suporto, porque ainda faz algum sentido, mas tirando isso...

E foi exactamente isso que apareceu nesta segunda parte. Até conseguiram obrigar o Iron Man a render-se à magia, como último recurso para derrotar a Fénix. Enfim.

Mas é nesta parte que há uma melhor evolução das personagens. O Iron Man sente-se mais culpado do que nunca, depois da sua tentativa de derrotar a Fénix ter resultado em fazer ainda pior, ao dividi-la por cinco mutantes que agora controlam, basicamente, o mundo. Esse sentimento é reforçado pela sua incapacidade em chegar a uma solução para resolver o assunto.

A forma como os cinco mutantes possuídos pela Fénix (Ciclope, Colossus, Namor, Emma Frost e Magik) evolui, caíndo cada vez mais rapidamente numa espécie de loucura e de alienamento de tudo o que os rodeia, também é muito interessante. São praticamente deuses, podem fazer o que muito bem lhes apetecer e modelar o mundo às suas vontades, portanto o que fazer mais? E como lidar com os Vingadores, agora pouco mais do que formigas para eles, que cada vez oferecem mais resistência?

Tudo piora quando estes cinco mutantes se começam a virar uns contra os outros, e as coisas descambam da pior forma possível. O final é interessante, e relativamente provocador. Deixa claramente em aberto o que vai acontecer a seguir, de tal forma este evento mudou a dinâmica das relações no universo Marvel, principalmente entre os X-Men e os Vingadores, e isso é bem visível nas histórias que se seguem (já li alguma coisa).

No geral, no entanto, este Vingadores vs X-Men fica um pouco aquém daquilo que eu esperava, por muito que a leitura me tenha entretido. Mas é também uma boa forma de terminar esta colecção, que me deixou com vontade de comprar as colecções anteriores a esta!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Resposta a "Estantes Emprestadas [14]"


Depois de escrever a crónica mais estranha de sempre, por causa do desafio mais estranho de sempre da Alexandra, ela respondeu-me! E de forma cobarde!

Espero que estejas a ler, para saberes que não escolheste nenhuma personagem, foste apenas perfeitamente genérica!

Mas por outro lado, ela a Alexandra também pensou bem. Nada mais fácil do que uma carne picada, e é importante ter em atenção os vários constrangimentos, que há muitas, mas mesmo muitas personagens, que são certamente intragáveis e pouco saudáveis...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vingadores vs X-Men #1: O Dia da Fénix (Universo Marvel #19)


Argumento: Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman, Matt Fraction
Arte: John Romita Jr., Scott Hanna, Laura Martin, Olivier Coipel, Mark Morales
Tradução: Paulo Furtado, Paulo Moreira


Opinião: Já tinha lido esta história em inglês, e ficado fã. O plantel de argumentistas e de artistas é honestamente impressionante e mais do que razão suficiente para alguém se sentir minimamente curioso relativamente a este Vingadores vs X-Men. Ainda por cima com uma premissa com tanto potencial como ter as duas maiores equipas de super-heróis da Marvel a lutarem uma contra a outra, por causa da entidade cósmica conhecida como Fénix que já deu tantos problemas a tanta gente.

O início é exactamente esse. A Fénix vem aí. Os X-Men sabem-no e os Vingadores descobrem-no rapidamente, e não demora muito até estarem frente a frente, numa situação muito tensa que culmina no início das hostilidades entre o Capitão América e o Ciclope.

E o problema do livro começa aqui. Eu compreendo que é algo massivo que está aqui a acontecer, mas tudo se tinha resolvido se as personagens tivessem conversado como adultos para tentar resolver as coisas, em vez de se armarem em macho men e desatarem logo à porra. Além de que o papel da Fénix, como eu já tinha dito antes, é estranhamente acessório e secundário, para algo tão importante no Universo Marvel, especialmente quando se fala de mutantes.

Mas nada disto estraga as excelentes cenas de pancadaria, sem grandes rodeios. Claro que cai sempre naquela lógica estúpida de "vamos atacar, mas um de cada vez e contra alguém capaz de aguentar connosco" em vez de atirarem o Magneto para estraçalhar o Wolverine, ou algo parecido. Já o disse na opinião anterior e continuo a dizê-lo!

A arte, essa, oscila entre o bom e o mediano, portanto não me chateou muito. Sempre que a Fénix aparece, fizeram disso algo grandioso e espectacular, o que é bom, mas de vez em quando há uns momentos mais fracos que deixam muito a desejar.

Toda a evolução do enredo é feita a um bom ritmo, e este livro termina num ponto crucial, com o Ciclope, já depois de semi-possuído pela Fénix, a dizer "Chega de Vingadores.", ecoando o "No more mutants." da Scarlet Witch, no final do evento "Dinastia M". É um bom final e um óptimo ponto para parar e esperar pela leitura do livro seguinte. Se bem me lembro, há algumas coisas que pioram, com a introdução de umas balelas místicas e tal, mas vai continuar a ser interessante, isso sem dúvida!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Que as citações nos caiam em cima [60]


"This golden droid has been a friend, 'tis true,
 And yet I wish to sill his pranting tongue!
 An imp, he calleth me? I'll be reveng'd,
 And merry pranks aplenty I shall play
 Upon this pompous droid C-3PO!
 Yet not in language shall my pranks be done:
 Around both humans and the droids I must
 Be seen to make such errant beeps and squeaks
 That they shall think me simple. Truly, though,
 Although with sounds oblique I speak to them,
 I clearly see how I shall play my part,
 And how a vast rebellion shall succeed
 By wit and wisdom of a simple droid."

R2-D2 em Verily, a New Hope
Ian Doescher

Verily, a New Hope (William Shakespeare's Star Wars #1)


Autor: Ian Doescher


Opinião: Se alguém achar que precisa de sinopse para este livro, que se esconda. Não podia ver nada mais literal. William Shakespeare's Star Wars: Verily, a New Hope, é exactamente isso: o primeiro filme (e quarto episódio) de Star Wars, A New Hope, contada como se fosse uma peça de teatro escrita por William Shakespeare.

Agora estão todos a pensar que isto é muito estranho. É, é um bocado. Mas por outro lado, é das coisas mais fantásticas que já me veio parar às mãos! Querem uma prova?

"I find thy lack of faith disturbing."

Digam-me, honestamente:


É que eu estive mais do que entretido durante todo o livro. Há qualquer coisa de fantástico em ver esta obra de ficção científica (ou fantasia, depende de quem perguntarem) escrita neste estilo clássico e muito próprio de Shakespeare. Está absolutamente impecável, de uma ponta à outra!

A melhor parte é que conta exactamente a história do filme, com uma mera adaptação a nível estilístico. Poucas coisas me agradaram mais num livro do que acompanhar as desventuras de C-3PO e R2-D2 em pentâmetro iâmbico. Entre outras coisas, é deliciosamente nerdy.

E Doescher ainda conseguiu fazer disto um livro seu, ao incorporar alguns pormenores que mudam ligeiramente a forma como nós percebemos as coisas. Por exemplo, o R2-D2 só comunica nos seus habituais apitos e zunidos, mas quando faz apartes para o público, fala normalmente. É então que acontece magia, com o dróide a ganhar uma dimensão que é muito mais subtil no filme: a de herói ignorado, ou a de único ser razoável nas vizinhanças.

A sério, fiquei honestamente espantado, e só me resta agradecer à minha namorada por me ter oferecido este livro. Ainda por cima a edição em capa dura, com ilustrações simplesmente fantásticas (como podem ver na capa), é das mais bonitas que tenho nas minhas estantes.

O único problema é que agora quero preciso de ler o resto dos livros! E aconselho vivamente a que façam o mesmo, especialmente se forem fãs de Star Wars. Ou Shakespeare. Ou ambos. Ou nenhum. Este livro é divertido o suficiente para toda a gente!