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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Conversas Imaginárias 2015


Devido às obras na Biblioteca de Telheiras, este ano não foi possível haver Fórum Fantástico. Mas o Rogério Ribeiro e o João Campos, incapazes de estarem quietos, lá se esforçarem para trazer um mini-evento em substituição. Estas Conversas Imaginárias, que pelo que percebi, já se tinham feito noutros anos.

O resultado foi positivo. O espaço partilhado entre a livraria Fyodor e o Café Ideal foi pequeno para tanta gente que lá apareceu de início e que lá esteve durante boa parte da tarde, mas chegou. O único defeito foram mesmo os problemas de som, já que sem microfones, com barulho de pessoas aleatórias a comprar livros na Fyodor, tornou-se difícil ouvir certas partes das conversas.

No entanto foi bom ver António de Macedo a falar bem como sempre, e a anunciar livros e filmes como se fosse um jovem, apesar da saúde fragilizada. Só por isso valeu a pena!

As três conversas, Universos Partilhados, O Fantástico e o Real, e Iniciativas em Comunidade foram todos muito interessantes, com convidados como Luís Filipe Silva, João Barreiros, o já mencionado António de Macedo, David Soares, Carlos Silva pela Imaginauta, o responsável da H-Alt, a Liga Steampunk, Ricardo Lourenço pelo Projecto Adamastor, e João Campos, Artur Coelhos e Cristina Alves a juntarem-se a João Barreiros para a já habitual sessão de recomendações que dura mais do que devia.

Pelo meio houve ainda tempo de se venderem os primeiros exemplares da Colecção Barbante, que inclui um conto meu, muito convívio e muitas conversas entre partes de uma comunidade que gosta de se chatear consigo própria, mas que não resiste a estes momentos de autêntica confraternidade.

Pela minha parte comprei livros recomendados pelo Luís Filipe Silva e editados pelo João Barreiros (A Pegada, de Larry Niven e Jerry Pournelle, ambos os volumes) e um livro aprovado por Rogério Ribeiro (Under Heaven, de Guy Gavriel Kay), recebi uns marcadores impressos em 3D pelo professoris excepcionalis Artur Coelho (duas Enterprise e um Dalek, para partilhar com a namorada) e conheci amigos virtuais (Luiz, foi um prazer).

Uma tarde bem passada, e a prova de que basta esta malta juntar-se que acontecem coisas porreiras.

sábado, 22 de novembro de 2014

Fórum Fantástico 2014


E foi no passado fim-de-semana que se deu o Fórum Fantástico deste ano, na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, também conhecida como o sítio do costume.

O programa foi bom, como já é habitual, mas faltou-lhe ali qualquer coisa... Se fosse obrigado a descrever o que sinto, diria que o programa me pareceu morninho, compreendem? E embora tenha presenciado alguns momentos verdadeiramente fantásticos, também houve alguns que deixaram um pouco a desejar.

Com muita pena minha só consegui ir no na Sexta ao final do dia e Sábado, e foi com o dever de participar na sessão mensal da Oficina de Escrita - que já parece uma coisa profissional, nós quando nos concentramos, concentramos mesmo! - portanto deixei escapar algumas coisas.

Na Sexta queria mesmo assistir ao Debate sobre Blogues de Fantástico, que se revelou fraquito, pois incidiu pouco sobre os blogues e mais sobre a própria abrangência do género em Portugal. Ainda vi a apresentação da Editorial Divergência, que podia ter sido um bocadinho mais cativante, mas não foi nada má.

A primeira coisa a que assisti no Sábado foi ao Painel Tecnologia 3D, com a BeeVeryCreative e o ilustrador José Alves da Silva, moderado por Artur Coelho. Quando começou, eu estava excitadíssimo: tecnologia! impressão 3D! coisas! cenas! quero!, mas revelou-se um painel desapontante, em que a verdadeira informação sobre a tecnologia 3D chegou através do ilustrador presente e da sua experiência pessoal. Não deixou de ser interessante, mas ficou a faltar um representante activo da empresa a explicar as coisas com mais algum detalhe...

Depois foram duas apresentações de livros, Comandante Serralves - Despojos de Guerra, já lido e opinado, e a Insonho, uma antologia de portugueses editada no Brasil, com lançamento previsto para o início do próximo ano, se não estou em erro. O primeiro é bom, apesar das falhas e de alguns contos menos satisfatórios, mas parece ser um excelente primeiro passo deste projecto semi-louco que é o Imaginauta. Sobre o segundo ainda sei pouco, mas é focado no folclore português e promete!

A seguir foi a altura do intervalo, e do grupo da Oficina terminar a sessão, o que nos fez saltar a sessão de Artes Fantásticas e parte da Em torno de Cortázar, que incluiu, na parte que ainda apanhei, uma discussão muito interessante sobre Cortázar, Borges (BORGES!) e outros autores sul-americanos.

O painel com o convidado estrangeiro, Rhys Hughes, foi praticamente sobre o mesmo tema, mas deixou muito a desejar. O homem é super engraçado e afável, mas veio cá e não se falou nem um bocadinho sobre os seus livros. Isso foi, para mim, o ponto baixo do FF este ano (pelo menos do que vi...), terem cá um convidado estrangeiro e porem-no a falar inteiramente sobre outros autores!

Por fim, a entrega dos primeiros Prémios Adamastor do Fantástico, que foram cair no incontornável António de Macedo enquanto Personalidade Fantástica; Nome de Código Portograal, de Luís Corredoura, enquanto Literatura Fantástica Portuguesa; Lisboa no Ano 2000, a antologia organizada por João Barreiros, como Distinção do Público; Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianna Guadalupi, para Literatura Fantástica Estrangeira; O coração é um predador solitário, conto de João Barreiros presente na Lusitânia #2, enquanto Ficção Fantástica em Conto; e por em Dog Mendonça e Pizzaboy III: Requiem, de Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa, para Ficção Fantástica em BD.

Tudo escolhas que me pareceram altamente acertadas. Só não me pronuncio sobre o livro de Luís Corredoura, porque ainda não sei quase nada sobre ele, mas a descrição que foi feita durante a sessão deixou-me intrigado.

No Domingo gostava muito de ter conseguido ir, especialmente pela já tradicional sessão de sugestões, mas enquanto não inventarem uma máquina do tempo, posso sempre guiar-me pela recolha que o João Campos fez no seu tumblr.

Com tudo dito, resta-me expressar o meu contentamento pelas bancas de livros presentes do lado de fora do auditório, e o meu desagrado pela já gritante pequenez desse espaço, para o evento em que o FF se tornou.

E agora a minha parte favorita, para finalizar: o caça-autógrafos ataca outra vez! O ano passado consegui oito, este ano ultrapassei-me e consegui dez para mim mais quatro para a minha namorada (incluindo um do próprio Rogério Ribeiro)! Isto mais ano menos torna-se em algo sério e as pessoas já sabem o que esperar assim que virem o tipo barbudo com um ar conspirador... Mas vejamos o que consegui para mim!

A começar pelo Luís Filipe Silva e as piadinhas sobre sangue, no seu conto em Ficções Científicas e Fantásticas:


Depois um Comandante Serralves muito composto, com a equipa quase completa a deixar a sua marca:






Dois do Joel Gomes, colega e amigo da Oficina de Escrita:



E agora, caríssimos nerds, a jóia da coroa. Chorem, chorem muito, pois não só eu sou o tipo que encontrou dois Terrariums à venda, o primeiro foi parar às mãos do João Campos, e o segundo às minhas - o que já me valeu o título honorário de traficante de Terrariums - como sou o tipo que tem o Terrarium autografado por ambos os autores:


É assim, senhoras e senhores, que se faz história. Mais um Fórum Fantástico em cheio, mesmo tendo faltado a muita coisa. Agora vá, tentem lá descobrir onde moro para me virem roubar o Terrarium. Autografado. Aviso que tenho ninjas.

sábado, 8 de novembro de 2014

Mais fácil do que uma crónica [1]



Sejam bem-vindos à primeira instância de algo que me vai dar muito jeito! Reparei nos últimos dias que a minha capacidade de acumular coisas interessantes é imensa, e portanto nada melhor do que partilhar as minhas descobertas. E já agora, ter menos trabalho do que a escrever uma crónica...

Comecemos pelo marco importante da vida deste blog: após 5 anos, cheguei às 200 mil visitas, o que já é qualquer coisa digna de se ver! Acho que estes números fazem desta estante um "pequeno blog amador" profissional, o que é algo muito engraçado de dizer às pessoas.

Mas é assim que me considero, tal e qual. Isto é claramente amador, mas já tenho regularidade, trabalho investido e - espero eu - qualidade, para me considerar um amador profissional. Isto já é claramente mais do que um passatempo! Mas este rótulos são só para me divertir, o essencial é que eu possa continuar a dizer parvoíces e que vocês as possam continuar a ler e a apreciar.

E por isso, um obrigado.

Continuemos agora com as novidades a sério. Primeiro há a nova iniciativa da Imaginauta, a Operação Livros no Sapatinho, que tem o objectivo de pôr mais gente a ler através dum incentivo à troca de prendas literárias este Natal. O que apoio incondicionalmente. Especialmente se forem para mim. Estão a ver aquela imagem? Não estou a brincar. Não preciso de mais meias, preciso de mais livros!

Para balançar a coisa, também gosto bastante de dar livros, portanto não se preocupem. E daqui a uns tempos darei mais notícias, possivelmente novidades, sobre este projecto.

Depois é preciso não esquecer que no próximo fim-de-semana há Fórum Fantástico, ainda sem programa revelado (será revelado hoje, às 17, na FNAC Chiado!), mas já com a indicação dos novos Prémios Adamastor do Fantástico, uma iniciativa fantástica para premiar principalmente o que de bom se faz por cá na área do Fantástico. E com a particularidade de, se forem ver na secção de contos elegíveis, ter lá o meu nome!

Sim, a minha modesta participação na Fénix III é tecnicamente elegível para os prémios Adamastor deste ano! Deixem-me que vos diga que é daqueles pequenos prazeres da vida que já ninguém me tira. É claro que não vou ganhar nada, já viram o resto da lista?, mas vão haver mais edições, e mais escritos meus (espero eu), portanto... Um dia!

Mas nem só de Fórum Fantástico se fazem os eventos de Novembro... Há também o Episódio III dos Mensageiros das Estrelas, um encontro com um programa interessantíssimo sobre o Fantástico, a Portugal Time Lord Academy e um evento do Whoniverso para celebrar o aniversário da série.

Só coisas interessantes, isto é uma desgraça... Mas falta uma que me é especial. Já ouviram falar dum tipo com uma máquina de escrever antiga que anda por aí a fazer retratos escritos das pessoas, e a escrever-lhes cartas e essas mariquices todas? Pois é, é meu primo, chama-se André Pereira, e lança o seu primeiro livro, chamado pequenas estórias de muitas vidas, este fim de semana.

Hoje em Leiria, amanhã em Lisboa, aconselho-vos a ir. Eu não vou conseguir, que Leiria fica-me longe e no Domingo trabalho, mas hei-de ir à apresentação do próximo, de certeza. Como é óbvio, sou um suspeito um bocado parcial neste assunto, que ele é meu primo e basicamente o culpado de eu me ter metido nos blogs, mas não deixarei de ler o livro com o mesmo espírito crítico de sempre... Talvez não seja tão mau como às vezes sou, se o livro não for muito bom, e talvez seja mais gozão do que seria normalmente, mas tenho a certeza que não vou ter problemas: sei bem a qualidade dos escritos do André.

E sim, há-de ser entrevistado. Não se escapa.

Para finalizar, gostava de publicitar aqui um concurso de escrita de horror e dois artigos muito interessantes que li esta semana, uma cronologia da ficção gótica, com links para ebooks e tudo, e um artigo que me foi mostrado pela minha amiga louca de Letras, a Beky, sobre como o pessoal de Ciências também sabe escrever umas coisas.

Este último ponto dava um artigo por si só, mas vou-me abster, pelo menos por agora! Acabei por escrever mais do que para uma crónica, mas garanto-vos que deu menos trabalho, portanto o título ainda se aplica. Agora já sabem, Fórum Fantástico, Portugal Time Lord Academy, Mensageiros das Estrelas, o lançamento do livro do meu primo, comecem a escrever contos de horror e não se esqueçam de oferecer livros este Natal!

sábado, 30 de novembro de 2013

Sugestões FF 2013

Ainda no rescaldo do Fórum Fantástico, e depois de até já ter sido apelidado de mentiroso com bastante veemência por um autor que admiro, venho fazer a minha parte de serviço público.

Ao longo do evento, como devem imaginar, foram várias as sugestões de livros, filmes, séries e jogos que foram aparecendo.

Como é óbvio, não consegui apanhar nem metade, mas como geek e eterno curioso que sou, lá estive de caderno na mão, a apontar o máximo possível.

Felizmente há as sugestões feitas durante a já tradicional sessão de... sugestões, com Artur Coelho, João Barreiros e João Campos, estão devidamente compiladas no blog deste último. Eu e o resto da comunidade agradecemos.

Mas houve mais, muito mais! Aviso já, no entanto, que é possível que me engane e deixe aqui outra coisa qualquer com o mesmo nome mas temática parecida. Avisem-me! E o mesmo é válido para o caso de terem alguma coisa a acrescentar, que se lembrem de ter ouvido e não apareça aqui.

Agora vamos lá. Além de vos dizer para passarem pelos deviantArt da Marta Patalão e do David Sequeira, que estiveram presentes no painel sobre ilustração fantástica, mostro-vos esta série, The Returned, com uma premissa original sobre pessoas que voltam dos mortos. Só não tenho é a certeza se foi falada no painel de ilustração, mas nas minhas notas está no mesmo sítio...

A partir daqui as minhas notas perdem toda e qualquer sequência lógica. As coisas dignas de serem apontadas começaram a ser disparadas a uma velocidade tal que é mais fácil perceber o Finnegans Wake do que as minhas notas.

Desde os filmes do Romero ao The Fly, de David Cronenberg, passando por Wes Craven, há filmes para todos os gostos. Bem, mais ou menos. Ainda houve tempo, provavelmente no painel do terror, para relembrar o Dracula e o Nosferatu originais, e falar de uma obra de spoken word semi obscura de David Soares, o Lisboa.

Em termos de autores, e isto sei que foi na sessão do Workshop de escrita, com o Luís Filipe Silva, o Rogério Ribeiro e o Ian McDonald, foram mencionados vários autores: Jack Vance, Robert Silverberg, Ursula K. Le Guin e Harlan Ellison. Ainda nesta sessão falou-se de Cloud Atlas, de David Mitchell, tanto o livro como o filme.

Por fim deixo-vos os livros mencionados na sessão de história da literatura fantástica portuguesa, com António de Macedo e Luís Filipe Silva. São todos antigos, e a maior parte bastente difíceis de encontrar. Mas ainda no outro dia vi O diabinho da mão furada a 5 euros, numa edição toda fancy...

  • Amadiz de Gala, Vasco Lobeira
  • Palmeirim de Inglaterra, Francisco de Morais
  • O diabinho da mão furada, António José da Silva
  • A noite no castelo, ... Castilho
  • Lisboa no ano 3000
  • Euro Novela, Miguel Vale de Almeida
  • A Ameaça Cósmica, Luís de Mesquita
  • Através do Espaço, Frederico Cruz
  • Viagem ao século XXX, Manuel S. Teixeira
  • Mensageiro do Espaço, Luís de Mesquita
  • Eles chegaram das estrelas, Fernando Melim
  • Não lhes faremos a vontade, Romeu de Melo

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Fórum Fantástico 2013

Sabem o que é ter um fim de semana em grande? Eu sei, e de que maneira. Vénias ao Fórum Fantástico deste ano, vénias!

Peço desde já desculpa pelo tamanho deste post, vou tentar que não aborreça. E qualquer semelhança entre mim e uma miúda histérica é pura coincidência, eu não fiquei assim depois de ter MONTANHAS de livros assinados (já lá chego).

Consegui ir os 3 dias, mas não a tudo, infelizmente. Foi mesmo uma pena, porque tive que falhar algumas coisas bastante interessantes, e às quais queria ir. Mas vamos lá. Escusado será dizer que o incansável Rogério Ribeiro estava em todos os painéis e em todas as sessões, a moderar, a discursar e a ser invariavelmente extraordinário, um homem que parece que não se cansa e que demonstra um amor à camisola tão grande que me sinto envergonhado das minhas tentativas de fazer coisas.

Sexta-feira, 15/11/2013

Isto começa logo mal, porque não consegui ir à sessão de apresentação dos Prémios Adamastor do Fantástico, que prometem premiar o Fantástico em Portugal, em várias das suas vertentes, com carácter bianual, e da iniciativa Livros da Utopia, com o objectivo de incentivar a leitura nos mais novos, a escrita, despertar a curiosidade científica, dar a conhecer o Fantástico e mais uma série de coisas que podem ver no site do projecto. Ambas as iniciativas me parecem bastante promissoras e irei segui-las atentamente, sem dúvida!

Das sessões a que fui, achei todas muito boas, em particular as Conversas de Horror, com David Soares, António Monteiro, Pedro Santasmarinas e José Pedro Lopes. O escritor, o académico e os realizadores, reunidos numa conversa semi-informal, marcada pelo tom algo agressivo do David Soares, que não esteve nos seus melhores momentos de argumentação, mas que teve também momentos bastante interessantes, como quando falou da diferença entre horror (nojo, repulsa) e o terror (no sentido de ficar assustado), num diálogo bastante interessante com António Monteiro.

David Soares, António Monteiro, Pedro Santasmarinas,
José Pedro Lopes e Rogério Ribeiro
Os dois realizadores falaram um pouco das suas curtas de horror exibidas minutos antes, e com as quais concorreram ao projecto ABC's of Death 2. M is for Macho e M is for Mail não são espectaculares, mas têm a vantagem de me terem surpreendido: nunca tinha visto um zombie a fazer uma placagem, nem um espírito vingativo a começar a matança por trincar a genitália da vítima.

A conversa evoluiu bastante bem, com alguma participação do público presente, e permitiu ouvir opiniões como "Portugal tem demasiado Sol" para ter uma tradição de terror e horror, ou que simplesmente não temos muito essa tradição.

Mas antes disto fui a 2 outras sessões: a primeira foi a sessão de videojogos, interessante, com o João Campos e o Ricardo Correia, este último vestido à Tenth Doctor, com sonic screwdiver e tudo (filho da mãe!). Ambos falaram sobre os jogos que andam aí a sair e a surpreender, como a aventura point-and-click de Walking Dead, ou o hilariante Don't Starve e um jogo inesperado em que somos um agente da fronteira e temos que decidir quem passa e quem fica. Ah, e pelos vistos o visual retro está a voltar em força!

João Campos e Ricardo Correia
De seguida uma bastante engraçada sobre ilustração fantástica, com a Marta Patalão e o David Sequeira, a primeira nervosa como tudo, o segundo bastante relaxado e engraçado, ambos a mostrarem uma arte muito boa e projectos interessantes, especialmente a Marta Patalão, com o seu futuro webcomic de steampunk.

David Sequeira, Marta Patalão e Rogério Ribeiro
Ainda neste dia aproveitei para experimentar a secção de jogos, que tinha um tipo da 1up Gaming Lounge extraordinariamente simpático e com uma barba badass.

Sábado, 16/11/2013

Este dia sim. Valeu a pena que foi uma coisa parva. Começou cedinho com uma sessão de Workshop de Escrita da Trëma, com Ian McDonald, autor de Brasil, River of Gods e outros tantos. Luís Filipe Silva e Rogério Ribeiro estavam nos flancos, mais a ouvir o autor do que outra coisa, sempre a lançar algumas perguntas, mas o desgraçado do homem só precisava de um ligeiro arranque e nunca mais se calava. E dizia coisas interessantes!

Foi uma sessão bem dirigida, com os dois homens da casa a darem bastante espaço ao autor de Brasil para discorrer à vontade sobre escrita, e só foi pena que a audiência diminuída, que contava basicamente com os membros da Oficina de Escrita. Quem não foi é que fica a perder, que não ouviu pérolas como "writing is like a disease", e como é importante fazer perguntas e começar bem novinho. Ou que existem duas fases, antes de se começar a escrever: primeiro pensa-se "eu consigo fazer isto" e depois começa-se a pensar "eu consigo fazer isto melhor" e é aí que começa o descalabro.

Ian McDonald
Gostei também da visão bastante saudável do autor sobre plágio/roubar ideias/pedir coisas emprestadas: "we steal stuff all the time", "Oscar Wilde said: talent borrows, genius steals", "we borrow ideas and respond to the same things". Esta última citação deixou-me a pensar em como tudo fazia sentido. É claro que há vagas de livros sobre a mesma coisa, ao mesmo tempo, os autores estão apenas a responder aos mesmos estímulos que os inspiram a fazer coisas parecidas, seja porque motivo for. Não é necessariamente plágio, enfim, essas coisas.

Mas a pouca gente que lá andava permitiu um almoço em conjunto bastante engraçado, com conversa mais pessoal com o autor e convívio entre os membros da Oficina e companhia, o que é sempre agradável. O Ian McDonald demonstrou-se sempre muito simpático e fez-me decidir a procurar mais livros dele, sacana do homem mais o seu humor contagiante!

De seguida foi o lançamento do segundo número da Lusitânia, que já só apanhei no fim, mas o pessoal responsável pelo menos pareceu-me bastante porreiro e aberto a críticas, o que é muito bom.

O painel seguinte é que é daqueles que vale a pena ver e rever. Luís Filipe Silva e António de Macedo juntam-se para falarem da história da FC portuguesa (sim, ela existe!), e do Fantástico lusitano em geral. Macedo começa por falar de um proto-fantástico, pela altura dos séculos XII e XIII, a que chamou maravilhoso medieval. A partir daí foi vir por aí acima, até o Luís Filipe Silva falar de livros de FC, bem portuguesa, e que ninguém sabe que existem, basicamente.
António de Macedo e Luís Filipe Silva
O conhecimento destes 2 autores/académicos/eruditos/entusiastas é divinal, e é um autêntico espectáculo ficar a ouvi-los a falar do assunto, ainda que o Rogério Ribeiro lhes vá dando na cabeça por estarem a demorar demasiado tempo. Mas hey, valeu a pena!


A próxima sessão foi a apresentação de Brasil, com Ian McDonald, ainda mais alegre, mais uma vez na ribalta. A sessão incluiu um plane of doom, dobrado pelo autor para obrigar as pessoas a fazer perguntas, o que foi genial!

Luís Filipe Silva, Ian McDonald e Rogério Ribeiro
Depois, winepunk, um projecto curioso, que começa com uma antologia (de uma série planeada de 3) que escreve uma história alternativa sobre uma Monarquia do Norte, em que o Vinho do Porto é usado como combustível, e que traz aos holofotes o estilo gótico do Porto. E como não podia deixar de passar, o João Barreiros participa e provou ser o enfant terrible do Fantástico em Portugal, pois pelos vistos andou a enviar mails aos outros autores, à revelia das editoras (Jo Lima e AMP Rodriguez, que tinham a participação especial do Rogério Ribeiro), para lhes moldar os contos!

Jo Lima, AMP Rodriguez e Rogério Ribeiro
Para terminar o dia em pleno, autógrafos dos participantes na antologia, e de Ian McDonald, que se mostrou muito simpático e divertido, o que quer dizer que se riu da minha piada sobre o livro dele.

Saldo no final deste dia, além de todas as experiências? Cá fica:

 



Domingo, 17/11/2013

A primeira sessão do dia, já depois de almoço, foi a Contos Além Fronteiras, com João Ventura, João Rogaciano, João Ramalho Santos e Inês Montenegro, a partilharem as suas experiências a publicarem foram de Portugal.

Surpreendentemente, é mais fácil do que parece. O terceiro João tem contos publicados na Nature, que a revista inclusivamente pagou! A única coisa que fez foi escrever, enviar para lá, ser rejeitado uma data de vezes e ter 3 contos publicados. Eram bons, foram publicados, ponto final, o ele ser português ou não, não influenciou.

E no Brasil normalmente não abrasileiram as coisas! Sempre pensei que sim, confesso, mas pelos vistos limitam-se muitas vezes a trocar algumas palavras, como cave por porão, por não saberem o que é a primeira, de todo. Ou isso ou incluem notas de rodapé.

João Ventura, João Ramalho Santos, Inês Montenegro,
João Rogaciano e Rogério Ribeiro
Foi uma conversa interessante onde se chegou à conclusão de que lá fora há muito trabalho de editing, com os editores e responsáveis a malharem nos contos que são enviados, dizendo que não gostam ou que não aceitam por este motivo e por aquele, o que permite aos autores melhorarem o texto e tentarem enviar outra vez, uma prática que só agora começa a aparecer por cá, e de forma muito escassa, aparentemente.

Depois a fantástica e já icónica sessão de sugestões, com o João Barreiros, o João Campos e o Artur Coelho, em que se falaram de jogos, livros, filmes, tudo dentro do Fantástico, normalmente mais para a FC. Esta sessão é praticamente dominada por Barreiros, que mesmo assim consegue não eclipsar os outros dois intervenientes, dando-lhes espaços, mas o seu estilo assertivo, ácido e honestamente hilariante é mais do que marcante. O homem parece uma criancinha algo macabra, felicíssimo a mostrar os livros e a falar deste e daquele e a discorrer sobre quanto sangue e entranhas os livros têm. E conhece tudo, é ridículo.
Artur Coelho, João Barreiros, GLaDOS e João Campos
No início houve ainda espaço para fazer uma homenagem a alguns dos muitos autores de FC que faleceram ao longo deste último ano, e que parece que alguém anda a fazer alguma razia bastante específica.

O último painel a que fui foi também o mais agressivo. Contou com a presença de Vasco Rosa e Diana Lima, responsáveis pelo projecto Sangue Frio, Nuno Bernardo, do Collider e David Rebordão do recente RPG.

Foi pena a forma como os dois últimos praticamente caíram em cima dos dois primeiros, dois jovens esperançosos e sonhadores, que apenas querem ir para a frente com o seu projecto e fazer algo que os satisfaça e de que possam ter orgulho. O debate ficou interessante, é verdade, mas muito difícil de moderar, com algumas trocas de galhardetes desnecessárias, e atitudes completamente dispensáveis. Só tinha pena do Rogério Ribeiro, que já não sabia bem o que havia de fazer!

E para acabar mesmo o dia em beleza, ainda consegui mais umas coisinhas:





Bem, no geral foi um Fórum Fantástico muito, muito bom, a organização está mais do que de parabéns, especialmente o Rogério Ribeiro que, como já devem ter reparado, é quem anda lá para trás e para a frente, a moderar sessões, a pôr as pessoas na linha, não me canso de dizer isto, e já o tinha achado em anos anteriores, mas o homem faz ali um trabalho excepcional e já tive ocasião, mesmo antes de me vir embora, de lhe dizer o quanto gostei do evento este ano.

Depois há uma coisa que é boa e é má: toda a gente conhece toda praticamente toda a gente, neste meio. Se por um lado isso é mau, porque pode dificultar a entrada de alguém de fora para o "grupinho", por outro lado faz com que as sessões sejam normalmente muito boas sem grande dificuldade, porque a sensação que se tem é a de estarmos todos na sala de estar do Rogério, que está felicíssimo por estar rodeado de amigos e de cromos como ele, e que apenas quer conversar sobre alguns dos assuntos de que mais gosta: o fantástico nas suas várias vertentes, a escrita, a leitura, etc... Por esse lado, é muito bom, e acho que vale muito a pena.

E agora espero que percebam uma coisa. Eu tive livros assinados pelo Luís Filipe Silva, pelo João Barreiros, pelo António de Macedo, pelo João Ventura e pelo Ian McDonald. Entre estes nomes estão alguns dos autores que mais aprecio, portanto compreendem a minha felicidade. Ainda consegui conversar com alguns deles, e são sempre muito simpáticos, o que é extraordinário. E eu ali, a parecer uma adolescente hormonal aos saltos, a pedir autógrafos de um lado para o outro. É que antes de ser espectador, escritor muito amador, ou participante na Oficina de Escrita, sou um fã da maior parte destas pessoas todas, e é uma grande honra e felicidade ter a oportunidade de falar com eles, expressar pessoalmente a minha admiração e ter livros assinados.

Uma experiência sem dúvida a repetir, e que espero que continue com esta qualidade acima da média. A afluência é que esteve de tal maneira que acho que mais ano menos ano a Orlando Ribeiro deixa de ser suficiente!

domingo, 10 de novembro de 2013

Fórum Fantástico 2013


E é já no final da próxima semana, mais uma edição do Fórum Fantástico, a decorrer na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras (pertíssimo do metro).

Entre 15 e 17 de Novembro as conversas, apresentações e lançamentos vão-se suceder, sempre em redor do Fantástico, e de forma bastante abrangente.

Além de literatura, também o cinema e os videojogos têm já bastante destaque neste evento, provavelmente o mais importante evento nacional de Fantástico.

Podem visitar o Facebook e o site do Fórum Fantástico, bem como verem o programa e decidirem o que querem ir ver.

Eu digo já, pela minha experiência de anos anteriores, que é um evento a não perder. O que me está a atrair este ano é o seguinte: as "Conversas de Horror" com David Soares, António Monteiro, José Pedro Lopes e Pedro Santasmarinas; o "Workshop de Escrita Trëma"; a sessão sobre "História da FC portuguesa" com o Luís Filipe Silva e o António de Macedo; a sessão sobre a "Publicação de contos portugueses além-fronteiras"; a já tradicional sessão de "Sugestões de literatura, filmes e jogos", com o João Barreiros, o Artur Coelho e o João Campos.

No entanto há um ponto do programa que me está a deixar estupidamente curioso, e que infelizmente deve ser incompatível com o meu horário. Vou ter que ficar com as informações em segunda mão, mas irei andar atrás delas. Falo da apresentação das iniciativas "Prémios Adamastor do Fantástico" e "Livros da Utopia".

Na apresentação do programa, que ocorreu no Domingo, dia 3 deste mês, foi dito que a primeira é uma iniciativa para premiar o Fantástico em Portugal, algo cuja falta se sente. Não podia estar mais de acordo. Além de que tem um nome fixe.

A segunda iniciativa, também com um nome fixe, parece que é para incentivar a leitura e a escrita, nomeadamente do Fantástico, ou seja, uma coisa em que eu já ando a pensar há muito tempo, que é fazer chegar a literatura e especialmente a Fantástica, a um público mais vasto. Mal posso esperar por saber mais!

Portanto, não percam isto! É um evento muito bom, e que basta acompanhar algumas vezes para se perceber o gosto que quem organiza e participa tem por isto. Um destaque para os organizadores, que acumulam funções com outras coisas e fazem isto mesmo por amor à camisola (Rogério Ribeiro, Safaa Dib e João Campos).

Eu lá andarei, no máximo possível, encantado da vida...