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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Demónios (Universo Marvel #6)


Argumento: David Michelinie, Bob Layton
Arte: John Romita Jr., Bob Layton, Ben Sean, Carl Gafford, Carmine Infantino, Bob Sharen, Bob McLeod, Bob Wiacek
Tradução: Filipe Faria


Opinião: É bom, mas não é assim tão bom. Muitas das críticas que encontrei, incluindo a que vem na contracapa, elevam esta história a uma das melhores histórias do Iron Man de todos os tempos, e embora eu não tenha lido histórias suficientes dele para confirmar ou negar essa afirmação, posso sem dúvida dizer que esta história não me pareceu nada de especial.

Mesmo descontando a ingenuidade das histórias mais antigas, e a arte muito típica da altura, o que sobra é uma narrativa que quer confrontar Tony Stark com o que é suposto ser o seu pior inimigo, o alcoolismo, mas que entre tantos vilões e tantos esquemas secundários, a única coisa que consegue é passar a ideia de que o protagonista é completamente incorrigível e só fazia bem em emprestar a armadura a outra pessoa.

A autêntica batalha que trava com Namor é impressionante, e mais à frente consegue mesmo ver-se o desespero do homem quando se começa a aperceber o mal que a bebida lhe faz, especialmente quando isso começa a interferir com as suas intervenções heróicas, mas para uma história chamada Demon in a Bottle, estava à espera de algo muito mais agressivo e cru.

Queria ver o Iron Man completamente destruído pela bebida, um Tony Stark furioso e exaltado e um Iron Man completamente perdido. Queria ver um super-herói com um problema real e sério de alcoolismo. Mas não é isso que é retratado.

Não é que a leitura tenha sido má, porque não foi. Mas deixou um sabor amargo. É uma história com potencial para enfrentar problemas reais, o que até fez, de certa forma, mas que se ficou por uma intervenção demasiado superficial, na minha opinião.

Aliás, o grande momento de luta contra a bebida surge nas últimas cinco páginas. De um livro com praticamente duzentas páginas. É o que eu digo: nada mau, mas podia ter sido bem, mas bem melhor!

sábado, 22 de junho de 2013

Star Wars: Clássicos 9

Título: Star Wars: Clássicos 9

Guiões: David Michelinie, Mary Jo Duffy
Desenhos: Ron Frenz, Luke McDonnell, Klaus Janson, Tom Mandrake, M. Hands, Tom Palmer
Arte-final: Tom Palmer, Bob Layton
Cores: Glynis Wein, Klaus Janson, Christie Scheele, Stan G.
Tradutores: Renato Neves e José Vala Roberto

Opinião: Estou bastante chateado com este livro. Furioso. Mas já lá vou. É melhor começar pelo princípio.

As histórias neste volume oscilam entre o "hey, que coisa tão fixe" e "epah, bela duma bodega". A partir do momento em que se tem toda uma história em que alguém salva o dia por conseguir cantar e encantar um alien acabado de ultrapassar puberdade... Enfim.

Mas essas criaturas são bastante curiosas. E ridículas. Enquanto jovens são criaturas fofinhas, uns Ewoks mais felinos e com pequenos fatos militares que só ajudam ao seu arzinho de peluche; mas quando chegam à maturidade como que evoluem para seres primitivos e simiescos, com menos de meio cérebro e que cuja principal forma de comunicação é "AAAAARRRRGGGGHHHHHHHHH".

Voltando às histórias, há de tudo um pouco: uma história que nem é boa nem má, uma que não tem qualquer propósito e que serve apenas para encher, uma história final triste, triste, triste, mas não particularmente interessante...

É importante é referir 2 coisas que me agradaram bastante. Uma delas é que lá pelo meio aparece uma história chamada O Aprendiz, sobre, adivinharam, um aprendiz. A história é bastante interessante, está bem construída, expressa bem a inevitabilidade das escolhas do dito aprendiz... Gostei bastante. E como bónus ainda tem a arte, distinta das outras histórias da melhor forma possível.

A outra coisa interessante é o final de uma história sobre um robot fêmea e um rebelde desaparecido. Ao longo da história vai-se criando uma ligação entre essa robot e o dróide protocolar de serviço, C-3PO. E depois no fim... Desculpem estragar-vos a história, se ainda queriam ler isto, mas digamos que a imagem final tem o C-3PO em primeiro plano, com o resto dos heróis a afastarem-se do leitor, e com a chuva que cai a formar 2 rios de lágrimas que o dróide nunca poderia ter chorado.

É uma imagem forte, intensa, emocional e bastante bem conseguida. Foi dos pontos altos deste volume, e uma das poucas coisas que me fez continuar a ler depois do que vou falar a seguir.

Não sei se têm noção, mas estes livros supostamente são paralelos aos filmes, ou seja, contam a histórias dos filmes e ainda o que acontece entre um e outro, e ainda depois. Li a história sobre o primeiro filme, feliz da vida, sobre o segundo filme, idem idem aspas aspas, e mesmo quando já começava a estranhar nunca mais aparecer o terceiro filme, BAM, salta-se um pedaço de história e começa-se a contar a história DEPOIS do terceiro filme.

Num momento procura-se por Han Solo, congelado em carbonite, no outro está ele feliz da vida, rodeado de Ewoks, a trocar charme com a princesa Leia, enquanto o Chewbacca dorme enroscado com os ursinhos de peluche ambulantes nativos de Endor. Fiquei fulo. A sério. O livro em si já era mediano, com este salto no enredo ficou para sempre classificado na minha mente como fraco.

A ver se consigo ignorar isto e avançar para os volumes que me faltam sem ter vontade de trepar paredes.

domingo, 16 de junho de 2013

Star Wars: Clássicos 8


Título: Star Wars: Clássicos 8

Guiões: David Michelinie, Mary Jo Duffy
Desenhos: Ron Frenz, Gene Day, Kerry Gammill, Tom Palmer
Arte-final: Tom Palmer
Cores: Glynis Wein, Christie Scheele, Stan G.
Tradutor: José Vala Roberto

Opinião: Achei este volume melhorzito, pelo menos que o anterior. Mesmo com algumas coisas estranhas que foram aparecendo.

A primeira história é um bom começo, tem um enredo minimamente sólido e interessante, em que as emoções negativas são exploradas sem se recorrer ao Lado Negro da Força nem a nenhuma encontro do Darth Vader com o Luke.

Na segunda, que dá pistas sobre o passado de Bobba Fett, fiquei genuinamente interessado. O caçador de recompensas é uma personagem bastante interessante mas sobre a qual se sabe pouco ou nada, para além de que tem uma armadura porreira. Foi bom ver as suas origens a serem exploradas.

É na terceira que começa a desgraça. Poucas páginas depois de começar, há uma página inteira a fazer um flashback à história imediatamente anterior. Uma página inteira dedicada a isso. É o que se chama encher espaço. Depois há todo um momento em que enganam um Stormtrooper com a seguinte deixa: "olha, tens os atacadores desatados". Foi tão palerma que me deu pena.

E algures no meio desta história, há alguma coisa que é traduzida como "borregar". Pode ser um termo técnico todo bonito e não sei quê, mas ficou tão, mas tão feito... Acho que o tradutor podia ter feito um melhor trabalho.

O único verdadeiro problema que tenho com a história seguinte é um momento que me fez desligar por completo da história, de tão ridículo que foi. Um gajo diz o seguinte, "a estatueta tem mais ou menos este aspecto", enquanto desenha no chão de terra. O resultado? Um desenho exacto e preciso da estatueta, extremamente detalhado. Um desenho feito no chão, apelidado de "mais ou menos assim", e que depois parece ser uma fotografia? Não.

É então que encontram Han! Não, não encontram nada, é tão óbvio. Nem é preciso conhecer a saga para perceber que o enredo desta história estava bastante pobrezito.

Depois vá lá, apareceu uma história minimamente interessante, ainda que o que me tenha feito gostar tenha sido Dani, a alien de pele vermelha com a líbido mais activa das redondezas, que é tão, mas tão engraçada!

A história seguinte é bastante pouco interessante e improvável, digamos que envolve criaturas fofinhas, uma cidade aparentemente abandonada, e umas cassetes guardadas numa sala do tesouro. Ah, e pessoas a voar em balões de ar quente? Porque vai-te lixar nave espacial, quem precisa de ti quando temos balões de ar quente?!

Por fim, as últimas duas histórias passam-se num planeta praticamente composto por água, em que se conhecem uns extraterrestres interessantes mas que não passa disso mesmo. Mesmo a desgraça que acontece entretanto, é tão previsível... Mas pronto, nem foram muito más.

No geral achei que a qualidade melhorou, mas continua abaixo do esperado. Estas histórias deviam ser geniais, há tantas coisas em Star Wars passíveis de serem exploradas! E continuam a não dar quase tempo nenhum de antena a um dos maiores vilões de sempre: Darth Vader. Isso é que me chateia sempre, as histórias são sempre sobre os bons da fita e sobre como é difícil serem os bons da fita... Vão-se catar, eu quero é ver o Darth Vader a estrangular pessoas e a cortar coisas ao meio com o lightsaber!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Star Wars: Clássicos 7



Título: Star Wars: Clássicos 7

Guiões: David Michelinie, Michael Fleisher
Desenhos: Walter Simonson, Joe Brozowski, Carmine Infantino
Arte-final: Tom Palmer, Vince Colletta, Rudi Nebres
Cores: Glynis Wein, Tom Palmer, George Roussos
Tradutor: Renato Neves

Opinião: Embora se mantenha relativamente interessante, só continuo a ler estas BD's porque sou um grande fã de Star Wars. Os argumentos por vezes são bastante ridículos, os diálogos sofríveis, e a arte tem variações brutais entre livros, e às vezes dentro do mesmo livro, e nem sempre o resultado é tão bom quanto isso.

Neste volume em particular, uma das histórias consiste numa personagem a contar a sua história de vida. Tudo bem até aqui. O problema é isto passar-se a meio dum tiroteio. Sim, foi um desses momentos parvos que assalta muita BD de super-heróis, durante os quais está a acontecer a maior parte da acção a um ritmo estonteante, e alguém está a falar que se desunha.

Histórias previsíveis, algumas intensas, pelo menos foi interessante ver uma história com o Skywalker a duvidar de si próprio e a questionar o seu próprio estatuto de herói-bom-da-fita, que nunca tem propriamente razão de ser para além de "sou um dos bons". Algumas das histórias também têm desenvolvimentos demasiado simples, normalmente com Luke a resolver tudo recorrendo à Força, uma das suas melhores armas e da qual só se lembra de vez em quando, curiosamente quando a história se meteu nalgum beco e está a precisar de um milagre para continuar sem matar um protagonista, ou algo do estilo.

E não se preocupem, os soldados imperiais continuam inúteis. Já consumi uma boa dose de Star Wars, entre filmes, séries, paródias e BD's, mas é algo que me deixa sempre de boca aberta. Para o grupo mais poderoso do Universo, o Império deve ter os piores militares de sempre.

Na penúltima história, que envolve ladrões de água, os diálogos e os monólogos chegam a ser verdadeiramente dolorosos. Muitas das vezes o seu único objectivo é explicarem ao leitor o que se passa, o que não se faz num diálogo... É na narração. Ou nas imagens, sendo isto uma BD. Ou confiando que o leitor se lembra do que se passou na história anterior. Enfim.

Já mesmo na última história, os desenhos mudam radicalmente e a história não começa onde acabou, mas algum tempo à frente, sem mostrar grande continuidade directa. Mas pelo menos voltamos a ter direito ao Han Solo! É sem dúvida uma das personagens mais interessantes, e que me parece sempre muito mal aproveitada... Um bocado como o Darth Vader, o Lord Sith super poderoso que passa a maior parte do tempo nalguma nave gigante, a sufocar oficiais, em vez de andar por aí, a usar a Força para exterminar os Rebeldes.

Pronto, é isto, acho que estas BD's cada vez mais são fãs da saga e não para alguém que não tenha particular interesse, pelo simples facto de que não são tão apelativas quanto isso. Têm alguns momentos fantásticos, mas a maior parte do tempo têm uma qualidade mediana. É esperar que a Força esteja com os próximos volumes.

sábado, 4 de maio de 2013

Star Wars: Clássicos 6

Título: Star Wars: Clássicos 6

Guiões: David Michelinie, Chris Claremont
Desenhos: Walt Simonson, Carmine Infantino
Arte-final: Thomas Palmer, Kupperberg, Frank Giacioa, Al Milgrom
Cores: Don Warfield, Glynis Wein
Tradutor: José Vala Roberto

Opinião: Definitivamente melhor que o volume anterior, este sexto livro desta colecção é capaz de ser o que tem o argumento mais bem construído e menos palerma, e os diálogos mais naturais (ainda que nunca verdadeiramente naturais).

Com uma ilustração de boa qualidade, e ainda sem a presença de Han Solo, as histórias desenvolvem-se a bom ritmo e conseguem lidar com uma personagem tão ridícula como Plif, uma espécie de coelho alienígena com poderes telepáticos, sem caírem no absurdo nem no deplorável.

Lando Calrissian, por sua vez, está mais interessante e cada vez mais parecido com um Han Solo num processo de ganhar confiança em si próprio. Já Luke aparece menos, o que nos poupa aos seus dilemas aberrantes e aborrecidos durante a maior parte do tempo. O maior destaque vai para a princesa Leia, uma rebelde com huevos e que vai se vai mostrando como uma personagem muito forte, mesmo que tenha alguns momentos ligeiramente inverosímeis.

E tudo isto sem esquecer a história em duas partes sobre um planeta em que tecnologia de ponta convive com homens de ar ligeiramente medievais que ainda lutam com espadas, e que é o melhor exemplo de uma boa narrativa nesta saga até agora, provavelmente devido ao excelentemente trabalhado narrador, o governante do dito planeta, com uma voz muito própria e que carrega a história com uma carga emocional muito real.

Podem, portanto, confiar que a qualidade desta colecção não se perde nos primeiros livros, e que após um leve interregno volta em grande neste sexto volume e, espero, nos próximos.