sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Wolverine: Evolução (Universo Marvel #18)


Argumento: Jeph Loeb
Arte: Simone Bianchi, Andrea Silvestri, Paul Mounts, Simone Peruzzi, Morry Hollowell, Frank D'Armata
Tradução: José de Freitas


Opinião: A expressão "oportunidade falhada" é-vos familiar? Não? Então leiam este livro e aprendam o que significa! Isto tem o Wolverine, fala sobre o seu passado (mais ou menos), inclui um dos melhores antagonistas do herói com esqueleto de adamantium, Sabretooth, e tem um argumento escrito pelo mesmo tipo que escreveu um dos melhores livros que li nos últimos tempos, Jeph Loeb... E o resultado é bastante mediano.

Há uma narrativa demasiado complicada, relativamente óbvia, e não tão interessante quanto isso sobre uma raça humana diferente dos Homo Sapiens, dos quais o Wolverine e o Sabretooth e mais alguns heróis/vilões/mutantes lupinos são descendentes.

Bla, bla, bla. Explicação ranhosa, ritmo fraco... Os confrontos entre o Wolverine e o Sabretooth ainda se safam, mas mesmo assim... E qual é o problema? Bem, a arte, para começar. Não fiquei nada fã dos desenhos de Simone Bianchi, são demasiado artificiais, por assim dizer. Por vezes até parecem inacabados!

Depois, a história em si. Não é nada de especial, é rebuscada, mas ao fim e ao cabo é banal e óbvia. Não adiciona realmente nada de novo, e explica muito pouco. Dá visões ao Wolverine, cria uma ligação especial entre os vários seres lupinos, dá dicas de um vilão que tudo está a controlar, mas pouco acontece de facto.

Wolverine, sempre uma personagem badass por quaisquer padrões que usem para o avaliar, aqui parece meio perdido, mas de forma idiota. Há vários momentos em que esta personagem, normalmente, resolveria o problema de forma simples, rápida e eficaz, em vez de ficar atarantado e sem saber muito bem o que fazer, como acontece.

Enfim, uma oportunidade completamente perdida, e que ainda por cima tinha muito potencial. É uma pena que Loeb não me tenha convencido quanto aos Lupus Sapiens, porque é realmente uma boa ideia que apenas teve o azar de não ser bem executada.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Resposta a "Estantes Emprestadas [13]"



Fica aqui o que ela disse, bem dito e tudo, mas vou destacar duas coisas:

Assim sendo não tem um blog fechado, não se limita a escrever e publicar, envolve-se com as pessoas, chateia-as - no melhor dos sentidos - e acaba por arranjar maneira das coisas ficarem mais interessantes e de ainda se/nos divertir com isto tudo.

Obrigado! A ideia é exactamente essa, e ainda bem que é isso que está a passar. Espero que haja mais gente a pensar assim.

Por outro lado pensei que explorasses um pouco mais. Talvez o tentar descobrir qual a melhor forma destas coisas acontecerem, porquê, como, não sei. Mais trabalho imaginativo!

Aqui dou-lhe razão. Acabei por dar mais exemplos do que outra coisa, o que não passou de uma forma (nada) subtil de fugir àquilo que ela queria, este tal trabalho imaginativo. Para ser sincero, eu tentei, mas não consegui pensar em absolutamente nada decente, portanto decidi ter uma abordagem sustentável, que fosse capaz de cumprir, em vez de inventar e não sair nada de jeito.

Para lerem o resto, passem pelo blog dela. É relativamente recente e interessante, independentemente de ela ser minha namorada. Temos gostos parecidos, portanto é fácil eu gostar do conteúdo que ela vai tendo por lá, e vice-versa, mas pronto.

Por agora fica assim o primeiro desafio, destas Estantes Emprestadas 2.0, que se estão a revelar mais complicadas do que a primeira ronda!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

The Hobbit - The Battle of the Five Armies


Tolkien, Tolkien, Tolkien... Peter Jackson, Peter Jackson, Peter Jackson... Um faz-me suspirar por não ter escrito mais, o outro por de vez em quando fazer umas idiotices.

Os livros de Tolkien são qualquer coisa. Qualquer pessoa que fale disso nas minhas proximidades, leva com a minha opinião. Todos têm algum defeito, mas são verdadeiramente espectaculares. E épicos, sem qualquer sombra de dúvida.

E se há algo que é preciso dizer quanto aos filmes de Peter Jackson, é que transmitiram na perfeição essa sensação de épico, de deslumbramento total... O caso mais recente e mais paradigmático é o dragão Smaug, uma delícia visual e uma autêntica obra-prima dos efeitos visuais, ainda para mais com o talento vocal de Benedict Cumberbatch, que se entrega de alma e coração ao papel.


Mas depois aparecem as idiotices. Nem falo de ter dividido o Hobbit em três filmes, que o David Soares já falou nisso, e defendeu muito bem a decisão. Este alargamento tem algumas falhas, é verdade, pois inclui coisas perfeitamente desnecessárias, como personagens dos outros filmes só porque sim, e toda uma narrativa amorosa secundária que também não esteve lá a fazer grande coisa. Pormenores!

A verdade é que esta trilogia, juntamente com a outra trilogia, são marcos na história da cinema. Mais a primeira, mas aplica-se na mesma. Filmes grandiosos e espectaculares que adaptam obras extraordinárias de um género frequentemente desprezado. Cada vez há mais filmes baseados em livros de Fantástico, mas quantos com qualidade, e quantos se fariam sem a trilogia de LOTR? Ah pois!

Onde é que eu ia? Nas idiotices? Querem saber qual é a pior? A porcaria do CGI completamente desnecessário. Se há coisa que me enerva é o ar plástico com que os filmes ficam, quando abusam nos efeitos especiais, e foi o que aconteceu aqui. Depois de na trilogia isso apenas se notar no Gollum - o que foi perfeitamente desculpável tendo em conta a tecnologia da altura e a brilhante actuação de Andy Serkis - aqui está um pouco por todo o lado, dos exércitos, aos elfos, aos anões...


Há poucas coisas mais ridículas do que ver um Thorin Oakenshield em toda a sua magnificiência de rei guerreiro anão... Mas com a cara com consistência de cera. Ridículo, absolutamente ridículo. Assim como o Azog, o orc branco, que por algum motivo não foi feito à là pata, mas sim completamente em CGI, tornando-o ridículo e muito, muito pouco assustador.

Pronto, já passou. Ignorando isso é assim, o filme não é propriamente espectacular, mas é bom. É preciso ter em conta a nostalgia de ser o último filme (como se eu acreditasse nisso), mas pronto. Este último é um bocadinho diferente do resto da trilogia, principalmente em termos de ritmo, que me causou alguma estranheza na brusquidão da mudança do Thorin de líder rígido para rei déspota, mas me deixou bastante satisfeito no seu regresso a pessoa decente.

Martin Freeman como Bilbo foi outro achado que compensou grande parte dos problemas do filme. O tipo está para lá de impecável. O seu papel aqui é mais discreto, mas tão ou mais importante do que nos outros filmes, o que é simplesmente extraordinário.


Também é de louvar a capacidade em conjugar as várias histórias - apesar do problema de ritmo que já mencionei - principalmente quanto todas convergem para uma grande batalha épica. Que foi óptima, já agora. Um anão de martelo de guerra a lutar em cima do seu porco couraçado? AH! Fantástico!

Gostava de ter visto um bocadinho mais de Gandalf e companhia, toda a história do White Council. Pareceu-me muito interessante, especialmente por só envolver personagens de peso: Gandalf, Saruman, Elrond e Galadriel. Todos incríveis. Foi pena, mas compreendo que não podiam ter tido muito mais tempo de antena, para a história principal que se estava a contar.

Foi um bom filme, e querem saber o que é interessante? Acho que o universo já ficou contido nestes seis filmes, e relativamente fechado, digamos assim, mas... Quero mais. E acredito que ainda vai haver mais qualquer coisa!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

American Vampire #1


Argumento: Scott Snyder, Stephen King
Arte: Rafael Albuquerque


Opinião: Se alguém achar que não é possível contar duas histórias em paralelo, têm que ler este livro. Uma é contada por Scott Snyder, passa-se em 1920 e tem uma rapariga chamada Pearl como protagonista. Aquilo que lhe vai acontecendo é violento e perturbador, mas Snyder consegue guiar-nos numa história de vingança impulsiva que não perde o interesse.

A outra é contada por Stephen King (yay!) e conta a origem de Skinner Sweets, um vampiro que aparece como personagem secundária na história de Snyder. É uma narrativa que remonta ao Velho Oeste Americano, na altura dos bandidos que assaltam carruagens no deserto, cowboys e pistoleiros afins.

Cada capítulo do livro traz uma parte de cada história, e é muito interessante acompanhar ambas ao mesmo tempo. Dá para descobrir mais sobre o mundo em si ao mesmo tempo que se acompanha o desenvolvimento da história que realmente importa contar, por assim dizer.

E que história! Uma nova raça de vampiros, mais fortes e mais tudo do que a antiga raça europeia, desponta nos Estados Unidos e ameaça destronar e destruir completamente a comunidade vampírica... E tudo o mais que lhes passe à frente.

Só que não é bem esse o assunto da história. Podia ser, era até bastante fácil, mas há uma abordagem muito mais discreta, com foco em duas personagens - Pearl e Skinner Sweets - nas suas viagens privadas de vingança, cada um na sua época. O resto é fácil de deduzir pelo contexto, mas não é imediatamente evidente, porque não é realmente importante. Pelo menos não neste livro.

Imagino que os livros seguintes desenvolvam muito mais essa guerra e esse confronto, mas esta introdução agradou-me muito mais exactamente por não ir por aí. Esta abordagem permitiu que tanto Snyder como King tivessem espaço para as suas histórias sobre um novo tipo de vampiro, resistente à luz do Sol, mais forte, mais rápido e ligeiramente mais sanguinário.

Os dois protagonistas são excepcionais, Pearl por ter uma transição realista da primeira metade da sua história para a segunda metade, e Skinner Sweets por ser uma personagem como só King sabe fazer: badass, engraçado, violento, despreocupado, e ainda com a vantagem de aparecer em duas fases diferentes da sua vida.

De resto, só tenho coisas boas a dizer. Os diálogos são bons e a arte é fantástica, é preciso dar os parabéns a Rafael Albuquerque pelo seu traço estilizado e característico, perfeito tanto para as cenas mais realistas como para os momentos mais loucos e sangrentos do livro. Ambas as histórias evoluem com um bom ritmo e têm bons finais, que me deixaram curioso para ler o volume seguinte, mas não ficaram demasiado em aberto, ou demasiado pendentes, para me estragar esta leitura. Em suma, um excelente livro do princípio ao fim!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Sugestões?

Estou super cansado. Tive o meu último exame na Segunda-Feira que passou, e ainda não recuperei totalmente. Verdade seja dita, também ainda não consegui descansar como deve ser, por vários motivos. Portanto em vez de tentar fazer algo mais decente, para dormir muito menos (escrevo estes textos com antecedência, e este infelizmente está a ser escrito com o relógio a dizer-me que já passa da uma da matina de ontem, ou melhor, de hoje) e falhar miseravelmente em ter algo de jeito, decidi fazer algo muito simples.

Agora que se aproxima a altura em que vou conseguir fazer mudanças aqui pelo blog, que sugestões é que vocês têm? Um amigo meu de artes (que está a sempre dizer que é mágico) já me deu valiosas dicas sobre o aspecto do blog, mas estejam à vontade para dizer de vossa justiça. E sobre outras coisas também.

Caríssimo, fico à espera!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

American Horror Story [T4] - Freak Show


Freak Show foi a quarta temporada de American Horror Story, uma das séries mais interessantes que descobri nos últimos tempos. E claramente a mais perturbadora. A ideia do programa é ser uma antologia de horror, com cada temporada a passar-se numa época e num cenário diferente, com histórias e personagens diferentes, ainda que interpretados pelos mesmos actores (e algumas novas adições).

Despachei a primeira temporada num instante, e depois andei a acompanhar a segunda, deliciadinho da vida. A terceira não me encheu tanto as medidas, mas também gostei. E esta agora foi bastante peculiar, em vários sentidos. Mas antes de começar a falar da série, quero que vejam o genérico desta temporada.



Sim, são sempre assim tão estranhos e perturbadores. Agora quero que vejam o trailer de outra série muita famosa vinda dos mesmos criadores de American Horror Story.



Não, não estou a brincar. Sim, foi exactamente essa a minha reacção, quando descobri. Mas já perceberam a ideia da série, não já?

Durante todos os episódios de qualquer das temporadas, o equilíbrio entre gore e ridículo é muito ténue. E a certa altura há aliens, nazis e possessões demoníacas no mesmo episódio. Estão a ver o calibre disto!

A verdade é que por mais estranho que possa parecer, esta é de facto uma boa série. Uma excelente série, diria eu, que de vez em quando se deixa desvirtuar ligeiramente. Mas nada demasiado grave.

Freak Show é um excelente exemplo disso mesmo. A premissa é perfeita: depois de uma casa assombrada na primeira temporada, um asilo atroz na segunda e uma escola de bruxas na terceira, um circo de freaks é a melhor ideia de sempre para esta quarta temporada. E logo nos primeiros episódios somos testemunhas disso mesmo.

O Lobster Boy, a mulher gigante, a mulher minúscula, a mulher com barba, o homem foca, a mulher que é só da cintura para cima (desculpem o link, não resisti) e tantas outras personagens fantásticas, todas elas peculiares de alguma forma e brilhantemente interpretadas. Bem-vindos ao Freak Show!


No meio de tudo isto, há alguém que se destaca, como se destaca em todas as temporadas, pelo seu enorme carisma e a sua brilhante actuação. Falo de Jessica Lange, cujo único defeito é as suas personagens serem bastante parecidas umas com as outras, de uma temporada para a outra. Se bem que não importa, esta tipa podia fazer metade das personagens numa temporada, que eu via e adorava na mesma.

A mulher é incrível. Tem aquela dignidade de diva em fase de declínio, que mistura muito bem com uma sensualidade que parece ter sido descoberta depois dos sessenta anos (tem actualmente 65) e uma presença que transborda completamente para fora dela própria. Nem sequer é justo, normalmente, tê-la a contracenar com alguém, porque consegue ofuscar um actor bom com bastante facilidade.

Nesta temporada é a dona do circo, Elsa Mars, alemã com um sotaque porreiro, um segredo muito, muito negro, e um sonho de ser uma estrela. É uma personagem fantástica, indecisa entre o amor que tem aos seus "monstros", como lhes chama, e a vontade de ser algo mais. A gravidade que Lange dá à personagem torna-a completamente convincente, logo desde os primeiros momentos e completamente até ao fim.


Mas é preciso dizer a verdade e fazer jus ao trabalho dos outros actores aqui envolvidos. Não o notei tanto nas outras temporadas, embora tenha notado, mas nesta há claramente um elenco maduro, com uma excelente química entre uns e outros, e que conseguiram ter algumas das melhores interpretações que vi em televisão.

Vou evitar falar de Kathy Bates, que faz de mulher barbuda, porque é demasiado fácil. Uma senhora actriz como Lange, é outra mulher incrível que fez um papel do caraças na última temporada - incluindo muito tempo a ser, literalmente, apenas uma cabeça numa bandeja - e que aqui volta a repetir a brincadeira.

Falo por exemplo de Sarah Paulson, que tem sido bastante consistente ao longo da série, tendo inclusivamente papéis centrais pelo menos desde a segunda temporada, e que em Freak Show brilha completamente como Bette e Dot, duas irmãs siamesas com apenas um corpo, mas duas cabeças e personalidades completamente distintas.

Eu nem quero imaginar como terá sido gravar para estes papéis, mas que trabalheira que deve ter sido! E o facto de ela conseguir convencer o espectador de que estão ali, realmente, duas personagens diferentes que tiveram o azar de partilhar o mesmo corpo... Extraordinário e sem dúvida um dos pontos altos da temporada.


Mas há mais, muitos mais, demasiados! Todos os freaks merecem aplausos, muitos deles a serem realmente aquilo que representaram (apenas ligeiramente menos assassinos e tal). Mas e fora dos freaks? Que tal Finn Wittrock como Dandy Mott e Frances Conroy como sua mãe, Gloria Mott, riquinhos da silva, ela toda paninhos quentes e "ai meu rico menino" com ele, enquanto ele é ligeiramente, mas só ligeiramente, um autêntico psicopata?

Pois é. Há toda uma mensagem sobre estas pessoas normais, especialmente o Dandy, serem os verdadeiros freaks, enquanto os freaks são apenas pessoas normais com aspectos peculiares. E muito mais que isso, embora alguns episódios não se consigam decidir sobre o orgulho que os freaks têm em serem chamados freaks.

No entanto, conseguem imaginar alguém que contrata um palhaço assassino, claramente com um ar assustador e maléfico, para o filho adulto se divertir, como se fosse a coisa mais normal do mundo?


Este mesmo, também conhecido por concorrência-ao-It-do-Stephen-King. É que foi exactamente isso que aconteceu com Gloria e Dandy. Estranhos duma figa, é o que é. Aliás, ambas as personagens são fantásticas de acompanhar, a mãe porque é interpretada pela Frances Conroy, que é outra actriz que impõe respeito, e o filho porque é uma personagem verdadeiramente fascinante. Mimado até à exaustão e psicopata até ao tutano, parece não ter a mínima noção de como tudo funciona, e foca-se excessivamente em si próprio. De tal forma que raramente vemos Wittrock a contracenar com mais alguém, e quando o faz é numa posição dominante e chamativa.

Ah, o palhaço chama-se Twisty e tem uma das histórias mais tristes de sempre. Na série acaba por, digamos, se associar com Edward Mordrake, um nobre com uma cara na nuca, relativamente funcional. Para terem uma ideia do quão perturbador é o caso de Mordrake, digo-vos que é das poucas coisas que realmente incomoda a minha namorada, que eu raramente vejo incomodada com alguma coisa. Compreendem?

Falando novamente da temporada, o que é que se retirou destes episódios? Demasiado para uma única crítica, mas o essencial é uma dicotomia curiosa entre ter orgulho naquilo que somos, especialmente se formos diferentes da maralha, e renegar os outros quando são demasiado diferentes. Estranho.

Claro que o essencial, essencial, são mesmo as cenas perturbadoras, como a de alguém a ser serrado ao meio e depois separado e verem-se entranhas a caírem ao chão. Ou umas pernas a serem cortadas. Enfim, só vendo.

Lá pelo meio, nem tudo é mau, e tenho que destacar duas personagens, Pepper e Ma Petite:


Aquela pessoa minúscula é a Ma Petite, e é tão adorável como vocês acham que é. E tem a minha idade. A Pepper foi a primeira personagem a aparecer em mais do que uma temporada (também entrou na segunda, do asilo) e além de ser claramente, e com razão, uma favorita dos fãs, revelou-se como uma personagem extremamente trágica, quando descobrimos a sua história entre o tempo narrativo de Freak Show e o de Asylum.

Esta personagem foi apenas o primeiro elo de ligação entre as várias temporadas, e podem ver facilmente que já existem muitas teorias por aí a flutuar, a maior parte delas muito interessante e que prometem algo que acho que vou gostar de ver: ligações ténues, claramente existentes, mas não demasiado óbvias nem demasiado importantes.

Como já devem ter percebido, adoro esta série. Ainda estou um pouco indeciso quanto a esta temporada, provavelmente a que tinha mais potencial e que a mais o desperdiçou. Delirei com as duas primeiras, fiquei assim-assim com a terceira, e esta agora deixou-me uma sensação estranha. Parece que teve várias oportunidades de ser brilhante, arriscou, e acertou completamente ao lado. É um risco que se corre com qualquer coisa, quanto mais com uma série destas, mas essas alturas fazem com que tudo pareça apenas mais do mesmo, diminuindo o impacto do choque e do horror, que tanto marcaram as primeiras temporadas.

O final em si é porreiro, deu gozo de ver, mas o último episódio é novamente uma montanha-russa de emoções. Quando estava a ver, completamente imerso naquilo, não tive problemas, mas depois de pensar um bocado... Não havia necessidade. Acho que o argumento se esforçou demasiado para fechar algumas das muitas pontas soltas, mas deixou uma grande parte de fora. O que é uma pena, porque como já disse, esta série é das melhores coisas que já vi, e esta temporada tinha tudo, desde a história, às personagens e ao cenário, para ser absolutamente brilhante, e não se conseguiu elevar para além de boa, mas...

Agora é esperar uns meses até ser anunciado o tema da próxima temporada, e se a Lange fica ou vai embora, e quem vão ser as novas estrelas que vão atrair para isto. Desta vez até o Neil Patrick Harris conseguiram convencer! Fico ansioso, mas confesso que espero que melhorem consideravelmente o rumo que estão a tomar...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Que as citações nos caiam em cima [57]


"Há estrêlas de primeira, segunda e mais grandezas, outras cuja classificação é difícil de fixar e ainda outras que os sábios estão por descobrir. Muito parecido com o que se passa com as pessoas. Se houvesse só uma estrêla no céu, os homens matavam-se todos uns aos outros cá em baixo. Foi preciso prometer-lhes que havia uma para cada um."

Nome de Guerra
Almada Negreiros