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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mal por Mal


Título: Mal por Mal

Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradutora: Telma Costa

Opinião: Livro pequeno, praticamente um conto. Não fiquei fã. Até agora tenho gostado do que tenho lido deste autor, mas este achei bastante mediano.

Os temas são os habituais: o glamour e a decadência de um certo estilo de vida americana. Fachadas e hipocrisias, amores e desamores, etc.

Mas desta vez não estava a pegar. Quase até ao fim o livro pareceu-me apenas uma descrição de pessoas vazias, sem qualquer propósito. Nem as pessoas nem a descrição.

A história de um encenador de teatro arrogante, e da sua amada com sonhos de ser bailarina não me estava a convencer. Mas há um momento perto do fim em que tudo muda e permite pôr tudo o que aconteceu em perspectiva. E o final é bom!

Percebo que a ideia talvez até tenha sido esta desde o início: uma história seca e aborrecida, com um acontecimento perto do fim que muda tudo. A perspectiva altera-se e as conclusões tiram-se de forma quase imediata. Mas acho que o autor não executou muito bem, e embora o contraste funcione, não funciona tão bem como poderia. Uma pena.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Estranho Caso de Benjamin Button

Título: O Estranho Caso de Benjamin Button
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradutor: Nuno Castro

Sinopse: Benjamin Button é um homem com uma vida ao contrário: nasce como um velho e à medida que vai vivendo, vai rejuvenescendo, o que lhe permite ver a sociedade que o rodeia com um olhar crítico, mas também experimentar uma série de problemas muito diferentes dos do comum dos mortais. Juntamente com a história protagonizada por Benjamin Button, este volume recolhe as outras histórias catalogadas pelo autor como Fantasias, entre as quais se destaca Um Diamante tão Grande como o Ritz.

Opinião: O conto inaugural, Um Diamante tão Grande como o Ritz, é uma pequena surpresa, que me deixou, logo após as primeiras páginas, preparado para um conjunto de histórias completamente diferentes daquela que já tive oportunidade de ler deste autor, TERNA É A NOITE.

O conto é exactamente sobre aquilo que o título indica: um diamante que é tão grande como o Ritz, que faz da família que o possui a mais rica de sempre, apesar de manter tudo no maior secretismo. E é quando um dos membros dessa família convida um amigo para passar o Verão na sua mansão, que esse amigo, tão deslumbrado pelas riquezas à sua volta, não dá conta do perigo em que se vê envolvido.

De seguida vem o conto que dá o título à versão portuguesa do livro (editada numa colecção de "Livros que deram Filmes"), O Estranho Caso de Benjamin Button. Esta pequena história, que deu origem a um filme, protagonizado por Brad Pitt, conta a história de, adivinhem lá, Benjamin Button, que como toda a gente provavelmente já sabe, graças ao filme e à publicidade em seu redor, nasceu velho e morreu novo. Gostei bastante desta narrativa em que o protagonista rejuvenesce, ao invés de envelhecer, o que lhe permite ter uma visão diferente do mundo que o rodeia.

O terceiro conto, O Tarquínio de Cheapside, não passa de algumas páginas de algo que parece um fragmento de um texto maior. É um pequeníssimo conto bizarro e nada explicativo, que peca pela brevidade.

Por fim, o último conto, Ó bruxa do cabelo avermelhado!, é acima de tudo uma história sobre um homem que se conforma, que tem todas as hipóteses e vislumbra todas as possibilidades, mas que se conforma com aquilo que tem e se submete àquilo que for mais fácil, quase que renegando a felicidade.

Resumindo, apesar de ter um registo bastante diferente de Terna é a Noite, este pequeno livro é uma leitura agradável, que tem como grande qualidade (digo eu) as suas histórias estranhas e bastante imaginativas.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Terna é a Noite


Título: Terna é a Noite
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradutor: Maria Filomena Duarte


Sinopse: Uns anos mais tarde, a jovem actriz Rosemary Hoyt ainda se lembra da forma idílica como conheceu o casal Diver. Os primeiros dias das suas férias na pequena povoação de Cannes, na Riviera Francesa, foram aborrecidos, mas a sorte de Rosemary muda quando conhece Dick e Nicole Warren Diver, acabando por provocar um abalo na relação do casal. O aparecimento do milionário Tommy Braban complicará ainda mais a relação dos Diver. Escrito nos anos 30, o romance é muitas vezes apontado como autobiográfico. Coincide com o internamento da mulher num hospício e com o fim do casamento do próprio Fitzgerald, que acaba por se refugiar no álcool.

Opinião: Terna é a Noite é o primeiro volume daquela que é, muito provavelmente, a melhor colecção que eu já vi sair num jornal: a Não Nobel. O conceito é fascinante (deixo mais sobre este assunto para mais tarde), reúne não uma, mas várias mãos cheias de autores interessantes, e tem uma qualidade estupidamente boa, para aquilo que é normal nestas colecções.

Ora bem, quanto à história, que é, muito provavelmente e como vi escrito algures, autobiográfica, tenho a dizer que me parece ser um perfeito retrato da decadência de toda uma geração, na primeira metade do século XX, nomeadamente a americana. Numa época em que ser diletante era a norma, ou seja, muitos sonhos, muitas iniciativas, mas poucos resultados, o livro começa por relatar a história de Rosemary, uma jovem actriz, e da sua mãe, que gere a sua carreira. Praticamente toda a primeira parte do livro é dedicada a estas duas personagens, principalmente a Rosemary, dando até a entender que aquela é a personagem principal, quando na realidade são duas personagens que ela conhece que são as principais, apesar de a jovem actriz também ter alguma relevância ao longo de toda a obra.

Essas personagens são Dick e Nicole, os Diver: ele, um psiquiatra com aspirações a escritor, é uma pessoa encantadora, que é apresentado como sendo perfeito, especialmente quando visto pelos olhos de Rosemary, mas que se revela como um ser atormentado; ela, uma pessoa deslumbrante, com um passado que não gosta de lembrar e um pequeno grande segredo, que tenta a todo custo manter escondido da sociedade em geral.

A segunda parte do livro dedica-se as estas duas personagens, contando o seu passado até ao momento em que conhecem Rosemary, e continuando a partir daí, especialmente no que toca Dick, que começa a segunda parte como um jovem sonhador e ambicioso, mas que é confrontado com uma vida demasiado turbulenta e com uma mulher com um passado difícil que por vezes encontra o seu caminho até ao presente. Isto leva a uma lenta decadência, paralelamente a toda a geração, que o faz terminar a segunda parte num estado verdadeiramente deplorável e que o marcará para o resto dos seus dias.

Na terceira parte do livro nem Dick nem Nicole são os mesmos. Nem Rosemary! Esta, de criança inocente, acabou por se tornar numa jovem mulher segura de si mesma, enquanto que Dick se tornou amargo e derrotista, verdadeiramente esgotado e psicologicamente exausto, acompanhado por Nicole, cada vez mais frágil.

A história é interessante, típica da altura em que foi escrita, ao retratar a alta sociedade, realçando os seus defeitos e excessos, com uma escrita minuciosa e agradável. O título, curioso, é retirado de "Ode to a Nightingale", um poema de John Keats, e é, para mim, representativo daquilo que é comum às personagens deste livro. A simpatia que tinham à noite e à calma e benéfica escuridão que esta oferecia, como forma de escaparem e de descansarem, inclusivamente de si mesmos.

Gostei bastante, e aconselho.