domingo, 1 de janeiro de 2012

A Mãe

Título: A Mãe
Autor: Máximo Gorki
Tradutor: Egito Gonçalves

Sinopse: Depois da morte do seu marido, Pelágia Nilovna começa a observar o filho Pavel. Apesar de morarem juntos, eram praticamente desconhecidos. Um dia, Pavel diz-lhe que está a ler livros proibidos: “São proibidos porque dizem a verdade sobre as nossas vidas de operários”. A história passa-se num dos bairros fabris da Rússia em princípios do século XX. Já com alguma idade, a Mãe interessa-se pelos ideais pelos quais o filho de bate e quando Pavel é deportado, Pelágia toma o seu lugar.

Opinião: A Mãe é um livro a tender para o denso, ou melhor, intenso. Digo isto porque as ideias e os ideais não estão escondidos, antes pelo contrário, são gritados aos 7 ventos! Eu pessoalmente acho fascinante ler um clássico, ainda por cima de um autor russo, com uma mensagem tão clara e explícita, e tão ansiosa para saltar para fora das páginas. Não que eu conheça muito de literatura russa, mas do pouco que li, a ideia que tenho é a de que os autores russos são romancistas por excelência, capazes de gastarem um livro inteiro sobre algum ideal menor, quanto mais algo da magnitude desta contínua e efervescente revolução do proletariado russo, no princípio do século XX.

Mas Gorki, pelo menos neste livro em particular, não é adepto de grandes floreados, no que toca a diálogos e a imagens transmitidas pela narrativa, apesar de, como qualquer autor russo que se preze, ser bastante dado a floreados na narrativa em si e em tudo o que seja descrição. E a forma como o faz é óptima, se bem que aquilo que mais apreciei foram de facto os diálogos, muitas vezes mais monólogos que outra coisa, praticamente todos mais do que inflamados pelo mesmo espírito revolucionário.

O livro começa por contar o dia-a-dia de uma família, representativa de muitas famílias parecidas, na qual o patriarca morre, deixando Pelágia, a Mãe, e Pavel, o filho, sozinhos e livres da tirania de marido e pai. É então que Pavel conhece os ideais socialistas, e não tarda a ver-se bastante envolvido na luta secreta que se desenrolou ao longo de vários meses e anos, tornando-se inclusivamente um dos seus principais instigadores. No entanto, um dia as coisas correm mal e Pavel é preciso, deixando Pelágia sozinha. E não é que Pelágia, quando se vê sem o filho, cujos discursos tinha começado a ouvir e a interiorizar, se torna cada vez mais activa e interessada na luta que ele e os seus camaradas travam, e acaba por praticamente tomar o lugar dele nas fileiras revolucionárias?

É nessa altura que Pelágia se torna não só a mãe de Pavel, o homem, não só a mãe de Pavel, o revolucionário, mas literalmente a Mãe de uma revolução silenciosa com ocasionais e violentos surtos de barulho. E é sobre isso que o livro fala, sobre Pelágia, a Mãe, da sua força enquanto mãe e da sua força enquanto Mãe. Da sua vontade em dar a melhor vida possível a filho e da sua vontade em dar a melhor vida possível a todo o povo russo, fazendo tudo aquilo que está o seu alcance para ficar um bocadinho mais perto de ambos os objectivos. Pelágia não desaponta e mostra uma força quase inimaginável, ultrapassa contratempos e luta activamente contra a repressão.

Resumindo, posso dizer que gostei bastante. Demorei um bocado a ler, mas tudo graças à minha maravilhosa vida de estudante universitário. Garanto-vos que gostei mesmo, e que se tivesse estado de facto de férias, tinha começado a ler do princípio e tinha lido tudo em 3 dias. Portanto... Leiam!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano novo, vida nova, o mesmo cliché de sempre

Eu quis, quase à força, vir escrever este último texto do ano, para cumprir com o cliché. Algures nos últimos dias de cada ano, um blogger de respeito tem que escrever um texto qualquer a despedir-se do ano que passou, a fazer um balanço, e a preparar o ano que vem!

Mas isso este ano é complicado. Não que o ano não tenha sido óptimo em leituras, foi até dos melhores de que tenho memória, mas a verdade é que o grande acontecimento deste ano, na minha vida, foi a entrada na faculdade que eu queria, no curso que queria, o que foi óptimo e não me podia ter deixado mais feliz. No entanto, o facto de agora estar em Engenharia Biomédica, no Instituto Superior Técnico, não me trouxe só vantagens.

Para começar, estudo que nem um desalmado, coisa que nunca tinha feito durante mais do que 2 semanas, e que agora já vai em 3 meses. Mas eu gosto de estudar, por mais estranho que isso possa parecer a algumas pessoas, portanto, não é por aí. O problema é que a vida universitária me tirou algumas coisas, como por exemplo, tempo de leitura. Longe da minha glória de 100 e muitos livros lidos, este ano fiquei-me pelos 64. Em minha defesa, podia afirmar que também li livros maiores, ou mais densos, ou ambas as coisas, mas não gosto desse tipo de desculpas. Se bem que não tenho que pedir desculpas a ninguém, não leio por obrigação, e como tal, o único problema de ter lido menos livros é exactamente esse, ter lido menos livros.

E apesar de tudo isto, é mais do que óbvio que não me posso queixar. Li livros tão bons, mas tão bons... Iniciei-me em Saramago, fiz a minha temporada épica, revisitei todos os livros do Harry Potter, li uma das obras-primas de Gabriel García Márquez... Enfim, no meio de algumas leituras bastante ranhosas, tive umas boas duas dúzias de leituras absolutamente divinais. Como tal, não me posso queixar.

Mas sendo o resmungão que sou, preciso de resmungar com alguma coisa. Não pode ser com as leituras, refilo sobre aquilo que está mais perto. A passagem de ano. Vejo por aí pessoas todas felizes, a festejarem a passagem de ano, mas sejamos realistas, estão a celebrar exactamente o quê? A entrada num ano ainda mais miserável que este? Eu sei que isto é um discurso um bocado amargo, e passível de ser interpretado como derrotista ou coisa que o valha, mas estou apenas a ser realista. E possivelmente amargo e sarcástico, mas isso já não tem cura. 

O que é que o próximo ano vai trazer de bom? Eu sei que temos que ter esperança, e não baixar os braços e isso tudo, mas por favor... Deixemos de ser tótós. A esperança do que quer que seja não passa de um penso rápido que pomos sobre a ferida. Não faz nada, mas deixa-nos pensar que estamos bons e prontos para outra. É claro que não baixo os braços, é claro que quero que tudo melhore e que corra bem, mas também não tenho ilusões...

Por outro lado, sou apenas um rapazinho revoltado consigo mesmo, que não sabe bem o que diz, não é? Enfim, vou falar de outras coisas. Por exemplo, da edição de luxo que recebi do último livro das Crónicas de Allaryia, Oblívio, de Filipe Faria. Coisa mais linda. Vai ficar guardadinho até Fevereiro, para ler os 7 seguidos! E tenho que dizer que já acabei A Mãe, do Gorki, e que algures nos próximos dias publico a opinião, quando se acabar a preguiça de a escrever.

Pronto, é tudo. Já escrevi demasiado. Vou voltar ao meu covil, amargo como sempre, ligeiramente maniento como sempre. Se ainda forem capazes de acreditar nisso, tenham um bom ano!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Vollüspa (Parte 2 de 2)

Título: Vollüspa
Autor: Vários

Opinião: Perdoai-me, caros poucos leitores que ainda visitam o blog com frequência e com razão. Não tenho tido mesmo tempo nenhum. Nem devia ter tido tempo para vir aqui escrever esta segunda parte da opinião, mas enfim, já me estava a fartar de me preocupar com a universidade, e perdido por cem, perdido por mil... Já sabia que estes dias não ia conseguir estudar grande coisa, portanto...

Mas pronto, avancemos. A encerrar a secção de Terror, aparece um conto de José Manuel Morais, A Vida é Sonho, um conto que não me agradou muito. Começa com uma premissa interessante, ainda que não seja nada de super-original: sonhos e afins. Mas todo o conto parece que passa a correr, e de repente já estamos no fim, sem interesse nenhum...

Depois a abrir a última secção, de Fantasia, aparece A Máquina, de Álvaro de Sousa Holstein, que dispensa apresentações de maior e que apresenta aqui um conto que classifico como um dos mais interessantes desta antologia, sobre o poder das memórias. O autor homenageia alguns dos grandes vultos da literatura portuguesa, sem grande alarido, mas de forma sentida.

Já em A Queda, de Carla Ribeiro, não encontrei uma história que me prendesse por aí além. Em termos de escrita devo dizer que até gostei, apesar de ser fã de uma escrita mais directa e menos floreada. Mas a história não me convence minimamente... Soa a mais do mesmo, para dizer a verdade... Com todo o respeito pela autora, com quem já contactei em fóruns e afins, mas daquilo que lhe conheço (que não é muita coisa, confesso), penso que seria capaz de fazer bem melhor!

A seguir aparece Joel Puga, com O Último, do qual gostei. Bem escrito, bem estruturado, para um conto tão pequeno, e interessante, apesar de ser mais uma retrospectiva, ou umas memórias, o que preferirem... Passa muito bem a ideia de solidão e a de resignação forçada de quem sabe que não tem saída, mas que sabe uma coisa de certeza: vai sair a lutar. Muito bom.

De seguida temos A Sala, de Marcelina Gama Leandro, que não é mau de todo, mas que podia estar melhor escrito. As coisas parece que acontecessem muito rapidamente e os diálogos estão um bocado repetitivos e extremamente pouco naturais, se bem que eu sei perfeitamente a dificuldade que é escrever um diálogo decente...

Quase a acabar vem Uma Questão de Lugar, de Pedro Ventura, que no meio de tanto conto pequenino, parece apenas grande demais. E tem de facto alguma ronha. A história é moderadamente interessante, e a escrita é agradável, não haja dúvida, mas estendeu-se demais. Ainda por cima no meio de tantos contos tão mais pequenos, em contraste, ainda parece maior do que é. E depois no fim... Nada de especial. Mas pronto, não é o pior conto...

O pior talvez seja este último, Vermelho, de Regina Catarino. O recontar de um episódio bíblico pelos olhos de um observador aleatório não me convenceu mesmo nada, apesar de achar que Fantasia é a palavra certa para descrever tal episódio. E a escrita nem é má de todo, mas perde-se no meio da história sensaborona.

E pronto, cá ficam todos os contos opinados (finalmente!). O balanço geral é positivo, apesar de alguns defeitos e de uma secção de Fantasia relativamente fraquinha, quando comparada com a de Ficção Científica, já para não falar da quase ausência do Terror... Mas não se fica a perder nada, penso eu, são no geral bons autores, com bons contos, que demonstram que existe um forte sector Fantástico em Portugal por descobrir, e é esse o papel mais importante desta "Vollüspa", o de dar a descobrir autores e o de fazer as pessoas descobrirem o Fantástico. Como tal, e uma vez que foi uma leitura agradável, que só pude ter graças ao trabalho do Roberto Mendes, que lutou por este projecto, e que parece ter acertado. Esperemos que dê frutos!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ah pois, o problema da leitura

E eu que tenho andado muitíssimo desaparecida por estas bandas. Este querido blog, que me faz sempre recordar o prazer que é o de folhear.

O que se passa é que estou num curso artístico a ler um calhamaço como Os Maias. E por calhamaço (que só por acaso é uma palavra que odeio tremendamente) não me subentendam: estou a gostar.

Mas como disse anteriormente, o meu curso requisita ocupação constante. Num tempo livre ter de escolher entre desenhar ou ler, acaba por se mostrar uma decisão complicada. Mais o estudo.

A minha edição dos Maias é das mais antigas, enorme, de capa dura vermelha. Em suma: impossível de transportar diariamente, logo, só arranjo um quartozinho de hora por dia para ler, e é quando o consigo arranjar.

Tento ler o máximo possível, e (graças a quem quiserem) já estou quase no fim.

Para aqueles que acham este blog suspenso nas mãos (de oiro) do Rui, desenganem-se, pois por detrás de um grande homem, estão sempre duas grandes mulheres. ;D

Enfim, bom Novembro extenuante e sem subsídio de Natal e claro, boas leituras para todos.

PS: Odeio o Carlos da Maia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Vollüspa (Parte 1 de 2)

Título: Vollüspa
Autor: Vários

Opinião: Vamos lá começar a falar dos contos. Da capa não falo mais, apesar de ser, repito, uma das capas mais espectaculares que já vi. Mas bem, adiante.

A Vollüspa está divida em 3 partes, por géneros. Primeiro vem a Ficção Científica, o Terror e por fim a Fantasia.

A iniciar a primeira secção, aparece o conto de Afonso Cruz, O Pequeno Guia do Céu, de Tristan de Sapincourt, um pequeno conto delicioso, que me despertou o interesse para este autor. As constantes referências a personalidades famosas e a eventos importantes da história da Humanidade deixaram-me com água na boca, bem como a pequena narrativa, que termina numa crítica à visão excessivamente científica, e que apela, bem como todo o conto, à visão fantasiosa das nossas mentes.

De seguida vem Natal®, de Carlos Silva, uma história que satiriza um hipotético Natal futuro, provavelmente não tão distante da realidade como todos gostaríamos que estivesse. O Natal apresentado é artificial, de uma ponta à outra, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E quando a coisa começa a correr mal... Bem, a solução até é fácil!

Depois, Eternidade, de João Ventura, que me agradou bastante. É a história de uma Presença, de certa forma eterna, tanto a história como a Presença, que guarda algo que pode mudar o futuro da Humanidade, e da forma como ela evita que isso venha a acontecer, de forma algo fria e desligada, de acordo com a presença da Presença narradora, passe a repetição. Lembro-me que ao acabar este conto, pensei que já tinha valido a pena ler isto. E mais não digo.

Agora vem A Queda de Roma, antes da Telenovela, de Luís Filipe Silva, mais uma sátira bastante óbvia, ainda que talvez seja, de certa forma, algo subtil. Eu sei que isto parece parvo, e possivelmente algo pretensioso, mas acreditem, depois do primeiro impacto há toda uma série de impactos mais subliminares, vá, que dão uma nova dimensão a este conto.

O quinto conto é Génesis - Apocalipse, de Roberto Mendes, o organizador deste volume, conto em que o autor, como o próprio o diz, homenageia dois grandes da ficção científica, Isaac Asimov e Robert Silverberg, nomeadamente o livro que os dois escreveram juntos, The Positronic Man. Aquilo que o Robert fez foi ir além daquilo que leu, na juventude, pensar e imaginar para além das fronteiras de um livro que só por si já merece todo o respeito, e criou esta pequena história em que evoca essas suas memórias (mais uma vez, como o próprio refere, na nota de editor), de forma interessante e bem escrita.

Já e entrar na secção de Terror, mais curta que as outras duas, o conto inicial não me agradou por aí além. É O Acorde das Almas, de Carina Portugal, e que apesar da boa escrita, não me conseguiu prender por aí além, talvez por não ser o tipo de terror que mais me agrada.

Depois aparece Enquanto Dormias, de Nuno Gonçalo Poças, que é exactamente um dos tipos de terror que mais aprecio: perturbador, algo bizarro e brutalmente directo. Uma história que gostei de ler, com muita loucura envolvida (ou não?), com uma linha narrativa algo obscura e difusa. Tal como eu gosto.

E pronto, fica por aqui a primeira parte, até agora a crítica geral é favorável, diga-se de passagem. Falta só ver quando é que arranjo tempo para escrever a segunda metade!

domingo, 13 de novembro de 2011

Vollüspa: um conceito, uma ideia, um projecto



Além de uma das capas mais espectaculares que já me passaram pelas mãos, Vollüspa tem ainda por trás um dos melhores "conceitos de existência".



Tudo começou como uma ideia, aliás, como uma excelente ideia, que podem ler aqui. A ideia foi de Roberto Mendes, o organizar e a mente por trás deste projecto.



O objectivo foi, como podem ler no link, criar uma revista de contos que juntasse autores portugueses consagrados no género do fantástico com autores menos conhecidos. Esta revista rapidamente evoluiu para uma verdadeira antologia, digna de passar à categoria de livro, e que conta com a participação de autores mais conhecidos, de Afonso Cruz a Carla Ribeiro, que dispensam quaisquer apresentações, e com autores desconhecidos, que mostram agora ao público os seus primeiros trabalhos, como Carlos Silva e Carina Portugal.



Ora, depois de tudo concluído (este tudo inclui o interesse de uma pequena editora), o Roberto Mendes tratou de fazer chegar a versão final a alguns blogs, para que opinassem e divulgassem este seu projecto. O Que a Estante nos Caia em Cima, foi um dos blogs felizardos, e eu aceitei, obviamente interessado não só na possibilidade de ler contos de autores conhecidos, como na possibilidade de descobrir novos talentos, bem como na possibilidade de participar, ainda que de forma mínima, neste projecto, ao dar a minha opinião sobre os contos presentes nesta antologia, que não é nada mais nada menos do que uma "mostra" ou um meio de divulgação da literatura fantástica portuguesa.



Aliás, foi essa uma das principais razões para ter aceite divulgar a Vollüspa, ou não fosse eu alguém que adora este género de literatura e que acha muito bem que aquilo que se a nível nacional seja divulgado. Temos muitos bons autores, alguns incluídos neste projecto, que só têm é que ser divulgados. E lidos!



Portanto, cá fica este texto, em jeito de introdução. A opinião, ou melhor, as opiniões, vêm a seguir, em duas publicações separadas, para poder falar à vontade. Fica desde já o meu voto positivo!

domingo, 6 de novembro de 2011

Números Notáveis


Título: Números Notáveis
Autor: Lamberto García del Cid

Sinopse: Onde é que reside a importância de um número? Há números, como o zero, que são importantes para os matemáticos. Outros são relevantes para determinadas religiões, como o 3 e o 666. E também os há para os apaixonados da lotaria, como por exemplo o 22. Mas quer sejamos matemáticos, crentes ou apostadores, as três coisas ou nenhuma, o certo é que a importância e a influência dos números invadem toda a nossa vida.

Opinião: Se a curiosidade matasse eu tinha morrido logo a seguir a ter lido o título deste livro. O fascínio que os números têm exercido sobre a Humanidade sempre me fascinou, passe a redundância. Eu próprio sinto essa atracção, especialmente tendo em conta que passo a vida a lidar com números.

Há poucas coisas mais fascinantes do que descobrir que as primeiras 4 potências de 11 são capicuas, tal como ele próprio. Ou que é impossível desenhar uma linha de comprimento pi. Ou até descobrir que existem números imaginários, que são raízes de números negativos! Toda uma catrafada de coisas absolutamente fascinantes que vêm incluídas neste livro, que ainda traz muito mais coisas. Só lendo.

E da colecção, é dos que já li que tem uma melhor estrutura. Muitos factos sobre números, alguns apontamentos históricos, poucos desvios relativamente ao tema principal, nem aprofundamentos do mesmo de forma exaustiva (e incompreensível). Um livro em tudo perfeito, relativamente a esta colecção.

Ainda por cima tem a particularidade de ser daqueles cuja leitura não exige conhecimentos matemáticos por aí além. Qualquer pessoa o pode ler e sentir-se igualmente fascinada, sem perder nada de relevante. É por isso que o aconselho, se algum dia tiverem a hipótese de pegar nele. Lê-se rapidamente, como todos os livros desta magnífica colecção, está bem escrito, de uma forma directa e linear (o que dá jeito, quando se trata de matemática), e ainda tem um conteúdo absolutamente fascinante. O que é se pode querer mais?