segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O problema da leitura

Começo a ficar preocupado. Sou um bookaholic confesso, nunca tive problemas com isso, mas começo agora a sofrer os efeitos. Até este ano lia em média, em tempo de aulas, 1 ou 2 horas por dia. Nestas últimas férias, de relaxamento supremo, cheguei a ler 6 e 7. Agora? Se conseguir 20 minutos, dou-me por feliz. O que me deixa preocupado. A este ritmo, o mais provável é começar a ter tremores e suores frios, e a andar mais nervoso, cheio de tiques. E depois entro em choque, ou algo do género.

O ritmo da universidade é intenso, e ainda não é nada comparado com o que aí vem. É sempre a subir. O que vai fazer com que eu precise cada vez mais de ler, pois vou ter cada vez menos tempo. Já aproveito as viagens de metro, cerca de 20 minutos para cada lado, e cada tempinho morto, daqueles que não são curtos o suficiente para passarem tranquilamente, mas que não são longos o suficiente para sacar dos livros e estudar um pouco. Pareço um verdadeiro agarrado. Que é o que eu sou, só que com aquela que é provavelmente a droga mais saudável do mundo: a literatura.

No entanto, e não se assustem com o que vou dizer a seguir, a falta de tempo para ler tem as suas vantagens. Parece estranho, eu sei, mas vamos com calma que eu explico. Para começar, faz com que eu preze muito mais o tempo que passo a ler. Seja um policial da rainha dos policiais, seja um artigo científico, seja um texto sobre lógica matemática ou sobre encontrar deltas e epsilons, sejam as fofoquices estupidificantes duma revista cor de rosa, ou sejam as vá, "notícias", do Correio da Manha, absorvo cada palavra como se fosse a última. Às vezes chego a dar por mim a apreciar mais o acto de ler, o de ver palavras escritas à minha frente, do que o conteúdo em sim (o que não é difícil, nos últimos dois casos). Esta falta de tempo tornou os meus momentos de leitura completamente sacrossantos.

Outra vantagem foi a de me pôr a pensar na leitura. Sim, estou assim tão mal, fico com tantas saudades de ler que me ponho a pensar e a imaginar o acto de ler. Crazy person? Só se ainda não tiverem percebido que ler se tornou um acto tão básico como comer, ou dormir. O que é que fazem quando estão cheiinhos de fome, mas não têm nada para comer? Não imaginam bifes suculentos a deslizar à vossa frente? Ou quando estão a morrer de sono, e não podem dormir, não começam a ver as vossas caminhas à frente, com o ar mais apetecível deste mundo? É o que já me acontece com a leitura.

Pois bem, avancemos. No que é que eu penso, exactamente? Bem, além da simples sensação de sentir um calhamaço nas mãos, dou por mim a pensar: "porque é que há cada vez mais gente a ler, mas cada vez menos gente a ler?". Antes que pensem que estou a dar numa de Pessoa e a ditar paradoxos ao ar só porque sim, sigam a minha linha de raciocínio. É um facto que há cada vez mais pessoas a ler, ou melhor, que pegam em livros e os lêem. O pormenor está aqui. Quando digo que pegam em livros e os lêem, não digo que peguem em livros a sério, ou que mesmo que peguem, que os leiam como deve ser. É a diferença entre o aumento da leitura e a banalização da leitura.

Do meu ponto de vista, acho que este fenómeno da banalização da leitura se intensificou até extremos insuportáveis, a partir da altura em que a saga de vampiros de Meyer teve o seu ponto alto de fama. São livros fáceis de digerir, com um aspecto grande e imponente, mas com pouco "sumo", que mesmo que sejam bem escritos (o que não acho que sejam, mas enfim), e que sirvam para entreter durante uns dias, não passam disso. São meros romances adolescentes extremamente comerciais. E desde essa altura é ver livros como esses a surgirem literalmente aos pontapés. Historietas de caracácá, com montes de páginas e montes de personagens lindas de morrer, cheias de amor para dar e mais sei lá o quê, mas com pouca história, essencialmente repetitivas e basicamente desinteressantes. São as novelas da TVI em formato de livro.

E isto irrita-me. Digam o que disserem, ninguém me convence que é melhor lerem alguma coisa, mesmo que sejam esses livritos (perdoem-me os fãs) ranhosos, do que não lerem nada. Acredito piamente que são altamente estupidificantes, tal como as telenovelas da TVI. E alguns são verdadeiros insultos a livros a sério. E sim, também sei que estou a ser mauzinho, até podem dizer que estou a ser injusto e isso tudo, para além de estar a escrever demasiado, mas não me consigo conter. Eu, um apaixonado pela leitura e pela literatura, que actualmente mal tempo tem para se coçar ou para escrever textos irritados mais longos que o usual, quanto mais para ler, ia ser simpático e ficar feliz por pessoas que não liam nada e agora devoram livrinhos todos feitos do mesmo molde, às dezenas, todas contentes por estarem finalmente imersas no mundo da "literatura"? Sim, estou a ser mauzinho, mas reservo-me esse direito.

Quer dizer, há rapaziada mais nova, até da minha idade ou mais velhas, que nem sequer sabem quem é o Júlio Verne. Ou o Edgar Allan Poe. Lovecraft. Mark Twain. Que nunca leram uma história do Sherlock Holmes, ou que acham que o Poirot é francês. Que adoram O Senhor dos Anéis, mas não fazem a mínima ideia de quem seja Tolkien. Que nunca pegaram em Oscar Wilde. Que dizem que Saramago era aquele chato armado em revolucionário que não sabia escrever QUE DIZEM QUE MEYER É A MELHOR ESCRITORA DO MUNDO. Que acabam de ler Os Maias e só sabem dizer "é engraçado, mas aborrecido, tem umas descrições muito grandes". Que odeiam Os Lusíadas sem sequer fazerem a mínima ideia de como é o livro, e daquilo que narra.

E depois não querem que eu me irrite. Irrito-me, aborreço-me e enervo-me. E muito. É preciso salvar a leitura deste autêntico abandalhamento, é preciso mostrar por a mais b que qualquer linha escrita por Oscar Wilde tem provavelmente mais amor e sentimento que os fast-books que andam a ler, e que os contos de Poe e de Lovecraft têm mais conteúdo que grande parte destas pseudo-sagas que aparecem em todos os cantos... Nós, leitores, temos que mostrar a toda a gente que precisam de começar a ler e não apenas a ler. Não podemos, ou melhor, ninguém pode ser assim tão simpático e tolerante. Enquanto leitores e enquanto pessoas, temos que ser realistas, e ver que isto está a descambar. Que Meyers e companhia não são literatura, e a não aceitar que alguém argumente que estamos errados. Uma coisa é ser tolerante para com as crenças e ideias dos outros, outra coisa é ser estúpido e ceder à lógica da batata e a argumentos furados.

Façam-me companhia, chateiem-se nem que seja um bocadinho com esta situação e perdoem-me o longo, longo discurso. Boas leituras meus amigos.

9 comentários:

WhiteLady3 disse...

Poirot francês? O crime!!! :P

Não concordo com a totalidade do teu texto mas entendo a reacção. Pessoalmente, acho que é melhor ler qualquer coisa do que nada. Tem-se de começar por algum sítio não é verdade? É certo que depois de lerem Meyer houve quem passasse para as Brontë e achasse uma seca, e que o amor entre a Catherine e o Heathcliff não era nada quando comparado com o da Bella e do Edward (eu não gosto de nenhum, mas pronto é opinião pessoal), mas leram.

E quem sabe se daqui a uns tempos aborreçam-se de thrillers com twists que se topam a léguas e passassem então para essa master mind do crime que é a Agatha. Talvez se aborreçam com os insta-loves (como diz a minha amiga Slayra) e peguem em Gaskell ou Austen e se rendam ao cortejar do séc. XIX, onde um trocar de olhares diz mais que todos os "amo-tes"...

Vejo a literatura, ou pelo menos o estado como se encontra neste momento, como um ser que está agora na adolescência, mas há-de crescer e querer um pouco mais. Eu há 10 anos (ok, talvez há um pouco mais talvez 15...) também não queria saber de clássicos para nada. Eram uma seca! Mas agora, e não é que esteja sempre a lê-los porque penso que é preciso estar para aí virada para o apreciar como deve ser, ninguém me desapareça com o Conde de Monte Cristo, North and South nem o Persusão, ou há sangue!

Iceman disse...

Caro Rui!

Eu entendo o teu desabafo, pois há tempos me senti assim e nota que eu sou do tempo em que ninguém lia. Ou seja, hoje em dia já se vê muita malta com livros nos transporte públicos ou nas filas de qualquer organismo, mas antes? Há uns anos, meu caro, não vias ninguém com livros pois isso era coisa de intelectual gay. Estou a falar a sério, quem lia eram os esquisitos.

Desde há uns anos, quiçá com a ajuda dos blogues, o universo de leitores cresceu imenso e as próprias editoras o reconhecem. No entanto não desesperes. O problema é que o pessoal da tua geração não está para aí virado, mas muitos é apenas uma questão de tempo até pegarem em livros.

Agora a questão da boa literatura, enfim, para além do "considerando" "boa literatura" ser muito baga e subjectiva (por exemplo, eu acho Rodrigues dos Santos boa literatura porque me distrai, ensina e diverte. Mas quantos são aqueles que apregoam como "lixo" a sua literatura?), é algo que temos de ser nós a fomentar. Ou seja, se tu achas que determinado livro é muito bom, que é um clássico, então deves apregoar isso mesmo, convencer as pessoas a ler.

Mas e insisto, não acho que exista boa ou má literatura. Conheço duas pessoas que se iniciaram com os livros da Corin Tellado. Imagina. Quando leram umas dezenas, procuraram algo de semelhante e agora já leram dezenas de clássicos e falam de livros com à vontade sem ter qualquer vergonha de admitir que começaram por Corin Tellado. Eu comecei pelos "Cinco" e por pequenos livros de cowboys e aventuras que o meu pai tem. São história de 50 páginas que lia numa hora mas que adorava, que me fizeram ver que ler é viajar por outras épocas, conhecer outras realidades. De facto o importante é ler. Agora o quê? Não podemos ter a pretensão de todos lermos "D. Quixote" só porque é considerado um livro fundamental. Se não o quiseres ler, não lês. Se te diverte ler Meyers, então lê Meyers, tudo o resto são insignificâncias que um dia vais entender não ser digno de preocupação da nossa parte.

Um abraço!

t i a g o disse...

Sei mais ou menos o que estás a sentir. Lamento é a parte de não alinhar na ideia final do texto! :D
Até porque, se calhar vou-te provocar ao dizer isto, ainda me irritam um bocadinho mais os fundamentalistas dos "clássicos" da "literatura verdadeira e nobre" do que os leitores de ficção mais light.

Em relação ao tempo de leitura... já somos dois. A diferença é que eu nunca li 2 horas por dia! Normalmente andava à volta dos 40 minutos diários, e agora caíram para... não caíram, afinal. Mantém-se nos 40 minutos diários! A verdade é que passo à volta de 70 (45 para um lado, 45 para o outro) minutos diários em idas e vindas, mas, para se ser verdadeiro, o tempo útil de leitura não passam dos 40 minutos. Vendo bem é o que estou habituado. Se queria ler mais? Pois queria.

Carla Ribeiro disse...

Discordo.

Enquanto pessoa que lê de tudo um pouco, desde os grandes clássicos ao que tu chamas livros "estupidificantes", acredito no direito de cada um a ler o que quiser e de gostar daquilo que muito bem entender sem ser menosprezado por isso.

Parte do maravilhoso da leitura é a possibilidade de encontrar num livro coisas com que cada um pode sentir, sonhar e (porque não?) identificar-se e essa experiência é, inevitavelmente, diferente para cada leitor, consoante as suas experiências, afinidades... até segundo aquilo que o move.
Dizer que certos livros não deviam ser lidos - quando há quem os aprecie - é limitar o direito desses leitores a tirar prazer das suas leituras. E, sinceramente, prefiro uma boa história escrita de forma mais simples a um livro maçudo e cansativo, mesmo que este seja considerado um clássico.

Por isso, vale mais não ler que ler essas leituras mais "leves"? Lamento, mas não posso concordar. Tal como não posso concordar com a existência de verdades universais quanto ao que é "boa literatura" e quanto ao que devia ser erradicado da face do planeta. Não é com imposições que se defende o gosto da leitura.

A cada um os seus gostos e as suas preferências. Eu reservo-me o direito de ser eu a definir os meus.

slayra disse...

Subscrevo inteiramente a opinião da Carla Ribeiro. Não o teria posto melhor.

Acho que lá porque alguém achou que determinados livros deviam fazer parte dessa colecção ultra-especial chamada "os clássicos", não quer dizer que tudo o que não seja "clássicos" não valha a pena ser lido; e sinceramente, irrita um bocado que pessoas que acham que sabem o que é "boa literatura" e que se acham no direito de ditar o que os outros devem ler deitem abaixo géneros inteiros de livros contemporâneos sem sequer os terem lido.

E se pensarmos bem, o que eram Austen, as irmãs Bronte e outros autores do género que hoje são considerados grandes escritores, no seu tempo? Provavelmente as Nora Roberts e Dan Brown da época. Não foram logo considerados supra-sumos da literatura. O que são os livros do Júlio Verne e do H.G. Wells senão a literatura especulativa dos séculos XIX e XX?
E antes que se barafuste, sim eu realmente li Austen (que adoro), as irmãs Bronte - e desculpem mas o Monte dos Vendavais é do mais "telenovela da TVI" que há e podem vir 300 doutorados em literatura dizer-me o contrário, se quiserem!

Acho que as pessoas que professam a opinião de que muitos dos livros de hoje em dia são 'lixo' (e que nem sequer lêem para ver se é realmente o caso) não se apercebem que uma pessoa pode ser um leitor culto sem nunca ler nada a não ser Meyer e Nora Roberts. Acho sinceramente pedante essa mania de dizer que quem não lê clássicos ou livros considerados "boa literatura (como José Saramago ou outros vencedores do Prémio Nobel) não 'lê'. A definição de 'bom livro' para mim, é uma obra que nos dá prazer em ler, seja ele clássico ou livro da Harlequin. Caso contrário ler já não seria uma actividade lúdica mas uma obrigação. :P

/end rant.

Tenho dito.

Rui Bastos disse...

Vou tentar responder a todos ao mesmo tempo, mais ou menos.

Dou desde já a mão à palmatória, e digo que o texto, particularmente a parte final, acabou por ficar excessivamente intransigente. A tender para a sobranceria e coisas do género. Je sais. Em minha defesa, vejo este texto como um texto chateado, que escrevi numa altura em que estava cansado e queria era descarregar nalguma coisa, e saiu isto.

Sei bem que este ponto de vista, que não nego ser o meu (talvez menos radical, quando estou bem disposto :p), não é propriamente o mais correcto, ou o que tem mais lógica, e acreditem que concordo com a maior parte do que disseram quanto à liberdade de escolha de leituras e à liberdade de se gostar de um livro, seja ele um clássico ou literatura de cordel, sem se ser rebaixado ou sem ficar de imediato categorizado como um "leitor inferior".

Mas também não me estou a desculpar, ou a tentar, de forma subtil, dar o dito por não dito. Aquilo que eu penso e que tentei transmitir, está no texto. Talvez a forma de apresentação não seja a melhor e tenha acabado por dar a ideia errada. Ficou mais agressivo do que era suposto, mas c'est la vie, da mesma forma que é melhor ler o que quer que seja do que nada, também acho melhor ter uma opinião estupidamente forte, do que nenhuma.

Mas prometo desenvolver a coisa em pelo menos mais um texto, mais calmo (I hope) e mais racional.

P.S.: merci pelos comentários. é por coisas destas que vale a pena ter um blog!

Laura disse...

Nãp concordo com tudo o que disseste, porque eu sou apologista de que o que interessa é ler, não interessa o quê. Mas eu tenho um senão, que é: ler seja o que for desde que se absorva algo. E por muito que um livro seja estupidificante (pegando na Meyer, por exemplo), não significa que não seja possível aprender algo dele (nem que não seja o que não fazer, ou o que não pensar). Aliás, livros como os da Meyer fazem-me pensar mais do que livros mais "eruditos", nem que seja por ter de olhar para aquela lamechisse e sem-sentido-pegado e organizar as ideias de forma a conseguir argumentar perante um fã.
E a diferença entre ler e ler não está no conteúdo. Está na forma como se lê. Exemplo: eu leio a National Geographic mas leio o Correio da Manhã.
E penso que uma pessoa não saber quem é Juler Verne não é problema de ler Meyer, é ignorância geral - que não tem que ver com os livros que se lê, tem que ver com a própria pessoa... Mas percebo a tua revolta. Sou muito tolerante na literatura, desde que não me venham dizer que Twilight é o melhor livro alguma vez escrito...

Tchetcha disse...

Subscrevo o que o pessoal disse e já vi que respondeste. Tal como eles, compreendo o teu ponto de vista mas não o subscrevo.
Já dei por mim a pensar "n" vezes: "mas porque é que esta malta lê isto?!" no metro e no comboio e depois penso que eles fazem os mesmos julgamentos sobre mim. Eles não estão na minha cabeça e não sabem do que eu gosto por isso quem sou eu para julgar aquilo que lêem? Como disse o Iceman, há 10/15 anos ninguém lia, era foleiro/gay/estranho sacares de um livro para leres em público.

Maria Pereira disse...

Pois eu vou antes falar sobre a falta de tempo para ler. Eu também adoro ler e nos meus tempos áureos ias de férias 15 dias e levava um livro para ler em cada dia e mesmo quando não consegui atingir o objetivo, andava lá muito perto...

Comecei a trabalhar e a estudar de noite. Casei, tive filhos. Passei a minha paixão da leitura ao meu filho de 6 anos e estou a "trabalhar" o mais novo de 2 anos para ser assim também...

E tempo para ler, entre trabalho, filhos e casa para tratar??? Pouco, muito pouco mas todos os segundos são preciosos... Quando vou trabalhar no carro, de manhã quando lavo os dentes, na cozinha quando estou a tratar do jantar, um bocadinho antes de adormecer... Aproveito sempre que posso para ler nem que seja uma simples pagina e fico contente com isso. Demoro tempo a ler um livro? Sim. Estou muitas vezes ansiosa para virar a pagina seguinte? Sim. Mas grão a grão enche a galinha o papo e eu vou enchendo a minha paixão pela leitura :)

Quanto a quais os livros, leio de tudo, clássicos, romances, levezinhos, pesados, prémios nobel e de cordel, acho que nos dias que correm há espaço para todos e se as sagas juvenis servem para iniciar o prazer da leitura, que assim seja :)

Boas leituras

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